Inovação: A Aposta da China para se manter no topo!

Precisamos conhecer a China para entender seus avanços. Estive na China em 2016, a convite do Banco Mundial, para conhecer o Modelo educacional de Shanghai. Visitei escolas, a Universidade, e participei de vários painéis que promoviam o debate e a reflexão acerca do emergente e inovador modelo educacional chinês. Depois de dois anos, pude retornar a China em junho deste ano. Dessa vez pude planejar mais detalhamente e realizar uma imersão na realidade de Shanghai.

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Foram 10 dias de intenso processo de reflexão, com vários outros colegas pesquisadores, gestores e empreendedores brasileiros, com um objetivo em especial – conhecer quais são as chaves que destravam esse impressionante processo de melhoria da qualidade educacional. Como guia balisador, o estudo “How Shanghai Does It” organizado pelos pesquisadores Xiaoyan Liang, Huma Kidwai e Minxuan Zhang e uma equipe da Shanghai Normal University com apoio do Banco Mundial.

Nessa segunda visita pude estar na mesma escola que visitei em 2016, e posso afirmar – a escola que já era de excelência, conseguiu se superar e demarcou uma nova fronteira da excelência, avançando ainda mais para novos patamares, e tenho certeza: eles não vão parar por aqui!

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O Estudo “How Shanghai Does It” analisou e comparou políticas e práticas educacionais realizadas em Shanghai em vários aspectos, entre eles a formação de professores, financiamento escolar, avaliação de estudantes e autonomia e responsabilização escolar, sendo um relato abrangente e sem paralelos dos insights e lições de Shanghai. Ele apresenta um exame aprofundado sobre como os estudantes em Xangai obtiveram as melhores pontuações nas áreas de leitura, ciências e matemática no PISA. Ele documenta e compara políticas-chave da educação básica em Xangai, provê evidências da extensão da implementação dessas políticas em escolas e explora como essas políticas e sua implementação afetaram os resultados da aprendizagem. O estudo utilizou um instrumento de avaliação denominado SABER como uma estrutura de organização para organizar e comparar políticas. As pesquisas baseadas nas escolas e outras pesquisas existentes foram empregadas para esclarecer a implementação e o impacto educacional. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2012 foram utilizados para analisar as variações nos êxitos dos estudantes de Xangai e para examinar até que ponto as variáveis escolares podem ser associadas à variação após responsabilizar a família e o contexto dos alunos.

Assim, tanto o estudo quanto nossa visita apenas confirmam com muita nitidez que Shanghai conseguiu planejar, desenvolver e estabilizar estrategicamente um conjunto de políticas educacionais altamente coerentes e sinérgicas que, juntas, vem impulsionando os resultados educacionais. Além disso, foi possível observar e comprovar como Shanghai de fato aposta e investe muito e com muita firmeza de propósito em suas políticas educacionais e empenha-se em inovar e reformar para superar seus novos desafios e se manter no topo, alinhando sua política educacional com seu propósito de nação olhando para o futuro.

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Foi possível ainda buscar inspiração e energia para movimentar as placas tectônicas que vem freando nossa capacidade de transformar verdadeiramente nosso sistema educacional, entendendo a relevância de direcionar nosso sistema educacional em direção aos desafios do futuro, sem esquecer que esse processo se dá com passos firmes e graduais, fato reforçado pelo atual processo de transformação e mudança em rápida velocidade por que passa o mundo atualmente. Sistematizo abaixo mais alguns pontos que entendo ser relevantes para entender o modelo de Shanghai, e reforço a importância de todos os interessados lerem o estudo completo, que segue abaixo.

Não defendo que seja copiado o que vimos em Shanghai. Mas reforço a necessidade de buscar inspiração em experiências como a de Shanghai, como prova de que é possível, aliás é fundamental, construir um novo projeto de educação para o país, que sustente os objetivos expressos na Constituição da República Federativa do Brasil!

Aproveito para compartilhar algumas fotos do curso e uma em especial, que mostra até onde vai o compromisso da nova geração chinesa com a educação.

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Desenvolvimento e Formação de Professores – Um dos aspectos mais impressionantes do sistema educacional de Xangai é seu processo de desenvolvimento e gestão de professores. Ser professor é ter uma profissão respeitada, não apenas pela remuneração que os professores recebem, mas devido ao respeito da sociedade tem pela profissão, sustentado durante todo o período de estágio educativo rigoroso e de longo prazo, bem como o desenvolvimento profissional de grande profundidade que ocorre na escola. tal processo é vinculado a uma ascensão de carreira profissional bem estruturada e a um sistema de avaliação de desempenho. Espera-se que os professores sejam pesquisadores ativos que reflitam constantemente sobre sua pedagogia e implemente inovações relacionadas aos resultados os alunos. Já os diretores devem ser líderes institucionais fortes com capacidade de prover direcionamento sobre ensino e aprendizagem e de compreender a melhor forma de avaliar os professores. Diretores e professores, da mesma forma, mantêm um alto nível de responsabilização profissional. O sistema promove e mantém a responsabilização profissional por meio de relações dentro da equipe docente e por meio da execução de procedimentos de monitoramento e treinamento de professores em serviço. Conforme os diretores de escola e os professores mais antigos se envolvem com outros por meio de grupos de pesquisa em ensino e por meio de outros métodos de apoio e tutoria, a responsabilização profissional se torna mais evidente.

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Alinhamento entre Política e Implementação – Uma descoberta é a de que Xangai tem um alto grau de coerência entre política e implementação. O estudo não encontrou divergências significativas entre as declarações políticas e a realidade. Essa notável conexão entre política e implementação pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo as características históricas e culturais chinesas de administração governamental centralizada; o monitoramento próximo dos programas e políticas e alinhamento do desempenho com incentivos; os altos níveis de responsabilização profissional entre professores, diretores e administradores dentro do sistema educacional; e, até certo ponto, metas e declarações de política realistas e modestas.

Inovação – Shanghai ainda se destaca por seu movimento constante em direção à renovação e melhoria de seu sistema e práticas educacionais.

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Currículo – As escolas de Shanghai têm certa autonomia em relação ao currículo e pedagogia. A nível central, o Ministério da Educação estabelece parâmetros curriculares nacionais gerais para todas as disciplinas. Shanghai, juntamente com algumas poucas províncias selecionadas, tem permissão para ter seu próprio currículo e lançou seu “Plano Curricular para Escolas Primárias e Secundárias Regulares em Shanghai”, específico por disciplina. As escolas de Shanghai ainda têm autonomia para projetar 30% do currículo como currículo baseado na escola, de acordo com os pontos fortes de cada escola e as áreas de seu foco curricular. Adicionalmente, os professores têm certo nível de autonomia pedagógica.

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Avaliações – Os formatos comuns para avaliação de estudantes utilizados na China e em Shanghai são aqueles de avaliação em sala de aula formativa e contínua, exames somativos particularmente ao término da nona série (zhong kao) e da décima-segunda série (gao kao), e avaliações em grande escala nacionais e internacionais. Há diretrizes claras sobre parâmetros avaliativos e tem-se feito esforços para alinhar esses parâmetros com os resultados da aprendizagem esperados, adequados à faixa etária e apropriados. Certificou-se que os esforços feitos para monitorar a qualidade das avaliações a nível escolar e os dados foram eficientemente utilizados para informar práticas de ensino-aprendizagem e de avaliação futura em sala de aula. Como parte dos esforços governamentais para melhorar a qualidade da educação, o Conselho de Estado formalmente anunciou o Plano para o Monitoramento da Qualidade da Educação Compulsória Nacional em abril de 2015. Em 2011, a Comissão de Educação Municipal de Shanghai também lançou uma série de pesquisas intituladas “Indicadores Verdes de Qualidade Acadêmica dos Alunos de Escolas Primárias e Secundárias”. As pesquisas visavam melhorar o gerenciamento educacional. Os indicadores incluem êxito acadêmico, motivação de aprendizagem do aluno, carga de trabalho acadêmico do aluno, relações alunoprofessor, estilos de instrução dos professores e o progresso anual de tais indicadores. As pesquisas são destinadas a todos os alunos primários e secundários júniores no estágio de educação compulsória. Para melhorar ainda mais a avaliação em sala de aula, as equipes de Pesquisa em Ensino encarregam-se de projetos de pesquisa regulares sobre o status das avaliações de estudantes para informar as decisões políticas.

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A visão de longo prazo e os esforços persistentes de Shanghai de refletir e reformar tradições, valores e práticas educacionais de longa data são uma fonte de inspiração para todos aqueles que acreditam que é possível transformar a educação brasileira.

Aproveito para agradecer publicamente a Embaixada da República Popular da China, na pessoa da Adida Civil da Seção Cultural Zhou Qiannan (Cristina) e a Universidade Normal de Shanghai – SHNU, na pessoa da pesquisadora professora Song Qingqing do Research Institute for International and Comparative Education da SHNU, que tornaram possível esse curso. Agradeço também a todos os participantes do curso e a Universidade da Região de Joinville – Univille, que acreditou ser possível fazer um curso na China!

 

Desafios da construção de um novo modelo de Governo Digital

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Estive na última 4ª feira (20 de junho) na #OracleOpenWorld, no Parque Ibirapuera – SP, um grande evento de tecnologia e inovação. Precisamos circular por espaços que possam nos proporcionar inspiração para enfrentar os desafios de construir o futuro da educação brasileira. Da mesma forma, precisamos aprender a dialogar com outros campo e setores da Sociedade, no esforço de falar não só para os “convertidos” do campo educacional. A verdade é que não temos conseguido dialogar com a sociedade brasileira, e falamos apenas para aqueles que já militam no campo educacional.

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Na oportunidade pude falar com especialistas da área da tecnologia e inovação e outros colegas do Governo Federal sobre os desafios da construção de um novo modelo de Governo Digital, em que o cidadão esteja no centro do processo de design, e que tenha suas decisões tomadas com base em informação e inteligência baseada em dados.

“Precisamos de inovação para transformar a educação brasileira na velocidade necessária e capacidade de desenvolver inteligência baseada em dados para monitorar em tempo real o avanços”.

Laboratório consolida proposta inovadora de aprendizado colaborativo

Laboratório de Inovação em Práticas de Gestão Educacional

Estamos no mês de novembro e como passou rápido este ano! Parece que foi ontem que lançamos a proposta de uma plataforma de aprendizagem colaborativa e horizontal, que pudesse ser um espaço de trocas entre gestores escolares e educacionais! Nossa primeira meta era trabalhar com 20 gestores e hoje temos mais de 250 diretores, orientadores, supervisores e secretários municipais de educação trocando ideias e experiências!

Estamos muito animados com os primeiros passos do Laboratório de Inovação em Práticas de gestão Educacional! Nosso colega Thiago, da Kwigoo, ganhou o Prêmio Gol Novos Tempos pelo desenvolvimento da plataforma que hospeda o Labinova!  Veja aqui o vídeo, que ficou muito legal.

Hoje o Labinova começa a ser reconhecido como um ator importante quando a discussão é sobre os desafios da gestão escolar! A Revista Gestão Escolar, por exemplo,  em matéria sobre o desafio de sistematizar práticas inspiradoras para escolas, foi buscar uma referência…

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Japão tem plano de desenvolvimento focado em Inovação

De acordo com diagnóstico do próprio governo, a economia japonesa tem estado estagnada nos últimos 20 anos, desde o colapso da bolha especulativa no início da década de 90. Para enfrentar e superar essa questão, o Japão vem trabalhando em grande estratégia nacional centrada em inovação,  visando o desenvolvimento econômico e social.

O plano, que teve início em 2010 e vem sendo aperfeiçoado desde então, identificou grandes áreas para o desenvolvimento do país, associada a inovação,  como “inovação verde”, “inovação de vida”” e “turismo e regiões”, associadas a estratégias de desenvolvimento de  “ciência e tecnologia e tecnologia da informação e comunicação” e “emprego e recursos humanos”, essenciais para apoiar o crescimento.

A “inovação verde” prevê várias medidas de combate ao aquecimento global, tais como o estabelecimento de metas de redução de 25% de emissão de gases de efeito estufa até 2020, e o desenvolvimento de novas tecnologias e a criação de novos negócios no setor de transporte e em setores relacionados ao estilo de vida, ao setor de energia renovável e no desenvolvimento urbano.

Já a “inovação de vida” busca transformar o Japão numa “superpotência em assistência médica”. Enfrentar esse desafio incorpora o desafio de pensar saídas para a previdência social. A previdência social atraiu a atenção no que diz respeito ao peso financeiro dentro do contexto de declínio da taxa de natalidade e do envelhecimento da sociedade japonesa, e equacionar a questão da previdência social é central para a estratégia de crescimento econômico japonês. A previdência social envolve muitos setores que geram crescimento através da criação de empregos, a melhoria da previdência social pode criar empregos e levar ao crescimento ao mesmo tempo. O modelo japonês de previdência social incorpora a necessidade de reformas para os sistemas de pensões, assistência médica e de enfermagem.

Também a promoção do turismo ganhou importância, quando se verifica que uma das estratégias se volta para explorar a herança cultural do Japão e as belezas naturais, como um papel crítico na revitalização local.

Para apoiar essas áreas de crescimento, o Japão reforçou sua  presença em ciência e tecnologia, área que foi realinhada com a estratégia para transformar o Japão numa superpotência em ciência e tecnologia e tecnologia da informação e comunicação. No bojo desse realinhamento estão pensadas reformas regulatórias e revisões nos mecanismos de apoio de forma a encorajar o desenvolvimento efetivo e eficiente de tecnologia. O ambiente educacional será melhorado para estimular jovens talentosos e inspirados a seguirem uma carreira científica. O ambiente de pesquisa também será melhorado para atrair pesquisadores de todas as partes do mundo. Da mesma forma será estimulada a promoção e utilização de conteúdos digitais e outras propriedades intelectuais, os quais formam a base que impulsiona inovações e tecnologias da informação e comunicação, incluindo crowd computing, buscando melhorar a competitividade da indústria.

O desenvolvimento de “recursos humanos superiores” representados pelos jovens que apoiarão o crescimento sustentável e pessoas com criatividade (know -how), será elemento  impulsionador do crescimento. Está em curso estratégia de melhoria das habilidades individuais em vários campos, incluindo educação, esporte e cultura, para o desenvolvimento de “recursos humanos superiores”, com forte expansão de investimentos públicos em medidas efetivas, de forma que o Japão possa alcançar o maior nível mundial de educação, pesquisa e desenvolvimento.

A inovação é aqui entendida em seu sentido amplo: como produto, processo, organização, gestão, modelo de negócios, logística, marca, e move permanentemente a economia. Exatamente por isso, a inovação, ao enfatizar as mudanças – pequenas e grandes – e se traduzir num diferencial no mercado, está no coração da política de crescimento econômico japonês. A velha ideia de que os investimentos são geradores automáticos de inovação dão lugar ao seu reverso: a busca da inovação atrai os investimentos, com processos que surgem intimamente ligados ao esforço de melhorar a qualidade do investimento. Mesmo as políticas mais fundamentais, voltadas para investimentos em infraestrutura, aumento da capacidade instalada e qualificação da mão-de-obra estão concatenadas e articuladas com políticas de inovação.

Nessas condições, os recursos para a pesquisa e a prospecção científica japonesa tornaram-se mais sofisticados e competitivos, com claro incentivo para as atividades que transformam conhecimento em tecnologia e que possam estimular o crescimento econômico.

Sistema Educacional no Japão

O sistema educacional do Japão tem sistema educacional de excelência, com proposta de educação exemplar e disciplinada – o Japão ficou em ótima posição no ranking do PISA (2º em ciências, 5º em matemática e 8º em leitura), divulgado em 2015 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Destacam-se a disciplina a responsabilidade e autonomia dos alunos. Possui um sistema educacional gratuito, onde toda criança tem direito de estudar em escolas próximas de onde moram.

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Reunião com o Deputado  Federal Mauro Mariani (PMDB – SC) e o Embaixador do Japão no Brasil, Satoru Satoh.

 

A Urgência da Inovação

Não só pelo crítico momento político, econômico e social que o Brasil vive na atualidade, mas olhando para o futuro e entendendo os desafios do Século XXI, a inovação tem papel central no desenvolvimento nacional. Trata-se de demanda ampla, exigida em setores de tecnologia de ponta, mas também em setores tradicionais. É preciso entender inovação como algo sistêmico, com múltiplas dimensões, com grande força dinamizadora e fortemente influenciada pelo conhecimento, peça fundamental para o desenvolvimento, ao promover o aprendizado e novas competências, que aumentam a capacidade de inovar das empresas.

Uma importante iniciativa para incluir a inovação na agenda é liderada pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). A Mobilização Empresarial pela Inovação é um movimento que visa a estimular a estratégia inovadora das empresas brasileiras e ampliar a efetividade das políticas de apoio à inovação por meio da interlocução construtiva e duradoura entre a iniciativa privada e o setor público. O desafio é fazer da Inovação uma estratégia permanente das empresas. Um estudo realizado pela MEI [veja abaixo] apresenta um conjunto de propostas para uma política de inovação.

A economia brasileira precisa de muito mais dinamismo, e quando se olham os indicadores de produtividade do trabalho isso fica gritante: a produtividade do trabalho no país encontra-se estagnada: os únicos segmentos que apresentaram melhoria mais significativa foram o agronegócio e o financeiro (IPEA,2015).

O Brasil caracterizou-se por dinamismo econômico e progresso social na última década. O Brasil cresceu a uma taxa média de 4,4% ao longo do período 2004-2010 em comparação com 1,9 por cento nos sete anos anteriores. No período de 2003 a 2013, mais de 26 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza e a desigualdade foi reduzida significativamente (o coeficiente de Gini caiu de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2013). Graças a um forte desempenho de exportação, o Brasil também conseguiu gerar comércio considerável Superávits na maior parte da última década – em média, US$ 18,01 bilhões por ano entre 2004 e 2014.

No entanto, a produtividade não melhora no mesmo ritmo do crescimento econômico. O gráfico abaixo mostra que a diferença de produtividade (medida como PIB por pessoa empregada) em relação aos Estados Unidos estava aumentando após 1980. O Brasil teve uma produtividade do trabalho de US$ 28.500 em 2015, enquanto os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão tiveram um nível de produtividade De US$ 117.900, US$ 87.900 e US$ 73.200, respectivamente (medidos em termos de PPP aos níveis de preços de 2014).

Mesmo contra outros países em desenvolvimento, o Brasil apresenta um menor desempenho. Por exemplo, os níveis de produtividade do trabalho na Coréia do Sul, Rússia, Malásia e África do Sul foram, respectivamente, US$ 70.500, US $ 48.300, US$ 57.100 e US$ 42.500.

É difícil deixar de relacionar os baixos indicadores de qualidade educacionais do Brasil com a estagnação nos indicadores de inovação, como expressa na ainda baixa proporção de empresas inovadoras (IBGE, 2013), e a fraca performance competitiva da economia brasileira, que perde seguidamente posições no Ranking Global de Competitividade (WEF, 2016 – veja abaixo).

A crise econômica que sufoca o país amplifica nossas fraquezas estruturais e realça os diversos desafios a serem vencidos. É preciso jogar luz no problema da produtividade da economia e por conseguinte, no papel que a inovação joga nesse processo.

O relatório Innovation Strategy 2015, publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), destaca o papel central da inovação, em especial no contexto de crise internacional: “Novas fontes de crescimento são urgentemente necessárias para ajudar o mundo a avançar em direção a um padrão de crescimento mais robusto, inclusivo e sustentável, passada a crise financeira. Inovação – que envolve a criação e difusão de novos produtos, processos e métodos – pode ser uma parte crítica da solução.” (OCDE, 2015).

A centralidade da inovação como indutora da recuperação da economia demanda uma nova agenda capaz de garantir e sustentar o crescimento.

Plano Municipal de Educação de Bombinhas – Lei 1456/2015

Tive a honra de participar do processo de construção do Plano Municipal de Educação de Bombinhas.

O Plano Municipal de Educação de Bombinhas, na forma ora proposta representa um importante avanço institucional para o município, definindo metas e estratégias para avançar no processo de melhoria da educação. Ele é um documento forjado por toda a comunidade escolar de Bombinhas, e por isso ele tem poder. A educação é um dos mais importantes instrumentos de inclusão social, essencial para a redução das desigualdades no Brasil.

É inegável que nos anos mais recentes o tema educação foi sendo definitivamente alçado à prioridade na agenda, mobilizando toda a sociedade em torno de um objetivo comum: a ampliação do acesso à educação de qualidade para todos os brasileiros.

Os indicadores educacionais do município confirmam o alcance de bons resultados, demonstrando o empenho em saldar a enorme dívida que temos com a educação. Ano passado inclusive o município recebeu o Selo do MEC de município livre do analfabetismo – um marco na história. Todavia, para que alcancemos os níveis desejados e necessários para o desenvolvimento, há ainda muito que fazer.

O tratamento da educação como política de Estado, com planejamento sistemático e de longo prazo é de fundamental importância para vencer esta batalha. Por isso, a aprovação deste Plano Municipal materializa o compromisso de toda a comunidade de Bombinhas com a educação de qualidade, e assim é encarada como estratégica. Parabenizo a todos que participaram do processo de reflexão e construção desse documento, pois tenho certeza que foram muitos!

Liderança em Educação – Algumas reflexões preliminares

Influenciar a equipe escolar em direção à excelência no aprendizado. A natureza do trabalho em educação incorpora intrinsecamente a dimensão da liderança, pela importância ao influenciar pessoas na busca pela garantia do direito de aprender de nossas crianças e jovens. Entretanto, entre a consciência da importância da liderança e a existência de estudos e reflexões sobre como desenvolver essa competência em nossos gestores escolares existe uma grande distância.

Entre os pesquisadores, há um vagaroso movimento em direção à refletir sobre a questão. Perrenoud (2003, p. 105), por exemplo, incluiu a liderança entre os dez princípios fundamentais para tornar os sistemas educativos mais eficazes: “chefias que exerçam uma liderança profissional mais do que um controle burocrático“. Outro que ressaltou a importância da liderança e do seu desenvolvimento no ambiente de gestão escolar foi Whitaker, que afirmou ser a liderança essencial nos dias de hoje, face ao rápido aumento da evolução e ritmo da mudança, que tem provocado alterações no “metabolismo” das escolas, exigindo uma capacidade acrescida para adaptação e modificação face a novas circunstancias e ambientes. A escola, segundo Whitaker, como qualquer organização, precisaria ser submetida a mudanças radicais na forma de gestão de seus processos. Para tanto, faz-se necessário desenvolver grande esforço no desenvolvimento de lideranças como parte essencial de projeto de desenvolvimento e crescimento institucionais que alcançasse sucesso nos próximos anos (Whitaker, 2000: 89) .

Reforçando a importância da liderança no processo de condução da inovação para a melhoria da qualidade, uma interessante pesquisa realizada pelo Departamento de Educação do Reino Unido, coordenada por Day et al. (2006) , sublinhou a existência de um conjunto de fatores profissionais associados ao contexto de trabalho que influenciam a disposição para inovar. Nesse estudo identificou-se que a qualidade da liderança, tanto no nível da escola como no nível departamental, são fatores-chave que influenciam a motivação e o comprometimento dos professores com a qualidade e a inovação.

A OCDE, por exemplo, no contexto da pesquisa TALIS 2013, apresentou informe especial sobre a questão da liderança no ambiente escolar. De acordo com a Pesquisa, diretores de escola frequentemente se envolvem em uma série de atividades que exigem liderança. Dependendo do país, entre as atividades mais citadas, está a garantia de que o professor assuma sua responsabilidade pela melhora de habilidades de ensino e dos resultados de aprendizagem de seus alunos. Incluem também trabalhar com os professores para melhorar a disciplina em sala de aula, dar informações aos pais sobre o desempenho dos alunos, funções administrativas e resolução de conflitos no ambiente escolar. A amplitude destas atividades mostra que os diretores precisam de uma preparação suficiente e formação contínua para ser capaz de trabalhar de forma eficaz. No entanto, muitos desses diretores relatam que a sua formação, quando existente, não inclui qualquer treinamento sobre liderança.  

Embora o desenvolvimento profissional contínuo possa ajudar a preencher essas lacunas, os dirigentes escolares relatam uma série de obstáculos que os impedem de participar de tal processo de aprendizagem, incluindo a falta de apoio e os obstáculos pessoais e profissionais.

De qualquer forma, o Brasil deveria investir pesado na reflexão sobre liderança em educação. Isso porque o Brasil inscreveu a “Gestão Democrática” como um princípio constitucional (art. 206. Inciso VI) sobre o qual deve se assentar o ensino público nacional. O princípio da Gestão Democrática oferece centralidade para o desenvolvimento da competência de liderança. Nesse sentido a gestão democrática pressupõe a mobilização e organização das pessoas para atuar coletivamente na promoção de objetivos educacionais, e se expressa em sua capacidade de influenciar a atuação de pessoas (professores, funcionários, alunos, pais, outros) para a efetivação desses objetivos e o seu envolvimento na realização das ações educacionais necessárias para sua realização.

Apesar disso, no Brasil, são raros os estudos sobre o tema da liderança em geral, e menos ainda no campo da educação. Da mesma forma pouco ou quase nada se estuda sobre como desenvolver essa competência no ambiente escolar e nas redes de ensino do país.

É difícil acreditar que, apesar de sua importância e da sua inserção como princípio constitucional, e tendo em vista o complexo sistema educacional brasileiro, não há um movimento coordenado e estruturado para o desenvolvimento da liderança enquanto competência organizacional.

Ficamos a esperar o desenvolvimento simultâneo e espontâneo da competência de liderança em nossos profissionais da Educação.

Assim, vamos tateando e buscando algumas referências internacionais sobre o assunto, e dialogar a partir da prática vivida.

Referencias Bibliográficas

PERRENOUD, Phillippe et al. Aprender a negociar a mudança em educação: novas estratégias de inovação. 2002.

WHITAKER, P. Gerir a mudança nas escolas. Porto: ASA, 2000.

DAY, C et all. Department for Education and Skills [Christopher Day, Gordon Stobart, Pam Sammons, Alison Kington, Qing Gu, Rebecca Smees, Tamjid Mujtaba]. Variations in teachers’ work, lives and effectiveness. London: Department for Education and Skills, 2006.

OECD (2014), Guía del profesorado TALIS 2013: Estudio internacional sobre enseñanza y aprendizaje, OECD Publishing, Paris.

Breve reflexão sobre Resiliência e Inovação

Resiliência, em sua forma mais simples, é muitas vezes entendida como a capacidade de se recuperar.

A resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse etc. – sem entrar em surto psicológico. Acredito que esta seja uma visão limitada, porque na verdade não ha como voltar no tempo. O tempo nos leva sempre em frente.

Acredito que devemos entender resiliência como a capacidade de adaptar e saltar para a frente.

Indivíduos, organizações, cidades, nações e espécies sobrevivem, aprendem, se adaptam e crescem mais fortes como resultado dessa capacidade de resiliência. Incorporar a dimensão de se adaptar ao novo torna o conceito de resiliência ainda  mais interessante e aberto ao processo de inovação.

Inovação na Gestão da Educação de Bombinhas é premiada

A Diretoria da Associação Brasileira da Câmaras Municipais – ABRACAM, através de seu Presidente, Rogério Rodrigues da Silva,  homenageou várias personalidades com o Trofeu do Mérito Legislativo em seu 7° Congresso Brasileiro de Câmaras Municipais, realizado em Brasília – DF nos dias 25, 26 e 27 de novembro de 2014.

Entre as Personalidades, destaque para o Senador e Presidente Nacional do PMDB, Valdir Raupp.

Alexandre André dos Santos também foi agraciado com o Prêmio, pelo seu compromisso com a causa municipalista, respeito ao Poder Legislativo Municipal, e pelo seu patrocínio a implementação de um ousado e inovador Modelo de Gestão na Secretaria de Educação de Bombinhas – SC, com  Missão, Visão e Valores bem definidos e comprometido com 5 grandes diretrizes estratégicas: Gestão, Inovação, Governança, Avaliação e Educação Permanente.

De acordo com o Diretor de Assuntos Estratégicos da ABRACAM, Luiz Henrique Kirchner, o Modelo da Gestão Educadora aplicado em Bombinhas abriu horizontes para o processo de inovação na gestão em educação nos municípios.

A Gestão Educadora foi visionária ao permitir o aprendizado coletivo a partir da ousadia de pensar diferente, de maneira horizontalizada. Proporcionou um cenário de práticas único, capaz de produzir importantes reflexões sobre os desafios da gestão de educação no país. Promoveu a reflexão centrada na melhoria da qualidade do ensino e sistematizou avanços significativos em uma proposta viva e dialogada de Plano Municipal de Educação que contemplasse todas as aspirações de melhorias dos trabalhadores da educação.

A Gestão Educadora permitiu o enfrentamento de várias questões de maneira dialogada e transparente, como o contraproducente processo de judicialização da educação infantil patrocinado pelo Ministério Público local.  Além disso, pautou a agenda educacional do município a partir de um intrínseco compromisso com a qualidade da aprendizagem e a inovação, como parte do processo de gestão. A Gestão Educadora permitiu situar a todos de onde partir e mais importante, para onde chegar.

Alexandre destaca a importância do compromisso da Prefeita Municipal, Ana Paula da Silva, e do Legislativo municipal, representado pela Presidente Maria Julia, como essencial para criar condições políticas para a implantação desse novo modelo de gestão.

Para Alexandre, a entrega do Prêmio encerra o primeiro ciclo de implantação da Gestão Educadora, de vivenciar e experimentar a gestão da educação de maneira coletiva e dialogada, sob o prisma da inovação e da recuperação da capacidade de sonhar com a excelência.  Alexandre aposta na capacidade da equipe para implementar as etapas vindouras: “Acredito na capacidade da equipe da Educação de Bombinhas, que transformará em realidade esse sonhamos que sonhamos juntos“.

Alexandre dedicou o Prêmio do Mérito Legislativo a todos os trabalhadores da Educação de Bombinhas (professoras e professores, diretoras, monitoras, secretárias, coordenadores e coordenadoras pedagógicos, merendeiras, motoristas) e a todos que acreditam na proposta da Gestão Educadora.