Como o Ensino Médio pode conectar nossos Jovens ao Trabalho do Futuro?

A maioria dos jovens brasileiros não alcança o que precisa no ensino médio para enfrentar o futuro. No Brasil, de cada dez jovens com 15 a 17 anos, apenas cinco está no ensino médio, e desses cinco, apenas 1 sabe o necessário em leitura e matemática. São milhões de  jovens que a cada ano que passa estão perdendo oportunidades por não desenvolver habilidades essenciais para contribuir na transformação do Brasil na nação que tem o tamanho dos nossos sonhos. Várias razões concorrem para esse quadro, desde razões econômicas, passando pelas culturais e as educacionais.

Até os dias de hoje, gerenciamos e registramos a experiência de passagem pelo ensino médio como uma série de cursos e notas. É assim, com poucas mudanças, desde a primeira revolução industrial. É um registro de tempo e atividades, um registro de esforço e memorização eu diria, que claramente não é nem eficaz nem efetivo como medida de desenvolvimento das habilidades que deveriam ser alcançadas nesse processo. Nosso ensino médio não consegue capturar experiências ou produtos de trabalho que forneçam evidências de crescimento e realização de nossos jovens. E quando observamos os desafios colocados para o futuro do trabalho o quadro fica desesperador. Temos um verdadeiro “apagão educacional”. Nossa Constituição define o objetivo maior da nação e os grandes rumos da educação.

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Promulgação da Constituição de 1988

Nossa LDB demarca a estrutura, as diretrizes e define o número de horas necessários para essa etapa de ensino, e a Base Nacional Comum Curricular estabelece quais conhecimentos e habilidades devem trabalhados em cada ano,  desdobrando os limites para a organização do ensino brasileiro. Essa organização reflete o nosso contrato social e a promessa de equidade por meio da educação. Mas esse contrato precisa ser profundamente revisto, diante da aceleração dos tempos com a chegada do novo mundo e dos desafios do século XXI. A Quarta Revolução Industrial, que inclui desenvolvimentos em campos anteriormente desarticulados, como inteligência artificial e aprendizado de máquina, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, e genética e biotecnologia, causará uma ruptura generalizada nos modelos de negócios, nos mercados de trabalho e nas vidas das pessoas. Os próximos anos serão de enorme mudança no conjunto de habilidades necessárias para prosperar. Essa velocidade, que  vem derretendo certezas em relação ao futuro do trabalho exige que possamos entender a natureza das mudanças e suas implicações, e nos força ajustar o rumo das instituições que realizam a preparação das novas gerações para viver em Sociedade no século XXI. Um mundo onde robôs, a automação e inteligência artificial realizam cada vez mais tarefas, associado a todo o complexo de mudanças oriundo da velocidade das mudanças gera um enorme desencaixe entre o que é aprendido nos centros de formação e o que é exigido em termos de habilidade no mundo atual e futuro próximo. Assim, não bastará uma mudança incremental, será preciso responsabilidade com as gerações futuras para ser disruptivo na mudança.

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As reformas ocorridas após a Constituição de 1988 foram incrementais e timidamente tentaram conectar os requisitos de saída do ensino médio aos requisitos de entrada nos caminhos que levam a preparação para a vida e as oportunidades de longo prazo. Mas esse movimento foi feito olhando para o passado e não para o futuro, o que colocou cada reforma passos atrás do necessário para cada período. E o processo de implementação foi lento o que nos colocou ainda mais para trás no processo. Em que pese termos avançado, não tivemos avanços na velocidade necessária para recuperar o tempo perdido e avançar na promoção da redução da imensa desigualdade de oportunidades que a assimetria de acesso provoca nos diferentes grupos populacionais do país. E no limite, as reformas em geral ainda acabaram por reforçar os controles baseados no processo, descolados dos resultados efetivos e mantiveram a estrutura de cursos tradicionais baseados em conteúdo.

Em suma, continuamos com vários problemas que se acentuaram e que aumentaram de tamanho e complexidade, e que hoje precisam ser enfrentados:

  • O desenho atual atende a requisitos baseados no aumento de disciplinas isoladas que freiam o estudo interdisciplinar e o desenvolvimento de habilidades essenciais ao mundo do trabalho e a cidadania do século XXI;
  • O modelo não abre espaço para o aprendizado horizontal e oriundo do novo mundo interconectado em rede pelo massivo uso da tecnologia, em busca de potencializar e compartilhar os melhores desempenhos, o trabalho em grupo, as realizações e capacidades únicas e a evidência de crescimento nos indicadores de preparação para o mundo do trabalho e a cidadania.
  • O processo continua naturalizando a formação do ensino médio como etapa necessária para passar pelo funil de ingresso na Universidade, fortalecendo a visão disciplinar tradicional, freando o  desenvolvimento  de habilidades associadas ao mundo do trabalho do século XXI, tais como aqueles trabalhados na educação profissional e técnica (por exemplo, robótica  e manufatura avançada).
  • O foco estreito nas prováveis saídas do ensino médio (5 saídas possíveis atualmente) limita a ênfase e a importância da aprendizagem fora da escola (por exemplo, trabalho, serviço e aprendizado baseado na cidadania). Há poucas ou nenhumas oportunidades para obter e validar o aprendizado obtido fora da escola ou de maneira informal (aprender frações na Khan Academy, fazer cálculos em um MOOC, aprender habilidades para o trabalho ou liderar uma causa social ou comunitária).

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É preciso ser inovador e disruptivo para recuperar o tempo perdido e incorporar todos os benefícios que as tecnologias e os avanços da indústria 4.0 nos proporciona para desenvolver novas maneiras de expressar expectativas, promover um aprendizado poderoso e ajudar os jovens a compartilhar suas capacidades. Essas tecnologias inclusive podem ser utilizadas para incorporar e desenvolver habilidades e competências para toda a população economicamente ativa do Brasil, alinhando ao mais moderno conceito de aprendizagem ao longo da vida.

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Mas nesse momento, mais que respostas para esses e outros desafios, é preciso validar boas perguntas que possam nos ajudar a orientar a reflexão sobre nosso desafio e construir uma reflexão coletiva, participativa, que inclua os professores, estudantes, gestores e demais membros da comunidade escolar, e que oriente um novo rumo e um novo projeto educacional para o país, que seja ao mesmo tempo ascendente e construído na realidade local de cada escola.

Resultados – Qual é a melhor maneira de expressar as metas desejadas de aprendizado dos alunos? Quais são os melhores quadros de resultados ? Até que ponto os resultados desejados podem variar de acordo com planos de carreira ou pós-secundários?

Evidências – Que formas de evidência as comunidades deveriam aceitar de aprendizado e crescimento? Como podemos garantir uma qualidade consistente?

Demonstração – Como as escolas poderiam ajudar os alunos a resumir suas capacidades, habilidades, realizações e aspirações de maneiras que beneficiem a eles e a Sociedade (cursos pós-médio, faculdades, empregadores)?

Redes – Como as escolas podem ser encorajadas a trabalhar juntas em torno de expectativas, avaliações e a projetos comuns?

Conexão – Como tornar o sistema de acesso, certificação e validação de diplomas modulares e flexíveis? Como garantir o acesso equitativo a diversos e múltiplos percursos de formação? Como podemos melhorar a experimentação de experiências e contribuições inovadoras e bem-sucedidas?

Essas provocações precisam ser potencializadas no atual momento político do país, para que possamos transformar todo esse calor em luz para iluminar o debate sobre a Educação que o Brasil precisa!

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A 4ª Revolução Industrial e o Futuro do trabalho

A Quarta Revolução Industrial, que inclui desenvolvimentos em campos anteriormente desarticulados, como inteligência artificial e aprendizado de máquina, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, e genética e biotecnologia, causará uma ruptura generalizada[1] não apenas nos modelos de negócios, mas também nos mercados de trabalho. Os próximos anos serão de enorme mudança no conjunto de habilidades necessárias para prosperar. Essa velocidade vem derretendo certezas em relação ao futuro do trabalho. Entender a natureza das mudanças e suas implicações é um exercício fundamental para ajustar o rumo das instituições que realizam a preparação das novas gerações para viver em Sociedade no século XXI. Um mundo onde robôs, a automação e inteligência artificial realizam cada vez mais tarefas, associado a todo o complexo de mudanças oriundo da velocidade das mudanças gera um enorme desencaixe entre o que é aprendido nos centros de formação e o que é exigido em termos de habilidade no mundo atual e futuro próximo. Os especialistas afirmam que nesse cenário uma ampla gama de iniciativas e estratégias de desenvolvimento e certificação de habilidades será criada para atender às novas demandas[2].

Para falar de educação é preciso entender minimamente a dinâmica do mundo do trabalho. Precisamos entender que formamos nossas crianças e jovens também para o mundo do trabalho – previsão constitucional inclusive prevista no Artigo 205 da Constituição Federal. E para falar da educação do futuro é preciso olhar para os desafios associados ao futuro do trabalho. Apresento aqui uma revisão bibliográfica dos estudos sobre o futuro do trabalho mais relevantes apresentados nos últimos anos.

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Vários estudos apontam que um grande número de empregos está em risco[3] ou será significativamente transformados[4], à medida que  dispositivos programados – muitos deles sistemas inteligentes e autônomos[5] – continuam sua marcha em direção aos locais de trabalho. O Centro de Pesquisas Pew e o Imagining the Internet Center da Elon University perguntou em 2014 para especialistas[6] se inteligência artificial e robótica criariam mais empregos do que eles destruiriam, o veredicto foi dividido: 48% dos entrevistados previram um futuro onde mais empregos são perdidos do que criados, enquanto 52% disseram que mais empregos seriam criados do que perdidos. Desde essa pesquisa, o futuro dos empregos tem estado no topo da agenda em muitas das principais conferências mundiais.

Uma ideia-chave emergente é que mudanças nos ambientes de ensino e aprendizagem são necessárias para ajudar as pessoas a permanecerem empregáveis na força de trabalho do futuro. Entre as seis descobertas gerais em um novo relatório de 184 páginas da National Academies of Sciences[7], os especialistas recomendaram: “O sistema educacional precisará se adaptar para preparar as pessoas para a mudança do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, avanços recentes em TI oferecem maneiras novas e potencialmente mais acessíveis de acessar a educação ”.

Se tecnologia avança rapidamente,  as organizações e habilidades tendem a se mover em um ritmo mais lento. Nas próximas décadas, a divisão entre a tecnologia em rápida evolução e o ritmo mais lento do desenvolvimento humano crescerá à medida que melhorias exponenciais na inteligência artificial, robótica, redes, análise e digitalização afetarem cada vez mais a economia e a sociedade. É preciso reconfigurar organizações e instituições para serem eficazes e adequadas à economia digital e ao grande desafio do nosso tempo. É preciso ajudar as organizações a entender como a transformação digital está afetando a sociedade e a vida cotidiana para que as pessoas se tornem mais produtivas e prosperarem em um momento de grandes e incertas mudanças.

Uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew de 2016, “O Estado dos empregos americanos”[8],  descobriu que 87% dos trabalhadores acreditam que será essencial que eles recebam treinamento e desenvolvam novas habilidades profissionais ao longo de sua vida profissional.  Esta pesquisa observou que a demanda por capacitação é muito maior entre os empregos que exigem um nível médio ou acima da média de preparação (incluindo educação, experiência e treinamento profissional); competências interpessoais, de gestão e de comunicação, médias ou acima da média; e níveis mais altos de habilidades analíticas, como pensamento crítico e habilidades de computação.

Já o Relatório “White Paper Re-Imagining Work – Work 4.0”[9] do Governo Alemão destacou a importância de se promover a aprendizagem ao longo da vida e o direito de todos os trabalhadores à educação e formação profissional contínua, por meio de abordagens inovadora do tempo de trabalho que reconheça as demandas pessoais, familiares e sociais das pessoas, juntamente com as demandas de trabalho, que apoie novas soluções para equilibrar essas demandas. O relatório da PWC[10] “Workforce of the future – The competing forces shaping 2030” afirma que a forma que a força de trabalho do futuro assumirá será o resultado de forças complexas, mutáveis e competitivas. Algumas dessas forças são certas, mas a velocidade com que elas se desdobram pode ser difícil de prever. Regulamentos e leis, os governos que os impõem, tendências amplas no sentimento do consumidor, cidadão e trabalhador influenciarão a transição para um local de trabalho automatizado. O resultado desta batalha determinará o futuro do trabalho em 2030. Já o Relatório “The Future of Jobs Report[11]” afirma que o ritmo acelerado do desenvolvimento de tecnologias, de mudanças demográficas e socioeconômicas está transformando indústrias e modelos de negócios, mudando as habilidades de que os empregadores precisam e encurtando a o tempo de “vida” de conjuntos de habilidades existentes dos trabalhadores no processo. Por exemplo, a robótica e as “machine learning” não substituem completamente as ocupações e categorias de trabalho existentes – mas tarefas específicas anteriormente executadas como parte desses trabalhos, liberando os funcionários para se concentrarem em novas tarefas e levando a mudanças rápidas no processo de trabalho.  Nesse novo ambiente, a mudança do modelo de negócios frequentemente traduz-se em ruptura do conjunto de habilidades quase simultaneamente. Durante as revoluções industriais anteriores, foram muitas vezes necessárias décadas para construir os sistemas de formação e as instituições do mercado de trabalho necessárias para desenvolver novas e importantes em grande escala. Dado o próximo ritmo e escala de ruptura provocada pela Quarta Revolução Industrial, no entanto, esse tempo não estará disponível, logo essa não será uma opção. As tendências tecnológicas atuais estão gerando uma taxa de mudança sem precedentes no conteúdo do currículo principal de muitos campos acadêmicos, com quase 50% do conhecimento do assunto adquirido durante o primeiro ano de um diploma técnico de quatro anos desatualizado no momento em que os alunos se formam[12].

Focando em um conjunto de 35 habilidades relevantes ao trabalho que são amplamente usadas em todos os setores da indústria, o relatório do Fórum Econômico considera que estas habilidades estarão sujeitas a mudanças aceleradas e mudanças significativas no futuro imediato. Em média, até 2020, mais de um terço dos conjuntos de habilidades essenciais desejadas para a maioria das ocupações será composto por habilidades que ainda não são consideradas cruciais para o trabalho atual, de acordo com a pesquisa. Os atuais mercados de trabalho e habilidades sob demanda serão muito diferentes daquelas de 10 ou até cinco anos atrás e o ritmo da mudança deve acelerar. Governos, empresas e indivíduos estão cada vez mais preocupados em identificar e prever habilidades que são relevantes não apenas hoje, mas que permanecerão no futuro para atender às demandas de negócios por talentos e permitirão àqueles que as possuem aproveitar oportunidades emergentes.

À luz das tendências tecnológicas, muitos países realizaram esforços significativos para aumentar a quantidade de Diplomados STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) produzidos pelos seus sistemas educacionais nacionais. Embora as tendências em matéria de emprego identificadas corroborem para a importância destes esforços, é igualmente claro que a potencial criação líquida de postos de trabalho em termos absolutos apenas no domínio das STEM não será suficiente para absorver tensões noutras partes do mercado de trabalho. Nesse sentido, mudanças disruptivas terão um impacto significativo nas exigências de habilidades e elas estão criando uma gama de oportunidades e desafios em todos os setores, não apenas estreitamente relacionadas ao “conhecimento sólido”, habilidades técnicas e tecnologia. A fim de gerenciar essas tendências com sucesso, existe a necessidade de potencialmente substituir e qualificar talentos de diferentes formações acadêmicas em todos os setores. Na prática existem hoje grande descompasso entre a oferta real e a demanda das principais habilidades relacionadas ao trabalho, e 38% dos empregadores relatam dificuldades no preenchimento de vagas em 2015, de acordo com a mais recente Pesquisa de Escassez de Talentos da ManpowerGroup[13].

As incompatibilidades de habilidades emergem não apenas entre a oferta e a demanda de habilidades existentes hoje, mas também entre a atual base de habilidades e os futuros requisitos de habilidades. Esforços voltados para o fechamento da lacuna de habilidades  está ancorado em uma sólida compreensão da base de habilidades de um país ou do setor hoje e de alterar os requisitos futuros de habilidades devido a mudanças disruptivas. Por exemplo, os esforços para colocar os jovens desempregados em estágios em certas categorias de trabalho através do treinamento de habilidades direcionadas podem ser inúteis se os requisitos de habilidades nessa categoria de trabalho forem drasticamente diferentes em alguns anos.  De fato, em alguns casos, tais esforços podem ser mais bem-sucedidos se focarem seus modelos em expectativas futuras. Independentemente do trabalho em que você esteja, espere enfrentar pressão para modificar constantemente suas habilidades.

O Relatório sobre o Futuro do Trabalho do Fórum Econômico Mundial[14] revela ainda que em quase todos os setores, o impacto de mudanças tecnológicas e outras está diminuindo o prazo de validade dos conjuntos de habilidades existentes dos funcionários. Mesmo os trabalhos que diminuirão em número passam simultaneamente por mudanças nos conjuntos de habilidades necessárias para executá-los. Em média, até 2020, mais de um terço dos conjuntos de habilidades essenciais desejadas para a maioria das ocupações será composto por habilidades que ainda não são consideradas cruciais para o trabalho atual. Além disso, as habilidades técnicas precisarão ser complementadas com fortes habilidades sociais e de colaboração.

É preciso fortalecer a capacidade de compreender a base atual de habilidades em tempo quase real e prever, antecipar e preparar com precisão os requisitos futuros de conteúdo profissional e habilidades . Essa capacidade será cada vez mais crítica para empresas, formuladores de políticas de mercado de trabalho e organizações de trabalhadores e indivíduos para ter sucesso.

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O Documento da OIT “The Future of Work: A Literature Review[15]” destaca que a enorme quantidade de literatura que surgiu nos últimos anos no contexto do “Futuro do Trabalho”. Acadêmicos, think tanks e formuladores de políticas alimentaram discussões ricas sobre como o futuro do trabalho pode ser e como podemos moldá-lo.

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Apresenta uma detalhada revisão acerca dos estudos existentes, e apresenta uma tabela com as estimativas de desemprego oriunda do desenvolvimento da tecnologia, derivadas de várias dessas pesquisas.

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O impacto de todas as já citadas rupturas tecnológicas, demográficas e socioeconômicas nos modelos de negócios será sentido em transformações no cenário do emprego e nos requisitos de habilidades, resultando em desafios substanciais para o recrutamento, treinamento e gerenciamento de talentos. Diversas indústrias podem encontrar-se em um cenário de demanda positiva de emprego por ocupações especializadas difíceis de recrutar, com instabilidade de habilidades simultâneas em muitas funções existentes. Por exemplo, a indústria da Mobilidade espera um crescimento do emprego acompanhado de uma situação em que quase 40% das exigido pelos principais trabalhos da indústria ainda não fazem parte do conjunto de habilidades básicas dessas funções hoje.

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As respostas à pesquisa sobre o futuro do trabalho[16] indicam que os líderes empresariais estão cientes desses desafios iminentes mas ainda não agem para enfrentar os desafios de maneira  decisiva. Pouco mais de dois terços dos entrevistados na pesquisa acreditam que o futuro planejamento da força de trabalho e recursos de gerenciamento de mudanças é uma prioridade razoavelmente alta ou muito alta na agenda da liderança sênior de sua empresa ou organização, variando de pouco mais da metade no setor Básico e Infraestrutura até quatro cinco entrevistados em Energia e Saúde. Em todos os setores, cerca de dois terços dos entrevistados também relatam intenção de investir na formação continuada de funcionários  como parte de seus esforços de gerenciamento de mudanças e planejamento da força de trabalho futura, tornando-a de longe a mais bem classificada. No entanto, as empresas que relatam reconhecer o planejamento futuro da força de trabalho como uma prioridade são quase 50% mais propensas a planejar investir em requalificação do que as empresas que fazem isso.

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O relatório fornece uma indicação relativamente clara de onde esses esforços de formação continuada podem ser concentrados da maneira mais eficaz e eficiente. O relatório categoriza habilidades relevantes para o trabalho em habilidades, habilidades básicas e habilidades interfuncionais, com crescimento de demanda particularmente forte esperado em certas habilidades interfuncionais, habilidades cognitivas e habilidades básicas como aprendizagem ativa e TIC.

Outro Estudo relevante para entender o desafio é o Estudo “Jobs Lost, Jobs Gained: Workforce Transitions in a Time of Automation[17]” realizado pela fez uma robusta análise sobre  o fenômeno da automação e suas implicações no futuro do trabalho. A análise sugeriu que as economias avançadas criarão novos empregos suficientes para compensar o impacto da automação até 2030. Globalmente, no entanto, as transições da força de trabalho serão muito grandes. Entre 75 milhões e 375 milhões de pessoas podem precisar mudar de grupo ocupacional até 2030 devido à automação, e precisarão aprender novas habilidades ou aumentar seu nível de educação para encontrar trabalho. Outra informação relevante é que as categorias de trabalho com demanda crescente tem mais altos requisitos educativos do que o trabalho deslocado ou perdido pela automatização.

Definir e medir as habilidades necessárias para um bom desempenho em qualquer trabalho é uma tarefa complexa. É preciso entender e considerar várias medidas diferentes de habilidades da força de trabalho.

Muitos profissionais e pesquisadores hoje se concentram em separar os graus tradicionais em credenciais (certificados) bem definidas que podem ser obtidas demonstrando o domínio de habilidades específicas. Isto é particularmente atraente para os trabalhadores em meio de carreira que não podem gastar anos ganhando um diploma tradicional, ou que tenham acumulado valor valioso experiência no trabalho. Algumas credenciais são para habilidades bastante restritas: programar em uma determinada linguagem de computador ou dominar um tipo específico de experiência em mecânica. Em economias avançadas, a demanda por trabalho atualmente requerendo o ensino médio ou menos provavelmente diminuirá.  Em economias avançadas, se verifica um padrão comum de requisitos educacionais. As ocupações que atualmente exigem apenas a conclusão do ensino médio ou menos, incluindo empregos como balconistas de escritório, empacotadores e empacotadores, e caixas, são mais propensas a serem afetadas pela automação e têm uma redução líquida na demanda de mão de obra. O crescimento relativo de empregos que exigem maior nível de escolaridade não é um fenômeno novo. No entanto, muitos dos empregos de renda média do passado que exigiam apenas uma educação secundária ou menos e treinamento mínimo provavelmente enfrentarão um deslocamento significativo em um mundo automatizado. Muitos trabalhos adicionais que requerem níveis baixos e médios de realização educacional poderiam ser criados, impulsionados particularmente pela economia solidária. No entanto, para muitos empregos que não exigem ou apenas ensino médio, a demanda adicional de mão de obra futura não compensará totalmente os empregos deslocados pela automação. Isso significaria que muitos trabalhadores deslocados precisariam  elevar seus níveis educacionais para obter emprego em uma das ocupações demandadas. Os trabalhadores deslocados pela automação podem precisar investir tempo para adquirir novas habilidades, seja por meio da educação formal ou de outros programas de treinamento. Por outro lado, os empregos em si podem precisar ser redesenhados para acomodar um fluxo de novos trabalhadores com menos treinamento específico do setor e educação geral. As transições podem ser variadas e levar ao atrito no mercado de trabalho e, potencialmente, ao aumento do desemprego no curto prazo. Mas outras medidas poderiam ser tomadas para fazer os mercados funcionarem melhor. Por exemplo, definir requisitos de trabalho, bem como fornecer treinamento e certificação  com base em habilidades específicas melhora a correspondência entre oferta e demanda de trabalho, pois essas habilidades são muito mais refinadas do que os graus educacionais tradicionais e muitas vezes são adquiridas em menos tempo do que terminar um programa de graduação de vários anos. Enquanto alguns trabalhadores deslocados pela automação serão capazes de encontrar um emprego em uma função similar e com requisitos educacionais semelhantes, muitos não irão, e precisarão ganhar habilidades adicionais, que podem ou não aumentar seu nível educacional.

MELHORAR O TRABALHO E O DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES NO TRABALHO

Proporcionar reciclagem profissional e permitir que os indivíduos aprendam novas habilidades ​​ao longo de suas vidas será um desafio central na próxima década e além. Centenas de milhões de pessoas precisarão encontrar novos empregos à medida que a automação avança, e ainda mais precisarão aprender novas habilidades, incluindo como trabalhar com as máquinas. Nos últimos anos, alguns países experimentaram desafios significativos na tentativa de criar as condições em que os trabalhadores deslocados pela globalização e pela tecnologia encontram rapidamente novos empregos de alta qualidade. O resultado tem sido uma série de empregos de baixa remuneração com oportunidades limitadas de progresso e taxas mais baixas de participação no mercado de trabalho. O desafio para as próximas décadas será criar programas efetivos de treinamento e certificação de força de trabalho em escala. Isso exigirá ações de formuladores de políticas, líderes empresariais e educadores, bem como indivíduos. Registre-se que numa época em que milhões de pessoas precisarão de novas habilidades, o financiamento público para programas de treinamento profissional[18] está caindo em muitos países[19].

As empresas também têm um papel significativo a desempenhar na formação e reciclagem de trabalhadores. Isso vai além de um papel puramente social ou do senso de responsabilidade cívica: os líderes empresariais estarão na linha de frente da automação e terão o conhecimento detalhado sobre os tipos de habilidades de que precisarão à medida que adotarem as tecnologias. Nos Estados Unidos, algumas empresas estão trabalhando diretamente com provedores de educação para dar aos funcionários uma oportunidade de elevar seus níveis educacionais e de qualificação[20].  À medida que o a dinâmica e o processo de trabalho evolui e se sofistica,  definições mais granulares e variadas de habilidades estão emergindo como marcadores de importância crítica, mais ainda do que uma educação universitária em alguns casos. Esse foco nas habilidades de um indivíduo, e não nas credenciais educacionais, está ganhando força com empresas, governos estaduais e organizações sem fins lucrativos.

Os educadores têm um papel a desempenhar no ajuste dos currículos escolares para a era da automação. Embora a automação seja um grande desafio para os trabalhadores que já trabalham, ela também terá implicações sobre como as futuras gerações de trabalhadores são treinadas, envolvendo ajustes nos currículos escolares e nos sistemas educacionais de forma mais ampla. Os currículos precisarão ser adaptados para fornecer aos alunos as habilidades necessárias para um mercado de trabalho dinâmico, tecnológico e cada vez mais orientado a serviços, particularmente em países e indústrias onde as tecnologias de automação provavelmente serão adotadas mais rapidamente. Várias alterações serão necessárias. Primeiro, a demanda aumentará para que os funcionários desenvolvam e implantem tecnologia, ou interpretem e ajam na análise de dados que essas tecnologias podem produzir, mas pode não haver trabalhadores suficientes com as habilidades necessárias para atender a essa demanda, por exemplo, para cientistas de dados. Assuntos STEM serão cruciais para a força de trabalho. A educação precoce em assuntos como estatística, para ajudar os alunos a entenderem um mundo cada vez mais orientado por dados, onde os experimentos são uma fonte essencial de insight, será vital. Alguns países, incluindo a Estônia, a China e o Reino Unido, introduziram a codificação informática no ensino primário e secundário. As classes de codificação nesses países começam com cinco ou sete anos de idade, com uma introdução aos conceitos fundamentais necessários (como a compreensão de algoritmos) e habilidades de codificação como lógica e criação e depuração de programas de computador simples. No entanto, a forte educação em artes liberais para acompanhar as habilidades de alta tecnologia no local de trabalho também pode ser necessária para os trabalhos do futuro. Uma porcentagem crescente de atividades que os trabalhadores farão no futuro será em categorias como gerenciar e liderar outras pessoas e interagir com outras pessoas, que requerem habilidades como percepção e raciocínio social e emocional, e aplicar criatividade e solução colaborativa de problemas. Essas habilidades muitas vezes não fazem parte do currículo formal nos programas escolares tradicionais. Outra descoberta da nossa pesquisa é que a automação e outros fatores, incluindo a globalização, o trabalho independente e as empresas que atravessam as fronteiras do setor, exigirão que todos os trabalhadores mudem o que fazem ao longo do tempo. Isso coloca um prêmio em um conjunto de meta-habilidades, em torno de agilidade, flexibilidade, determinação e aprender a aprender. Ensinar essas qualidades é um desafio para todos os sistemas educacionais e estão presentes nos processos de aprendizagem online, o que ressignifica o entendimento e o papel da aprendizagem online como fator de crítico de sucesso no processo.

As instituições educacionais precisarão se adaptar às crescentes demandas do mercado de trabalho para assegurar que as habilidades críticas para o trabalho estejam sendo ensinadas. A menos que se tornem mais receptivos às demandas do mercado de trabalho, os educadores correm o risco de criar uma desconexão cada vez maior entre educação e emprego. Essa desconexão já é visível em algumas pesquisas.

Mas a nova era digital trouxe uma infinidade de possibilidades para novas formas de aprendizado, tanto dentro do sistema educacional quanto fora dele. Os recursos de aprendizado digital são mais flexíveis em termos de tempo e conteúdo do que o treinamento em sala de aula tradicional, e os programas podem ajustar o conteúdo para que os alunos individualmente otimizem seus resultados de aprendizado. Para os indivíduos, os diplomas on-line podem ser mais vantajosos do ponto de vista de custos do que os de faculdades e universidades tradicionais, particularmente nos Estados Unidos, onde os custos de ensino estão subindo mais rapidamente do que a inflação geral. Alguns cursos on-line massivos abertos (MOOCs) são gratuitos e ajudaram a expandir o acesso a conteúdos educacionais para pessoas de fora das instituições educacionais tradicionais. Os MOOCs apresentam canal para distribuição em larga escala de conteúdo educacional a baixo custo e com potencial para ajudar a facilitar futuras transições de força de trabalho.

ESCALAR RADICALMENTE AS OPORTUNIDADES DE TREINAMENTO NO MEIO DA CARREIRA PARA TORNAR A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA UMA REALIDADE

Aprenizagem ao longo da vida tem sido discutida reverentemente nos círculos técnicos e políticos, e está presente nos grandes documentos internacionais de concertação internacional em torno da Educação (Jomtien, Dakar, Incheon), mas a nova era da automação será o momento em que a aplicação em larga escala será necessária mais do que nunca. Flexibilidade e adaptabilidade serão novos mantras da força de trabalho, já que as máquinas substituem algumas atividades humanas e – provavelmente com mais frequência – fundamentalmente as alteram. Para o futuro, será necessário capacitação mais direcionada e de curto prazo para as pessoas, especialmente para aqueles que estão na metade da carreira e que procurarão desenvolver novas habilidades, mesmo que mantenham seus empregos.

O Relatório do Reino Unido “The Future of Work Jobs and Skills in 2030”[21] quando projeta um cenário de inovação adaptativa para o futuro do trabalho em 2030, avalia que as plataformas on-line se tornarão o canal de escolha para oferecer educação e treinamento, por oferecer a opção mais econômica para treinamento essencial no trabalho e para manter as habilidades dos indivíduos atualizadas. Oportunidades de treinamento customizadas são facilmente integradas nos processos corporativos e são usadas regularmente pela maioria das empresas de médio e grande porte.

A análise das capacidades de desempenho mais procuradas na nova era da automação mostra a importância crítica das habilidades tecnológicas, mas também do trabalho em equipe, criatividade, comunicação e habilidades sociais e emocionais. As escolas de muitos países continuam a aderir a uma cultura de educação que permanece enraizada nas noções de ensino e aprendizagem do século XIX. Governos e educadores precisam usar tecnologias digitais para mudar isso, por exemplo, criando caminhos de aprendizagem mais individuais para os alunos. Embora a educação universitária tenha crescido em popularidade e tenha perdido sua reputação elitista em muitos países, muitas instituições de ensino superior não se concentraram suficientemente nas necessidades do mercado de trabalho ou dos graduados que o frequentam. Os governos devem incentivar, identificar e co-financiar programas inovadores que abordem as lacunas de habilidades conhecidas entre trabalhadores, estudantes pós-secundários e jovens – e então dimensionar aquelas que funcionam.

ADQUIRA AS HABILIDADES QUE SERÃO PROCURADAS E EMBARQUE EM UMA JORNADA DE APRENDIZADO PERMANENTE

À medida que as máquinas executam um leque mais amplo e uma variedade de tarefas, os indivíduos precisarão se concentrar mais no desenvolvimento das habilidades que os humanos possuem. Como descrevemos neste relatório, as atividades em quase todas as ocupações mudarão, com mais tempo gasto em atividades que exigem habilidades sociais e emocionais, trabalho em equipe e colaboração, criatividade e níveis mais altos de comunicação e raciocínio lógico. Tanto os governos quanto as empresas têm um papel a desempenhar no fornecimento de melhores informações sobre as habilidades e os empregos na demanda. Os educadores também desempenham um papel. Alunos do ensino médio na maioria dos países recebem instruções e orientações inadequadas sobre como planejar uma carreira no local de trabalho atual, e muito menos para um local de trabalho que está evoluindo rapidamente. Em última análise, cabe aos próprios indivíduos pensar cuidadosamente sobre quais habilidades serão necessárias e como elas podem demonstrar essas habilidades aos empregadores.

No nível individual, será fundamental se preparar para um mundo de busca de emprego digital. Plataformas digitais para desenvolvimento e avaliação de habilidades de avaliação devem ocupar espaço central no processo de contratação. Elas se constituirão num diferencial competitivo num primeiro momento, mas em seguida devem compor o padrão de contratação no mercado de trabalho. No curto prazo, isso significa dedicação de tempo e cuidado à construção de uma presença on-line pessoal. Para se destacar, será preciso mostrar e validar sua experiência, estabelecer conhecimentos ao se juntarem a grupos ou postarem conteúdo, e construir redes profissionais. Os trabalhadores também se beneficiarão da compreensão e da participação nas inovações em torno de treinamento e credenciais baseados em habilidades que podem acelerar suas trajetórias de carreira. Indivíduos sem credenciais formais de educação se diferenciarão por meio de sua reputação on-line por meio de recomendações e certificações práticas.

Mas é importante destacar o papel da tecnologia para enfrentar esse desafio. A tecnologia pode ajudar os mercados de trabalho com as chamadas plataformas de talentos digitais[22], que buscam melhorar a correspondência entre trabalhadores e empregos. As plataformas de talentos on-line estão cada vez mais conectando as pessoas às oportunidades corretas de trabalho. Em 2025, eles podem adicionar US $ 2,7 trilhões ao PIB global e começar a melhorar muitos dos problemas persistentes nos mercados de trabalho do mundo. Elas devem assumir a forma de sites, aplicativos móveis ou sistemas corporativos proprietários com um grande volume de informações sobre os trabalhadores individuais e empregadores, combinando indivíduos com oportunidades de trabalho, desenvolvimento e validando competências  e produzindo assim melhores resultados de trabalho.

Essas plataformas online apoiam o aumento do PIB reduzindo o desemprego e aumentando a produtividade do trabalho. Com recursos de pesquisa e rastreio de algoritmos, as plataformas de talentos on-line podem acelerar o processo de contratação e reduzir tempo que as pessoas gastam procurando emprego. Agregando dados sobre candidatos e vagas de trabalho, apoiam a resolução de diferenças geográficas e permitem correspondências que de outra forma não seriam feitas. Da mesma forma ajudam a colocar as pessoas certas nos trabalhos certos, aumentando assim sua produtividade e a satisfação no trabalho. Também há grandes ganhos de produtividade a serem captados, desde atração de pessoas engajadas em trabalho informal e empregos formais, especialmente em economias emergentes. Ambos os efeitos devem aumentar a produção por trabalhador, elevando o PIB global em US $ 2,7 trilhões e emprego para 72 milhões de pessoas em tempo integral até 2025. Estima-se que até 2025, as plataformas de talentos on-line podem beneficiar cerca de 540 milhões de pessoas[23], ou 10% da população em idade ativa.

Um ecossistema diversificado de educação e credenciamento deve amplificar a mudança necessária para ajustar as necessidades generalizadas. Os empregadores intensificarão seus próprios esforços para treinar e treinar trabalhadores e um número significativo de esforços de autoaprendizagem por parte dos próprios candidatos, aproveitando as oportunidades on-line. Um novo ecossistema de educação e treinamento emergindo no qual algumas funções de preparação de trabalho são realizadas por instituições educacionais formais em ambientes de sala de aula bastante tradicionais, alguns elementos são oferecidos on-line, alguns criados por empresas com fins lucrativos, alguns gratuitos, alguns explorados elementos de realidade virtual e sensibilidades de jogo, e muita aprendizagem em tempo real ocorre em formatos que os candidatos a emprego buscam por conta própria. Alguns dizem que mecanismos alternativos de credenciamento surgirão para avaliar e atestar as habilidades que as pessoas adquirem ao longo do caminho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todo o complexo cenário delineado para o futuro do trabalho apresenta enormes implicações para os trabalhadores. Estima-se[24] que  entre que 60 a 375 milhões de pessoas em todo o mundo precisem fazer a transição para novas categorias profissionais até 2030, com uma necessidade constante pelo desenvolvimento de novas competências  em trabalhos que envolverão uma mistura inconstante de tarefas e atividades.

Ao mesmo tempo a velocidade das mudanças nos coloca em pleno processo de transição e revisão do preconceito na contratação de quem estudou distância, para uma valoração de competências associadas aqueles que  se utilizam de ferramentas de aprendizado online, demonstrando com isso maior proatividade, iniciativa, resiliência e disciplina. Uma lição clara surge da nossa análise: a adaptabilidade – nas organizações, indivíduos e sociedade – é essencial para navegar pelas mudanças futuras. Os trabalhadores e as organizações precisam estar prontos para se adaptar. Grande parte da responsabilidade caberá ao indivíduo. É no nível individual que será preciso se adaptar à mudança organizacional e estar disposto a adquirir novas habilidades e experiências ao longo de sua vida, para tentar novas tarefas e até mesmo para repensar e reciclar. Governos e organizações podem e devem fazer muito para ajudar: facilitando os caminhos para treinamento e reciclagem, e incentivando e incentivando a adaptabilidade e as habilidades críticas e cada vez mais valorizadas de liderança, criatividade e inovação.

Então, uma questão central sobre o futuro, então, não é se, mas como e quando as estruturas de aprendizagem formais e informais evoluirão para atender às necessidades de mudança das pessoas que desejam atender às expectativas de futuro do local de trabalho.

Referencias Bibliográficas

[1] https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2017/01/global_20170131_future-of-work.pdf

[2] http://www.pewinternet.org/2017/05/03/the-future-of-jobs-and-jobs-training/

[3] http://www.pewinternet.org/2017/05/03/the-future-of-jobs-and-jobs-training/

[4] http://ide.mit.edu/news-blog/blog/event-recap-ai-and-future-work

[5] https://www.oxfordmartin.ox.ac.uk/downloads/reports/Citi_GPS_Technology_Work.pdf

[6] http://www.pewinternet.org/2017/05/03/jobs-training-about-this-canvassing-of-experts/

[7] Tecnologia da informação e força de trabalho dos EUA: Onde estamos e para onde vamos a partir daqui? (2017) https://www.nap.edu/read/24649/chapter/1

[8] “O estado dos empregos americanos” http://www.pewsocialtrends.org/2016/10/06/the-state-of-american-jobs/

[9] http://www.bmas.de/SharedDocs/Downloads/EN/PDF-Publikationen/a883-white-paper.pdf

[10] https://www.pwc.com/gx/en/services/people-organisation/workforce-of-the-future/workforce-of-the-future-the-competing-forces-shaping-2030-pwc.pdf

[11] http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs.pdf

[12] http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs.pdf

[13] https://www.manpowergroup.com/workforce-insights

[14] https://www.weforum.org/agenda/2016/01/what-is-the-future-of-your-job

[15] http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—dgreports/—inst/documents/publication/wcms_625866.pdf

[16] http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs.pdf

[17] https://www.mckinsey.com/mgi/overview/2017-in-review/automation-and-the-future-of-work/jobs-lost-jobs-gained-workforce-transitions-in-a-time-of-automation

[18] Recentemente, Cingapura implementou uma forma inovadora de apoio destinado a melhorar habilidades como parte de seus esforços para promover o crescimento e a competitividade em 23 indústrias. Por meio da Iniciativa “SkillsFuture”, introduzida pelo Ministério da Educação em janeiro de 2016, o governo fornece a todos os cingapurianos. 25 e acima de crédito de cerca de US $ 400, para pagar por cursos relacionados a habilidades de trabalho aprovados. Mais de 18.000 desses cursos estão disponíveis e, em dezembro de 2016, mais de 120.000 pessoas – cerca de 4% da população residente com 25 anos ou mais – usaram a iniciativa de fazer cursos, mais de 60% deles com mais de 40.

[19] Entre 1993 e 2015, os gastos com programas de treinamento de mão-de-obra diminuíram de 0,08% para 0,03. por cento nos Estados Unidos, enquanto os gastos japoneses caíram de 0,03% para 0,01%. Na Alemanha – ainda um dos maiores gastadores – os gastos com treinamento caíram de 0,57% do PIB para 0,2%.

[20] A AT & T fez uma parceria com a Georgia Tech para fornecer oportunidades para todos os funcionários se inscreverem no programa de ciência da computação on-line da universidade, que a AT & T ajudou a configurar. A AT & T oferece bolsas de estudo a todos os funcionários para participar de aulas, paga mensalidades e permite que os funcionários que não frequentam uma universidade convencional aperfeiçoem suas habilidades técnicas. Em 2014, cerca de 18% dos 1.268 alunos matriculados no programa de mestrado em ciências da computação da Georgia Tech eram funcionários da AT & T. O Walmart,  com uma força de trabalho global de quase 2,5 milhões, está realizando treinamento e reciclagem de seus funcionários nos EUA, através da sua Academia Walmart. A Starbucks firmou uma parceria com a Arizona State University, que oferece uma oportunidade para que todos os funcionários qualificados recebam seu diploma de bacharel com cobertura integral de matrículas até a graduação pelo programa de graduação on-line da ASU. A Amazon, por meio de seu programa Career Choice, reembolsa 95% das mensalidades, taxas e materiais de seus associados por hora, com apenas um ano contínuo de permanência.

[21]  https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/303335/the_future_of_work_key_findings_edit.pdf

[22] https://www.mckinsey.com/featured-insights/employment-and-growth/connecting-talent-with-opportunity-in-the-digital-age

[23] https://www.mckinsey.com/featured-insights/employment-and-growth/connecting-talent-with-opportunity-in-the-digital-age

[24] http://ide.mit.edu/news-blog/blog/event-recap-ai-and-future-work

Porque é preciso conectar governos para enfrentar os problemas complexos da atualidade?

Das mudanças climáticas à urbanização, da desigualdade aos empregos perdidos para a automação, os maiores problemas da atualidade são complexos e conectados. No entanto, em geral, os servidores públicos ainda são forçados a tentar resolvê-los rapidamente e com recursos escassos. Uma pesquisa[1] relatada em artigo de Robyn Scott e Lisa Witter na Stanford Social Innovation Review (SSIR), buscou entender quais fatores limitavam sua eficácia e descobriu que um número considerável de respostas se enquadrava em uma única categoria: uma falta crítica de conexão – de ideias,  de colegas que enfrentaram problemas semelhantes e a parceiros que poderiam ajudar a implementar soluções. Apresento aqui algumas de suas ideias.

Innovation Road Sign with dramatic clouds and sky.

Esse padrão leva, na melhor das hipóteses, à duplicação de esforços e às despesas evitáveis ​​do contribuinte; na pior das hipóteses, leva à adoção de políticas que já provaram ser ineficazes, ou à incapacidade de adotar boas políticas, a um grande custo para a vida e os bolsos dos cidadãos. Em um mundo conectado, a criação de políticas conectadas, com todos os seus muitos benefícios, continua sendo uma exceção.

A pesquisa descobriu que a “desconexão” se desdobra em cinco categorias. Um olhar mais atento a essas categorias pode ajudar os formuladores de políticas a enxergar o desafio diante deles com mais clareza:

  1. Governos Desconectados – Existe uma “verdade” nos governos de que toda política é local e dependente do contexto. Se isso foi uma afirmação precisa, hoje é questionável. Embora toda a política deva, em última instância, ser personalizada para as condições locais, é absurdo supor que há pouco ou nada a aprender de outros países, regiões ou municípios. Três tendências, de fato, indicam que as soluções se tornarão cada vez mais cambiáveis entre os países. A primeira é que os problemas estão se tornando mais globais – pense em mudanças climáticas, refugiados, desigualdade, segurança cibernética, terrorismo e inteligência artificial. A segunda: novas tecnologias, novos modelos de negócios e novos mecanismos de financiamento – todos eles inerentemente compartilháveis ​​- sustentam cada vez mais as soluções. A terceira é que as pessoas continuam se mudando para as cidades e as cidades são muito mais parecidas do que os países.
  2. Problemas desconectados – O que a política de mudança climática pode suportar sem uma estratégia de criação de emprego? Que reforma sensata da justiça criminal não considera a educação? No entanto, mesmo dentro dos países, os departamentos e seus funcionários geralmente permanecem estrangeiros entre si, assim como as nações. Os diferentes departamentos governamentais frequentemente têm diferentes redes, diferentes jargões e, talvez de forma mais destrutiva, diferentes orçamentos. Orçamentos, uma vez alocados, são gastos dentro desse departamento. A alocação de orçamento torna-se assim um jogo de soma zero. Um departamento de educação pode precisar envolver serviços sociais para ajudar a reduzir a frequência escolar precária. Mas, mesmo que haja uma economia líquida se todas as economias orçamentárias se acumularem para o departamento de educação, os serviços sociais têm pouco incentivo para se envolver.
  3. Servidores Públicos Desconectados – O isolamento dos governos e dos departamentos governamentais é causado e reforça o isolamento das pessoas que trabalham no governo, que têm poucos incentivos – e muitos desincentivos – para compartilhar o que estão trabalhando. Como a maioria das grandes instituições, o governo é avesso ao risco. Mas, ao contrário das corporações, há poucos ganhos a serem obtidos no governo, mesmo para aqueles que assumem riscos com sucesso. Não há recompensa financeira. E com os meios de comunicação ávidos por histórias que critiquem o governo, as penalidades para o fracasso são altas. Mesmo projetos amplamente julgados como bem-sucedidos podem ser duramente criticados; o governo é complicado e as decisões políticas sempre exigem compensações. Por isso, é mais seguro ficar em silêncio. Mas esse silêncio tem um alto custo.
  4. Cidadãos Desconectados – O governo sem engajamento cidadão é como um restaurante sem cardápio. Há áreas de progresso cada vez mais visíveis em superar as desconexões do governo, sendo o engajamento cidadão um deles. Ainda estamos nos estágios iniciais, mas as ferramentas do setor privado, como o design centrado no ser humano e o design thinking, se tornaram palavras-chave do governo. E as plataformas que permitem novos tipos de envolvimento dos cidadãos – desde o orçamento participativo até os aplicativos que as pessoas usam para denunciar buracos – estão surgindo cada vez mais em todo o mundo. Estamos esperançosos de que esta tendência acabará por gerar mais compartilhamento entre os governos. Quando os cidadãos de um país veem o que os cidadãos de outro país estão obtendo de seus governos – e têm canais para exigir o mesmo de seus representantes -, é mais provável que os governos atendam às lições de outros países.
  5. Ideias Desconectadas – De acordo com os próprios dados do Banco Mundial, um terço de seus relatórios nunca é lido, nem mesmo uma vez. As fundações e a academia despejam dezenas de milhões de dólares em pesquisa de políticas com poucos canais direcionados para alcançar os formuladores de políticas (no Brasil nem esse movimento é notado); eles também tendem a produzir e fornecer informações em formatos que os formuladores de políticas não acham úteis. As pessoas no governo, como todos os outros, estão frequentemente em seus telefones celulares e com pouco tempo. Pior, algumas informações nunca são captadas: o governo do Reino Unido (sem dúvida um dos governos mais bem administrados do mundo) perdeu recentemente £ 2,5 bilhões em relatórios que encomendou a cada ano, deixando servidores públicos do Reino Unido vasculharem a Internet em busca de registros “fantasmas”. quando eles precisavam deles. E a informação, mesmo que exista e mesmo que seja lida, não é suficiente. Para adotar ou adaptar adequadamente uma política, os funcionários públicos precisam conversar com aqueles com experiência em implementação – pessoas que experimentaram e superaram os desafios ocultos de fazer as coisas acontecerem.

Quando a conexão libera recursos para novas iniciativas – O países da OCDE gastam cerca de 40% de seu PIB com o trabalho do governo (cerca de US $ 16 trilhões). Estima-se  que o total global esteja em torno de US $ 30 trilhões. De acordo com a pesquisa, se políticas mais conectadas pudessem ajudar apenas 1% do gasto total do governo a ser implantado 50% mais efetivamente – uma ambição razoável -, seriam liberados mais de US $ 100 bilhões por ano globalmente em economia ou criação de valor.

As condições estão prontas para que isso aconteça, pelas razões descritas acima e porque os millennials, que compartilham por natureza, estão começando a assumir funções de alto escalão do governo e exigindo que as coisas sejam feitas de forma diferente. Não será fácil. Mas há muitas maneiras de começar que nem exigem grandes mudanças ou reformas.

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Aqui estão alguns:

Amplie o conjunto de talentos do governo – Muitos dos funcionários públicos mais eficazes que conhecemos passaram algum tempo no setor privado ou na sociedade civil. Confrontado com a expressão “É assim que as coisas sempre foram feitas”, eles encontram várias maneiras de contornar o sistema.

Proteger talentos  – O inovador MindLab da Dinamarca envia funcionários públicos com visão de futuro para a ação nas agências do governo para interromper o pensamento antiquado e ineficiente. Isso ajuda as agências  a sobreviverem à inércia institucional e à resistência.

Comunicar o lado positivo do risco – A agência de inovação da Suécia, Vinnova, deixa bem claro que obterá taxas de erros semelhantes às de capital de risco em seus investimentos ousados ​​e em estágio inicial. Definir essa expectativa torna muito mais fácil para a agência compartilhar falhas quando elas acontecem e falar sobre (e implementar) lições aprendidas.

Use dinheiro para impulsionar a colaboração – O departamento de saúde de Baltimore teve sucesso significativo com o “orçamento global”. Sob essa abordagem, os hospitais não são pagos de acordo com o número de procedimentos que realizam ou pacientes que recebem. Em vez disso, eles recebem um orçamento anual e são instruídos a gastá-lo como quiserem. A lógica é incentivar os hospitais a gastar dinheiro de forma mais eficiente. Desta forma, torna-se mais barato para o departamento de saúde gastar seu dinheiro em colaborações com outros departamentos que possam manter as pessoas saudáveis e fora dos hospitais.

Aproveite o melhor da tecnologia para compartilhar e aprender – O objetivo é fazer parte da solução nessa frente. Então, para complementar e reforçar apenas esses tipos de estratégias, foi criada uma plataforma online que conecta funcionários públicos em todos os níveis do governo a pessoas que lidam com os mesmos problemas em outros lugares. Através da plataforma é possível reunir ideias, pessoas e evidências de maneira que esperamos encorajar a ação.

Referencia:

[1] https://idging_governments_bordersssir.org/articles/entry/br

 

Como a atual Cultura Escolar pode estar fragilizando nossa Democracia?

Precisamos utilizar todas as nossas energias para transformar o atual tóxico ambiente político nacional num novo e revigorado ecossistema político e para isso é central articular uma visão mais inspiradora e inovadora de nossas escolas públicas. Essa nova visão inclui a recriação de escolas como laboratórios de democracia, recrutando jovens para atuar com educadores e membros da comunidade local como parceiros na construção da democracia que nosso país tanto precisa quanto merece.

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A atual crise política abre uma oportunidade para as escolas catalizarem o papel de formação e engajamento de nossos jovens como atores políticos legítimos que podem nos ajudar a ressignificar a prática e os valores associados à democracia. Esse é o momento de transformar as escolas em faróis da Democracia, garantindo que as escolas se concentrem em trabalhar a educação nas comunidades e territórios em que estão localizadas, construindo projetos políticos pedagógicos relevantes para a vida dos alunos e criando uma cultura democrática dentro das paredes das escolas e em seu entorno. Quando afirmo que as escolas devem se transformar em faróis da democracia, na verdade também estou dizendo que atualmente elas não o são, e isso nos leva a refletir em que medida tal fato tem participação na própria crise política nacional.

Yascha Mounk, professor da Universidade de Harvard e especialista em crises de democracia liberal, recentemente emitiu um alerta terrível sobre os riscos de falha sistêmicas das democracias caso a capacidade dessas democracias em todo o mundo de traduzir as visões populares em políticas públicas continuem declinando e se consolidem nos próximos 20 ou 30 anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de dois terços dos americanos mais velhos acreditavam que era absolutamente essencial viver em uma democracia; entre os millennials, menos de um terço faz tal afirmação. Há vinte anos, um em cada 16 americanos achava que “o governo do exército” era um bom sistema de governo. Há alguns anos nova pesquisa revelou que essa proporção aumentou para um em cada seis. E os números são igualmente preocupantes para toda uma gama de países da Europa Ocidental, e é possível ver isso também no Brasil. Além disso, nessas democracias consolidadas (EUA, França, Reino Unido, Alemanha, Itália) os eleitores mais velhos se tornaram muito mais críticos da democracia ao longo do tempo também. Esta não é apenas uma história sobre os jovens. As pessoas não estão apenas descontentes com determinadas políticas setoriais ou governos; elas estão cada vez mais irritadas com o sistema político como um todo. Isso torna o sistema político muito mais aberto aos populistas. “As elites não se importam com você”, dizem populistas de todos os matizes.  Nesse ponto a lógica populista é um “canto da seria” muito tentador. A lógica populista, em última análise, funciona da mesma maneira na esquerda, como na direita: uma vez que você afirma que só você fala por todo o povo, qualquer forma de oposição a você se torna imediatamente ilegítima. Assim, uma vez que você assume o poder, torna-se muito “tentador” abolir instituições independentes como os tribunais, suprimir vozes críticas na imprensa e concentrar mais e mais poder em suas próprias mãos. As democracias desenvolvidas enfrentam um “dilema tecnocrático”. O mundo se tornou muito mais complicado nos últimos 50 anos: a atividade econômica agora acontece em escala global. A tecnologia avançou em um ritmo muito rápido. Para governar efetivamente, o sistema democrático estabeleceu cada vez mais instituições tecnocráticas para governar. Os especialistas descobrem como regular as usinas de energia, políticas de saúde, de segurança e educacionais. As agências burocráticas ditam muito mais regras que os parlamentos. Organizações internacionais tentam coordenar ações de diferentes estados em áreas nas quais o mundo inteiro precisa trabalhar em conjunto. Mas, em conjunto, o efeito de todo esse desenvolvimento tem sido fazer com que muitos cidadãos se sintam como se o seu voto não importasse realmente. E as elites, por outro lado,  dizem que nada disso é um problema: desde que essas instituições façam um bom trabalho, não devemos nos preocupar com elas. Por outro lado, muitos populistas sugerem uma solução simplista: Abolir essas instituições, devolver o poder ao povo, e tudo ficará ótimo. Não acredito que qualquer dessas visões seja convincente. Precisamos genuinamente de algumas dessas instituições tecnocráticas. Mas, ao mesmo tempo, elas realmente enfraquecem o poder das pessoas. Este é um desafio fundamental para o nosso sistema político – e não vejo uma saída fácil, e ela necessariamente passa pela educação de nossas crianças e jovens.

Gerações de jovens que crescem nos dias de hoje testemunham um desrespeito institucional pela igualdade de direitos, liberdade de expressão, direito a voto e acesso a serviços públicos de qualidade. Os jovens estão particularmente desiludidos com uma democracia na qual as guerras nas redes sociais se tornam um substituto aceitável para o diálogo e o debate sobre questões substantivas. Uma reação lógica dos jovens é desprezar a democracia por vê-la como um sistema fundamentalmente injusto e corrosivo, e um conceito abstrato e ineficaz, em vez de um conjunto vibrante de comportamentos e práticas centrados na comunidade.

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Então reformar e melhorar nossa democracia depende de reparar seu próprio fundamento de representação e participação cidadã. E a reforma exige infraestrutura que garanta a participação dos cidadãos na governança (como o acesso justo e equitativo às urnas), uma mídia livre, plural, justa e robusta, e um sistema político que reduza o papel do dinheiro na política. Participação cívica e democracia não são sinônimos, mas a democracia também requer uma cidadania capaz de responsabilizar os políticos pela substância, em vez da fraude. Para este fim, é preciso assegurar que os jovens estejam preparados e motivados para serem os próximos administradores da nossa democracia. Essa  é uma condição crucial e muitas vezes ignorada para um sistema político melhorado. Muitas escolas não conseguiram preparar nossos cidadãos mais jovens para se tornarem administradores da democracia, possuindo o conhecimento e as habilidades necessárias para uma cidadania ativa e engajada.  Para refazer nossas instituições e fortalecer a democracia para as próximas gerações, o lugar mais impactante para começar é com nosso sistema educacional.  

E como transformar nossas escolas em faróis da Democracia? O processo começa com um maior respeito pela comunidade em que a escola está situada. Os alunos precisam entender que a comunidade é um lugar onde os cidadãos manifestam seus desejos e necessidades e trabalham juntos para resolver desafios comuns. Os membros da comunidade precisam ver o sucesso dos jovens como relevante para o sucesso da comunidade. temos que cultivar altas expectativas em nossas crianças e jovens. Os gestores escolares precisam aprender a reconhecer os estudantes como atores relevantes e fornecedores de importantes conhecimentos cívicos locais, capazes de participar dos  debates decisórios locais. Os jovens têm um lugar no discurso e na ação da comunidade, e é importante que eles vivenciem a totalidade do processo democrático.

O aumento e a melhoria da educação cívica dos jovens são frequentemente citados como a solução para este problema. Ressignificar o civismo é lógico e importante. De fato há pouco espaço curricular para aprender e ensinar efetivamente a educação cívica, e os recursos do governo federal, estados e distritos são escassos sobre o assunto. Assim como as correções estruturais de nossa democracia, a educação cívica é importante, mas insuficiente por si só. O desafio é redefinir o que as escolas ensinam em geral, como são ensinadas e para quem é acessível – nesse sentido a Base Nacional Comum Curricular é um elemento essencial no debate.

Não podemos divorciar o ambiente político que vivemos de nosso atual sistema educacional. Um sistema ineficiente, excludente e improdutivo, que não tem rumo nem direção clara, com o mínimo de foco no bem comum da comunidade. Pois acredito que nesse ambiente tóxico nacional de hoje existe um grande espaço para articular uma visão mais inspiradora e centrada no cidadão para nossas escolas públicas. Essa nova visão inclui a recriação de escolas como laboratórios de democracia, recrutando jovens como colaboradores que vão, junto com educadores e membros da comunidade local operar a reconstrução da democracia que nosso país tanto precisa quanto merece. Em vez de exortar os jovens a compreender uma conceituação sadia da democracia que reduza sua própria autoria na narrativa, há uma oportunidade para as escolas engajarem nossos jovens como atores políticos legítimos que podem nos ajudar a re-visualizar a própria prática e os valores associados à democracia.

Artigo de Sylvia Rousseau e Scott Warren na Stanford Social Innovation Review (SSIR)  aponta que a participação cívica começa nas escolas, e que para promover uma democracia robusta é preciso criar uma cultura escolar verdadeiramente democrática. A gestão democrática é um preceito constitucional inclusive. É preciso que o foco na comunidade permita que as aulas se tornem relevantes e interdisciplinares. A matemática ganha vida à medida que os alunos analisam os padrões de mobilidade urbana e calculam quais as prioridades efetivas dos orçamentos do município. A aula de linguagem envolve a análise de artigos no jornal e a aprendizagem de habilidades de comunicação persuasivas através do debate sobre os méritos da política local. É preciso integrar problemas científicos do mundo real com a resolução de problemas cívicos. Como exemplo de atividade, uma turma busca entender e explorar as causas do alagamentos no entorno da escola  e desenvolvem soluções sustentáveis. Outro exemplo é de turma que monitora a qualidade da água e a saúde das bacias hidrográficas e usam os dados para educar os cidadãos e informar os tomadores de decisão sobre as condições da água do município.

Além das aulas, a própria escola pode incorporar essa ênfase comunitária, tornando-se um lugar onde os alunos co-criam uma cultura escolar que reflete os princípios da democracia. Nesse tipo de escola democrática, que prioriza as vozes dos alunos e cria o espaço para a discussão deliberativa, os alunos encontram significado na educação e se tornam os protagonistas de uma nova prática democrática. É preciso que a escola abrace a comunidade e a assuma a importância de re-visualizar a educação através de uma lente democrática.

Já o professor Fernando Reimers defende que as Escolas e universidades podem ajudar a promover a democracia de quatro maneiras:

  • Educar bem todos os alunos e, assim, proporcionar a todas as pessoas oportunidades de desenvolver sua razão e as capacidades que lhes permitirão ganhar autonomia e participar da sociedade.
  • Proporcionar aos alunos a oportunidade de aprender sobre os outros que são diferentes de si mesmos, e reconhecer semelhanças, bem como apreciar as diferenças, para que eles possam desenvolver as disposições e a capacidade de colaborar com os outros em uma democracia diversificada.
  • Proporcionar aos alunos conhecimento e apreciação sobre as instituições e normas que regem a vida democrática: a constituição, a divisão de poderes, os direitos e deveres do governo e dos cidadãos.
  • Ajudar os estudantes a ganhar as competências para participar do processo democrático, não apenas participando de eleições, mas também engajando-se nas muitas formas de dever e serviço cívico que fazem da democracia um modo de vida. Esta ideia decorre do reconhecimento de que a democracia requer mais do que a participação formal nas eleições e na aceitação das instituições da democracia, requer um envolvimento ativo dos cidadãos, uma sociedade civil ativa que participa regularmente no projeto de melhoria da sociedade.

Nossas escolas, há algum tempo, estão ausentes ou equivocadas em sua missão cívica. Falta clareza de propósito. A maior parte do nosso discurso público e da política educacional tem se concentrado em recursos e metas imediatas, como matrículas, frequência, graduação ou desempenho dos alunos nos domínios básicos da linguagem ou da matemática. Todos esses insumos são importantes, com certeza; especialmente se eles estão bem alinhados com um perfil de graduados do ensino médio que incluem as competências essenciais para participar ativamente de uma sociedade democrática. Será que as escolas estão fazendo o trabalho de cultivar uma cidadania democrática se se deixam intimidar uns aos outros sobre diferenças em suas identidades, enquanto os adultos fecham os olhos sobre o assunto? As escolas não estão preparando os alunos para entender que, em uma democracia, todas as pessoas têm os mesmos direitos e deveres. Será que os gestores escolares cumprem suas obrigações para com uma sociedade democrática se estiverem focados apenas em conseguir que as escolas melhorem o desempenho dos estudantes em linguagem e matemática, enquanto deixam de atuar e enfrentar grupos extremistas que desafiam a inclusão de livros no currículo, que promovem o pensamento crítico e uma apreciação acerca da diversidade cultural brasileira?

É hora de desenvolver uma narrativa mais ambiciosa para nossas escolas. É preciso criar uma mentalidade de que o caminho para a melhoria da escola passa pela qualidade do aprendizado em leitura, matemática e ciências e vai muito além, e que o esforço da sociedade e do governo atual tem sido sido insuficiente para acompanhar os rápidos desenvolvimentos ocorridos no século XXI. É hora de agregar a ênfase na melhoria escolar para tornar as escolas mais eficientes, a esforços mais audaciosos que possam tornar o processo de aprendizado mais relevante para enfrentar os grandes desafios globais. Dos dois, o desafio democrático é o mais precioso.  Não podemos cair na busca de atalhos populistas ineficazes, com plataformas sociais destinadas que exacerbam as clivagens e a desigualdade, maior risco para a nossa frágil democracia. É preciso que  que nossas escolas forneçam uma base sólida que desenvolva as habilidades e as disposições necessárias para cuidar e entender nossas políticas, engajar e não apenas votar em eleições, participando do processo político e social no dia-a-dia. A democracia é, acima de tudo, um modo de vida, um processo – não uma participação episódica nos processos eleitorais.

Nossa democracia pode de fato estar em risco, e esse cenário exige uma abordagem forte e sistêmica. Precisamos de uma reorientação fundamental do propósito da educação pública para garantir que nossa geração mais jovem não apenas compreenda a democracia, mas também participe da criação de uma versão melhor dela.  Um Novo propósito com uma visão mais ampla de como nossas escolas podem ajudar nossos alunos a defender uma democracia que está em grande risco. Podemos ainda não ter criado uma democracia estável o suficiente para as gerações futuras. Mas os jovens podem ajudar a criar um melhor.

Este é o melhor jardim de infância do mundo?

O jardim de infância de Fuji foi apresentado pela OCDE como um dos melhores edifícios escolares do mundo. Ele foi projetado para ter um telhado circular, criando um playground interminável para as crianças. As árvores crescem no meio das salas de aula, quebrando as fronteiras entre o lado de fora e o lado de dentro, e não há paredes entre as salas de aula – as crianças são livres para vagar de um “quarto” para outro. O edifício também tem portas de correr que são mantidas abertas até dois terços do ano para manter o fluxo de dentro para fora aberto. Esta escola é baseada no conceito de que “um jardim de infância é um enorme playground para o crescimento das crianças, uma ferramenta para incentivar as crianças”. Cerca de 600 crianças brincam no prédio e no jardim. Eles podem escalar as três grandes árvores que crescem através do telhado.

Essencialmente, o aspecto chave deste edifício foi derrubar barreiras tanto física quanto metaforicamente. A arquitetura inovadora também foi reconhecida pelo TED , para ter uma noção do playground em ação. Confira no TED o arquiteto Takaharu Tezuka falar sobre as inspirações e realidades de seu design inspirador:

Não ter paredes significa que o ruído de uma classe se mistura com outra, criando um ruído de fundo ou “voz”. O objetivo disso é ajudar a manter as crianças pequenas calmas. A filosofia por trás dessa ideia é semelhante às preferências de sono das crianças pequenas. Quando crianças pequenas são colocadas em um cômodo silencioso, elas geralmente acham mais difícil adormecer,  choram e podem sentir-se ansiosas.

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O ruído é, portanto, usado para manter a atmosfera livre de estresse e repousante, o que parece estar funcionando. Embora a escola tenha trinta crianças que foram diagnosticadas com autismo, nenhuma das crianças apresenta sinais de autismo. A natureza relaxada e livre do ambiente claramente os ajuda a fazer parte do cotidiano escolar, sem qualquer estresse ou preocupação.

O teto circular e a abertura de todo o edifício inspiram movimento. As crianças foram simplesmente “deixadas sozinhas” e, assim, todo movimento e todo aprendizado é espontâneo. Como resultado, as crianças se mudam mais do que em outros jardins de infância, cinco vezes mais do que a média das crianças na pré-escola, de acordo com suas pesquisas.

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O design do edifício ajuda-os a descobrirem-se. Eles decidem como e onde querem jogar, que classe querem ouvir e efetivamente como querem aprender! Os métodos educacionais na escola empregam o método Montessori, no qual a aprendizagem e o aprendizado autogeridos através do brincar estão no centro de como educar. O edifício faz tudo o que pode para ajudar a que isso aconteça. O método Montessori ainda parece uma ideia futurista de educação, embora tenha sido concebida há um século. O design do edifício ajuda a facilitar os métodos educacionais que Montessori promove, mas não é essencial, é a filosofia e a mentalidade que são mais importantes. Um ambiente de aprendizagem personalizado será aquele em que os jovens se sintam valorizados, se sintam conhecidos, sintam que seus interesses são importantes e onde a aprendizagem está em qualquer lugar e em qualquer lugar. Isso pode ser empregado em qualquer lugar, não importa em que prédio e com quais orçamentos. O que o jardim de infância Fuji consegue fazer é criar um ambiente que valorize esses valores educacionais fundamentais.

Um ambiente melhor é aquele que se parece com a nossa casa. Este é sem dúvida o efeito exato que o jardim de infância Fuji tem sobre os alunos e é uma das chaves para o seu sucesso. O resumo básico do prédio era permitir que a escola se sentisse como uma família, mesmo que as crianças fossem todas de diferentes origens. Tezuka levou essa  mensagem a sério, pois é óbvio para ver como isso influenciou todas as decisões de design para criar o edifício. A aprendizagem autodidata dá independência às crianças e permite que elas relaxem, e o Jardim de Infância Fuji foi projetado para concretizar essa ideia. Tezuka argumenta que quando as crianças aprendem algo de forma independente, são mais propensas a reter as informações, mas quando são forçadas a aprender algo, é mais provável que se esqueçam da lição mais tarde. Certamente, faz sentido permitir que as crianças sigam seu próprio caminho de aprendizado, em vez de forçá-lo a seguir?

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Outro dos aspectos-chave para o design do edifício foi a inclusão.  À medida que o mundo se torna cada vez mais globalizado com pessoas de diferentes culturas capazes de viajar mais facilmente, trabalhar internacionalmente ou mudar para um novo país, é vital que as escolas ajudem a criar um futuro em que os cidadãos se sintam confortáveis e, aceitando as diferenças. Ter diversidade no jardim de infância não é apenas uma “coisa boa para se ter”, mas é essencial para os valores e o ecossistema da escola. Existem atualmente trinta crianças autistas e uma criança deficiente física que usa uma cadeira de rodas na escola, junto com crianças de diferentes origens.

Uma das coisas mais importantes sobre o jardim de infância é que é inclusivo a todos. Eles acreditam que, se você criar apenas um ambiente para uma pequena parte da população estudantil, estará criando uma sociedade pequena e cristalizando formas de hierarquia. As crianças do jardim de infância são igualmente tratadas, não importando as diferentes culturas, religiões, raças ou habilidades. Não há limites de qualquer tipo. Assim como o edifício é um simples infinito sem fim, assim são as relações entre os alunos e os professores. A estética do edifício reflete inteiramente os princípios e a ética da escola.

É claro que o conceito de jardim de infância nunca foi motivado por aclamação ou dinheiro. No coração do projeto estão as crianças e o desejo de ajudar a criar uma sociedade melhor e mais inclusiva. O jardim de infância tem atraído muito interesse internacional, desde o reconhecimento da OCDE, mas não é fácil simplesmente implementar o mesmo conceito em outro lugar. Se alguém tem recursos para isso, então a escola exige que eles venham trabalhar na escola por pelo menos um mês para que possam ver como tudo realmente funciona e para aprender sobre a importância por trás dos conceitos. Eles querem ter certeza de que não é apenas a beleza do prédio que as pessoas estão vendo, mas também a educação.

É claro que a maioria das escolas não tem os orçamentos necessários para criar um edifício tão inspirador de arquitetura, no entanto, os temas comuns em muitas dessas inovações de alto orçamento permanecem os mesmos que as inovações de baixo orçamento. Aprendizagem liderada pelos alunos, liberdade de personalização, para as crianças pequenas aprenderem através de brincadeiras e para as crianças mais velhas aprenderem através de auto-descoberta ou projetos. Estes são todos os conceitos que continuam valendo e que você não precisa inovar para construir um prédio inteiro. Em termos de melhoria dos ambientes de aprendizagem, a chave é capacitar as crianças, dar-lhes liberdade para aprender de forma independente e inspirar amor à aprendizagem. Os ambientes de aprendizagem física também são importantes, mas são secundários a esse núcleo. Melhor iluminação, ar fresco e garantir que as crianças se sintam confortáveis ​​são aspectos importantes de um ambiente de aprendizado físico. Se o mundo natural e o tempo fora puderem ser incluídos, isso é ótimo, mas o núcleo é tornar as crianças apaixonadas – e para isso você não precisa de um grande orçamento.

(traduzido e adaptado de https://hundred.org/en/articles/is-this-the-best-kindergarten-in-the-world)

 

Fórum Mundial da Água: A água na agenda política!

Participo do Fórum Mundial da Água que ocorre em Brasília. Participar do 1° Fórum realizado no hemisfério sul é oportunidade para atualizar o olhar para temática que foi objeto de estudo em meu processo de formação como geógrafo. E novamente continua cada vez mais atual e intensa a importância de buscar soluções para garantir o direito á água e otimizar seus diversos usos por meio de ações educativas transformadoras.

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O tema da água, que já é considerado um grave problema em várias regiões do mundo,  deve ser considerado um problema crônico no Brasil, com as crises de abastecimento vivenciadas vários Estados e municípios. Os debates no Fórum indicam a importância de  novas abordagens para enfrentar a questão de maneira séria. A água doce é um recurso essencial para a vida e um direito humano básico. Além disso, toda atividade econômica e produtiva depende de água. A situação é grave, quando consideramos os seus diferentes usos, como abastecimento público, produção de bens, irrigação, abastecimento de animais, termelétricas e mineração. Temos que enfrentar o desafio da garantia de acesso à água de maneira sustentável e integrada, com planejamento e gestão. Não dá mais para improvisar, é preciso pulso firme e decisão, integrar as ações em diferentes frentes, entendendo o desafio em toda sua complexidade.

O Estudo Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2017, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostra um complexo quadro do uso da água no Brasil. No Brasil, a irrigação, o abastecimento animal e o uso industrial consomem mais 80% da água do país, enquanto o uso para abastecimento publico seriam responsáveis hoje por cerca de 10% do consumo de água no Brasil. Isso coloca a questão da água no Brasil  como um problema social, que afeta o direito de acesso a água das pessoas, e se revela ainda um grave problema econômico, que afeta diretamente o desenvolvimento econômico do país.

Quadro de Demandas por Finalidade - Brasil 2016

Retirada: refere-se à água total captada para um uso. Exemplo: água retirada para abastecimento urbano. Consumo: refere-se à água retirada que não retorna diretamente aos corpos hídricos. De uma forma simplificada, é a diferença entre a retirada e o retorno. Exemplo: água retirada para abastecimento urbano menos a água que retorna como esgoto. Retorno: refere-se à parte da água retirada para um determinado uso que retorna para os corpos hídricos. Exemplo: esgotos decorrentes do uso da água para abastecimento urbano.

Os quadros abaixo apresentam o percentual do total de água retirada e consumida pelos diferentes usos.

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Aqui no Fórum Mundial da Água, maior evento da agenda global da água, que este ano ocorre no Brasil, é preciso dar visibilidade para essa agenda política, para que soluções sustentáveis sejam pactuadas e executadas. É preciso ajudar a construir uma nova agenda politica da água, que garanta o direito de uso da água para nós e nossos filhos, e o pleno desenvolvimento brasileiro, entendendo que a água se constituirá cada vez mais num ativo estratégico mundial, patrimônio da nação brasileira.

Nesse sentido ganha relevo o debate acerca de como a educação participa intrinsecamente das soluções para enfrentar o desafio de garantir o direito a água num contexto global de sustentabilidade. Sobressai nesse debate o desenvolvimento das chamadas competências globais, ou da educação para a cidadania global, no contexto da reflexão acerca dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Eles se somam a uma pauta universal ancorada em direitos humanos que invoca o espírito de solidariedade e de responsabilidade pela inclusão de todos. A educação – que consta como o quarto objetivo – é a força mais transformadora para fomentar a mentalidade, os valores e as habilidades novos necessários para moldar o futuro fundamentado na consciência de nossa humanidade e ancorado no respeito a nossa formidável diversidade, com a certeza de que, em qualquer idade, temos capacidade de iniciar ações benéficas para nós e para os outros.

Uma passagem do livro do professor Francisco Reimers, “Empoderar crianças e Jovens para a cidadania global” dá a dimensão da importância entre esses dois temas

A educação para a cidadania global é essencial para a criação de um mundo com paz sustentável – um mundo sem pobreza ou fome e onde todos têm acesso à saúde e à educação. Um mundo onde mulheres e homens têm as mesmas oportunidades, contam com água limpa e saneamento, usam fontes renováveis de energia, trabalham em bons empregos e vislumbram crescimento e prosperidade criados pela indústria e pela inovação. Um mundo onde reduzimos as desigualdades, criamos cidades e comunidades sustentáveis, praticamos o consumo responsável e abolimos comportamentos que alteram o clima ou prejudicam a vida neste planeta. Um mundo onde honramos e protegemos a vida subaquática e em terra. Um mundo de paz e justiça para todos.

 

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Se o propósito da educação é capacitar todas as crianças e jovens para que se tornem cidadãos globais, devemos elevar o nível de nossas aspirações sobre o que significa educar bem. A urgência de preparar todos os estudantes para serem cidadãos globais exige programas inovadores, que utilizem novas formas de ensino e aprendizagem. Esses currículos também devem proporcionar a todos oportunidades de desenvolver as predisposições, os conhecimentos e as capacidades necessárias para compreender o mundo em que vivem, dar sentido à maneira como a globalização molda suas vidas e ser bons colaboradores e agentes dos ODS.

É assim que participo do Fórum Mundial da Água, buscando resgatar o sentido das fortes conexões que ligam o mundo da água com o mundo da Educação!

Worldwide Educating for the Future Index: Como estamos preparando nossos jovens para o futuro?

À medida que o mundo se torna cada vez mais incerto e volátil, quão bem o seu país está educando a próxima geração com as habilidades necessárias ao futuro?

O Índice Mundial de Educação para o Futuro (Worldwide Educating for the Future Index) criado pela The Economist Intelligence Unit (EIU), e encomendado pela Yidan Prize Foundation, juntamente com 17 especialistas globais, foi  desenvolvido para avaliar a eficácia dos sistemas educacionais na preparação dos alunos para as demandas de trabalho e vida em uma paisagem em rápida mudança. É o primeiro índice global abrangente que avalia insumos de sistemas educacionais, em vez de resultados (tradicionalmente medidos por meio de testes) de 35 economias.

O rápido desenvolvimento da tecnologia e a natureza globalizada dos sistemas econômicos estão criando um conjunto inteiramente novo de desafios educacionais para o mundo. Os trabalhadores do futuro precisarão dominar um conjunto de habilidades interpessoais, de resolução de problemas e de pensamento crítico, e navegar num mundo cada vez mais digital e automatizado.

Este artigo apresenta um extrato dos resultados apresentados no Relatório do primeiro Índice Mundial de Educação para o Futuro (Worldwide Educating for the Future Index) criado pela The Economist Intelligence Unit (EIU),  para avaliar até que ponto os sistemas educacionais incorporam tais habilidades.

Entre as principais conclusões do documento destaco:

Muitos governos não estão fazendo o suficiente para preparar milhões de jovens para mudanças sísmicas no trabalho e na vida. Milhões de jovens não estão aprendendo  habilidades efetivas e relevantes,  e estão despreparados para os complexos desafios do século XXI. O desempenho de várias economias no índice indica que há muito espaço de melhoria. Embora em geral, as economias mais ricas melhorem, muitas lutam para vencer a média, sugerindo que mais pode e deve ser feito.

Temas cruciais como a aprendizagem baseada em projetos e a cidadania global estão sendo amplamente ignoradas. Não basta simplesmente ensinar tradicionalmente bem. Os sistemas educacionais precisam adotar novas abordagens que ajudem os alunos a aprender habilidades como pensamento crítico, colaboração e conscientização de temas relevantes como mudanças climáticas. No entanto, apenas 17 das 35 economias indexadas oferecem algum tipo de avaliação para testar global habilidades de cidadania, e apenas 15 avaliam aprendizado baseado em projetos.

A política educacional deve ser fortalecida com iniciativas que garantam professores talentosos para orientar os alunos a obter “habilidades futuras”. Um sistema efetivo deve ser constituído de professores habilidosos e altamente capacitados, dispostos e capazes de enfrentar o desafios de preparar estudantes para um futuro em constante evolução e complexo. O índice sugere que avanços importantes já são sendo tomadas nesta área: na maioria das economias estudadas, módulos de ensino enfatizam a importância de habilidades futuras, pelo menos em certa medida. A formação também é importante: quase metade das economias pesquisadas exigem professores com formação específica em ensino, e todos exigem pelo menos um formação universitária.

As paredes da sala de aula devem ser “derrubadas”. A educação não deve parar quando os alunos pisam fora da sala de aula. Professores e pais precisam equipá-los com habilidades e atitudes que permitam aplicar conceitos acadêmicos no mundo lá fora. Eles devem aprender no território, como um processo orgânico, não apenas quando confinados em ambientes de ensino tradicionais. O índice também indica que os governos estão envolvendo o setor produtivo com a comunidade em seus sistemas educacionais: pelo menos três economias mostram algum nível de colaboração universidade-indústria.

Investir nos professores e financiamento adequado para a educação é importante, mas o dinheiro não é uma panacéia. Existe um link entre insumos monetários para sistemas educacionais e sucesso no índice. A pesquisa sugere que os governos poderiam dedicar mais recursos aos professores, elevando os salários, perfil e prestígio da profissão. Embora simplesmente aumentar os orçamentos não seja uma solução abrangente, pode sinalizar em que medida a  educação é uma prioridade da sociedade e de governos com recursos limitados. Algumas economias de baixa renda, por exemplo, investem  uma parte muito maior de seu PIB em educação do que economias com alta renda.

Uma educação holística e futura do sistema está intimamente ligada a abertura e  tolerância da sociedade. Os resultados do índice também dependem de atitudes coletivas da sociedade, inclusive as de diversidade cultural, tratamento dado às mulheres e liberdade de informação. Em geral, as  economias com tradições econômicas e sociais liberais tem melhor desempenho no índice. Importante destacar que as gerações mais jovens enfrentarão um mundo significativamente diferente em termos de trabalho. Isso está sendo conduzido pela globalização, com maior integração entre economias em todo o mundo e tecnologia digital. O desenvolvimento de IA (Inteligência Artificial) e IoT (Internet das Coisas) mudarão o tipo e o perfil exigido para os empregos e muitos empregos provavelmente desaparecerão como resultado. Outras pressões, como a migração, mudanças demográficas, urbanização e degradação ambiental também afetarão cada vez mais a vida das pessoas.  Esta preparação para o futuro exigirá que os alunos adquiram uma série de habilidades específicas que possam ajudá-los a lidar com esse mundo em mudança.

A educação será menos sobre aprender informações e mais sobre como analisar e usar informações. O mundo já não se preocupa com o que os alunos sabem, mas o que eles podem fazer com o que eles conhecem. Para esse fim, identificamos os seguintes tipos de habilidades os estudantes atuais precisarão florescer no mundo como adultos:

• habilidades interdisciplinares

• habilidades criativas e analíticas

• Competências empresariais

• Habilidades de liderança

• habilidades digitais e técnicas

• Sensibilização global e educação cívica

O índice foi desenvolvido para ajudar responda esta pergunta e destaque onde os sistemas estão bem informados e estão onde estão falhando. Na verdade, há uma série de proeminentes decepções. Taiwan, por exemplo, apesar de uma reputação de ensino forte na ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), ocupa apenas 19ª posição no ranking, enquanto Israel, chamada “Nação iniciante”, também apresenta uma performance inferior, chegando apenas em 26º.

Uma questão crucial que a leitura do documento suscita e que precisamos responder enquanto Brasil é: como nosso sistema educacional está se preparando para desenvolver  estas habilidades?