Quando morre um ancião, desaparece uma biblioteca…

 

Nenhuma outra força moldará o futuro da economia, das finanças públicas e da formulação de políticas como a taxa irreversível de envelhecimento da população mundial. O envelhecimento populacional, grande conquista social do século XX, traz novos e complexos desafios para as políticas públicas. Essa transformação demográfica sem precedentes levará o planeta a ter, em 2050, cerca de 2 bilhões de idosos. No decorrer dos próximos 50 anos haverá no mundo, pela primeira vez na Historia mais pessoas acima de 60 anos que menores de 15. Projeta-se para 2020 um contingente de aproximadamente 30,9 milhões de pessoas que terão mais de 60 anos no Brasil. Precisamos assegurar que o processo de desenvolvimento ocorra com base em princípios capazes de garantir a manutenção da dignidade humana e a equidade entre os diversos grupos etários na partilha dos recursos, direitos e responsabilidades sociais.

O envelhecimento populacional de muitos países desenvolvidos ocorreu em contexto que permitiu a expansão dos seus sistemas de proteção social. No Brasil, o acelerado processo de envelhecimento da população e o já visualizado fim do bônus demográfico está ocorrendo em meio a uma conjuntura recessiva e a uma crise fiscal que dificultam a expansão do sistema de proteção social para todos os grupos etários e, em particular, para os idosos.

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As evidências e estudos indicam que os idosos aumentaram sua responsabilidade pela provisão econômica de seus filhos adultos e netos.

É preciso deixar claro – a questão do envelhecimento é uma das questões mais fundamentais e emblemáticas para o desenvolvimento nacional, capaz de definir se o País entrará em um ciclo de crescimento justo e sustentado, ou, no outro extremo, se atolará em uma armadilha fiscal com falta de oportunidades para seus jovens.

No Brasil, a parcela das transferências públicas per capita destinadas à população idosa, se comparada à fração para as crianças, é muito maior do que em qualquer outro país da OCDE e da América Latina e do Caribe com sistemas proteção social similares. O gasto do setor público brasileiro em educação e previdência (como porcentagem do PIB) é similar ao de países da OCDE. No entanto, dada a estrutura etária mais jovem no Brasil, isso representa investimentos públicos muito menores em educação para a juventude (9,8% da média salarial no Brasil vs. 15,5% na OCDE) e benefícios públicos previdenciários médios muito maiores (66,5% da média salarial no Brasil vs. 30,4% da média salarial na OCDE). Gastos públicos totais em saúde pública no Brasil estão muito abaixo da média da OCDE – e os benefícios médios em saúde são um pouco menores.

Diante desse cenário, novamente cabe a educação aportar um leque de soluções essenciais para enfrentar o desafio. A interface entre educação e envelhecimento ganha relevância e é ponto importante na Declaração de Incheon, que incentiva os países a fornecer educação inclusiva, igualitária e de qualidade, além de oportunidades de aprendizagem ao longo de toda a vida para todos. A Declaração de Incheon incentiva ainda os governos a oferecer oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, para que as pessoas continuem a crescer e a se desenvolver.

No plano internacional outras duas assembleias das Nações Unidas, uma realizada em Viena, em 1982, e outra em Madri, em 2002, influenciaram significativamente a agenda internacional de políticas públicas para a população idosa.

Apresento aqui alguns princípios e iniciativas, canadenses em sua maioria, que se alinham ao Plano de ação aprovado na Conferencia de Madrid: a) participação ativa dos idosos na sociedade, no desenvolvimento e na luta contra a pobreza; b) fomento da saúde e bem-estar na velhice: promoção do envelhecimento saudável; e c) criação de um entorno propício e favorável ao envelhecimento.

a) Incentivar uma vida profissional mais longa e manter a capacidade de trabalhar – O programa de Segurança da Velhice do governo do Canadá desempenha um papel significativo no fornecimento de segurança de renda para idosos do Canadá. Os benefícios do programa incluem pensão, pagos às pessoas com 65 anos ou mais que atendem aos requisitos de residência e ao Suplemento de Renda Garantida para idosos de baixa renda. Para melhorar a flexibilidade e a escolha, o Governo introduziu uma provisão que permite o adiamento voluntário da pensão por até cinco anos, ou até a idade de 70 anos, dando aos canadenses a opção de receber sua pensão em uma data posterior, em troca de uma maior quantidade mensal. Para cada mês de adiamento, a aposentadoria aumenta em 0,6%, totalizando 7,2% para cada ano completo de adiamento.

Programas de treinamento específicos podem ser eficazes para suavizar ou anular o declínio associado à idade na habilidade de aprender novas habilidades ou técnicas. Até agora, no entanto, as evidências indicam que o acesso a treinamento diminui significativamente ao longo da vida de trabalho do indivíduo. No futuro, as empresas não terão escolha a não ser expandir os programas de treinamento, para investir nos trabalhadores mais idosos e reorientar os programas para atender às necessidades desses trabalhadores.

b) Para garantir a plena integração e participação dos idosos na sociedade  –  Programas que apoiam os trabalhadores mais idosos são importantes. No Canadá foram realizados esforços para fortalecer a capacidade dos trabalhadores mais idosos e ajudá-los a garantir novos empregos. Um programa específico foi direcionado a trabalhadores com idade entre 55 a 64 anos que vivem em comunidades pequenas e vulneráveis para reintegrá-los ao mercado de trabalho e/ou melhorar a sua empregabilidade. As medidas incluem serviços de assistência ao emprego baseados em grupo (por exemplo, técnicas de redação e entrevista de currículo) e atividades de melhoria de empregabilidade (por exemplo, atualização de habilidades e colocações de trabalho).

O Governo do Canadá financiou iniciativa de renovação de habilidades essenciais dos trabalhadores mais idosos para o século XXI. Este projeto desenvolveu um site de busca de emprego que corresponde às competências dos trabalhadores com 45 anos e mais com as necessidades essenciais de habilidades dos empregadores. A província de Alberta desenvolveu um plano de ação de trabalhadores idosos para alcançar uma maior taxa de emprego, contatando empregadores, apoiando os trabalhadores, promovendo o envelhecimento ativo e promovendo um ambiente favorável a contratação.A taxa de participação da força de trabalho para idosos (55 anos e mais) é de 47%, a maior das províncias canadenses. Os trabalhadores com 55 anos ou mais representam 18% da força de trabalho de Alberta.

c) Para permitir que os mercados de trabalho respondam às consequências econômicas e sociais do envelhecimento da população – Apoiar locais de trabalho amigáveis e combater preconceito com a idade no local de trabalho. Várias iniciativas em favor a locais de trabalho amigáveis com a idade. O Canadá desenvolveu ferramentas on-line para promover locais de trabalho amigáveis com a idade, incluindo um guia para os empregadores promover a participação dos trabalhadores com 55 anos ou mais e uma ferramenta de auto-avaliação para os empregadores.

 d) Promover a participação, não discriminação e inclusão social de idosos – A grande maioria dos idosos de hoje participa da sociedade e vive vidas mais saudáveis e mais longas em comparação com as gerações anteriores. Isso se deve em parte ao acesso a um sistema de saúde de qualidade e a um sistema de renda de aposentadoria forte e estável. O progresso na medicina e as melhorias no bem-estar, dieta, prevenção de acidentes, medidas de saúde pública e escolhas saudáveis contribuíram para que as pessoas vivessem mais tempo. Apesar desses avanços, continuam os desafios, especialmente no que se refere à garantia de participação, não discriminação e inclusão social de idosos.

e) Incorporar o envelhecimento em todos os campos políticos com o objetivo de harmonizar as sociedades e as economias com mudanças demográficas para alcançar uma sociedade para todas as idades – Para proteger melhor os idosos contra os maus tratos, o Governo do Canadá entrou em vigor na Lei de Proteção dos Seniores do Canadá em janeiro de 2013, que altera o Código Penal do Canadá, para que a idade da vítima seja considerada um fator agravante para fins de sentença criminal; enquanto Terranova e Labrador aprovaram uma lei relativa à proteção de adultos em junho de 2014, que protege os adultos que estão em risco de abuso e negligência. Várias províncias lideraram programas contra abuso de idosos, incluindo a Colúmbia Britânica, Alberta, Quebec e Manitoba. A Lei de Proteção dos Seniores do Canadá protege melhor os idosos, garantindo penas mais duras para os que se aproveitam de idosos.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Camarano AA, Pasinato MT. O envelhecimento populacional na agenda das políticas públicas. In: Camarano AA, organizadora. Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro (RJ): IPEA; 2004. p. 253-92

Goldani AM. Relações intergeracionais e reconstrução do estado de bem-estar. Por que se deve repensar essa relação para o Brasil? In: Camarano AA, organizadora. Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro (RJ): IPEA; 2004. p.211-50.

Desafios a serem enfrentados no terceiro milênio pelo setor saúde na atenção ao idoso / Adriano Gordilho… [et al.]. – Rio de Janeiro : UnATI, 2000.

Sant’Anna RM, Câmara P, Braga MGC. Mobilidade na terceira idade: como planejar o futuro? Textos sobre Envelhecimento 2003 2ºsem ; 6 (1): 9-30.

Plano de ação internacional sobre o envelhecimento, 2002 / Organização das Nações Unidas; tradução de Arlene Santos, revisão de português de Alkmin Cunha; revisão técnica de Jurilza M.B. de Mendonça e Vitória Gois. – Brasília : Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2003.

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Breves reflexões sobre os desafios educacionais do Brasil frente à experiência de países (China e Taiwan) – Formação continuada de professores

Precisamos prestar [muito] mais atenção ao que está acontecendo na Ásia: as principais decisões que vão configurar o mundo nos próximos 30 anos estão sendo tomadas agora, nas milhões de salas de aula da educação básica dos países asiáticos.

Estive em Shangai e Taipei em 2016, e pude conhecer mais de perto essas duas experiências que enfrentam de maneira diferente, mas com resultados igualmente espetaculares, o desafio de garantir educação básica de qualidade para suas crianças e jovens. A partir dessa experiência vou elaborar algumas breves e singelas reflexões, registrando no blog como contribuição ao necessário debate sobre a melhoria da qualidade da educação básica brasileira.

Dados do PISA ajudam a ilustrar o tamanho da distancia. O Programme for International Student Assessment (Pisa) – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – é uma iniciativa de avaliação comparada, aplicada a estudantes na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. O programa é desenvolvido e coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Foram selecionados resultados da última educação do PISA (2012) de duas potencias econômicas da Ásia (China e Taiwan), em comparação com países latino-americanos (Brasil, Argentina, Chile e México). Apesar da melhora em relação aos conhecimentos básicos, os alunos brasileiros ficaram apenas no 58° lugar em matemática entre os 65 países e territórios analisados no estudo do PISA de 2012. O Brasil totalizou 391 pontos em matemática, de acordo com o PISA. A média dos países da OCDE é de 494 pontos. A OCDE considera que os alunos que ficam abaixo do nível 2 (entre os seis existentes, que evoluem de acordo com o grau de dificuldade das perguntas) nas disciplinas analisadas (matemática, leitura e ciências) terão dificuldades na escola e, mais tarde, no mercado de trabalho.

Segundo o PISA, 67,1% dos alunos brasileiros com 15 e 16 anos (faixa etária analisada no estudo) estão abaixo do nível 2 em matemática, com baixa performance na disciplina e apenas 0,8% atingiram os níveis 5 e 6 na disciplina, que exigem análises complexas. Em Shangai, na China, primeiro do ranking em matemática, mais da metade dos estudantes (55,4%) integram os níveis 5 e 6, de alta performance. Taiwan por sua vez, chega a quase 40% de estudantes com alta proficiência em matemática.

Gráfico 1 – Proficiência média em ciências, matemática e leitura (PISA 2012)

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O Gráfico 1 apresenta as médias de matemática (eixo y), leitura (eixo x) e ciências (tamanho dos círculos) da Argentina, Brasil, México, Chile, a média dos países da OCDE, China Taiwan e China Shangai.

Já o gráfico 2 apresenta o percentual de estudantes com alta performance em matemática (eixo y), leitura (eixo x) e ciências (tamanho dos círculos) da Argentina, Brasil, México, Chile, a média dos países da OCDE, China Taiwan e China Shangai.

Gráfico 2 – % dos estudantes com alta performance (níveis 5 e 6 da Escala) em Ciências, matemática e leitura (PISA 2012)

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Este gráfico inclusive precisa ser apresentado em duas escalas diferentes para poder apresentar todos os países, tamanho a distancia entre eles.

Gráfico 3 – % dos estudantes com baixa performance (abaixo do nível 2 da Escala) em Ciências, matemática e leitura (PISA 2012)

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O gráfico 3 apresenta o percentual de estudantes com baixa performance em matemática (eixo y), leitura (eixo x) e ciências (tamanho dos círculos) da Argentina, Brasil, México, Chile, a média dos países da OCDE, China Taiwan e China Shangai.

Mas como enfrentar essa dura realidade?  Muitos pesquisadores tem buscado soluções para esse problema, assim como as centenas de gestores da educação básica do Brasil vive esse dilema no seu dia-a-dia. É preciso construir novos caminhos que aproximem a Universidade brasileira da busca por soluções para os problemas da educação brasileira. 

Uma parte das soluções necessariamente passa pela  ressignificação das políticas de formação continuada do país.

A Importância da Formação Continuada de professores

Após a formação inicial, a formação continuada de professores é considerada um dos principais mecanismos de gestão para melhorar qualidade do ensino (Opfer, 2016; Cohen and Hill, 2000; Darling-Hammond et al., 2009; Day and Sachs, 2005; European Commission, 2005; Fernandez, 2002; Guskey, 2003; Hassel, 1999; Hawley and Valli, 1998; Loucks-Horsley et al., 2003; National Commission on Teaching and America’s Future, 1996; Timperley et al., 2007; Weiss and Pasley, 2009).

Por outro lado, o desenvolvimento profissional de professores tradicionalmente ofertado tem sido muito criticado como superficial, desconectado de questões profundas de currículo e aprendizagem , fragmentado e não cumulativo (Ball and Cohen, 1999: 3-4). Tais programas tem sido apontados ainda como carentes de coerência, sem um foco claro em práticas de sala de aula e onde os professores têm pouco controle sobre a aprendizagem, sendo  muitas vezes desconectado da questões práticas na sala de aula (Ingvarson, 1998).

Já estudo elaborado pelo Inep apresenta dados sobre a adequação da formação dos docentes em relação à disciplina que leciona na educação básica do país , a partir dos dados do Censo Escolar da Educação Básica de 2013.

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O gráfico 4 apresenta o percentual de professores e sua adequação da formação docente, em diferentes áreas do conhecimento, nos anos finais do ensino fundamental, revelando um grande descompasso entre a formação inicial e a alocação desse professor na docência das series finais do ensino fundamental do país. O percentual de professores sem formação adequada na educação básica chega a quase 40% em língua portuguesa, e é superior a 40% em ciências e matemática.

Gráfico 4 – Distribuição dos docentes das disciplinas da grade curricular comum dos anos finais do ensino fundamental segundo as categorias de formação inicial propostas – Brasil 2013

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Diante desse quadro, fica acentuada ainda mais a importância para o Brasil de uma política de formação continuada de professores. 

Ressalte-se que o aprimoramento contínuo dos profissionais é algo de extrema necessidade e relevância para o bom desempenho das funções em qualquer área. Um profissional bem informado e atualizado contribui de forma mais significativa para as atividades a eles designadas. Assim, no campo educacional, é essencial que políticas públicas enfrentem o desafio. Não é mais possível deixar a formação continuada apenas como responsabilidade do professor. A gestão precisa ofertar condições efetivas para que o professor dê prosseguimento a sua formação, como reafirmação da formação inicial e como estratégia central para promover melhoria da qualidade do ensino que é ofertado em nosso país.

Assim, entender como diferentes países enfrentam esse desafio e organizam sua política de formação continuada pode auxiliar no debate e nas possíveis soluções para a questão.  Novamente o PISA pode auxiliar a entender o tamanho da diferença entre os resultados do PISA dos países latino-americanos os asiáticos citados. O PISA apresenta um conjunto de informações associadas ao processo de formação continuada que merece um olhar mais atento. Entre elas, uma que ajuda a entender diferenças no processo de formação continuada de professores de diferentes países.

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Esse estudo, para o qual apresento um recorte  para países da America Latina, a média dos países da OCDE, além de Shangai e Taiwan, indica como as políticas de formação de professores, no caso de matemática,  variam entre escolas públicas e privadas, e também entre escolas com um conjunto de estudantes em condições socioeconômicas desfavoráveis.

Outro estudo interessante é o realizado por Opfer (2016), por exemplo, e o cito por ser o mais recente, publicado com a cancela da OCDE, que usa dados da TALIS 2013 para estudar questões associadas a formação continuada de professores eficaz e seus impactos sobre a qualidade na educação.

Os resultados das análises desse estudo indicam que os níveis de cooperação professor e de liderança focada nas escolas estão associados a níveis mais elevados de participação efetiva de desenvolvimento profissional e de impacto de instrução relatada.

De acordo com Opfer, quando os professores têm níveis elevados de cooperação em uma escola, eles tendem a participar mais frequentemente no desenvolvimento profissional que é cooperativo , sustentado e focado em problemas de sua prática. Do mesmo modo , quando existe uma ação de formação para a o desenvolvimento da liderança ocorrendo na escola, os professores são mais propensos a participar de tipos mais eficazes de desenvolvimento profissional.  Quando os professores não têm essas condições, eles são mais propensos a participar no desenvolvimento profissional menos eficaz que ocorre fora de sua escola.

Por fim, o estudo de Opfer apresenta um conjunto de recomendações para as políticas públicas, dos quais destaco:

  • Desenvolver estruturas e processos que incentivam os professores a cooperar;
  • Enfatizar e apoiar o foco de instrução dos dirigentes escolares .

Trata-se de um debate indispensável, que o país necessita enfrentar e buscar convergência para garantir passos firmes em direção a melhoria efetiva na qualidade da educação básica do país.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ball, D.L and D.K. Cohen (1999), “Developing practices, developing practitioners: Toward a practicebased theory of professional development”, in G. Sykes and L. Darling-Hammond (eds.), Teaching as the Learning Profession: Handbook of Policy and Practice, Jossey-Bass, San Francisco, CA, pp. 30-32.

Cohen, D.K. and H.C. Hill (2000), “Instructional policy and classroom performance: The mathematics reform in California”, Teachers College Record, Vol. 102(2), pp. 294-343.

Darling-Hammond, L. et al. (2009), “Professional Learning in the learning profession: A status report on teacher development in the United States and abroad”, National Staff Development Council and the School Redesign Network at Stanford University,
https://edpolicy.stanford.edu/publications/pubs/187

Day, C. and J. Sachs (2005), International handbook on the continuing professional development of teachers, Open University Press, McGraw-Hill, Maidenhead, Berkshire.

European Commission, Directorate-General for Education and Culture, (2005), “CPD for teachers and trainers”, report of a Peer Learning Activity, held in Dublin, 26-29 September, 2005.

Fernandez, C. (2002), “Learning from Japanese approaches to professional development: The case of lesson study”, Journal of Teacher Education, Vol. 53(5), p. 393.

Hawley, W.D, and L. Valli (1998), “The essentials of effective professional development: A new Consensus”, in L.S. Darling-Hammond and G. Sykes (eds.), The Heart of the Matter: Teaching as a Learning Profession, Jossey-Bass, San Francisco, pp. 86-124.

Ingvarson, L. (1998), “Professional development as the pursuit of professional standards: The standardsbased professional development system”, Teaching and Teacher Education, Vol. 14(1), pp. 127-140.Loucks-Horsely, S. et al. (2003), Designing Professional Development for Teachers Of Science And Mathematics, Sage, Thousand Oaks, CA.

OECD (2013), PISA 2012 Results: What Makes Schools Successful? Resources, Policies and Practices (Volume IV), PISA , OECD Publishing. http://dx.doi.org/10.1787/9789264201156-en 

Opfer, D. (2016), “Conditions and Practices Associated with Teacher Professional Development and Its Impact on Instruction in TALIS 2013”, OECD Education Working Papers, No. 138, OECD Publishing, Paris. DOI: http://dx.doi.org/10.1787/5jlss4r0lrg5-en

Timperley, H. et al. (2007), “Teacher professional development: Best evidence synthesis iteration”, Ministry of Education, Wellington, New Zealand, http://educationcounts.edcentre.govt.nz/goto/BES.

Weiss, I.R. and J.D. Pasley (2009), Mathematics and Science for a Change: How to Design, Implement, and Sustain High-Quality Professional Development, Heinemann, Portsmouth, NH.

Tempo de revalorizar a politica?

Fazendo uma breve reflexão noto como a politica e os políticos são essenciais no mundo atual.  A atual crise, por exemplo, tem na sua gênese um elemento de desvalorização do processo politico.

Nesses tempos bicudos e difíceis em que se sente a falta de políticos e da politica, estou relendo um livro interessante, que fala do “esquecimento da politica”. O livro “O Esquecimento da Politica” foi organizado por Adauto Novaes e publicado em 2007 pela editora Agir.

O livro sinaliza que uma das formas do esquecimento da política está na ausência de conceitos que, até pouco tempo, serviam de pontos de referência para a prática. Esse saber teórico, que procurava dar conta da idéia de totalidade que a política pede, decompõe-se hoje em teorias e tecnicas’ parciais, voláteis e puramente instrumentais.

O esquecimento da política nos ajuda a entender a substituição do conceito de comunidade de cidadãos pela ideia de indivíduo dos novos tempos, e põe em evidência várias formas do esquecimento através da análise daquilo que se põe no lugar da política como se fosse a própria política: a eficácia técnica, o moralismo, a servidão voluntária, a palavra, a religião, o marketing, o econômico, a revisão da ideia de república e outras formas.

há um processo completamente autônomo e cego da técnica que age sem politica e muitas vezes contra ela.” … o saber político, que procurava dar conta da ideia de totalidade que a politica pede, decompõe-se hoje em expedientes parciais, realizados pelos especialistas da atualidade e, portanto, voláteis e puramente instrumentais (Novaes, A. O esquecimento da Politica, p. 10).

O esquecimento das politica

O esquecimento das politica

Qual a relação entre o “Dilema do Prisioneiro” e a “Operação Lava Jato”?

A Operação da Polícia Federal Lava Jato está chacoalhando as estruturas do Poder do Brasil. Chamar os corruptores à responsabilidade criminal é algo novo na história recente (pelo menos nos últimos 500 anos). Podemos continuar de onde a CPI do Orçamento parou, lá em 1994… Abaixo o Relatório Final da CPI do orçamento, para refrescar a memória:

O documento é muito interessante… apenas para ilustrar, destaco a página 60 do documento e as páginas 373 e 374 (a página 373 inclusive está meio apagada).

Mas esta postagem é para falar da Teoria dos Jogos, mais especificamente sobre o o famoso Dilema do Prisioneiro, e sua relação direta com o momento atual da Operação Lava Jato.

De acordo com a Wikipédia, o dilema do prisioneiro é um problema da teoria dos jogos, originalmente formulado por Merrill Flood e Melvin Dresher enquanto trabalhavam na RAND em 1950. Mais tarde, Albert W. Tucker fez a sua formalização com o tema da pena de prisão e deu ao problema geral esse nome específico. O dilema do prisioneiro (DP) dito clássico funciona da seguinte forma:

Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir?

Não parece que estão falando do atual momento da Operação Lava Jato?

E quanto mais leio sobre o Dilema do Prisioneiro, mais fico confiante num desfecho favorável ao país.

Os vários estudos sobre esse Dilema apontam, felizmente para a Operação Lava Jato e para o país, para a possibilidade concreta do aumento do número de delações premiadas, e que seja consolidada um conjunto robusto de provas que levem a condenação de corruptos e corruptores, algo inédito no Brasil.

Raimundo Colombo embaralha as cartas da política em Santa Catarina

  1. O Governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), embaralhou as cartas do tradicional e marcado jogo político de Santa Catarina. Fazendo movimentos à esquerda e à direita, amplia o leque de adesão ao seu Governo e tenta minar resistência no Governo Federal.
    O primeiro movimento do Governador Raimundo Colombo foi sair do DEM, partido em franca decadência e rumo a extinção, como sabiamente profetizou Lula em discurso na campanha de 2010, em Joinville.
  2. Usando os mais variados (e envergonhados) argumentos, o Governador Raimundo Colombo aproveitou a janela (partidária) de oportunidade e levou o Governo de SC para o PSD.
  3. Aderindo ao PSD, o Governador ganhou asas, deu um passo em direção ao centro, entrou no cenário político nacional e ainda ganhou uma porta de acesso ao Governo Federal, já que o PSD vota regularmente com a Base do Governo Dilma.
  4. Só esse movimento já bastaria para embaralhar o jogo político do Estado. Santa Catarina sempre teve dois polos políticos bem marcados (MDB e ARENA, PMDB e PDS/PPR/PP), que os dois mandatos de LHS trataram de suavizar, e o PT de tentar tripolarizar. Mas a mudança de partido do atual inquilino do Palácio da Agronômica proporcionou ainda um subproduto não esperado (será!?!). A possibilidade de viabilizar a entrada na barca governista de novos parceiros (PP à frente), sem prejuízo da presença dos atuais condôminos da aliança vitoriosa nas urnas, e criar uma frente imbatível na sua reeleição de 2014.
  5. Assim, depois de um ano apoiando envergonhadamente o Governo, o PP está com bilhete na mão, à espera de uma vaga na tão sonhada janelinha do Governo do Estado. E vêm se esforçando muito para isso…
  6. @raimundocolombo no caminho certo . Assista ao video youtube.com/watch?v=1TObP-…
    December 27, 2011 5:51:39 AM EST
  7. Ponticelli justifica voto a favor do governo que marca compromisso com servidores
    December 14, 2011 4:52:17 PM EST
  8. Trazer o PP para o governo pavimenta a estrada da reeleição de Raimundo Colombo. Lógico que esse movimento tem que ser de soma, o que implica em não perder o PMDB.

    Mas tudo indica que o Governador vai conseguir apaziguar os ânimos nas hostes peemedebistas nesse momento de entressafra, até porque o PMDB de SC ainda tenta reconstruir a péssima imagem junto ao PMDB federal que construiu ao longo dos últimos anos, remando contra a correnteza e insistindo com alianças a direita (PSDB e DEM, por exemplo).

  9. O único problema que atrapalha esse novo jogo que o Governador está buscando jogar tem justamente um nome que costuma não aceitar prato feito: o PMDB.

    Para o jogo do Governador Raimundo Colombo funcionar, e garantir sem sobressaltos a reeleição, com a oposição quase que exclusiva do PT, é preciso “capar” os interesses do maior player da política catarinense.

    O movimento mais evidente neste cenário é buscar retirar do cenário os nomes que o Partido apresenta para 2014, hoje reduzidos a Mauro Mariani e Dario Berger. Os demais nomes do partido já estão alinhados com o projeto do Governador.

  10. December 1, 2011 8:39:00 PM EST
  11. Assim, a eleição de 2014 e o projeto do Governador passam necessariamente pela eleição de 2012 em Joinville e Florianópolis.
  12. December 1, 2011 8:39:00 PM EST
  13. É preciso ficar atento aos movimentos do Governador, pois a passagem incólume por 2012 está ficando estreita, em se tratando de PMDB: Se não viabilizar a tríplice aliança em Joinville em torno do PMDB ainda no primeiro turno, por exemplo, pode sair da eleição chamuscado justamente com o maior fiador da tríplice – o senador Luiz Henrique.

    Logicamente que nesse jogo, os que querem o PMDB disputando a cabeça de chapa majoritária em 2014 e a oposição (PT) ainda tem algumas peças para jogar, que passam pelo fortalecimento da participação do PMDB no Governo Federal, a busca de alianças em cidades estratégicas do Estado e a formação de uma frente alternativa em 2014, aliando os dois principais parceiros do Governo Dilma.

Visita ao Ministro Gilberto Carvalho

Aproveitando uma série de agendas administrativas em Brasília, estivemos no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (02/02) para uma visita ao Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Da esquerda para a direita: Alexandre Santos (INEP), Tiarajú Fachini (Fundação Pe. Luiz Fachini), Ministro Gilberto Carvalho, Rodrigo Fachini (Ger. da Secretaria do Itaum e suplente de vereador - PMDB) e Tufi Michreff Neto (Pres. da CONURB).

Amigo de longa data da família Fachini, o Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência foi convidado para uma agenda em Joinville, a fim de visitar o programa social das Cozinhas Comunitárias.

A Secretaria-Geral é órgão essencial da estrutura  da Presidência da República.  Compete à Secretaria-Geral da Presidência da República  assistir à Presidenta da República na articulação  com as entidades da sociedade civil, na criação  de instrumentos de consulta e participação popular e na formulação de políticas públicas para a juventude.

(retirado do Blog do Fachini – veja aqui)

Goodluck Jonathan: O presidente Facebook

Nos últimos meses várias matérias de jornais trataram com destaque da iniciativa do Presidente da Nigéria – Goodluck Jonathan, que após reunião com universitários de seu país, se comprometeu a abrir uma página no facebook, em busca de maior interação com a juventude.

A CNN por exemplo, em matéria de George Webster, do dia 01 de outubro passado, faz um relato sobre o boom da iniciativa presidencial, e seu reflexo na política nigeriana.

Na matéria, o registro de que o Presidente da Nigéria faz atualizações diárias perfil no Facebook e abre novo espaço de interação com os jovens.

Com mais de 246 mil fãs , ele tem mais fãs que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a Chanceler alemã Angela Merkel, e chefe de Estado Sul-africano, Jacob Zuma. Goodluck Jonathan, presidente da Nigéria, criou seu perfil em junho deste ano, e raramente passa um dia sem uma  nova atualização sobre os acontecimentos e notícias recentes,  a política do governo e, naturalmente, a próximas eleições na Nigéria. Ele também aproveitou o impulso do público e roubou  um março em seus rivais, escolhendo o site de rede social  bastante popular para anunciar sua candidatura para as próximas eleições presidenciais em 2011. Entretanto, as postagens do presidente nigeriano no Facebook parecem ir além da agenda eleitoral. Em um exemplo bastante típico, ele se dirige a um usuário do Facebook, que fez uma sugestão para atender à demanda crescente de energia da Nigéria.  De uma forma direta e pessoal, sua interação sobre as questões de governo e administrativas tem atraído o público jovem do país. Cada novo post de Jonathan atrai milhares de comentários e alguns têm recebido até 6.000 respostas.

Blogueiros locais registram como positiva a  iniciativa do presidente, apontando que ele estava  buscando aconselhamento, pronto para ouvir e responder positivamente às sugestões.

eu senti que pela primeira vez tivemos um líder que estava buscando aconselhamento, pronto para ouvir e responder positivamente às sugestões

Parabenizo a iniciativa do primeiro presidente da Nigéria em uma rede social popular, e vamos monitorar sua iniciativa.

Veja aqui sua página no facebook.

Negociação e o tempo político – algumas impressões

O processo de negociação é difícil, e é apenas o início do processo.

Quando se olha um pouco mais à frente, se observa que o calendário de 2010  está espremendo e afunilando um processo que é longo e complexo.

Como transformar em pontos comuns um mar de diferenças em uma relação que também é de capital e trabalho e transformar isso num acordo assinado entre as partes?

E depois acompanhar a transformação desse acordo numa exposição de motivos do Ministro do Planejamento para o Presidente (Casa Civil), e num projeto de lei ou medida provisória.

Fiscalizar diligentemente o processo de aprovação dessa peça na Câmara dos Deputados e no Senado, num momento pré-eleitoral em que o tempo que os parlamentares ficam em Brasília é cada vez menor.

Entendendo que é preciso passar por todo esse processo ainda no primeiro semestre, devido ao calendário eleitoral e legal existente (LDO, LOA, etc).

Compreendendo que o processo é de ebulição crescente e afunilamento, tendo em vista que dezenas de categorias também olham para tal calendário e realizam seus movimentos. Em que a própria Condsef aprova um calendário de mobilização que culmina com indicativo de greve para o conjunto da categoria dos servidores a partir de 5 de abril, devido a não confirmação de agendas com várias categorias.

A atual situação me leva a lembrar de uma  outra que vivi tempos atrás… E de um ditado que aprendi quando ainda militava no movimento estudantil (ainda estava no DCE, não era Diretor da UNE ainda), em que recusamos uma proposta da Reitoria  feita num processo de negociação de mensalidades escolares, batendo o pé em nossa (legitima e correta) proposta: “O ótimo é inimigo do bom!”

Analisando agora, de longe, vi que haviámos conseguido na mesa de negociação uma razoável proposta, melhor do que acabou ficando após entrarmos na justiça!

Querendo o justo, abrimos mão do bom e acabamos ficamos com o ruim… É a vida… Toda decisão tem um preço… Mas como foi uma decisão tomada coletivamente, creio que foi a correta. Até porque foi pedagógica. Aprendi com ela.  Se puder contribuir no processo coletivo de tomada  de decisão de agora, terá valido mais a pena ainda…

Novidades na gestão pública?

Boa parte da “intelitgensia” especializada reconhece o Sistema Único de Saúde – SUS como modelo mundial de política pública de saúde. Isso é sabido e festejado, e deve ser motivo de orgulho para o povo brasileiro e para todos que ajudaram a construir coletivamente tal modelo (apesar de todas as dificuldade observadas na prática).

O que ainda não foi reconhecido pelo radar com o mesmo vigor, infelizmente, são algumas experiências inovadoras no campo da gestão do SUS, que oferecem importantes lições e servem como exemplo no campo da inovação em gestão pública em geral.

Exemplo de inovação são estratégias de gestão que tem a educação permanente como eixo orientador. Essas experiências revelam muito de uma nova maneira de gerir a coisa publica, em que o aprendizado a partir das práticas cotidianas podem promover uma revolução radical na maquina estatal. Essas experiências demonstram que é possível pensar a gestão pública a partir de outras lógicas, e deveriam servir de exemplo não só para o SUS em seu conjunto, mas para todo o serviço publico brasileiro.

Um dos principais formuladores da Política de Educação Permanente como estratégia de gestão em Saúde Pública é Ricardo Burg Ceccim, professor da UFRGS e ex-Diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde na Gestão de Humberto Costa (2003-2005).

Recorto duas reflexões de Ricardo, e deixo alguns links para textos dele:

Dessa maneira, além de processos que permitam incorporar tecnologias e referenciais necessários, é preciso implementar espaços de discussão, análise e reflexão da prática no cotidiano do trabalho e dos referenciais que orientam essas práticas, com apoiadores matriciais de outras áreas, ativadores de processos de mudança institucional e facilitadores de coletivos organizados para a produção.

Tomar o cotidiano como lugar aberto à revisão permanente e gerar o desconforto com os lugares “como estão/como são”, deixar o conforto com as cenas “como estavam/como eram” e abrir os serviços como lugares de produção de subjetividade, tomar as relações como produção, como lugar de problematização, como abertura para a produção e não como conformação permite praticar contundentemente a Educação Permanente em Saúde.

Ricardo trilha um caminho interessante, inovador, jogando luz para uma nova interface entre gestão e educação, que abre possibilidades para muitas outras áreas da gestão pública, além da saúde pública. Ao linkar gestão e educação, dá concretude a política de inovação na gestão pública, criando verdadeiros espaços de produção do saber a partir da prática e aprendizado organizacional.

Clique aqui e aqui para saber um pouco mais sobre as ideias de Ricardo.