Qual é a Educação que o Brasil precisa?

Leio muito sobre a complexidade da educação, de seus tempos longos, que a qualidade das ações dos gestores é algo difícil de mensurar, e que tudo em educação leva grande tempo de maturação e comprovação de resultados.

É preciso romper essa visão! Em verdade, nosso problema maior é que nos falta o grande projeto de Brasil e de Educação!

Imagine por um momento que o Brasil tivesse um grande projeto de educação concebido e que um grupo determinado chegasse ao poder para transformar em realidade esse projeto: quanto tempo levaria para colocar esse plano em movimento? 10 anos? 15 anos? 20 anos? Pois eu afirmo que em menos de 1 ano um pequeno grupo, liderado por Darcy Ribeiro no Ministério da Educação e Anísio Teixeira no Inep implantou um projeto que até hoje é a base do nosso modelo educacional. Só que infelizmente esse projeto, tão importante na segunda metade do século XX, não foi até hoje repensado em seu framework global– tanto que apresenta nítidos sinais de esgotamento, e precisa ser revisto integralmente!

Foi numa gestão do Ministério da Educação entre 1961 e 1962 que Darcy e Anísio implantaram um projeto revolucionário. O projeto, delineado lá em 1932, com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, assinado por vários educadores, foi sendo maturado durante décadas, mas essa dupla em poucos meses conseguiu implantar um conjunto de ações que moldou os alicerces da educação nacional, muitas delas presentes até os dias de hoje. São dessa época a primeira LDB do país, o primeiro Plano Nacional de Educação, a criação de normas e percentuais mínimos para aplicação dos recursos, com a criação do Fundo Nacional de Educação e a aplicação de 12% da receita de impostos da União à constituição desse Fundo. Embora estivesse prevista constitucionalmente, a aplicação desse montante só aconteceu, de fato, durante a gestão de Darcy. No campo do ensino primário, promoveu-se a suplementação do salário dos professores do interior para evitar o abandono do ensino, bem como campanhas intensivas de formação e aperfeiçoamento do magistério, entre outras iniciativas. Na área do ensino médio, desenvolveu-se a Campanha para Formação Intensiva da Mão de Obra Industrial, tendo em vista a preparação de operários para a indústria. Em relação ao ensino superior, duplicou-se o número de vagas nas faculdades visando ao aproveitamento integral dos candidatos aprovados nos exames vestibulares.

Essa é a base da educação brasileira até os dias de hoje – mudaram os nomes mas até hoje falamos de LDB, do PNE, da formação de professores, dos recursos do Fundeb, da formação profissional e do vestibular/Enem. O grupo de Darcy e Anísio, com a clareza do projeto de Brasil e de educação, priorizou a construção de um modelo de educação como política pública no país e colocou o acesso à educação como central para o desenvolvimento da nação, num grande projeto de longo prazo.

Hoje o desafio é outro, pois o mundo mudou. É preciso olhar para o futuro, para os desafios do século XXI, para o Brasil que queremos e traçar esse plano. Por isso, afirmo: chegou a hora de falar do Brasil que queremos e da educação que o Brasil precisa!

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Valorizando nossos professores… Como as comunidades podem ajudar?

Há um crescente reconhecimento de que os professores desempenharão um papel fundamental na preparação dos alunos para os desafios do futuro. O relatório da OCDE “Valorizando nossos professores e elevando seu status” lançado essa semana mostra como os sistemas educacionais podem apoiar os professores para atender a essas novas demandas e encorajar uma mudança de paradigma sobre o que é ensinar e aprender e como eles devem acontecer.

A OCDE sistematiza nesse relatório um conjunto essencial de informações, por entender que os professores precisam equipar os alunos com o conjunto de habilidades e conhecimentos necessários para o sucesso em um mundo cada vez mais global, digital, complexo, incerto e volátil. Isso envolverá professores e escolas forjando vínculos mais fortes com os pais e as comunidades locais, criando um senso de responsabilidade social e habilidades de resolução de problemas entre seus alunos. Isso também significa que os professores precisam adotar pedagogias eficazes e individualizadas que promovam a aprendizagem dos alunos e estimulem suas habilidades sociais e emocionais.

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O relatório mostra como os sistemas educacionais podem apoiar os professores para atender a essas novas demandas e encorajar uma mudança de paradigma sobre o que é ensinar e aprender e como eles devem acontecer. Os sistemas educacionais precisam criar as condições que incentivam e possibilitam a inovação. Eles precisam promover as melhores práticas por meio de políticas voltadas para o profissionalismo, a eficácia e a eficácia, a fim de ajudar a capacitar os professores na adoção de novas pedagogias. Deve ser dada a devida atenção à sensação de bem-estar dos professores, para que os ambientes de aprendizagem em sala de aula continuem a ser conducentes ao bem-estar e desenvolvimento dos alunos.

Os sistemas escolares precisam se adaptar às mudanças econômicas e sociais para equipar os alunos com as habilidades, conhecimentos, atitudes e valores relevantes necessários para o sucesso na vida e no trabalho futuros. A expansão da tecnologia, apresenta novas oportunidades e desafios para preparar os alunos para serem aprendizes ao longo da vida e ao longo da vida. Os alunos agora precisam não apenas aprender informações, mas também entender como usá-las, precisam interagir com sucesso e respeito com os outros, tomar ações responsáveis ​​e trabalhar juntos para o bem-estar coletivo. Equipar os alunos com essas habilidades requer inovação e uma mudança nas abordagens de ensino e aprendizagem. Os professores são atores-chave na criação deste contexto de aprendizagem e crescimento e podem ajudar a estabelecer ambientes de aprendizagem eficazes. Enquanto nos movemos para o futuro, novas formas de provisão educacional serão necessárias para reconhecer o papel essencial que os professores desempenham na transformação das salas de aula e para apoiá-las em seu esforço.

O relatório destaca as grandes questões a serem enfrentadas quando fala do professor. As escolas não funcionam no vácuo. As escolas de sucesso dependem dos recursos e do apoio das suas comunidades e as escolas no centro das suas comunidades são frequentemente as escolas mais bem sucedidas. Por sua vez, as escolas são vitais para a saúde social de suas comunidades locais. O que os formuladores de políticas com sindicatos de professores e a profissão docente podem fazer para fortalecer os vínculos com as comunidades? Dada a importância das escolas para as comunidades desfavorecidas, como o sistema de apoio aos professores e à equipe de educação pode ser fortalecido nessas escolas para gerar qualidade e equidade? O que podemos aprender das escolas que fazem parceria com empresas? serviços educacionais e órgãos culturais em sua comunidade e se destacam em gerar negócios e inovação social em suas comunidades? Como as escolas podem envolver a comunidade local e contribuir para a responsabilidade social?

No coração da educação está a pedagogia. Muitos professores têm um bom senso do tipo de pedagogias nas quais o aprendizado do século XXI depende, mas existe uma grande lacuna entre as práticas pretendidas e implementadas. Como os sistemas de educação podem criar as condições para encorajar e apoiar os professores a iniciar, compartilhar e avaliar pedagogias e currículos inovadores, incluindo novas tecnologias? Quais são as implicações de novas pedagogias para os papéis de professores e alunos? Quais são as implicações da inovação pedagógica e dos ambientes de aprendizagem inovadores para os papéis dos governos e dos sindicatos? Quais são as implicações de novas pedagogias e currículos para avaliação de escolas e sistemas?

Por fim, é preciso reconhecer que, para que o ensino e a aprendizagem sejam os mais eficazes, os professores devem ter altos níveis de bem-estar, autoeficácia e confiança. Isso reflete evidências crescentes de que o bem-estar, a eficácia e a confiança dos alunos são vitais para o aprendizado. Como o bem-estar do professor se relaciona com a eficácia do professor e com o bem-estar do aluno? Como o bem-estar do professor deve ser prioritário nas políticas públicas? Como os governos, em parceria com os sindicatos de professores, podem criar estratégias baseadas em evidências sobre bem-estar, eficácia e eficácia como parte de suas políticas de professores?

Fórum Mundial da Água: A água na agenda política!

Participo do Fórum Mundial da Água que ocorre em Brasília. Participar do 1° Fórum realizado no hemisfério sul é oportunidade para atualizar o olhar para temática que foi objeto de estudo em meu processo de formação como geógrafo. E novamente continua cada vez mais atual e intensa a importância de buscar soluções para garantir o direito á água e otimizar seus diversos usos por meio de ações educativas transformadoras.

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O tema da água, que já é considerado um grave problema em várias regiões do mundo,  deve ser considerado um problema crônico no Brasil, com as crises de abastecimento vivenciadas vários Estados e municípios. Os debates no Fórum indicam a importância de  novas abordagens para enfrentar a questão de maneira séria. A água doce é um recurso essencial para a vida e um direito humano básico. Além disso, toda atividade econômica e produtiva depende de água. A situação é grave, quando consideramos os seus diferentes usos, como abastecimento público, produção de bens, irrigação, abastecimento de animais, termelétricas e mineração. Temos que enfrentar o desafio da garantia de acesso à água de maneira sustentável e integrada, com planejamento e gestão. Não dá mais para improvisar, é preciso pulso firme e decisão, integrar as ações em diferentes frentes, entendendo o desafio em toda sua complexidade.

O Estudo Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2017, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostra um complexo quadro do uso da água no Brasil. No Brasil, a irrigação, o abastecimento animal e o uso industrial consomem mais 80% da água do país, enquanto o uso para abastecimento publico seriam responsáveis hoje por cerca de 10% do consumo de água no Brasil. Isso coloca a questão da água no Brasil  como um problema social, que afeta o direito de acesso a água das pessoas, e se revela ainda um grave problema econômico, que afeta diretamente o desenvolvimento econômico do país.

Quadro de Demandas por Finalidade - Brasil 2016

Retirada: refere-se à água total captada para um uso. Exemplo: água retirada para abastecimento urbano. Consumo: refere-se à água retirada que não retorna diretamente aos corpos hídricos. De uma forma simplificada, é a diferença entre a retirada e o retorno. Exemplo: água retirada para abastecimento urbano menos a água que retorna como esgoto. Retorno: refere-se à parte da água retirada para um determinado uso que retorna para os corpos hídricos. Exemplo: esgotos decorrentes do uso da água para abastecimento urbano.

Os quadros abaixo apresentam o percentual do total de água retirada e consumida pelos diferentes usos.

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Aqui no Fórum Mundial da Água, maior evento da agenda global da água, que este ano ocorre no Brasil, é preciso dar visibilidade para essa agenda política, para que soluções sustentáveis sejam pactuadas e executadas. É preciso ajudar a construir uma nova agenda politica da água, que garanta o direito de uso da água para nós e nossos filhos, e o pleno desenvolvimento brasileiro, entendendo que a água se constituirá cada vez mais num ativo estratégico mundial, patrimônio da nação brasileira.

Nesse sentido ganha relevo o debate acerca de como a educação participa intrinsecamente das soluções para enfrentar o desafio de garantir o direito a água num contexto global de sustentabilidade. Sobressai nesse debate o desenvolvimento das chamadas competências globais, ou da educação para a cidadania global, no contexto da reflexão acerca dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Eles se somam a uma pauta universal ancorada em direitos humanos que invoca o espírito de solidariedade e de responsabilidade pela inclusão de todos. A educação – que consta como o quarto objetivo – é a força mais transformadora para fomentar a mentalidade, os valores e as habilidades novos necessários para moldar o futuro fundamentado na consciência de nossa humanidade e ancorado no respeito a nossa formidável diversidade, com a certeza de que, em qualquer idade, temos capacidade de iniciar ações benéficas para nós e para os outros.

Uma passagem do livro do professor Francisco Reimers, “Empoderar crianças e Jovens para a cidadania global” dá a dimensão da importância entre esses dois temas

A educação para a cidadania global é essencial para a criação de um mundo com paz sustentável – um mundo sem pobreza ou fome e onde todos têm acesso à saúde e à educação. Um mundo onde mulheres e homens têm as mesmas oportunidades, contam com água limpa e saneamento, usam fontes renováveis de energia, trabalham em bons empregos e vislumbram crescimento e prosperidade criados pela indústria e pela inovação. Um mundo onde reduzimos as desigualdades, criamos cidades e comunidades sustentáveis, praticamos o consumo responsável e abolimos comportamentos que alteram o clima ou prejudicam a vida neste planeta. Um mundo onde honramos e protegemos a vida subaquática e em terra. Um mundo de paz e justiça para todos.

 

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Se o propósito da educação é capacitar todas as crianças e jovens para que se tornem cidadãos globais, devemos elevar o nível de nossas aspirações sobre o que significa educar bem. A urgência de preparar todos os estudantes para serem cidadãos globais exige programas inovadores, que utilizem novas formas de ensino e aprendizagem. Esses currículos também devem proporcionar a todos oportunidades de desenvolver as predisposições, os conhecimentos e as capacidades necessárias para compreender o mundo em que vivem, dar sentido à maneira como a globalização molda suas vidas e ser bons colaboradores e agentes dos ODS.

É assim que participo do Fórum Mundial da Água, buscando resgatar o sentido das fortes conexões que ligam o mundo da água com o mundo da Educação!

Encontro “duro” e “sincero” de Hillary Clinton com ativistas elenca 3 pontos para a transformação da política educacional

A conversa brutal e franca da então candidata presidencial Hillary Clinton com ativistas da Black Lives Matter durante a campanha eleitoral de New Hampshire em 2015 capturou várias facetas do processo de desenvolvimento de políticas públicas. As afirmações de Clinton são pedagógicas para qualquer pessoa que esteja tentando mudar a política, e particularmente relevantes para aqueles focados em transformar a política educacional brasileira.

Clinton enfatizou três pontos que no seu ponto de vista eram essenciais no processo de transformação política:

I. Primeiro, não é suficiente conquistar corações para a reforma das políticas.
II. Segundo, você deve mudar leis, alocação de recursos e sistemas para provocar mudanças reais.
III. Terceiro, você precisa de um plano.

Clinton está certa de que não basta apenas falar com as pessoas e convencer pelas suas crenças. Uma pesquisa Lumina/Gallup de abril de 2015 identificou que 96% dos americanos valorizam o ensino pós-secundário. Dado que o aumento do número de graduados no nível pós-secundário é uma prioridade para o presidente, os estados, as principais ONG´s e o público, é seguro dizer que temos a mentalidade coletiva para aumentar esse percentual. No entanto, apesar de todo o interesse – e grande esforço – o crescimento percentual na obtenção de certificação no ensino superior nos Estados Unidos entre 2012 e 2013 foi de apenas 0,6%, bem abaixo das taxas projetadas e necessárias para preencher empregos atuais e futuros que exigirão educação pós-secundária e manter a competitividade econômica global americana. Claramente, é preciso de mais do que um acordo coletivo e boa vontade.

Leis, alocação de recursos e mudança de efeito de reforma de sistemas. A transformação deve ser cercada por mudanças na infraestrutura, na responsabilidade e em leis concretas. O crescimento do financiamento baseado em desempenho no ensino superior público americano é um bom exemplo. O Conselho Nacional de Legislaturas do Estado informa que mais de 30 estados americanos agora possuem algum tipo de financiamento baseado em desempenho, forçando efetivamente as faculdades e as universidades a se concentrar em objetivos públicos, como o aumento da certificação. Outros exemplos incluem novas leis e mudanças no sistema para melhorar drasticamente os resultados para os alunos que estão preparados para a faculdade, como as reformas da política de educação para o desenvolvimento em Connecticut, Flórida, Carolina do Norte e Virgínia. Muitos estados estão construindo ativamente uma infraestrutura para apoiar os esforços de reforma de suas faculdades também. Excelentes exemplos incluem os Centros de Sucesso Estudantil que incentivam a colaboração entre faculdades e implantam assistência técnica e o Student Success Learning Institute , um instituto de desenvolvimento profissional de longo prazo baseado em coortes na Carolina do Norte. Existem diferenças técnicas e filosóficas sérias sobre como o financiamento do desempenho e as reformas das políticas de educação para o desenvolvimento surgiram. Mas também há concordância geral de que, sem eles, as faculdades comunitárias não teriam alcançado os progressos dos últimos anos. Ainda assim, para catalisar e sustentar mudanças significativas, precisamos de mais do que legislação e mudanças de políticas.

Clinton comunicou como terceiro ponto a importância de ter um plano acionável que pode ser explicado e vendido para a população em geral. Não basta ter uma posição que seja “historicamente, psicologicamente e economicamente justa … você tem que se unir como um movimento e dizer:” Aqui está o que queremos fazer sobre isso “, afirmou Clinton. Sem um plano que envolva as pessoas de forma construtiva e incentive a ação, causas dignas vão “ficar na prateleira”. Isso é verdade para o sentimento público positivo em torno do aumento das taxas de matrículas na graduação. Sem um plano, é improvável que atinjamos o objetivo de conclusão de jovens graduados, especialmente para alunos de baixa renda e estudantes de cores, muitos dos quais estão preparados para o sucesso nas faculdades comunitárias nas quais se inscrevem.

A franqueza de Clinton e a praticidade de suas recomendações sobre o processo político são esclarecedores, independentemente da afinidade política. Corações e mentes por si só são insuficientes para efetuar mudanças duradouras, mas em combinação com mudanças em leis, alocação de recursos, sistemas e planos construídos de forma credível, podem abordar de forma mais efetiva a questão crítica de ajudar as comunidades de baixa renda a obter acesso ao nível superior de que necessitam para avançar na economia de nossa nação. Embora a obtenção pós-secundária não apague as questões sociais e econômicas estruturais mais amplas e profundas levantadas pelos ativistas da Black Lives Matter, o aumento do acesso ao nível superior é uma parte crítica de uma solução multifacetada.

Com relação a transformação da política educacional brasileira, será que estamos seguintes os três pontos apontados por Clinton?

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Nós temos o poder de transformar a educação

Compartilho instigante mensagem de Grant Lichtman, autor reconhecido em experiências de transformação na educação básica americana. Desde 2012, Grant apoiou muitas escolas americanas, é autor de vários livros e artigos, e trabalhou com milhares de estudantes, professores, diretores e membros da comunidade escolar para desenvolver visões e estratégias únicas e poderosas para transformar a educação. Grant apoiou muitas equipes escolares para desenvolver capacidade de mudança em um mundo em rápida mudança. Ele é autor dos livros “#EdJourney: A Roadmap to the Future of Education e “Moving the Rock: Seven Levers WE Can Press to Transform Education“.

Homem empurrando penedo

Grant afirma que “a transformação de nossas escolas do modelo desatualizado que se concentra na aprendizagem contínua de conteúdo e na preparação a curto prazo de testes, para uma aprendizagem mais profunda que prepara os alunos para o sucesso em um futuro em rápida evolução é, finalmente, inevitável.

Apresento abaixo suas principais ideias, que estão contidas em sua postagem no site “EDUCATION REIMAGINED“, em que apresenta uma síntese de seu pensamento.

Por que as escolas devem mudar?

Há um crescente consenso entre os educadores, pesquisadores, profissionais, alunos, pais e as partes interessadas da comunidade – como os empregadores e as faculdades – de que simplesmente devemos atualizar a forma como nossas escolas operam e como nossos alunos aprendem. Penso que existem quatro pontos principais sobre um crescente consenso sobre por que a educação deve mudar:

Primeiro, porque devemos . A educação destina-se a preparar os jovens para suas vidas, tanto no momento como no futuro. O mundo com o qual nossos jovens se envolverão ao longo de suas vidas já é muito diferente do das gerações anteriores e se tornará ainda mais diferente à medida que a taxa de mudança acelerar. Embora sempre haja um conjunto intemporal de conhecimento que ajude nesta preparação, os alunos precisam de habilidades que os ajudem a navegar um futuro cada vez mais VICA (volátil, incerto, complexo e ambíguo).

Em segundo lugar, porque queremos . Eu, e muitos outros, pedimos a milhares de educadores, pais, alunos e interessados ​​da comunidade, que falassem sobre o que eles querem que a educação pareça hoje e no futuro, e há um tremendo acordo. Queremos um sistema que seja mais equilibrado entre o desempenho em disciplinas acadêmicas e o desenvolvimento de habilidades não cognitivas que preparem os alunos para levar vidas felizes, saudáveis ​​e bem-sucedidas.

Terceiro, porque sabemos melhor . Os neurocientistas cognitivos, armados com tecnologia de mapeamento cerebral, nos mostraram como a aprendizagem ocorre nos seus níveis mais fundamentais. Não só podemos ver como o engajamento ocorre no cérebro, mas também podemos conectar esse engajamento a melhores níveis de desenvolvimento cognitivo através dos processos de aprendizagem mais profunda.

Em quarto lugar, porque podemos . A tecnologia nunca é o motor de transformação, mas é sempre um elemento crítico. Com o o surgimento de tecnologias que alimentaram as revoluções agrárias, industriais e de informação, as tecnologias virtuais e conjuntivas já estão formando a base de uma rede socio-neural global com a capacidade de aprendizado profundo, autêntico e baseado em relacionamento que não é limitado pelas paredes de sala de aula, pelos limites do campus e por aulas baseadas em assuntos.

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O que a mudança parece?

Há um alto grau de convergência sobre o que a educação deve ser num ecossistema pós-tradicional. Isso não significa que todas as escolas estão começando a olhar e a agir da mesma maneira. Pelo contrário, vemos uma diferenciação dramática das experiências escolares e não tradicionais de aprendizagem de comunidade para comunidade. Mas, enquanto viajo os EUA e interajo com as partes interessadas da comunidade escolar de uma ampla gama de escolas públicas, privadas e autônomas, servindo igualmente amplas gamas de populações estudantis, acho drasticamente mais concordância do que o desacordo sobre “o que” a grande educação se parece nosso mundo hoje.

O tema mais comum é a principal mudança de “fazer os aprendentes aprenderem” para “aprender com o aluno“. Ao longo dos últimos anos, parece que estamos cada vez mais em torno do termo “aprendizado mais profundo” para descrever essa mudança. Eu mencionei esta frase no início, mas vamos dar um círculo completo nela. Em 2013, a Fundação Hewlett definiu uma aprendizagem mais profunda como “um termo guarda-chuva para as habilidades e conhecimentos que os alunos devem possuir para ter sucesso em empregos do século 21 e vida cívica. No seu coração, é um conjunto de competências que os alunos devem dominar para desenvolver uma compreensão aguda do conteúdo acadêmico e aplicar seus conhecimentos aos problemas na sala de aula e no trabalho “. Hewlett enumera essas competências da seguinte forma:

  • Dominar o conteúdo acadêmico
  • Pensar criticamente e resolver problemas complexos
  • Trabalhar de forma colaborativa
  • Comunicar de forma eficaz
  • Aprender a aprender
  • Desenvolver mentalidade acadêmica

Educadores, escolas, distritos e parceiros da comunidade adicionam carne a esses ossos de muitas maneiras diferentes e aqueles que se inscrevem na tese geral geralmente concordam que não existe um caminho único para chegar lá. Com vários caminhos para escolher, como uma comunidade pode abordar essas mudanças de maneiras que são mais benéficas para seus alunos?

Como as escolas estão fazendo a mudança

No meu último livro, #EdJourney, relatei minhas visitas em mais de 60 escolas de todo o país, e como algumas escolas estão superando os inevitáveis ​​obstáculos para mudar e transformar em sucesso quando outras não estão. Em meu novo livro, Moving the Rock , perguntei uma questão mais global: como podemos transformar o sistema de educação em escala e, mais especificamente, ultrapassar os obstáculos que criaram a inércia maciça que atormenta nosso Sistemas escolares há décadas?

Acontece que “a resposta” aparece de várias maneiras, dependendo da comunidade que está explorando a questão. O que me surpreendeu e me excitou é que muitas escolas podem se transformar sem permissão, capacitação ou recursos adicionais das forças que são em grande parte responsáveis ​​pela inércia em primeiro lugar. Em vez disso, essas escolas e distritos bem sucedidos identificaram a liberdade e os recursos já disponíveis e os usaram de maneiras novas. Nas palavras de Kaleb Rashad, diretor do High Tech High em San Diego, “A revolução não será autorizada!

No livro Moving the Rock abordo cada uma dessas grandes “alavancas” que estão mudando com sucesso o sistema escolar em escolas e distritos típicos em todo o país. Imagino que muitas dessas alavancas possam ser aplicadas em uma variedade de outros sistemas escolares, e todos estão ao alcance das partes interessadas da comunidade escolar que querem transformar nossas escolas. Tomando emprestado da introdução ao livro, estas sete “alavancas” são:

Criando demanda – ao contrário de uma década atrás, a educação agora está sujeita às forças do mercado de oferta e demanda. Em todo o país, pais e famílias estão votando com seus pés e seu bolso. Eles estão exigindo uma abordagem diferente para aprender e buscar oportunidades de aprendizagem não tradicionais que atendam a essas demandas.

Laboratórios de aprendizagem escolar-comunidade – as escolas tradicionais estão desconectadas de suas próprias comunidades e dos poderosos recursos de aprendizagem que essas comunidades podem fornecer. Precisamos reconectar massivamente a “escola” e o “mundo” de forma a aprofundar a aprendizagem, preparar melhor os alunos para a vida após a escola no mundo real e obter uma pele comunitária mais ampla no jogo.

Livre Acesso Universal ao Conhecimento e Curriculum – o rápido crescimento na qualidade e disponibilidade de currículo, materiais de aprendizado e fontes de conhecimento baseadas na Web, totalmente controlados, está levando ao desaparecimento de livros didáticos caros e outros mecanismos de entrega de conteúdo em conserva e desatualizados .

Medindo o Sucesso e Re-tooling Admissões da faculdade – as escolas têm medo de adotar mudanças que possam comprometer as chances de seus alunos nas admissões da faculdade. Esse medo entre pais e estudantes é uma das obstruções mais poderosas para a mudança escolar. Estamos começando a ver rachaduras importantes nesta represa, já que as faculdades (“Turning the Tide”) e as escolas secundárias (Mastery Transcript Consortium) começam a repensar o que mais vale e a medir esses valores em estudantes individuais.

Formação de professores para uma aprendizagem mais profunda – a maioria das escolas de educação pós-secundária ainda está preparando jovens professores para um modelo de aprendizagem da idade industrial que está em declínio. Precisamos de uma revisão rápida, generalizada, profunda e colaborativa do programa de formação de professores, liderada por educadores corajosos voltados para o futuro, de universidades de pesquisa, faculdades de ensino e profissionais em escolas de educação básica.

Conectividade – aprender além da sala de aula tem sido uma promessa nesta última década. Mas, os cursos on-line têm uma fraqueza básica: eles não conseguiram replicar ou substituir os pontos fortes e as relações críticas de uma sala de aula presencial. O crescente investimento e os avanços dramáticos na realidade virtual irão revolucionar a forma como as pessoas em todo o mundo se conectam, se comunicam, criam, compartilham e aprendem juntas.

Liderança e treinamento  – poucos educadores já receberam treinamento nas habilidades de gerenciamento e liderança organizacional que promovem a inovação dinâmica em muitas de nossas empresas líderes, e tais habilidades estão quase ausente em nossas escolas. Os professores e gestores escolares precisam de acesso universal a habilidades de liderança modernas que abraçam, e não bloqueiam, a mudança e a inovação.

Também vemos uma convergência de processos táticos em escolas e distritos que aceleram a transformação. As escolas que iniciam intencionalmente este processo e mantêm o percurso após os obstáculos inevitáveis, tais como mudanças de liderança e intransigência de algum grupo de interesse, podem fazer mudanças significativas no sistema operacional tradicional da escola em apenas alguns anos. Verifico a seguinte sequência de táticas comuns, influenciadas e sobrepostas com as delineadas por Kotter (2012) na Harvard Business Review :

  • Crie uma sensação de urgência em torno de uma grande oportunidade
  • Envolva a comunidade através da inclusão radical e transparência
  • Desenvolva e articule um propósito  compartilhado
  • Provoque engajamento  de uma equipe voluntária de agentes de mudança ansiosos
  • Acelere o movimento removendo barreiras
  • Desenhe e teste com devoção rígida às progressões do modelo
  • Comemore visivelmente as vitórias iniciais significativas
  • Institucionalize as mudanças na cultura

Não basta falar sobre por que a educação deve mudar. E, sem deixarmos de preocupar-nos demais com os detalhes de “o que”, há concordância suficiente para avançar com coragem e rapidez. As pessoas de todas as nossas comunidades que se preocupam com a boa educação têm estratégias comprovadas que não exigem grandes recursos adicionais ou permissão para transformar muitas, senão a maioria, de nossas escolas. Não há ninguém para apontar os dedos, culpa por um sistema que não conseguiu evoluir substancialmente em mais de 100 anos. Depende de nós! Basta apenas nossa decisão para iniciar o processo.

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Por fim, eu acredito que precisamos apoiar o desenvolvimento de soluções arrojadas e escaláveis,  ​​para aproveitar o enorme talento e potencial inexplorado de todos os brasileiros.

BRICS+: Globalização Alternativa em Produção?

Entender a Educação como Centro de um Novo Projeto de Desenvolvimento para o país exige um olhar atento para o cenário macroeconômico mundial.

E no contexto da uma armadilha de baixo crescimento, a economia mundial precisa desesperadamente de um ímpeto, uma nova força motriz que faltam às instituições globais apoiadas pelo Ocidente. Contra o pano de fundo dos impulsos de integração decrescentes no mundo desenvolvido, as maiores economias em desenvolvimento estão avançando com as novas iniciativas voltadas para a revitalização da integração regional. A China, em particular, está construindo novas instituições de desenvolvimento (Asian Infrastructure Investment Bank – AIIB), projetos mega-regionais (‘One Belt One Road’), bem como novas alianças econômicas em todo o mundo.

Nas circunstâncias atuais, o bloco BRICS oferece uma agenda alternativa e inclusiva para a economia mundial, disputando a liderança da evolução da integração econômica global.

Dado as características atuais do BRICS, como um agrupamento único que está presente em todas as regiões e continentes principais do mundo em desenvolvimento, sua configuração poderia servir de plataforma para expandir a cooperação Sul-Sul e a integração econômica em uma ampla gama de áreas.

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Uma das maneiras de superar isso pode ser mudar o foco da liberalização do comércio ou da integração em grande escala para a construção de um quadro mais amplo de integração e cooperação no mundo em desenvolvimento que abre novos gateways para a cooperação entre os BRICS e seus parceiros em todos os continentes. Esse tipo de estrutura pode ser realizada através da iniciativa da China de criar um círculo BRICS + que, de acordo com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, representará uma nova plataforma para a cooperação Sul-Sul através da realização de diálogos com outros grandes países em desenvolvimento ou grupos de países em desenvolvimento para estabelecer uma parceria mais ampla. A nova iniciativa BRICS + está chegando não apenas no momento certo, pois o BRICS está buscando encontrar novos gateways para o desenvolvimento, mas talvez seja também um dos primeiros empreendimentos verdadeiramente globais do mundo em desenvolvimento na definição de uma nova e econômica ordem mais equilibrada . Isso, por sua vez, é possível devido à natureza única dos BRICS, que é representada por uma ou várias grandes potências em praticamente todos os continentes do mundo em desenvolvimento.

A primeira coisa a perceber sobre a singularidade dos BRICS é que cada membro é também uma economia líder em seu continente ou sub-região dentro de um arranjo de integração regional. Todos os países que são parceiros dos BRICS nestes acordos de integração regional podem formar o que pode ser denominado como o “círculo BRICS +” que se torna aberto a modos de cooperação flexíveis e múltiplos (não exclusivamente através da liberalização do comércio) numa base bilateral ou regional.

Assim, em vez de expandir o conjunto principal de membros do BRICS, a iniciativa BRICS + busca criar uma nova plataforma para forjar alianças regionais e bilaterais em todos os continentes e visa reunir os blocos de integração regional, nos quais as economias BRICS desempenham um papel de liderança. Assim, os principais blocos de integração regional que poderiam formar a plataforma BRICS + incluem o Mercosul, a União Aduaneira da África do Sul (SACU), a EEU, a SAARC, bem como o FTA China-ASEAN. No total, em tal cenário, 35 países formam o círculo BRICS +.

Num cenário futuro, a operação da estrutura BRICS + não precisa limitar-se aos blocos regionais do núcleo BRICS. De fato, cada um dos grupos regionais de integração liderados pelas economias BRICS também possui sua própria rede de alianças econômicas com países terceiros. A formação de tais alianças expande o círculo de amigos do BRICS mais amplo ao que pode ser denominado BRICS ++, que complementa as possíveis alianças dentro do círculo BRICS + com a oportunidade de formar um conjunto de alianças com o resto dos países em desenvolvimento. Com efeito, o modelo BRICS + é semelhante à política de liberalização competitiva no mundo desenvolvido, em que o regionalismo é complementado e reforçado por alianças bilaterais.

Compartilho síntese do documento de Valdai[1], escrito por Yaroslav Lissovolik, “Programme Director of the Foundation for Development and Support of the Valdai Discussion Club, Chief Economist of the Eurasian Development Bank”, que descreve detalhadamente os conceitos BRICS + e BRICS ++ e discute as modalidades de como esses blocos poderiam abrir caminho para uma globalização alternativa.

 

A este respeito, ao invés de procurar expandir a participação básica, a construção BRICS + é, antes de mais, uma abordagem diferente da integração econômica e uma tecnologia diferente de como as alianças são estruturadas globalmente.

# 69 VALDAI PAPERS – July 2017 – O cenário global atual caracterizado pela diminuição da integração e dos impulsos de liberalização no mundo desenvolvido apresenta uma possibilidade e uma necessidade de um ímpeto renovado para a integração econômica na economia mundial.

O processo de integração global precisa de um mecanismo de partida suficientemente forte, uma nova plataforma de integração que pode compensar a falta de impulso proveniente da “plataforma antiga” do mundo desenvolvido.

O agrupamento do BRICS, que está presente em todas as regiões e continentes principais do mundo em desenvolvimento, poderia servir como base para uma nova e abrangente plataforma global de integração, mas pode encontrar limitações na integração em grande escala entre os seus principais pesos pesados.

Para superar essas limitações, um contexto mais amplo para os BRICS que podem assumir a forma de BRICS + serviria para ampliar o conjunto de possibilidades de alianças econômicas que podem ser forjadas em uma grande variedade de países e regiões. Neste sentido, a iniciativa chinesa BRICS + anunciada no início deste ano é oportuna em termos de uma nova vida para a evolução dos BRICS, além de dar um novo impulso ao processo de integração econômica global.

A estrutura BRICS + oferece oportunidades para uma maior integração comercial e de investimentos, bem como um quadro institucional de apoio da coordenação entre os bancos regionais de desenvolvimento e o desenvolvimento de sistemas financeiros. O principal princípio neste processo é permitir uma flexibilidade substancial na multilateralização de alianças para incluir comércio e/ou investimento, bem como a possibilidade de alianças regionais e/ou bilaterais.

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Nisso, respeitar o padrão da integração BRICS + é mais parecido com o da ASEAN e da Ásia Oriental em geral, caracterizado pela prevalência de alianças bilaterais e variações nos padrões de integração, em oposição ao padrão da UE, com base em um conjunto de padrões uniformes que visem a criação de um único bloco. Ao contrário do padrão núcleo-periferia prevalecente nas décadas anteriores, o modelo BRICS + oferece uma oportunidade para integração aberta e diversificada na economia global. O resultado é uma economia global que se caracteriza pela divergência de vários modelos de desenvolvimento ao invés de uma convergência para um único modelo ou padrão.

No final, a nova visão de integração na forma de BRICS + poderia impulsionar a economia mundial a sair de sua míseras taxas de crescimento persistentemente baixas. Parece que são necessários novos princípios e novas abordagens para o avanço da abertura e integração. Precisamos pensar em integração, crescimento e globalização de novas maneiras  e até então anormais para superar o “novo normal”. Precisamos superar o antigo paradigma “núcleo-periferia” para um verdadeiro desenvolvimento sustentável, que na esfera da integração deve basear-se em maior diversidade, igualdade de oportunidades e devido cuidado em relação aos efeitos de desvios no comércio.

[1] Valdai Club foi estabelecido em 2004. Foi nomeado assim devido a primeira reunião do clube ter ocorrido em Veliky Novgorod, às margens do o Lago Valdai. O Clube visa promover o diálogo das elites intelectuais russas e internacionais e fornecer análises acadêmicas objetivas independentes dos desenvolvimentos políticos, econômicos e sociais na Rússia e no mundo. O potencial intelectual do Clube de Discussão de Valdai é altamente considerado tanto na Rússia como no exterior.

Relatório do Banco Mundial (WDR 2018) aborda crise mundial de aprendizagem

Sabemos pouco sobre o futuro, mas sabemos algo sobre um futuro bastante distante. Sabemos exatamente o estado da educação básica da geração futura. E Por quê? Porque o que os cidadãos de 50 anos de idade no distante ano de 2055 aprenderam na escola primária está acontecendo nesse exato momento, nas escolas de todo o mundo. Nosso futuro global está sendo forjado hoje em salas de aula ao redor do mundo.  E para falar desse desafio o Banco Mundial dedicou todo o seu Relatório anual de Desenvolvimento – o World Development Report 2018 (WDR 2018), ao grande desafio da qualidade do aprendizado.

Apresento aqui um resumo em português do Relatório WDR 2018 e aqui o overview do Relatório completo (em inglês).

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Pela primeira vez, o relatório do Banco Mundial se concentra inteiramente na educação e aborda o que eles chamam de “crise de aprendizagem”, onde “mesmo depois de vários anos na escola, milhões de crianças não conseguem ler, escrever ou fazer matemática básica”.

Num das muitos quadros marcantes (abaixo), está apresentado quais parcela dos alunos de segundo grau que não podem ler uma única palavra de texto, ou que não podem subtrair números de dois dígitos.

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As notas de rodapé alertam que alguns desses números se baseiam em estudos individuais, e os dados da Índia se concentram apenas em áreas rurais, então os números não devem ser tratados como representantes nacionais. Mesmo assim a evidência dos dados parciais é muito preocupante.

Quando o Brasil é citado, as informações oscilam: ora não são nada boas, quando afirma que o Brasil levará 260 anos para atingir níveis adequados de aprendizado em leitura (p. 7), a continuar sua trajetória de melhoria da qualidade; ora dão esperança, quando afirmam que países como Brasil e a Indonésia, mesmo com sistemas grandes e descentralizados, fizeram considerável progresso (p. 16). Também situa o Brasil como um dos países onde a capacidade de gestão dos diretores da escola está relacionada significativa e fortemente com o desempenho dos alunos – mesmo depois de controlar uma variedade de características estudantis e escolares – o que demonstra a importância da gestão escolar como um dos grandes desafios do nosso sistema educacional.

Aqui um extrato da análise que o  Expert do CGD (Center for Global Development), Lant Pritchett, faz sobre o relatório:

O lançamento do Relatório do Banco Mundial World Development Report (WDR) é um marco na luta para preparar os jovens de hoje para os desafios do mundo que enfrentarão. O relatório concentra-se tanto na necessidade de “obter educação correta” quanto na forma de reformar os sistemas educacionais para enfrentar o desafio de preparar os jovens de hoje como cidadãos, pais, membros da comunidade, trabalhadores e líderes do futuro.

O WDR começa com a premissa principal de que “a escolaridade não está garantindo aprendizado“. Na sequência dos compromissos globais de universalizar a educação – começando pela Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas em 1948 – houve enorme sucesso na expansão da escolaridade. Há mais crianças entrando na escola e ficando na escola por mais anos. Mas a escolaridade é um instrumento central para alcançar a educação, e todos estão debruçados em enfrentar o desafio de garantir o desenvolvimento de habilidades necessárias para o trabalho e vida no século XXI.  Como Albert Einstein disse: “Não podemos resolver nossos problemas com o mesmo pensamento que usamos quando os criamos”. Para acelerar os ganhos na aprendizagem, o WDR enfatiza que não será suficiente ter políticas e programas fragmentados ou apenas mais do mesmo.

Já o blog da Oxfam faz uma análise mais “apimentada” do Relatório, cujo extrato apresento a seguir.

O World Development Report (WDR) reconhece os vastos desafios enfrentados por crianças pobres em comparação com aquelas de origens mais privilegiadas, bem como como isso se traduz em lacunas nos resultados da aprendizagem. Tratar a desigualdade na discussão da educação é vital; os dois estão intrinsecamente ligados. A diferença entre os ricos e os pobres é impossível de estreitar sem fornecer aos pobres as habilidades e habilidades para sair da pobreza.

O WDR decepciona os fervorosos crentes na educação privada, dizendo que não há evidências confiáveis ​​que mostrem que a educação privada leva a melhores resultados. Além disso, o relatório reconhece que “as taxas e os custos de oportunidade ainda são grandes barreiras financeiras para a escolaridade“.  A pesquisa mostra que muitas vezes as redes privadas excluem meninas e crianças com deficiência e forçam as famílias pobres a escolher entre a educação de seus filhos ou a colocar comida suficiente na mesa.

O World Development Report descreve com riqueza de dados a crise de aprendizagem e  os problemas reais com aprendentes mal preparados, ensinamentos ineficazes, recursos mal administrados e governança pobre – ao invés de examinar por que essas coisas acontecem. É preciso entender o que está por trás: todos estas questões podem ser conectadas a sistemas de educação com recursos insuficientes. Professores e administradores treinados, supervisão robusta – tudo isso exige financiamento.

O WDR diz ainda que somente em certas condições o financiamento para educação é solução. De fato, em quase todos os países em desenvolvimento, mais financiamento é fundamental para melhorar a aprendizagem, mas isso não significa “insumos” não coordenados, mas, em vez disso, investimentos sistêmicos abrangentes. O Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial recomenda:  bom gerenciamento escolar, acesso a cuidados e nutrição da primeira infância e melhores programas de treinamento e suporte de professores – tudo exige investimentos elevados. A grande maioria dos países em desenvolvimento está gastando muito menos do que é necessário para proporcionar uma educação de qualidade adequada. Pode parecer óbvio que os governos deveriam gastar mais em educação, mas aqui vemos o Banco dizendo que os recursos são importantes apenas em um conjunto específico de circunstâncias. Por que o Banco está enviando uma mensagem concorrente? Para ser claro, mais financiamento por si só não resolverá a crise da educação, mas não será resolvido sem ela.

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Por fim, compartilho interessante análise realizada pelo economista Timoty Taylor,  do blog conversableeconomist. 

O relatório recompensa a leitura com uma série de exemplos dessas políticas em ação. Mas vale a pena observar dois pontos mais amplos também. Um deles é que o relatório sugere que a falta de insumos para a educação não é o principal problema na maioria dos lugares: “O discurso público costuma equiparar os problemas de qualidade da educação com lacunas de entrada. Investir recursos suficientes na educação é crucial e, em alguns países, os recursos não se mantiveram com os elevados aumentos rápidos nas matrículas. Por diversas razões, no entanto, a falta de insumos explica apenas uma pequena parte da crise de aprendizagem. Em primeiro lugar, olhando em sistemas e escolas, níveis de recursos similares são freqüentemente associados a grandes diferenças nos resultados de aprendizagem. Em segundo lugar, aumentar as insumos em uma dada configuração muitas vezes tem pequenos efeitos nos resultados da aprendizagem. Parte do motivo é que  os recursos muitas vezes não conseguem chegar às escolas”.

A outra questão é que todas as reformas políticas relacionadas à educação acontecem em um contexto mais amplo. O relatório enfatiza repetidamente que as reformas educacionais ocorrem no contexto de uma sociedade genuinamente comprometida e dedicada a aumentar o desempenho educacional de seus jovens. Uma sociedade que não está comprometida encontrará inúmeras e sempre multiplicadoras razões para hesitar em qualquer ação séria: podemos realmente medir os resultados da educação com precisão, afinal? Vale a pena acompanhar os alunos? Isso pode faze com que alguns alunos e professores se sintam mal? A experimentação com alternativas não é uma perda de tempo? Quem decide quais incentivos devem ser incorporados no sistema e se esses incentivos serão alocados de forma justa? Não posso ensinar crianças pequenas, então? Não há necessidade de se preocupar com formação continuada? Os professores não poderiam executar suas salas de aula sem interferências externas? Os professores ou diretores que estiveram no local por muito tempo não deveriam ter uma deferência considerável em sua experiência? Esse tipo de pergunta não é errada ou ilegítima. Mas elas podem facilmente se tornar uma desculpa para a inércia. Somente se uma sociedade é capaz de colocar a aprendizagem das crianças claramente em primeiro lugar, de uma maneira que torna a flexibilidade e a mudança imperativas, esses tipos de perguntas se transformarão em maneiras de moldar de forma útil novas políticas, ao invés de desculpas para manter o mesmo sistema no mesmo caminho de sempre.

O relatório assinala várias histórias de sucesso. “Quando melhorar a aprendizagem torna-se uma prioridade, é possível um grande progresso. No início da década de 1950, a República da Coréia era uma sociedade devastada pela guerra, retida por níveis de alfabetização muito baixos. Em 1995, conseguiu universalizar a educação de alta qualidade. Hoje, os jovens realizam os mais altos níveis nas avaliações internacionais de aprendizagem. O Vietnã surpreendeu o mundo quando os resultados do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA) de 2012 mostraram que os seus jovens de 15 anos estavam no mesmo nível que na Alemanha – embora o Vietnã fosse um país de renda média baixa”.

É difícil exagerar a importância da educação no desenvolvimento econômico e no crescimento. Para dizer sem rodeios, não existem exemplos de países na economia mundial moderna que experimentaram um crescimento e um desenvolvimento duradouros, sem uma força de trabalho de maior escolaridade e habilidades.

O relatório inclui vários comentários como este:
“Quando é bem entregue, a educação cura uma série de males sociais. Para os indivíduos, promove o emprego, a saúde e a redução da pobreza. Para as sociedades, estimula a inovação, fortalece as instituições e promove a coesão social. Mas esses benefícios dependem em grande parte da aprendizagem A escolaridade sem aprender é uma oportunidade desperdiçada. Mais do que isso, é uma grande injustiça: as crianças que a sociedade está falhando mais são as que mais precisam de uma boa educação para ter sucesso na vida “.

Como Singapura prepara seus alunos para o sucesso no trabalho e na vida no século XXI?

Lee Sing Kong, falecido em maio de 2017, foi professor na Nanyang Technological University em Singapura e diretor-gerente do Instituto Nacional de Educação Internacional. Em 2015 Lee falou com o Blog da Ásia sobre como Singapura se organizou para trabalhar o aprendizado de competências globais de seus alunos e por que tal aprendizado é cada vez mais importante para o mundo de hoje. Abaixo um resumo de suas ideias.

Na paisagem do século XXI, a globalização, a demografia em rápida mudança e os avanços tecnológicos são as principais forças motrizes que são consideradas ao desenvolver os “Resultados Desejados da Educação” de Singapura . Para esse fim, foi desenvolvido um quadro para orientar a forma como a educação poderia permitir que os alunos desenvolvessem uma série de competências do século XXI e competências globais, ancoradas em um conjunto de valores fundamentais. De acordo com a proposta, o desenvolvimento das Competências do século XXI ajudará os alunos a incorporar os chamados Resultados Desejados da Educação (DOE).

Ao desenvolver essas competências, os alunos se tornam:

  • Pessoas confiantes com um forte senso de certo e errado, adaptáveis ​​e resilientes, autoconscientes, discernidas em julgamento, pensadores independentes e críticos e comunicadores efetivos;
  • Aprendizes autodirigidos que questionam, refletem, perseveram e assumem a responsabilidade pela sua própria aprendizagem;
  • Colaboradores ativos que trabalham efetivamente em equipes e que são inovadores, exercem iniciativa, tomam riscos calculados e lutam pela excelência;
  • Preocupados cidadãos de Singapura com um forte senso de responsabilidade cívica que são informados sobre Singapura e o mundo e assumem papéis ativos em melhorar a vida dos outros ao seu redor.

Aqui o link para a página do Ministério da Educação de Singapura que apresenta o conjunto de valores fundamentais e competências do século XXI que são trabalhados como centrais.

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Conhecimento e habilidades devem ser sustentados por valores. Os valores definem o caráter de uma pessoa. Eles moldam as crenças, atitudes e ações de uma pessoa e, portanto, formam o núcleo do quadro das Competências do século XXI.

  • Respeito – Os alunos demonstram respeito quando acreditam em sua autoestima e o valor intrínseco de todas as pessoas.
  • Responsabilidade – Os alunos reconhecem um dever para com eles, suas famílias, comunidade, nação e mundo, e cumprem suas responsabilidades com amor e compromisso.
  • Integridade – Os alunos são pessoas de integridade; eles sustentam os princípios éticos e têm a coragem moral para defender o que é certo.
  • Cuidados – Os alunos atuam com bondade e compaixão e contribuem para o melhoramento da comunidade e do mundo.
  • Resiliência – Os alunos têm força emocional e perseveram diante de desafios. Eles manifestam coragem, otimismo, capacidade de adaptação e engenhosidade.
  • Harmonia – Os estudantes buscam a felicidade interior e promovem a coesão social. Eles apreciam a unidade e a diversidade de uma sociedade multicultural.

Logo a seguir, está o desenvolvimento das seguintes Competências sociais e emocionais. O anel do meio significa as Competências sociais e emocionais necessárias para que as crianças reconheçam e gerenciem suas emoções, desenvolvam cuidados e preocupação com os outros, tomem decisões responsáveis, estabeleçam relações positivas e também enfrentem situações desafiadoras efetivamente:

  • Autoconsciência – ter autoconsciência se ele entende suas próprias emoções, forças,  inclinações e fraquezas.
  • Auto Gerenciamento – Ter capacidade para administrar suas emoções. Ser auto motivado, disciplinado para o exercício e mostrar metas fortes e habilidades organizacionais.
  • Consciência social – ter consciência social com a habilidade de discernir com precisão diferentes perspectivas, reconhecer e apreciar a diversidade, simpatizar e respeitar os outros.
  • Gestão de Relacionamento – Ter a capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis ​​e gratificantes através de uma comunicação eficaz, e ser capaz de trabalhar com outros para resolver problemas e prestar assistência.
  • Tomada de decisão responsável – ter a capacidade de identificar e analisar uma situação com competência. Ele deve poder refletir sobre as implicações de decisões tomadas, com base em considerações pessoais, morais e éticas.

Por fim, devem desenvolver as seguintes Competências emergentes do século XXI. O anel externo da estrutura representa as Competências emergentes do século XXI necessárias para o mundo globalizado em que vivemos. São:

  • Alfabetização cívica, consciência global e habilidades interculturais – A sociedade está se tornando cada vez mais cosmopolita e muitos Singapurianos vivem e trabalham no exterior. Os jovens, portanto, precisam de uma visão de mundo mais ampla, com a capacidade de trabalhar com pessoas de diversas origens culturais, com diferentes ideias e perspectivas. Ao mesmo tempo, eles devem ser informados sobre questões nacionais, ter orgulho de ser singapuriano e contribuir ativamente para a comunidade.
  • Pensamento crítico e inventivo – Para estar pronto para o futuro, os jovens precisam ser capazes de pensar criticamente, avaliar opções e tomar decisões sãs. Eles devem ter o desejo de aprender, explorar e estar preparados para pensar fora da caixa. Não devem ter medo de cometer erros e enfrentar desafios que podem parecer em primeiro lugar, assustadores.
  • Comunicação, Colaboração e Habilidades de Informação – Com a Revolução da Internet, a informação é muitas vezes está literalmente a apenas um clique de distância. Por isso é importante que os jovens saibam quais perguntas fazer, como peneirar informações e extrair o que é relevante e útil. Ao mesmo tempo, eles precisam ter discernimento para se proteger de danos, ao se comportar de maneira ética no ciberespaço. O local de trabalho do século XXI exige que os jovens sejam capazes de trabalhar juntos de forma respeitosa para compartilhar responsabilidades e criar decisões com os outros para cumprir os objetivos do grupo. Importante, eles também devem ser capazes de comunicar suas ideias de forma clara e efetiva.

Os alunos são muito encorajados a praticar esses valores na escola e em casa. Educar uma criança deve ser uma parceria entre as escolas e os pais.

Os valores podem ser “ensinados e capturados”, para que educadores e pais sejam encorajados a ser modelos para os alunos. Na escola, as atividades extra-classe, como atividades esportivas, jogos ou programas grupais – muitas vezes chamados de atividades co-curriculares – estão planejadas para ajudar os alunos a adquirir os valores e as competências que formam partes dos Resultados Desejados da Educação.

 Resultados Desejados da Educação (DOE) de Singapura 

Os Resultados Desejados da Educação (DOE) são atributos que os educadores aspiram para cada cidadão de Singapura pela conclusão de sua educação formal. Esses resultados estabelecem um propósito comum para os educadores, direcionam as políticas públicas e programas e permitem determinar o quão bem o o sistema educacional está cumprindo seu papel.

A pessoa que é educada no sistema de educação de Singapura deve incorporar os Resultados Desejados da Educação. Ter um bom senso de autoconsciência, uma sólida bússola moral, habilidades e conhecimentos necessários para enfrentar os desafios do futuro. Ser responsável por sua família, comunidade e nação. Apreciar a beleza do mundo ao seu redor, possuir uma mente e um corpo saudáveis ​​e ter um entusiasmo pela vida.

O DOE é traduzido em um conjunto de resultados de desenvolvimento para cada etapa chave do sistema educacional. Os resultados da etapa chave explicam o que o Serviço de Educação aspira a desenvolver nos alunos através da educação primária, secundária e pós-secundária. Cada nível educacional baseia-se nas etapas anteriores e estabelece as bases para os subsequentes. Por exemplo, os alunos da escola primária começam aprendendo a conhecer e amar Singapura. Ao fazê-lo, a sua crença em Singapura será reforçada e eles entenderão o que interessa a Singapura pela escola secundária. Eles vão se orgulhar de Singapura e entender o país no contexto global no nível pós-secundário.

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Existem oito resultados em cada etapa chave. Em conjunto, os resultados do estágio chave tornam explícito o que Singapura aspira a desenvolver em seus jovens, de modo a estabelecer as bases sólidas para que possam prosperar e alcançar o sucesso na vida como membros contribuintes da sociedade.

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Por fim, o professor Lee faz uma reflexão sobre o desafio que os sistemas educacionais em todo o mundo tem para desenvolver competências globais em seus alunos. “Os sistemas educacionais precisam constantemente revisar seus processos e modelos, entender que cidadãos vêm formando e desenvolvendo num contexto tanto local quanto global e identificar novas competências globais que precisam ser desenvolvidas em seus alunos. Uma vez identificados, é preciso implantar uma abordagem sistêmica, com o objetivo de revisar os currículos, a formação inicial e continuada, o ambiente de aprendizagem, a avaliação, os programas e atividades que possam ajudar os alunos a adquirir essas novas competências. Além disso, os professores devem ser capacitados para entregar esta educação da maneira mais impactante. Os sistemas educacionais devem adotar uma abordagem ecossistêmica, holística, para incorporar tais mudanças.

Referencia: https://asiasociety.org/blog/asia/how-singapore-readies-its-students-globalized-world

 

Sete Ações para Melhorar a Qualidade da Educação

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7 AÇÕES PARA MELHORAR A QUALIDADE

Compartilho resumo de importante material produzido pela Unesco e liderado pelo professor Fernando Reimers, com 7 ações para melhorar a qualidade da Educação. O documento completo segue aqui:

A equipe, denominada “Teachers Alliance”, elaborou o documento como um apelo para que os líderes de governos, organizações não governamentais, educadores, líderes da sociedade civil e cidadãos abordem com urgência sete áreas críticas para a melhoria significativa da qualidade da educação recebida pela maioria das crianças nas escolas. Estas ações apoiam estrategicamente a coerência e o alinhamento de políticas e programas que, como um sistema, sustentam a qualidade do ensino. Este documento propõe uma estratégia de sete ações para alinhar o sistema de aperfeiçoamento ao longo da vida da qualidade do professor, e, com isto, alcançar a qualidade da educação como um todo.

De acordo com o documento “A educação é uma das iniciativas mais importantes que podem ser empreendidas para melhorar a qualidade de vida, a segurança financeira e o potencial econômico de uma determinada população. Não há contestação dos benefícios de um sistema de educação forte. O desafio está no desenho da estrutura e na implementação de um sistema desse tipo, além da criação de uma vontade política de ver esse sistema funcionando na prática. Para que sistema seja implementado, a qualidade dos professores e a qualidade da educação como um todo devem ser consideradas uma prioridade nacional. Os líderes educacionais e políticos devem apoiar essas iniciativas publicamente, colocá-las em sua agenda política e estabelecer uma comissão especial para desenvolver uma estratégia para melhorar de forma significativa e mensurável a qualidade do professor. O cerne da educação de qualidade é ter um corpo docente qualificado e versátil. Para realizar melhorias significativas na qualidade da educação, é necessária uma estratégia coesa para que se possa combinar o que já se conhece em um sistema eficiente, que pode ser implementado em todo o mundo na escala necessária para o sucesso. Os pontos precisam ser conectados.”

Título original: Connecting the dots to build the future teaching and learning, published in 2016 by Varkey Education Foundation.

Como os políticos podem ajudar a promover a inovação no setor público?

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politico inovador

Apesar (ou principalmente) da crise política de hoje, é preciso pensar à Frente e imaginar como os políticos podem contribuir para a inovação no serviço público! Eles são parte vital do setor público. Orientam a política, decidem sobre muitos dos parâmetros operacionais do serviço público e, o mais importante, são (ou deveriam ser) uma conexão muito mais próxima das preocupações dos cidadãos. E acredito que existem políticos querendo impulsionar mudanças inovadoras, interessados em encontrar novas soluções para novos e velhos problemas. Afinal, quais são os papéis que os políticos podem desempenhar na direção da inovação? Adaptei um texto da OPSI/OCDE que explorou esta questão, e gostaria de ouvir sobre você sobre quaisquer papéis diferentes que você viu os políticos jogar. #inovação

Word Art (13)