Curioso Quadro Resumo da História do Mundo

Pausa para apresentar um curioso e interessante material de geografia e história. Acima apresento um “Histomap”, criado por John B. Sparks, que foi primeiramente impresso por Rand McNally em 1931. (A coleção de David Rumsey hospeda uma versão totalmente ampliável aqui). Ele também foi apresentado no Blog Mundialíssimo aqui.

Este mapa gigantesco e ambicioso se encaixava perfeitamente com uma tendência dos anos 1920 e 1930 , de retratar e sintetizar grandes temas (a história do mundo, toda escola de filosofia, toda a física moderna, entre outros) de forma compreensível para o cidadão comum da época.

O Histomap foi vendido por US $ 1 e dobrado em uma capa verde , e contou com endossos de historiadores e revisores. O gráfico foi anunciado como “claro, vívido e desprovido de elaboração”, enquanto ao mesmo tempo capaz de “segurá-lo encantado“, apresentando “A imagem real da marcha da civilização, das cabanas de lama dos antigos através do glamour monárquico da Idade Média ao panorama vivo da vida na América do presente.” A carta usa cores e espaços para mostrar como o poder de vários “povos”  evoluiu ao longo da história.

Não está claro no mapa o significado da largura dos fluxos coloridos e nota-se que Sparks sintetizou a história mundial como um jogo de soma zero, e o seu tamanho (1 metro e meio) mostra o tamanho da caminhada do homem no planta terra, em que povos e nações competem a milhares de anos por terras e recursos finitos.

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Por uma Geografia da Educação

A demanda por uma geografia da educação surge quando se observa que o recorte espacial  tem importância e peso na análise sobre qualidade educacional. O geografia pode dar importante contribuição ao debate ao analisar e refletir como a política educacional é marcada territorialmente por assimetrias e semelhanças espaciais, operando dinâmicas em diferentes escalas. Categorias geográficas, tais como escala, lugar, território e região quando trabalhadas para promover capacidade explicativa ao processo educacional podem favorecer a reconfiguração de políticas públicas educacionais, em busca de diminuir as assimetrias e deficiências de natureza espacial.

ÁREAS DE ESTUDO – Existem muitas questões, para além da questão sobre qual a importância do espaço no debate sobre a política educacional, e sobre a qualidade da política educacional, que tem viés nitidamente geográfico, e que permitem demarcar um campo da geografia da educação, em busca de territorializar o debate, e levar em conta os territórios concretos onde residem as pessoas na formulação e implementação da política educacional.
Entre as quais é possível destacar:

  • as diferenças e simetrias espaciais de diferentes elementos que contribuem para o acesso ao ensino de diferentes lugares e regiões;
  • as diferenças e simetrias espaciais de diferentes elementos que contribuem para a qualidade do aprendizado de diferentes lugares e regiões;
  • as dinâmicas que operam nos espaços em diferentes escalas que contribuem para explicar o acesso e a qualidade do ensino;
  • a configuração de regiões no processo de organização de redes de ensino;
  • a definição de diferentes escalas territoriais de atuação da política educacional;
  • a definição de indicadores que possibilitem realizar análises e sínteses sobre o acesso e a qualidade do ensino sob o viés geográfico;
  • a análise de complexas dinâmicas espaciais ocorrendo em simultâneas escalas e afetando diretamente o sucesso de políticas educacionais.

A geografia busca responder como as coisas, atividades ou fenômenos estão localizados, por que eles estão ali localizados, como os diferentes recursos e atividades interagem espacialmente e quais os fatores que causam esta distribuição. Um geógrafo exerce assim habilidades analíticas científicas e sociais, trabalhando ainda como ciência de síntese, e como tal a geografia tem sido chamada a ser uma ponte entre as ciências humanas e físicas. Por outro lado, a política educacional do Brasil carece de uma reflexão geográfica e especial de suas deficiências e assimetrias.

Geografia Urbana – Conceitos Interessantes

Um livro muito interessante sobre a geografia urbana é o de Jacqueline  Beaujeu-Garnie (Beaujeu-Garnier, Jacqueline. Geografia Urbana. 2a Edição: Lisboa; Editora: Fundação Calouste Gulbenkian; 1997 –   ISBN/ISSN: 972-31-0768-6).

Jacqueline Beaujeu-Garnier traz um ensaio de síntese e insiste na importância das inter-relações, que caracterizam o que a autora chama de sistema urbano.

Assim, ao lado dos elementos característicos da análise dos geógrafos há muito tempo (distribuição espacial, população, funções, etc), a autora incorpora a caracterização de vários agentes motores do sistema – o papel do capital, as imbricações dos fenômenos econômicos que influem no preço do solo, o poder político, o comportamento dos habitantes, entre outros.

Destaco aqui a seguir alguns conceitos e temas que me chamaram a atenção no livro de Beaujeu-Garnier.

Adaptação e ocupação do espaço – A perda de comunicações estreitas, que o pequeno grupo favorece, a despersonalização do ser, as repercussões de um ambiente cada vez mais artificial, mesmo quando transformado no sentido considerado mais favorável aos estabelecimentos humanos, refletem-se nos indivíduos, transformando-os. Mas a capacidade de adaptação do homem não é inesgotável e a vida urbana pode provocar traumatismos graves, assim como, inversamente, pode aumentar consideravelmente a capacidade de mudança (p. 44).

(…) e essa área é tanto mais extensa quanto mais elevado for o nível do referido estabelecimento de ensino, a sua reputação e a sua especialização. A dimensão e o nível do hospital, a qualificação e o renome dos especialistas que aí trabalham fazem, de igual modo, sentir a sua influência a uma distância maior ou menor (p. 59).

Consumo de espaço – Beaujeu-Garnier sublinha que a área de residências não é a única responsável por este consumo de espaço. Por exemplo, para a aglomeração parisiense, a ocupação do solo segue a seguinte divisão: 28% para habitações, 6% para atividades, 14% para ruas e equipamentos, 20% para espaços verdes, 26% para espaço agrícola ainda ‘resistente’ a construção e 6% para outros espaço não construídos. No espaço residencial, a habitação coletiva utiliza 31% da área e abriga 77% da população. As cidades de países em desenvolvimento não escapam a estes problemas. A generalização da habitação individual conduz a uma exagerada extensão dos bairros residenciais: Kinshasa extende-se por uns 40 km ao longo do seu eixo principal; Lagos, por uns 25; Dakar alonga os seus tentáculos até o prolongamento de Pikine, a 12 km de distância. (p. 88-89).

Definição de aglomeração urbana – Os organismos da ONU tem como princípio geral que “a aglomeração urbana compreende, por definição, a periferia, quer dizer, a zona fortemente povoada, exterior mas contínua aos limites da cidade“. Também foi assinalado (Murphy, 1966) que uma imagem da “cidade geográfica” aparecia no exame das fotografias aéreas ou da paisagem vista de um avião voando a grande altura, ou melhor ainda, de um satélite (p. 114). Na realidade, a urbanização prática vai sempre à frente da urbanização oficial  (p. 116).

Expansão da periferia na forma de mancha de óleo – A periferia de quase todas as grandes cidades obedece a este ritmo alternado de desenvolvimento que já foi qualificado de mancha de óleo. numa primeira fase, domina o crescimento acompanhando os eixos de comunicação; depois, constroem-se vias de acesso transversais que se tornam também áreas de urbanização. Finalmente, os terrenos agrícolas intercalares são, por sua vez, mais ou menos rapidamente conquistados pela maré invasora das construções urbanas (p. 121). Em suma: a conurbação é uma aglomeração com várias cabeças  (p. 127).

Concentração urbana e saúde – a concentração urbana é, para a saúde das pessoas, simultaneamente, a pior e a melhor das coisas. A pior, porque a densidade maior de promiscuidade, acumulação, contatos esporádicos, entre outros, favorece muito naturalmente a propagação de epidemias, a proliferação de doenças associadas á miséria e as desadaptações aos complexos patogênicos habituais. A melhor, porque permite, nas cidades mais desenvolvidas, a instalação de um poderoso equipamento sanitário, a multiplicidade de especialistas, a rapidez e a eficiência dos tratamentos (p. 297). Para além desta espécie de concentração das possibilidades de infecções que a cidade representa, o meio urbano ainda exerce um papel de perturbador dos hábitos tradicionais (p. 298).

Lugares de peregrinação – Os lugares de peregrinação são, assim, centros de difusão de doenças (p. 299).

Cidade e saúde – A saúde dos cidadãos é estreitamente dependente das condições oferecidas pelo quadro de vida e, em particular, pelo nível das estruturas de saúde disponíveis. É também dependente dos seus rendimentos, da política social praticada e do ritmo relativo da urbanização e das possibilidades de investimentos (p. 305).

Cidade e homem – Se o homem faz a cidade, a cidade faz o homem. O meio urbano dá ao indivíduo, tal como a sociedade, uma possibilidade de desenvolvimento, de evolução, que o meio rural nunca permitiria (p. 347).

Bairro – o bairro vivido é um espaço, tanto psicológico, como geográfico; constrói-se e destroi-se permanentemente ao longo da vida de um indivíduo(Bertrand e Metton, 1975) (pg. 354).

Mobilidade no espaço – As dimensões mudam conforme a idade e, portanto, conforme a facilidade de deslocamento e, ainda, de ocupação: dos 7 aos 10 anos, 3 ha; dos 14 aos 16 anos, 12 a 13 ha; para os adultos ativos que não tem muito tempo disponível, 11 ha; isto no ambiente antigo. O ambiente do mundo moderno, mais monótono, é muito mais restrito: para as mesmas categorias, os números são, respectivamente, menos de 2 ha, 9 ha, 7 a 8 ha. (p. 354). A mobilidade do cidadão pode ser intra-urbana, peri-urbana ou interurbana. Pode ser cotidiana, periódica ou a procura de uma nova estabilidade. Pode ter ligação com uma evolução social; uma influenciando a outra, para a reforçar, combater ou neutralizar. O ciidadão é vitima, agente e/ou motor destas forças que se traduzem na ação de mobilidade, que desempenha um papel fundamental na transformação do meio urbano, podendo mesmo melhorar ou criar seu equilíbrio, segundo as circunstâncias. (p. 356). O meio local aparece, pois, também como um centro de convergência de muitas forças, umas patentes, outras insidiosas. Não se pode separar o meio local do ambiente que o envolve. A transformação urbana pode ser o resultado de um processo de confrontos e de compromissos entre classes sociais em movimentos, entre o Estado, o poder local e os movimentos reivindicativos (Cherki, 1978) (p. 390).

Alargamento do processo de aglomeração urbana – A aglomeração alarga-se e já vimos como é difícil traçar os seus limites; mas agora trata-se de ir mais longe. Os geógrafos, para designar esta conquista fulgurante da cidade e dos seus prolongamentos, propuseram diferentes termos, entre os quais os de contra-urbanização (Kaiser, 1990), peri-urbanização e exurbanização são os mais frequentemente empregados (Dezert,Metton e Steinberg, 1991). Optou-se pelo terceiro porque, pela sua própria construção, evoca a imagem de pedaços urbanos, despegados da massa central (p. 424).

É um processo físico que se inscreve no antigo parcelamento rural e precede o avanço da metrópole vizinha, condicionando-o (Merlin, 1988) (p. 424). Os serviços estão muitas vezes sobrepostos de maneira anárquica e a lógica nem sempre é respeitada (p. 443).

Franja urbana – Espacialmente, em redor do núcleo central, mais ou menos saturado de atividades e despovoado de residencias, desenha-se uma enorme franja periférica, mais ou menos estruturada e equipada, que se dilui por vezes muito longe, no campo (p.455). O sentimento de unidade local, de região, atenua-se (p. 456) a mobilidade gera a uniformidade e a dependencia da terra desaparece e pouco e pouco (p. 456).

Isócronas – as isócronas são curvas que permitem por em evidência as condições de tempo em que se pode alcançar uma cidade, a partir de uma dada rede de comunicações. Trata-se pois, de uma acessibilidade potencial (p. 477). Em geral, a solução adotada consiste em tomar como referencia um ponto central único, na cidade considerada, e calcular o tempo dos transportes combinados, eventualmente, a partir deste ponto; obtem-se, assim, uma série de curvas que apresentam desvios circulares em torno dos ponto-chave (p. 478).

A Emergência, a Densificação e a Organização das Redes

Texto de Leila Dias que trata da emergência e organização das redes, no destacado livro  “Geografia: Conceitos e Temas” organizado por Ina Castro e Roberto Lobato Correa, traz importante contribuição ao debate sobre as redes no mundo de hoje, apresentando a ideia de como a densificação das redes – internas a uma organização ou compartilhadas entre diferentes parceiros – regionais, nacionais ou internacionais, surge como condição que se impõe à circulação crescente de tecnologia, de capitais e de matérias-primas no mundo atual.

Aeroporto Tocumen - Cidade do PanamáDe acordo com a tese de Leila, que compartilho e passo abaixo a apresentar recortadamente, as redes criadas pelo capital internacional são instrumentos que viabilizam a circulação e a comunicação. Tais redes tem algo grau de adaptação às variações do espaço e às mudanças, devido a sua fluidez e mobilidade.

Leila se apoia em Raffestin, que afirma ser a rede um instrumento por excelência do poder. Ser instrumento de poder dá as redes do capital a potência de operar e viabilizar mudanças ou fortalecer permanencias.  Fazer e desfazer as prisões do espaço tornado território, liberando e aprisionando o espaço. As redes do capital internacional aprisionam,  pela sua característica intrínseca, a capacidade dos governos nacionais em organizar e planejar o desenvolvimento dos território de maneira adequada.

Assim, a intensificação da circulação interagindo com as novas formas de organização da produção imprime simultaneamente ordem e desordem numa perspectiva geográfica. Em uma escala planetária ou nacional, as redes são portadoras de ordem – através delas as grandes corporações se articulam, reduzindo o tempo de circulação em todas as escalas nas quais elas operam. Plantas industriais globais e articuladas mundialmente, de forma a extrair o melhor de cada porção do território.

O ponto crucial é a busca de um ritmo, de um fluxo, mundial ou nacional, beneficiando-se de escalas gerais de produtividade, de circulação e de trocas. É o fluxo tornado mais importante que o fixo. A força e a inteligência da logística posta a prova.

Já na escala local, estas mesmas redes e fluxos são muitas vezes portadoras de desordem – já que operam numa velocidade sem precedentes, se utilizam e se apropriam de parcelas do território sem levar em consideração os tempos e as lógicas de configuração do espaço local, e podem com isso engendrar processos de exclusão social, marginalizar centros urbanos inteiros, retirando deles sua força derivada dos laços de proximidade geográfica.

Grandes ferrovias criadas exclusivamente para viabilizar fluxo de saída de materias primas, que ao invés de aproximar as populações do caminho, apenas as separam fisicamente. Hidroelétricas que geram energia para territórios distantes, e afetam e alteram diretamente a vida de milhares de pessoas das proximidades, atuando como campo de força atrator de pessoas em busca de emprego, alterando toda a capacidade de de infraestrutura pública de atendimento de políticas sociais (saúde, segurança, educação, etc). Construção de novas plantas industriais que potencializam os campos de força de atração de fluxos populacionais, sem a respectiva preparação da infraestrutura que viabilize o aumento da capacidade de carga institucional.

Assim, a localização geográfica torna-se portadora de um valor estratégico ainda mais seletivo. As vantagens locacionais são fortalecidas e os lugares passam a ser cada vez mais diferenciados pelo seu conteúdo [recursos naturais, mão-de-obra, redes de transporte, energia ou telecomunicação]. Neste sentido, fica reforçada a tese defendida por David Harvey, no seu livro “A condição da Pós-Modernidade”:

quanto menos importante as barreiras espaciais, tanto maior a sensibilidade do capital às variações do lugar dentro do espaço e tanto maior o incentivo para que os lugares se diferenciem de maneiras atrativas para o capital. (HARVEY, 1999)

Então, as redes formadas não irão arrancar territórios ‘ virgens’ de sua letargia, mas operarão transformações sobre porções do território que já tem algum tipo de vantagem no processo. A introdução da teleinformatica facilitará o movimento e o jogo de interações, aumentando a complexidade e tornando ainda mais difícil o planejamento e a gestão dos territórios.

A comunicação,  através das novas redes de parceiros econômicos – à montante e à jusante – fortalece assim determinados arranjos espaciais em detrimento de outros. A trajetória passda definindo e condicionando a trajetória futura. A densificação de canais e fluxos criando e aumentando a intensidade dos campos de força.  Integrando os agentes mais importantes, as redes integram desigualmente os territórios, aumentando assimetrias, e seguindo o peso das atividades econômicas preexistentes.

Por conta desse complexo fenômeno, as redes criadas pelo capital internacional, ao se constituir em ameaça de desestruturação das estruturas de poder local institucionalizadas, podem, pelo potencial de desagregação e ameaça, favorecer e estimular a rigidez e o peso de antigas solidariedades baseadas na proximidade geográfica.

Olhando para a importância das redes e da sua capacidade superior de organização e reconfiguração, se observa como tais redes operam na atualidade freneticamente para desestabilizar o projeto europeu, centrado na força estatal. Quem sairá vencedor do  embate do fluxo da rede do capital internacional contra o fixo do “Estado” europeu? só o futuro dirá…

2 anos de Blog – Um Blog sobre TRI, Geografia e Saúde

Em 26 de janeiro de 2010 publiquei a primeira postagem. Agora já se vão quase dois anos, e para comemorar, resolvi apresentar algumas estatísticas sobre o blog.

Uma das dúvidas que eu tinha era sobre o que escrever no blog. Deveria tratar de quais assuntos e temáticas? Então escrevi sobre tudo aquilo que deu vontade. Vendo as estatísticas, estou observando que os que vem até aqui, vem basicamente por três motivos: TRI (Teoria de Resposta ao Item), geografia e saúde pública. Pelo menos é o que indicam as estatísticas de acesso ao blog.

Assim, passados dois anos e mais de 6 mil acessos ao blog, vejo que o campeão absoluto de acessos é a postagem que tenta desmistificar a Teoria de Resposta ao Item – “Tentando decifrar a TRI (Teoria de Resposta ao Item)”. A postagem sobre a TRI é a mais acessada disparada do blog, com 22,6% do total de acessos.   A utilização da TRI no ENEM e a sua complexidade no cenário nacional  com certeza foi o fator chave para o sucesso da postagem, que está na primeira página do google quando se busca o assunto.

Os temas ligados a geografia e a saúde pública também tem destaque.   isso fica evidente quando se observam os temas que são os mais acessados logo a seguir. Em segundo lugar vem a postagem “Lugar e Território em Saúde Pública“, com 4,1% de acessos. O top five se completa com as postagens “Urbanização em hub – Aerotropolis é o futuro?“, com 3,1%, “Breves Notas sobre o Público, a Massa e a Multidão” e “Astana, Cazaquistão: uma capital nas estepes” com 2,6%. Detalhe importante é que todas as temáticas estão bem posicionadas na primeira página do Google.

A seguir aparecem as seguintes postagens: “Possibilidades de pesquisa do Censo Escolar” e “Geopolítica Latinoamericana: Brasil Imperialista?” com 2,5%; “Depois dos BRIC’s, surgem os PIGS!”, com 2,1%; “Indústria tabagista quer manter aditivos com potencial cancerígeno” e “Visita ao Ministro Gilberto Carvalho” com 1,7%.

Assim, são dois anos de blog que gostaria de compartilhar com os que gostam de geografia, de saúde e estatística (TRI)!

Geografia da Saúde Qualitativa?

  1. A geografia da saúde está consolidada como campo de estudo. O que proponho é a existência de mais de um núcleo. Para além da espacialização de doenças e da apresentação de doenças em pontos, linhas e polígonos, penso que é possível falar de uma geografia da saúde qualitativa.
    No mestrado em geografia pela UnB, sempre tentei borrar a fronteira que separava o campo da geografia crítica do campo da saúde pública. Se de uma forma geral estava consolidado um campo de estudo para a geografia da saúde, estava claro também que esse campo já estava demarcado por conceitos e temas da geografia mais “quantitativa”, por assim dizer. Queria estudar a geografia e saúde, mas sob um outro mirante, um outro prisma. Queria incorporar novos conceitos, novas ideias, que viessem da geografia crítica. E mais. Queria juntar ainda autores e conceitos que transbordavam a geografia, que vinham da sociologia, da filosofia, da história.
  2. A tentativa de ultrapassar esse linha ou campo de força não foi suficientemente trabalhada na dissertação de mestrado. Mas abaixo seguem alguns textos em que tento explorar mais a fundo essas ideias…

  3. Esse olhar diferenciado, aproxima ainda mais a geografia da gestão em saúde pública.
  4. Os conceitos avançam no entendimento da complexidade do espaço do mundo moderno.
  5. Assim, lugar, território, não-lugar, fronteira, franja, são trabalhados de forma complementar pela sociologia, filosofia, geografia…
  6. Esses conceitos são articulados com outros temas caros a saúde pública, como integralidade.

Gerard Toal e o desgaste do mapa do mundo contemporâneo

Grande parte do mapa do mundo contemporâneo, contruído a partir da Revolução Industrial dos últimos 250 anos, baseado na promessa de permanente excedentes financeiros, crescimento sustentado e primazia geopolítica dos países ocidentais está se desgastando. Esta é uma das teses do Geógrafo Gerard Toal, do Departamento de Geografia da Virginia Polytechnic Institute e State University.
Com todo uma linha de pesquisa voltado para a geografia política moderna, o professor Gerard Toal destaca que

o mapa político mundial foi convenientemente organizado durante a Guerra Fria em zonas de primeiro mundo, segundo e terceiro. Agora o mapa está cheio de zonas que desafiam a caracterização fácil. Um número crescente de lugares caóticos – Afeganistão, Belerus, Somália, Chechênia, Timor Leste, Congo, Sérvia, Serra Leoa – parecem estar se dissolvendo como espaços soberanos governados, devolvendo para o espaço do ingovernável vastas áreas, para fora do alcance do moderno sistema mundial.

Ainda de acordo com Gerard, estas zonas selvagens são lugares onde a vida é desagradável, brutal e curta. Ao reavaliar a condição atual e futura do mapa político mundial, a dialética fundamental entre a política e a economia, os estados e mercados, legalidade e da criminalidade em várias regiões do globo é cada vez mais um elemento central a ser considerado.

Nestes tempo em que a geografia política retoma fôlego, a partir do entendimento desse complexo processo de desterritorialização do antigo e reterritorialização do novo, a partir do desgaste das velhas estruturas capitalísticas financeiras, as ideias do professor Gerard podem auxiliar a entender um pouco melhor esse cenário.

Aqui  e aqui deixo links para mais alguns trabalhos do professor Gerard Toal.

Reestruturação do Reino dos Países Baixos

Como geógrafo, não posso deixar de me interessar por assuntos dessa natureza. Por indicação de amiga que mora na Holanda, soube que 2011 é o Ano da Holanda no Brasil.

Neste site tem uma agenda variada e interessante, mas principalmente para o RJ e SP. mas uma coisa me interessou neste site, que foi uma matéria informando sobre o processo de reestruturação do Reino dos Países Baixos, no que se refere às Antilhas Holandesas, ou seja, as ilhas de Curaçao, St. Maarten, Bonaire, São Eustáquio e Saba. Abaixo reproduzo a matéria, pelo seu didatismo. Quem tiver interesse, o link para a materia completa está aqui.

A futura estrutura do Reino
O Reino dos Países Baixos está passando por um processo de reestruturação no que se refere às Antilhas Holandesas, ou seja, as ilhas de Curaçao, St. Maarten, Bonaire, São Eustáquio e Saba. Aruba mantérá a condição de país, adquirida em 1986. Espera-se que a nova estrutura entre em vigor no início de 2010, embora possa haver um atraso.

Essa reestruturação tem por base os referendos realizados em cada uma das ilhas das Antilhas Holandesas, entre 2000 e 2005, cujos resultados foram inequívocos: ao mesmo tempo que as ilhas não desejam continuar a fazer parte das Antilhas Holandesas, elas também não querem cortar o vínculo existente com o Reino.

mapa Antilhas Holandesas

Na atual situação, o Reino é formado por três países em condições de igualdade: as Antilhas Holandesas, Aruba e os Países Baixos. Os territórios caribenhos do Reino (as Antilhas Holandesas e Aruba) não são considerados territórios ultramarinos da parte do Reino que se encontra na Europa (Países Baixos) e sim, sócios plenos e autônomos dos Países Baixos dentro do Reino. Os três países gozam de alto grau de autonomia interna. As relações internacionais e de defesa são assuntos do Reino. O governo do Reino é formado pelo Conselho de Ministros, que se reúne em Haia, e no qual cada país caribenho é representado por seu ministro plenipotenciário. A sede do governo nacional das Antilhas Holandesas encontra-se em Willemstad, Curaçao; e a de Aruba, em Oranjestad.

Na nova estrutura prevista, as duas maiores ilhas das atuais Antilhas Holandesas, Curaçao e St. Maarten, obterão o status de país, comparável ao que têm, atualmente, os Países Baixos e Aruba. O país “Antilhas Holandesas” deixará de existir assim que a futura estrutura entrar em vigor. A partir de então, o Reino será composto de quatro países em vez de três: Países Baixos, Aruba, Curaçao e St. Maarten. A nova estrutura se concretizará assim que o processo de negociação, do qual participam representantes de todas as partes do Reino, tiver chegado a termo. Quanto às três ilhas menores (Bonaire, São Eustáquio e Saba), elas passarão a ter um vínculo direto com os Países Baixos. Na prática, sua condição será muito parecida à dos municípios holandeses, salvo adaptações derivadas de sua localização no Caribe.

A reforma política não terá impacto na manutenção dos interesses internacionais. Isso significa, dentre outros, que:
– não haverá alteração nas fronteiras exteriores do Reino;
– as relações internacionais, bem como a defesa, continuarão sendo assuntos do Reino;
– haverá apenas um único Ministro de Relações Exteriores para todo o Reino, que arcará com a responsabilidade de todos os assuntos pertinentes à pasta;
– o Ministério de Relações Exteriores em Haia e suas representações no exterior continuarão trabalhando para o Reino e suas partes constituintes;
– apenas o Reino poderá celebrar tratados e não cada uma de suas partes constituintes em separado (embora sua vigência poderá limitar-se a uma ou várias partes constituintes do Reino, ou seja, o tratado celebrado pelo Reino poderá referir-se a uma ou mais partes constituintes do Reino).

Astana, Cazaquistão: uma capital nas estepes

Interessante artigo de Rowan Moore, do The Guardian, fala de Astana, capital do Cazaquistão.

http://www.guardian.co.uk/world/2010/aug/08/astana-kazakhstan-space-station-steppes

O famoso arquiteto japonês Kisho Kurokawa, foi masterplanning da nova capital do Cazaquistão – Astana. O Cazaquistão , ex-república soviética ao sul da Rússia, se estende desde o limite oriental da Europa, quase até a Mongólia.

O projeto foi baseado no entrelaçamento de cidade com a natureza, com trechos de verde entre os prédios. Kurokawa morreu em 2007, mas a sua cidade está lá, mais ou menos seguindo o seu plano. A cidade apresenta uma abundância de parques e árvores.

Chamada Astana, ela é o mais recente exemplo do mundo de um tipo raro, mas persistente, a capital construída a partir do nada. É uma linha que inclui São Petersburgo, Washington DC, Canberra, Ankara e Brasília e, como eles, provoca uma pergunta: pode uma cidade, em toda sua complexidade, realmente ser planejada?

O artigo de Rowan apresenta um quadro sinistro de Astana: Astana seria tão estranha que  mais pareceria uma estação espacial, abandonada em uma vastidão incompreensível nível de estepe, sendo que inclusive seu nome lembraria o de um escritor de ficção científica. Seria uma cidade de fábula ou um sonho, conforme relatado por Marco Polo a Kublai Khan.

À noite, os edifícios vão do roxo ao rosa, do verde ao amarelo. A mais recente obra de Astana lembra uma tenda translúcida de mais de 150 metros, criada por Lord Foster . Chamada Khan Shatyr, tem um único mastro com adereços e um telhado inclinado, que oferece abrigo de um clima severo para um complexo comercial e de entretenimento.

Segue-se uma estratégia  familiar a Foster, para ser visto no Tribunal do British Museum, ou nos seus projetos dos aeroportos de Hong Kong e Pequim, que é criar um imenso e impressionante teto  – uma coisa a ser olhada e admirada, mas não habitada – pairando sobre uma menor, menos ordenada, zona onde a atividade dos edifícios, neste caso, lojas e parques temáticos tem lugar.

O Khan Shatyr abriu no mês passado com uma festa extravagante que coincidiu com o 70 º aniversário do presidente Nursultan Nazarbayev, que é o princípio e o fim de tudo que acontece em Astana. O edifício está lá “porque a idéia veio do presidente”, diz seu gerente, nascido na Alemanha. O fato de já haviam quatro outros shoppings dentro de um quilômetro quadrado “não importa para ele”. O globo de ouro na torre de aço branca foi projetada pelo próprio Nazarbayev.

Quando Nazarbayev encomendou a Foster para desenhar o seu Palácio da Paz e Reconciliação, ele disse que o queria em forma de pirâmide.

Tais cidades são muitas vezes o trabalho de um único homem forte. Existe um museu do fundador em Astana, pois há um de Kemal Atatürk em Ancara e um Memorial do Presidente Kubitschek, em Brasília.

O Cazaquistão pode ser incluído em 142° no índice de liberdade de imprensa mundial, e 120° no índice de percepção de corrupção. Lá,  o presidente ganha eleições e referendos com taxas de 91% e 95%, mas a imprensa oficial afirma que só o Presidente Nazarbayev poderia ter estabilizado seu país com potencialmente explosivas combinações étnicas, e violenta tempestades econômicas pós-soviética.

Nazarbayev decidiu construir uma nova captial por que a capital anterior, Almaty, era muito próximo à China, muito congestionada, e propensa a terremotos.

O presidente Medvedev da Rússia disse que Nazarbayev “deu a esta cidade, não só o seu trabalho, mas também sua alma”.

O que ele queria ele conseguiu, em parte graças às receitas do petróleo do Mar Cáspio. Como as cidades do Golfo, Astana flutua sobre os petrodólares do Caspio. E como as cidades do Golfo e as novas cidades chinesas, Astana inspira a maravilha que existe em todos.

O artigo de Rowan concluí que Astana não tem o vico e a vidacde uma cidade tradicojnal. mas quem mora em Brasília sabe que isso é só a primeira vista, e que só o tempo pode enraizar e proporcionar o viço característico de um lugar, tal como já apresentei em alguns de meus textos, que tratam da importância de se “cultivar” o lugar com identidade – o que só o tempo pode fazer.

Recebi a visita do recenseador do IBGE

Hoje aconteceu algo que só acontece de 10 em 10 anos, e que muitos acreditam ser uma lenda urbana: Recebi a visita do recenseador do IBGE.

Para quem é geógrafo, e sabe a importância do Censo para o desenvolvimento de pesquisas, e a formulação de políticas públicas, foi uma experiência interessante – em cada pergunta que ia respondendo ia imaginando os desdobramentos que aquelas respostas iam fornecendo para o futuro do país.

A tecnologia do formulário eletrônico  – todas respostas são registrada num palmtop, e ao final você assina digitalmente o questionário – vai facilitar o processamento das respostas, e o IBGE acredita que ainda este ano vamos saber quantos brasileiros somos.