Curioso Quadro Resumo da História do Mundo

Pausa para apresentar um curioso e interessante material de geografia e história. Acima apresento um “Histomap”, criado por John B. Sparks, que foi primeiramente impresso por Rand McNally em 1931. (A coleção de David Rumsey hospeda uma versão totalmente ampliável aqui). Ele também foi apresentado no Blog Mundialíssimo aqui.

Este mapa gigantesco e ambicioso se encaixava perfeitamente com uma tendência dos anos 1920 e 1930 , de retratar e sintetizar grandes temas (a história do mundo, toda escola de filosofia, toda a física moderna, entre outros) de forma compreensível para o cidadão comum da época.

O Histomap foi vendido por US $ 1 e dobrado em uma capa verde , e contou com endossos de historiadores e revisores. O gráfico foi anunciado como “claro, vívido e desprovido de elaboração”, enquanto ao mesmo tempo capaz de “segurá-lo encantado“, apresentando “A imagem real da marcha da civilização, das cabanas de lama dos antigos através do glamour monárquico da Idade Média ao panorama vivo da vida na América do presente.” A carta usa cores e espaços para mostrar como o poder de vários “povos”  evoluiu ao longo da história.

Não está claro no mapa o significado da largura dos fluxos coloridos e nota-se que Sparks sintetizou a história mundial como um jogo de soma zero, e o seu tamanho (1 metro e meio) mostra o tamanho da caminhada do homem no planta terra, em que povos e nações competem a milhares de anos por terras e recursos finitos.

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Lições da Logística da Guerra no Iraque

Li um interessante artigo na Harvard Business Review de novembro de 2003 (íntegra aqui). O artigo é escrito por Diane K. Morales (na época vice-subsecretária da Defesa dos EUA para a logística) e Steve Geary (na época integrante da equipe da vice-subsecretária adjunto de Defesa dos EUA para a logística). O artigo traça em linhas gerais algumas lições que a Guerra do Iraque trouxe para a logística de guerra e logística em geral.  Abaixo uma adaptação grosseira do artigo:

O líder experiente sabe que mesmo a estratégia mais brilhante é apenas tão boa como a sua execução (Diane K. Morales).

Em suma, os planos de batalha aparentemente promissores no quadro de planejamento podem ser desfeitos no cenário de guerra  por meio de operações desajeitadas ou por apenas um elo perdido na cadeia de abastecimento logístico.

Este foi o medo de setores do planejamento quando Tommy Franks delineou os planos de ataque para a Operação Iraqi Freedom. De acordo com a doutrina militar convencional, Franks deveria ter enviado mais de 250 mil soldados marchando através do Vale do rio Eufrates, apoiado por uma montanha de material (roupas, medicamentos, alimentos, combustível, e tudo o mais que uma linha necessita), que seguia por linhas seguras de abastecimento.

Em vez disso, Franks imaginou um enxame (a chamada Força Rápida), sensível, inteligente e capaz de identificar e remover as ameaças rapidamente. Trata-se de uma mudança estratégica análoga a realizada por muitas empresas nos últimos anos, em que a velocidade é mais importante que a massa/volume, sendo que tal mudança teve profundas implicações para a logística da operação.

Tornar a colaboração uma realidade

O ideal da chamada cadeia de suprimentos (Supply Chain) para a maioria das empresas é a colaboração verdadeira entre todos os atores que integram a gestão de logística (desde a saída do produto e durante  todo o caminho até o cliente, até mesmo dentro de suas operações).

Para o Departamento de Defesa Americano, o desafio era conseguir “operações combinadas”, com a integração dos quatro ramos das forças armadas. Até a Guerra do Golfo Pérsico em 1991, as forças americanas ainda estavam operando logísticamente em faixas separadas, como as diferentes divisões de uma grande corporação.

Para tornar as Forças mais dependentes uma das outras, e facilitar a comunicação entre elas, criamos uma única estrutura integrada e responsável pela logística. Isso significou que todas as forças terrestres na Operação “Iraqi Freedom”- usaram ​​uma rede de distribuição única.

Em grande parte, contamos com o apoio de um setor privado de fabricantes, distribuidores e fornecedores para fornecer todo o material necessário às forças combinadas com a velocidade necessária.   Estimamos  que mais de 85% de todo o material de sustentação da operação mudou-se para o teatro de operações em estruturas de distribuição civil.

Gerenciar o fluxo, e não o estoque

Líderes militares aprenderam uma lição dolorosa durante a Guerra do Golfo (1991). Planejadores pediram 60 dias de suprimentos a ser acumulado no teatro de Operações, antes do ataque ao solo. Descobriu-se que era possível empurrar essa quantidade enorme de material, mas literalmente não era possível ver o conteúdo dos contêineres, uma vez que estavam em trânsito ou no teatro.

O resultado foi muitos links quebrados na logística de abastecimento. Isso significou que material armazenado em mais de 40.000 contêineres, a metade dos suprimentos enviados para a região, nunca foi usado.

Ressalta que a experiência de uma verdade que logística comercial conhece bem: o estoque bem abastecido que não chegar onde ele é necessário não agrega valor ao processo.

A excelência da logística consiste em saber exatamente o que você tem, a condição e localização dos itens, se estão em ordem, em trânsito, ou no teatro de operações, e gerenciar o fluxo de material à luz das mudanças nos padrões de demanda e necessidades do cliente.

É um grande desafio, mas o DoD foi capaz de superá-lo. Mesmo os campos de batalha mais fluida têm pelo menos algum grau de previsibilidade. A chave é combinar esta previsibilidade com a adequada quantidade de suprimentos de reserva em uma linha de distribuição consolidada. O apoio adequado foi entregue, onde foi necessário, quando foi necessário, e os resíduos associados de suprimentos não utilizados foi evitado.

Vá com tecnologia

O maior desafio durante a Operação Iraqi Freedom foi manter a logística com forças que se movem rapidamente.

Não foi tanto a dificuldade e a capacidade de fornecer, mas localizar onde eles estavam se movendo.

Para superar esse desafio foi necessário uma combinação de tecnologias de informação. Cada unidade de combate foi equipado com transponders, permitindo que os líderes de combate e logística no Comando Central fossem capazes de rastrear o movimento das tropas em tempo real.

Da mesma forma, as etiquetas de identificação de radiofreqüência (RFID) foram anexadas em todos os recipientes de material de entrada em pontos de embarque. Essas tags foram rastreadas em todo o mundo e ao longo da linha das tropas. Esses dados foram integrados em um quadro operacional comum, o que permitiu a coalizão conseguir informações em tempo real em toda a cadeia de gestão logística.

O setor militar é muitas vezes um dos primeiros usuários de tecnologias que o setor comercial é ainda não explora em razão de limitação de custos e benefícios potenciais. A tecnologia RFID foi um bom exemplo disso, mas grande parte da implantação bem-sucedida desta tecnologia foi baseada em aplicativos e serviços disponíveis comercialmente. Durante a Operação Iraqi Freedom, os usuários autorizados, operando a partir de sistemas de computador seguros em locais remotos, puderam monitorar o fluxo de materiais pelos checkpoints críticos no Iraque. Esta e outras experiências semelhantes confirmou que as tecnologias de ponta comercial, selecionadas com prudência  e devidamente aplicadas, poderiam fornecer apoio a decisão de maneira rápida e confiável.

Esforços mais recentes do Departamento de Defesa foram projetados para promover economia, melhorar a eficácia e oferecer agilidade ao processo de gestão logística. Na Operação Iraqi Freedom, ampliou-se a capacidade de gerenciar a logística de forma mais eficaz, o que foi crucial para o sucesso da coalizão no campo de batalha.

Como disse o general Franks, “a velocidade mata … o inimigo.”

A Agência de Logística do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DLA)

A base de uma invasão militar consiste na existencia de um fluxo adequado de suprimentos. Sem suprimentos, uma força invasora pode ter seu exército enfraquecido e ser forçada a recuar.

Por isso a logística é elemento chave na história das guerras. Antes de invadir a Grécia,  Xerxes I passou três anos reunindo suprimentos em toda a Ásia; Heródoto escreveu que o exército Persa era tão grande que “secava os rios que bebia”. É fato que na maioria das invasões, até em épocas modernas, muitos dos suprimentos perecíveis eram reunidos dos próprios territórios invadidos.

No decorrer da Segunda Guerra Púnica, por exemplo, Aníbal desviou seu exército de seu objetivo principal para conquistar  cidades com objetivo de coletar suprimentos; A tática de terra arrasada usada na Rússia forçou os exércitos de Napoleão a baterem em retirada devido a falta de suprimentos e abrigo.

Atualmente, além de comida, água, abrigo e munição, militares necessitam de combustível, baterias, peças mecânicas sobressalentes, equipamentos eletrônicos e muitas outras coisas.

Por conta da importância da logística, as principais Instituições militares do  planeta contam com estruturas de ensino, pesquisa e inteligência logística, além de  um  forte aparato de suporte e infraestrutura de operação logística.

Nos Estados Unidos, a Agência de Logística de Defesa (DLA) emprega aproximadamente 27.000 civis com o único objetivo de oferecer suporte logístico, e 30.000 soldados são graduados anualmente na Academia de Gerenciamento Logístico do Exercito dos Estados Unidos.

DLA – Nos Estados Unidos, a Agência de Logística do Departamento de Defesa (DLA) fornece ao Exército, Marinha, Força Aérea, Corpo de Fuzileiros Navais, outras agências federais e forças aliadas combinadas toda a estrutura de suporte e inteligência logística, aquisição e serviços técnicos.

A Agência fornece quase 100 por cento dos itens de consumo que forças militares dos Estados Unidos precisam para operar, tais como alimentos, combustíveis e energia, uniformes, suprimentos médicos e equipamentos de construção e de barreira.

A DLA também fornece mais de 80 por cento de peças de reposição dos militares. Além disso, a Agência gere a reutilização de equipamentos militares, fornece produtos de informação, logística e oferece automação de documentos e serviços de produção.

A DLA  tem sede em Fort Belvoir, Virgínia. Alguns grandes números da DLA indicam seu peso e sua importância:

  • Em 2011 a DLA executou um orçamento de aproxiamadamente US$ 46,1 bilhões.
  • Emprega cerca de 27.000 funcionários civis e militares.
  • Suporta mais de 2.100 sistemas de armas.
  • Administra oito cadeias de abastecimento e 5 milhões de itens.
  • Administra o armazenamento e descarte de materiais estratégicos e críticos para apoiar a defesa nacional.
  • Opera em 48 estados americanos e 28 países.
  • Gerencia mais de 11.000 contratos.
  • Gerencia 26 postos de distribuição em todo o mundo.
  • Apoia os esforços de ajuda humanitária no país e no exterior.
  • Forneceu apoio ao terremoto japonês em 2011 (Operação Tomodachi) e os esforços de ajuda à Turquia após o terremoto de 2011.
  • Fornece apoio logístico a outros órgãos federais do Governo Americano.

Para um país que se considera a Polícia do mundo, e que tem atuação militar em todo o planeta, a logística é um aspecto chave.

Proclamar a República?

15 de novembro – Proclamação da República. um post para refletir… Assim, nada melhor que Machado de Assis.

Tudo começa quando Custódio, dias antes da proclamação da República, manda pintar uma tabuleta que dizia “Confeitaria do Império”. Assim, feita a introdução, passo a transcrição do diálogo entre Custória e o Conselheiro Aires…[extraído de Esaú e Jacó]

 — Mas o que é que há? Perguntou Aires.

 — A república está proclamada.

 — Já há governo?

 — Penso que já; mas diga-me V.Ex.ª: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto, uma fatalidade! Venha em meu socorro, Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. —‘Confeitaria do Império’, à tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V.Ex.ª crê que, se ficar ‘Império’, venham quebrar-me as vidraças?

 — Isso não sei.

 — Pessoalmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo…

 — Mas pode por ‘Confeitaria da República’…

 — Lembrou-me isso a caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dois meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje e perco outra vez o dinheiro.

 — Tem razão… sente-se.

 — Estou bem.

 — Sente-se e fume um charuto.

 Custódio recusou o charuto, não fumava. Aceitou a cadeira. Estava no gabinete de trabalho, em que algumas curiosidades lhe chamariam a atenção, se não fosse o atordoamento do espírito. Continuou a implorar o socorro do vizinho. S. Exª. com a grande inteligência que Deus lhe dera, podia salvá-lo. Aires propôs-lhe um meio-termo, um título que iria com ambas as hipóteses — ‘Confeitaria do Governo’.

 — Tanto serve para um regime como para outro.

 — Não digo que não, e, a não ser a despesa perdida… Há, porém, uma razão contra. V.Exª. sabe que nenhum governo deixa de ter oposição. As oposições, quando descerem à rua, podem implicar comigo, imaginar que as desafio, e quebrarem a tabuleta; entretanto o que eu procuro é o respeito de todos.

 Aires compreendeu bem que o terror ia com a avareza. Certo, o vizinho não queria barulhos à porta, nem malquerenças gratuitas, nem ódios de quem quer que fosse; mas, não o afligia menos a despesa que teria de fazer de quando em quando, se não achasse um título definitivo, popular e imparcial. Perdendo o que tinha, já perdia a celebridade, além de perder a pintura e pagar mais dinheiro. Ninguém lhe compraria uma tabuleta condenada. Já era muito ter o nome e o título no Almanaque de Laemmert, onde podia lê-lo algum abelhudo e ir com ou outros, puni-lo do que estava impresso desde o princípio do ano…

 — Isso não, interrompeu Aires; o senhor não há de recolher a edição de um almanaque.

 E depois de alguns instantes:

 — Olhe, dou-lhe uma idéia, que pode ser aproveitada, e, se não a achar boa, tenho outra à mão, e será a última. Mas eu creio que qualquer delas serve. Deixe a tabuleta pintada como está, e à direita, na ponta, por baixo do título, mande escrever estas palavras que explicam o título: ‘Fundada em 1860′. Não foi em 1860 que abriu a casa?

 — Foi, respondeu Custódio.

 — Pois…

 Custódio refletia. Não se lhe podia ler sim nem não; atônito, a boca entreaberta, não olhava para o diplomata, nem para o chão, nem para as paredes ou móveis, mas para o ar. Como Aires insistisse, ele acordou e confessou que a idéia era boa. Realmente, mantinha o título e tirava-lhe o sedicioso, que crescia com o fresco da pintura. Entretanto, a outra idéia podia ser igual ou melhor, e quisera comparar as duas.

 — A outra idéia não tem a vantagem de pôr a data à fundação da casa, tem só a de definir título, que fica sendo o mesmo, de uma maneira alheia ao regímen. Deixe-lhe estar a palavra império e acrescente-lhe embaixo, ao centro estas duas, que não precisam ser graúdas: das leis. Olhe, assim, concluiu Aires, sentando-se à secretária, e escrevendo em uma tira de papel que dizia.

Custódio leu, releu e achou que idéia era útil; sim, não lhe parecia má. Só lhe viu um defeito: sendo as letras debaixo menores, podiam não ser lidas tão depressa e claramente como as de cima, e estas é que se meteriam pelos olhos ao que passasse. Daí a que algum político ou sequer inimigo pessoal não entende logo, e… A primeira idéia, bem considerada, tinha o mesmo mal, e ainda este outro: pareceria que o confeiteiro, marcando a data da fundação fazia timbre em ser antigo. Quem sabe que não era pior que nada?

 — Tudo é pior que nada.

 — Procuremos.

Aires achou outro título, o nome da rua, ‘Confeitaria do Catete’, sem advertir que havendo outra confeitaria na mesma rua, era atribuir exclusivamente a Custódio a designação local. Quando o vizinho lhe fez tal ponderação, Aires achou-a justa, e gostou de ver a delicadeza de sentimentos do homem; mas logo depois que o que fez falar o Custódio foi a idéia de que este título ficava comum às duas casas. Muita gente não atinaria com o título e compraria na primeira que lhe ficasse à mão, de maneira que só ele faria as despesas da pintura, e ainda por cima perdia a freguesia. Ao perceber isso, Aires não admirou menos a sagacidade de um homem que, em meio a tantas tribulações, contava os maus frutos de um equívoco. Disse-lhe então que o melhor seria pagar a despesa feita e não por nada, a não ser que preferisse seu próprio nome: ‘Confeitaria do Custódio’. Muita gente certamente lhe não conhecia a casa por outra designação. Um nome, o próprio nome do dono, não tinha significação política ou figuração histórica, ódio nem amor, nada que chamasse a atenção dos dois regimens, e conseguintemente que pusesse em perigo os seus pastéis de Santa Clara, menos ainda a vida do proprietário e dos empregados. Por que é que não adotava esse alvitre? Gastava alguma coisa com a troca de uma palavra por outra, ‘Custódio’ em vez de ‘Império’, mas as revoluções trazem sempre despesas.

 — Sim, vou pensar, excelentíssimo. Talvez convenha esperar um ou dois dias, a ver em que param as modas, disse Custódio agradecendo.

 Curvou-se, recuou e saiu. Aires foi à janela para vê-lo atravessar a rua. Imaginou que ele levaria da casa do ministro aposentado em lustre particular que faria esquecer por instantes a crise da tabuleta. Nem tudo são despesas na vida, e a glória das relações podia amaciar as agruras deste mundo. Não acertou desta vez. Custódio atravessou a rua, sem parar nem olhar para trás, e enfiou pela confeitaria dentro com todo sem desespero.

Mapa da Violência de Joinville (1979 – 2003)

Dias atrás, tive que buscar em antigos arquivos, um dos meus primeiros estudos como geógrafo. Foi uma pesquisa que buscava apresentar o Mapa da Violência de Joinville, no período entre 1979 e 2003.  Tinha acabado de apresentar meu trabalho de conclusão de curso sobre a geografia da saúde do Bairro Nova Brasília, em Joinville, e já tinha observado como a questão da violância afetava os índices de saúde pública na cidade. Apresentamos a proposta de estudo ao Governo do Estado,  que prontamente financiou a realização do estudo,  no já longínquo ano de 2004.

Como verifiquei que o Estudo acabou em prateleiras empoeiradas do Governo do Estado, me julgo no direito de apresentá-lo aqui no blog, para dar um mínimo de publicidade, ainda que já esteja deveras desatualizado.

Assim, a partir de informações que davam conta que nos últimos 25 anos ocorreram 794 mil assassinatos no Brasil, com um crescimento médio anual de 5,6% do número de homicídios, o que posicionou o país entre os mais violentos do planeta, com uma taxa de 28 homicídios para cada 100 mil habitantes, fomos buscar informações sobre a mortalidade por violência em Santa Catarina e em Joinville. Assim, buscamos responder como foi o comportamento do problema da violência em Santa Catarina e no município de Joinville entre 1979 e 2003. O foi uma iniciativa do Centro de Estudos e Formação Profissional em Segurança – CEFOPS, com o apoio do Governo do Estado de Santa Catarina para tentar jogar luzes e responder a essa questão. Então, abaixo o Mapa da Violência do município de Joinville (1979 – 2003).

E afinal, por que elaborar indicadores de violência específicos em nível
municipal? Já em 2004 observávamos estar em curso um processo relevante de descentralização e desconcentração do desenvolvimento econômico do país, com a emergência de novos pólos de crescimento no interior dos estados. Isso já revelava uma dinâmica territorial específica que, se ainda não bem compreendida, comportava provavelmente aspectos como a identidade regional, um clima favorável ao espírito empreendedor, a existência de redes públicas e privadas ou a atração do meio ambiente cultural e natural. Não incorporar os elementos relativos ao aumento da violância na organização do territorio seria desprezar os eventuais impactos negativos dessa dinâmica. Caso tenha tempo e os colegas tenham interesse, me comprometo a fazer uma análise de 2003 até 2010 do referido estudo.

Reestruturação do Reino dos Países Baixos

Como geógrafo, não posso deixar de me interessar por assuntos dessa natureza. Por indicação de amiga que mora na Holanda, soube que 2011 é o Ano da Holanda no Brasil.

Neste site tem uma agenda variada e interessante, mas principalmente para o RJ e SP. mas uma coisa me interessou neste site, que foi uma matéria informando sobre o processo de reestruturação do Reino dos Países Baixos, no que se refere às Antilhas Holandesas, ou seja, as ilhas de Curaçao, St. Maarten, Bonaire, São Eustáquio e Saba. Abaixo reproduzo a matéria, pelo seu didatismo. Quem tiver interesse, o link para a materia completa está aqui.

A futura estrutura do Reino
O Reino dos Países Baixos está passando por um processo de reestruturação no que se refere às Antilhas Holandesas, ou seja, as ilhas de Curaçao, St. Maarten, Bonaire, São Eustáquio e Saba. Aruba mantérá a condição de país, adquirida em 1986. Espera-se que a nova estrutura entre em vigor no início de 2010, embora possa haver um atraso.

Essa reestruturação tem por base os referendos realizados em cada uma das ilhas das Antilhas Holandesas, entre 2000 e 2005, cujos resultados foram inequívocos: ao mesmo tempo que as ilhas não desejam continuar a fazer parte das Antilhas Holandesas, elas também não querem cortar o vínculo existente com o Reino.

mapa Antilhas Holandesas

Na atual situação, o Reino é formado por três países em condições de igualdade: as Antilhas Holandesas, Aruba e os Países Baixos. Os territórios caribenhos do Reino (as Antilhas Holandesas e Aruba) não são considerados territórios ultramarinos da parte do Reino que se encontra na Europa (Países Baixos) e sim, sócios plenos e autônomos dos Países Baixos dentro do Reino. Os três países gozam de alto grau de autonomia interna. As relações internacionais e de defesa são assuntos do Reino. O governo do Reino é formado pelo Conselho de Ministros, que se reúne em Haia, e no qual cada país caribenho é representado por seu ministro plenipotenciário. A sede do governo nacional das Antilhas Holandesas encontra-se em Willemstad, Curaçao; e a de Aruba, em Oranjestad.

Na nova estrutura prevista, as duas maiores ilhas das atuais Antilhas Holandesas, Curaçao e St. Maarten, obterão o status de país, comparável ao que têm, atualmente, os Países Baixos e Aruba. O país “Antilhas Holandesas” deixará de existir assim que a futura estrutura entrar em vigor. A partir de então, o Reino será composto de quatro países em vez de três: Países Baixos, Aruba, Curaçao e St. Maarten. A nova estrutura se concretizará assim que o processo de negociação, do qual participam representantes de todas as partes do Reino, tiver chegado a termo. Quanto às três ilhas menores (Bonaire, São Eustáquio e Saba), elas passarão a ter um vínculo direto com os Países Baixos. Na prática, sua condição será muito parecida à dos municípios holandeses, salvo adaptações derivadas de sua localização no Caribe.

A reforma política não terá impacto na manutenção dos interesses internacionais. Isso significa, dentre outros, que:
– não haverá alteração nas fronteiras exteriores do Reino;
– as relações internacionais, bem como a defesa, continuarão sendo assuntos do Reino;
– haverá apenas um único Ministro de Relações Exteriores para todo o Reino, que arcará com a responsabilidade de todos os assuntos pertinentes à pasta;
– o Ministério de Relações Exteriores em Haia e suas representações no exterior continuarão trabalhando para o Reino e suas partes constituintes;
– apenas o Reino poderá celebrar tratados e não cada uma de suas partes constituintes em separado (embora sua vigência poderá limitar-se a uma ou várias partes constituintes do Reino, ou seja, o tratado celebrado pelo Reino poderá referir-se a uma ou mais partes constituintes do Reino).

Geopolítica Latinoamericana: Brasil Imperialista?

Estive em Lima na semana de páscoa. O país está em clima de campanha, e se prepara para um apertado segundo turno entre o ex-Chavista e recém Lulista Ollanta Humala, e a filha do ex-ditador (existe isso?!?) Alberto Fujimori, Keiko Fujimori. Matéria da revista Exame já carrega na tinta para o “fator” Humala. Em disputa, os votos do centro.

Mas não é sobre isso que escrevo. Em meio a acirrada disputa, o semanário peruano Hildebrandt, de 22 de abril passado, apresentou extensa matéria sobre as relações diplomáticas e econômicas entre o Brasil e o Perú. Ênfase foi dada para neo-imperialismo brasileiro, e o título diz tudo – Cuidado com o Brasil!

Apresentando o Brasil como um gigante com vocação hegemônica e expansionista, apresenta inúmeros casos da fúria econômica brasileira, como a compra de siderúrgicas, megaprojetos de integração viária e de infraestrutura, alem de um projeto de energia hidroelétrica sem igual.

Cita o caso da compra acionária da Siderúrgica del Perú (Siderperú) pelo grupo Gerdau em 2006, cercada de dúvidas pela sociedade peruana, em que havia um compromisso do grupo brasileiro de investimentos e de ampliação da capacidade da usina. Contrariando o discurso, desde 2008 a usina está com seu alto forno parado (ver aqui também).

Mas o investimento mais ambicioso citado pelo semanário é o da construção de seis centrais hidroelétricas, no marco de uma parceria de integração energética, firmado entre os dois países em 2010. Somente um dos projetos, chamado Inambari,  está estimado em cerca de 9 bilhões de dólares, para gerar cerca de 6 mil megawatts de energia.  O projeto Inambari prevê na primeira década de exploração, o uso pelo Brasil de 80% da energia produzida. As outras  são Sumabeni com 1.074 mw, Paquitzapango com 2.000 mw, Urubamba com 950 mw, Vizcatán com 750 mw e Chuquipampa com 800 mw.

Aqui uma matéria da revista de Furnas sobre Inambari:

Sobre o estilo de negociação brasileiro, o atual presidente do Perú, Alan Garcia, deixou escapar uma frase que representa bem o estilo da diplomacia brasileira – “Con Brasil no se negocia, com Brasil, se acepta”.

Não é possível bradar contra o Imperialismo norteamericano apenas para impor outro projeto  imperialista. No momento em que o Brasil se firma como vetor de desenvolvimento, é preciso discutir mais claramente nossa política externa, e incutir valores do projeto brasileiro para além do projeto econômico.

Creio que é possível um uma política externa diferente, que não movimente peças contra o desenvolvimento econômico  de países irmãos latinoamericanos, como no caso da siderurgia peruana, nem que esteja pensando em exportar mazelas ambientais, como no caso das usinas hidroelétricas. É possível fazer mais com menos e ainda fazer diferente e melhor! Com a palavra, a diplomacia brasileira.

Astana, Cazaquistão: uma capital nas estepes

Interessante artigo de Rowan Moore, do The Guardian, fala de Astana, capital do Cazaquistão.

http://www.guardian.co.uk/world/2010/aug/08/astana-kazakhstan-space-station-steppes

O famoso arquiteto japonês Kisho Kurokawa, foi masterplanning da nova capital do Cazaquistão – Astana. O Cazaquistão , ex-república soviética ao sul da Rússia, se estende desde o limite oriental da Europa, quase até a Mongólia.

O projeto foi baseado no entrelaçamento de cidade com a natureza, com trechos de verde entre os prédios. Kurokawa morreu em 2007, mas a sua cidade está lá, mais ou menos seguindo o seu plano. A cidade apresenta uma abundância de parques e árvores.

Chamada Astana, ela é o mais recente exemplo do mundo de um tipo raro, mas persistente, a capital construída a partir do nada. É uma linha que inclui São Petersburgo, Washington DC, Canberra, Ankara e Brasília e, como eles, provoca uma pergunta: pode uma cidade, em toda sua complexidade, realmente ser planejada?

O artigo de Rowan apresenta um quadro sinistro de Astana: Astana seria tão estranha que  mais pareceria uma estação espacial, abandonada em uma vastidão incompreensível nível de estepe, sendo que inclusive seu nome lembraria o de um escritor de ficção científica. Seria uma cidade de fábula ou um sonho, conforme relatado por Marco Polo a Kublai Khan.

À noite, os edifícios vão do roxo ao rosa, do verde ao amarelo. A mais recente obra de Astana lembra uma tenda translúcida de mais de 150 metros, criada por Lord Foster . Chamada Khan Shatyr, tem um único mastro com adereços e um telhado inclinado, que oferece abrigo de um clima severo para um complexo comercial e de entretenimento.

Segue-se uma estratégia  familiar a Foster, para ser visto no Tribunal do British Museum, ou nos seus projetos dos aeroportos de Hong Kong e Pequim, que é criar um imenso e impressionante teto  – uma coisa a ser olhada e admirada, mas não habitada – pairando sobre uma menor, menos ordenada, zona onde a atividade dos edifícios, neste caso, lojas e parques temáticos tem lugar.

O Khan Shatyr abriu no mês passado com uma festa extravagante que coincidiu com o 70 º aniversário do presidente Nursultan Nazarbayev, que é o princípio e o fim de tudo que acontece em Astana. O edifício está lá “porque a idéia veio do presidente”, diz seu gerente, nascido na Alemanha. O fato de já haviam quatro outros shoppings dentro de um quilômetro quadrado “não importa para ele”. O globo de ouro na torre de aço branca foi projetada pelo próprio Nazarbayev.

Quando Nazarbayev encomendou a Foster para desenhar o seu Palácio da Paz e Reconciliação, ele disse que o queria em forma de pirâmide.

Tais cidades são muitas vezes o trabalho de um único homem forte. Existe um museu do fundador em Astana, pois há um de Kemal Atatürk em Ancara e um Memorial do Presidente Kubitschek, em Brasília.

O Cazaquistão pode ser incluído em 142° no índice de liberdade de imprensa mundial, e 120° no índice de percepção de corrupção. Lá,  o presidente ganha eleições e referendos com taxas de 91% e 95%, mas a imprensa oficial afirma que só o Presidente Nazarbayev poderia ter estabilizado seu país com potencialmente explosivas combinações étnicas, e violenta tempestades econômicas pós-soviética.

Nazarbayev decidiu construir uma nova captial por que a capital anterior, Almaty, era muito próximo à China, muito congestionada, e propensa a terremotos.

O presidente Medvedev da Rússia disse que Nazarbayev “deu a esta cidade, não só o seu trabalho, mas também sua alma”.

O que ele queria ele conseguiu, em parte graças às receitas do petróleo do Mar Cáspio. Como as cidades do Golfo, Astana flutua sobre os petrodólares do Caspio. E como as cidades do Golfo e as novas cidades chinesas, Astana inspira a maravilha que existe em todos.

O artigo de Rowan concluí que Astana não tem o vico e a vidacde uma cidade tradicojnal. mas quem mora em Brasília sabe que isso é só a primeira vista, e que só o tempo pode enraizar e proporcionar o viço característico de um lugar, tal como já apresentei em alguns de meus textos, que tratam da importância de se “cultivar” o lugar com identidade – o que só o tempo pode fazer.

Sobre o consumo e a moda

Recebi essa indicação de minha amiga Alessandra, de Joinville.

Como gostei, passo adiante!

É uma versão dublada em Português do documentário The Story of Stuff idealizada pela comunidade Permacultura realizada nos Estúdios Gavi New Track – SP.

Direção e edição Fábio Gavi; Locução Nina Garcia; Adaptação do texto Denise Zepter. Site brasileiro de divulgação do vídeo http://www.sununga.com.br/HDC/

Nota do Governo Brasileiro sobre o Ataque Israelense a “Flotilha da Liberdade”

Estou impressionado com a Nota do Itamaraty sobre o ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à Faixa de Gaza, do qual resultou a morte de mais de uma dezena de pessoas, além de ferimentos em outros integrantes.

Para quem tiver interesse, o link para a nota integral em três idiomas, leia aqui.

Eis um trecho da Nota 349, de 31/05/2010:

O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário. O fato é agravado por ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais. O Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo.

É o Brasil falando grosso na arena internacional!

P.s. O ataque de Israel em águas internacionais não se caracterizaria um ato de pirataria?