Curioso Quadro Resumo da História do Mundo

Pausa para apresentar um curioso e interessante material de geografia e história. Acima apresento um “Histomap”, criado por John B. Sparks, que foi primeiramente impresso por Rand McNally em 1931. (A coleção de David Rumsey hospeda uma versão totalmente ampliável aqui). Ele também foi apresentado no Blog Mundialíssimo aqui.

Este mapa gigantesco e ambicioso se encaixava perfeitamente com uma tendência dos anos 1920 e 1930 , de retratar e sintetizar grandes temas (a história do mundo, toda escola de filosofia, toda a física moderna, entre outros) de forma compreensível para o cidadão comum da época.

O Histomap foi vendido por US $ 1 e dobrado em uma capa verde , e contou com endossos de historiadores e revisores. O gráfico foi anunciado como “claro, vívido e desprovido de elaboração”, enquanto ao mesmo tempo capaz de “segurá-lo encantado“, apresentando “A imagem real da marcha da civilização, das cabanas de lama dos antigos através do glamour monárquico da Idade Média ao panorama vivo da vida na América do presente.” A carta usa cores e espaços para mostrar como o poder de vários “povos”  evoluiu ao longo da história.

Não está claro no mapa o significado da largura dos fluxos coloridos e nota-se que Sparks sintetizou a história mundial como um jogo de soma zero, e o seu tamanho (1 metro e meio) mostra o tamanho da caminhada do homem no planta terra, em que povos e nações competem a milhares de anos por terras e recursos finitos.

Anúncios

Mulheres no Poder – América Latina

Num momento em que as mulheres da América Latina vão conquistando o  aumento da participação na política, chegando em vários países ao posto máximo da República, fui buscar na história alguns primeiros movimentos das mulheres em direção ao poder.

Na verdade, a primeira governante das américas foi D. Beatriz de la Cueva, Governadora Geral da Capitania da Guatemala no distante ano de  1541. Dona Beatriz de la Cueva, tornou-se governadora da Guatemala, após a morte em combate de seu marido, D. Pedro de Alvarado, após ser escolhida por altos funcionários e soldados na capitania da Guatemala, quando estes receberam a notícia da morte em combate de Alvarado. Ficou a frente do cargo pouco tempo, inclusive redebendo o título de “La sin ventura”, pela falta de sorte. A primeira mulher que governou na América, morreu pouco tempo depois com meninas em sua comitiva que acompanhou o colapso da capela onde estava rezando, em Antigua, antiga capital da Guatemala, na destruição da Ciudad Vieja por uma inundação repentina do vulcão Agua (algumas fontes históricas falam que sua morte se deu apenas 40 horas depois de sua posse, outras fonte falam em dias e outras em dois meses depois).

E para não citar apenas esse caso pitoresco, deixo registrado alguns outros casos emblemáticos da chegada das mulheres ao poder na América Latina.

Argentina  I- María Estela Martínez, conhecida como Isabelita Perón, foi a primeira mulher que ocupou a presidência da República Argentina. Isabelita tornou-se presidente após a morte de seu marido, que havia sido eleito numa chapa denominada Perón-Perón, pois ela era candidata à vice-presidência. Perón morreu em 1 de julho de 1974 e Martínez assumiu o cargo este mesmo dia.

Argentina II – Cristina Elisabet Fernández de Kirchner foi senadora pelas províncias de Santa Cruz e Buenos Aires, e atualmente é presidente de seu país. De 25 de maio de 2003 a 10 de dezembro de 2007 foi também primeira-dama, pois é viúva do ex-presidente Néstor Kirchner, ao qual sucedeu no governo do país latino. Em 28 de outubro de 2007 foi eleita 55ª presidente da Argentina, a primeira mulher eleita pelo voto direto, no país, sendo reeleita em 2011.

Bolívia – Lidia Gueiler Tejada foi a segunda sulamericana a assumir uma presidência. Lidia foi a presidente interina da Bolívia entre 1979 e 1980. Lidia Gueiler Tejada foi presidente de seu país entre 16 de novembro de 1979 e 17 de julho de 1980.

Brasil – Antes da histórica eleição de Dilma Roussef, marco no país, tivemos o caso da regencia de Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, mais conhecida como Pricesa Isabel. Isso que ela ainda foi a Foi a terceira chefe de Estado e chefe de governo brasileira após sua avó D. Leopoldina e sua trisavó Dona Maria I. Aos 24 anos, a princesa Isabel não havia mostrado a mesma vocação para o poder que a bisavó Carlota Joaquina, nem mesmo a da avó Leopoldina que, nos bastidores, tinha participado da Independência.

Costa Rica – Laura Chinchilla Miranda foi eleita presidente da Costa Rica em maio de 2010.

Chile – Michelle Bachelet Jeria foi a primeira mulher eleita presidente do Chile, cargo que ocupou entre 2006 e 2010. Foi presidente da República do Chile, e, desde 23 de maio de 2008, é também presidente da União de Nações Sul-Americanas. Membro do Partido Socialista do Chile, ocupou o lugar de ministra da Saúde no governo de Ricardo Lagos, entre 2000 e 2002, e posteriormente o cargo de Ministra da Defesa, tendo sido a primeira mulher a exercer este cargo na América Latina. Foi eleita presidente do Chile em 2006, para um mandato de quatro anos, sucedendo ao ex-presidente Ricardo Lagos.

Domínica – Dame Mary Eugenia Charles atuou como primeira-ministra do pequeno país da Domínica, situado entre o Mar do Caribe e o Oceano Atlântico Norte, no meio do caminho entre Porto Rico e Trinidad e Tobago, de 1980 a 1995.

Guiana – Janet Jagan. Esposa de Cheddi Jagan, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Guiana, de tendência marxista. Seguindo o passos do Partido Progressista do Povo, Janet foi presidente entre 1997 e 1999. Antes de ser presidente, Janet foi vice de seu marido, Cheddi Jagan. Com a morte de Cheddi em 1997 Janet assume o governo provisório da Guiana.

NicaraguaVioleta Barrios de Chamorro. Viúva de Pedro Joaquín Chamorro, opositor ferrenho do ditador Anastasio Somoza, foi eleita presidente em 1990, derrotando os sandinistas liderados por Daniel Ortega. Em 1997, foi substituída por Arnoldo Alemán.

Panamá – Mireya Elisa Moscoso Rodríguez de Arias atuou como presidente do Panamá, entre 1999 e 2004, pelo partido Panameñista, liderado por ela desde 1991.

A Emergência, a Densificação e a Organização das Redes

Texto de Leila Dias que trata da emergência e organização das redes, no destacado livro  “Geografia: Conceitos e Temas” organizado por Ina Castro e Roberto Lobato Correa, traz importante contribuição ao debate sobre as redes no mundo de hoje, apresentando a ideia de como a densificação das redes – internas a uma organização ou compartilhadas entre diferentes parceiros – regionais, nacionais ou internacionais, surge como condição que se impõe à circulação crescente de tecnologia, de capitais e de matérias-primas no mundo atual.

Aeroporto Tocumen - Cidade do PanamáDe acordo com a tese de Leila, que compartilho e passo abaixo a apresentar recortadamente, as redes criadas pelo capital internacional são instrumentos que viabilizam a circulação e a comunicação. Tais redes tem algo grau de adaptação às variações do espaço e às mudanças, devido a sua fluidez e mobilidade.

Leila se apoia em Raffestin, que afirma ser a rede um instrumento por excelência do poder. Ser instrumento de poder dá as redes do capital a potência de operar e viabilizar mudanças ou fortalecer permanencias.  Fazer e desfazer as prisões do espaço tornado território, liberando e aprisionando o espaço. As redes do capital internacional aprisionam,  pela sua característica intrínseca, a capacidade dos governos nacionais em organizar e planejar o desenvolvimento dos território de maneira adequada.

Assim, a intensificação da circulação interagindo com as novas formas de organização da produção imprime simultaneamente ordem e desordem numa perspectiva geográfica. Em uma escala planetária ou nacional, as redes são portadoras de ordem – através delas as grandes corporações se articulam, reduzindo o tempo de circulação em todas as escalas nas quais elas operam. Plantas industriais globais e articuladas mundialmente, de forma a extrair o melhor de cada porção do território.

O ponto crucial é a busca de um ritmo, de um fluxo, mundial ou nacional, beneficiando-se de escalas gerais de produtividade, de circulação e de trocas. É o fluxo tornado mais importante que o fixo. A força e a inteligência da logística posta a prova.

Já na escala local, estas mesmas redes e fluxos são muitas vezes portadoras de desordem – já que operam numa velocidade sem precedentes, se utilizam e se apropriam de parcelas do território sem levar em consideração os tempos e as lógicas de configuração do espaço local, e podem com isso engendrar processos de exclusão social, marginalizar centros urbanos inteiros, retirando deles sua força derivada dos laços de proximidade geográfica.

Grandes ferrovias criadas exclusivamente para viabilizar fluxo de saída de materias primas, que ao invés de aproximar as populações do caminho, apenas as separam fisicamente. Hidroelétricas que geram energia para territórios distantes, e afetam e alteram diretamente a vida de milhares de pessoas das proximidades, atuando como campo de força atrator de pessoas em busca de emprego, alterando toda a capacidade de de infraestrutura pública de atendimento de políticas sociais (saúde, segurança, educação, etc). Construção de novas plantas industriais que potencializam os campos de força de atração de fluxos populacionais, sem a respectiva preparação da infraestrutura que viabilize o aumento da capacidade de carga institucional.

Assim, a localização geográfica torna-se portadora de um valor estratégico ainda mais seletivo. As vantagens locacionais são fortalecidas e os lugares passam a ser cada vez mais diferenciados pelo seu conteúdo [recursos naturais, mão-de-obra, redes de transporte, energia ou telecomunicação]. Neste sentido, fica reforçada a tese defendida por David Harvey, no seu livro “A condição da Pós-Modernidade”:

quanto menos importante as barreiras espaciais, tanto maior a sensibilidade do capital às variações do lugar dentro do espaço e tanto maior o incentivo para que os lugares se diferenciem de maneiras atrativas para o capital. (HARVEY, 1999)

Então, as redes formadas não irão arrancar territórios ‘ virgens’ de sua letargia, mas operarão transformações sobre porções do território que já tem algum tipo de vantagem no processo. A introdução da teleinformatica facilitará o movimento e o jogo de interações, aumentando a complexidade e tornando ainda mais difícil o planejamento e a gestão dos territórios.

A comunicação,  através das novas redes de parceiros econômicos – à montante e à jusante – fortalece assim determinados arranjos espaciais em detrimento de outros. A trajetória passda definindo e condicionando a trajetória futura. A densificação de canais e fluxos criando e aumentando a intensidade dos campos de força.  Integrando os agentes mais importantes, as redes integram desigualmente os territórios, aumentando assimetrias, e seguindo o peso das atividades econômicas preexistentes.

Por conta desse complexo fenômeno, as redes criadas pelo capital internacional, ao se constituir em ameaça de desestruturação das estruturas de poder local institucionalizadas, podem, pelo potencial de desagregação e ameaça, favorecer e estimular a rigidez e o peso de antigas solidariedades baseadas na proximidade geográfica.

Olhando para a importância das redes e da sua capacidade superior de organização e reconfiguração, se observa como tais redes operam na atualidade freneticamente para desestabilizar o projeto europeu, centrado na força estatal. Quem sairá vencedor do  embate do fluxo da rede do capital internacional contra o fixo do “Estado” europeu? só o futuro dirá…

Lições da Logística da Guerra no Iraque

Li um interessante artigo na Harvard Business Review de novembro de 2003 (íntegra aqui). O artigo é escrito por Diane K. Morales (na época vice-subsecretária da Defesa dos EUA para a logística) e Steve Geary (na época integrante da equipe da vice-subsecretária adjunto de Defesa dos EUA para a logística). O artigo traça em linhas gerais algumas lições que a Guerra do Iraque trouxe para a logística de guerra e logística em geral.  Abaixo uma adaptação grosseira do artigo:

O líder experiente sabe que mesmo a estratégia mais brilhante é apenas tão boa como a sua execução (Diane K. Morales).

Em suma, os planos de batalha aparentemente promissores no quadro de planejamento podem ser desfeitos no cenário de guerra  por meio de operações desajeitadas ou por apenas um elo perdido na cadeia de abastecimento logístico.

Este foi o medo de setores do planejamento quando Tommy Franks delineou os planos de ataque para a Operação Iraqi Freedom. De acordo com a doutrina militar convencional, Franks deveria ter enviado mais de 250 mil soldados marchando através do Vale do rio Eufrates, apoiado por uma montanha de material (roupas, medicamentos, alimentos, combustível, e tudo o mais que uma linha necessita), que seguia por linhas seguras de abastecimento.

Em vez disso, Franks imaginou um enxame (a chamada Força Rápida), sensível, inteligente e capaz de identificar e remover as ameaças rapidamente. Trata-se de uma mudança estratégica análoga a realizada por muitas empresas nos últimos anos, em que a velocidade é mais importante que a massa/volume, sendo que tal mudança teve profundas implicações para a logística da operação.

Tornar a colaboração uma realidade

O ideal da chamada cadeia de suprimentos (Supply Chain) para a maioria das empresas é a colaboração verdadeira entre todos os atores que integram a gestão de logística (desde a saída do produto e durante  todo o caminho até o cliente, até mesmo dentro de suas operações).

Para o Departamento de Defesa Americano, o desafio era conseguir “operações combinadas”, com a integração dos quatro ramos das forças armadas. Até a Guerra do Golfo Pérsico em 1991, as forças americanas ainda estavam operando logísticamente em faixas separadas, como as diferentes divisões de uma grande corporação.

Para tornar as Forças mais dependentes uma das outras, e facilitar a comunicação entre elas, criamos uma única estrutura integrada e responsável pela logística. Isso significou que todas as forças terrestres na Operação “Iraqi Freedom”- usaram ​​uma rede de distribuição única.

Em grande parte, contamos com o apoio de um setor privado de fabricantes, distribuidores e fornecedores para fornecer todo o material necessário às forças combinadas com a velocidade necessária.   Estimamos  que mais de 85% de todo o material de sustentação da operação mudou-se para o teatro de operações em estruturas de distribuição civil.

Gerenciar o fluxo, e não o estoque

Líderes militares aprenderam uma lição dolorosa durante a Guerra do Golfo (1991). Planejadores pediram 60 dias de suprimentos a ser acumulado no teatro de Operações, antes do ataque ao solo. Descobriu-se que era possível empurrar essa quantidade enorme de material, mas literalmente não era possível ver o conteúdo dos contêineres, uma vez que estavam em trânsito ou no teatro.

O resultado foi muitos links quebrados na logística de abastecimento. Isso significou que material armazenado em mais de 40.000 contêineres, a metade dos suprimentos enviados para a região, nunca foi usado.

Ressalta que a experiência de uma verdade que logística comercial conhece bem: o estoque bem abastecido que não chegar onde ele é necessário não agrega valor ao processo.

A excelência da logística consiste em saber exatamente o que você tem, a condição e localização dos itens, se estão em ordem, em trânsito, ou no teatro de operações, e gerenciar o fluxo de material à luz das mudanças nos padrões de demanda e necessidades do cliente.

É um grande desafio, mas o DoD foi capaz de superá-lo. Mesmo os campos de batalha mais fluida têm pelo menos algum grau de previsibilidade. A chave é combinar esta previsibilidade com a adequada quantidade de suprimentos de reserva em uma linha de distribuição consolidada. O apoio adequado foi entregue, onde foi necessário, quando foi necessário, e os resíduos associados de suprimentos não utilizados foi evitado.

Vá com tecnologia

O maior desafio durante a Operação Iraqi Freedom foi manter a logística com forças que se movem rapidamente.

Não foi tanto a dificuldade e a capacidade de fornecer, mas localizar onde eles estavam se movendo.

Para superar esse desafio foi necessário uma combinação de tecnologias de informação. Cada unidade de combate foi equipado com transponders, permitindo que os líderes de combate e logística no Comando Central fossem capazes de rastrear o movimento das tropas em tempo real.

Da mesma forma, as etiquetas de identificação de radiofreqüência (RFID) foram anexadas em todos os recipientes de material de entrada em pontos de embarque. Essas tags foram rastreadas em todo o mundo e ao longo da linha das tropas. Esses dados foram integrados em um quadro operacional comum, o que permitiu a coalizão conseguir informações em tempo real em toda a cadeia de gestão logística.

O setor militar é muitas vezes um dos primeiros usuários de tecnologias que o setor comercial é ainda não explora em razão de limitação de custos e benefícios potenciais. A tecnologia RFID foi um bom exemplo disso, mas grande parte da implantação bem-sucedida desta tecnologia foi baseada em aplicativos e serviços disponíveis comercialmente. Durante a Operação Iraqi Freedom, os usuários autorizados, operando a partir de sistemas de computador seguros em locais remotos, puderam monitorar o fluxo de materiais pelos checkpoints críticos no Iraque. Esta e outras experiências semelhantes confirmou que as tecnologias de ponta comercial, selecionadas com prudência  e devidamente aplicadas, poderiam fornecer apoio a decisão de maneira rápida e confiável.

Esforços mais recentes do Departamento de Defesa foram projetados para promover economia, melhorar a eficácia e oferecer agilidade ao processo de gestão logística. Na Operação Iraqi Freedom, ampliou-se a capacidade de gerenciar a logística de forma mais eficaz, o que foi crucial para o sucesso da coalizão no campo de batalha.

Como disse o general Franks, “a velocidade mata … o inimigo.”

2 anos de Blog – Um Blog sobre TRI, Geografia e Saúde

Em 26 de janeiro de 2010 publiquei a primeira postagem. Agora já se vão quase dois anos, e para comemorar, resolvi apresentar algumas estatísticas sobre o blog.

Uma das dúvidas que eu tinha era sobre o que escrever no blog. Deveria tratar de quais assuntos e temáticas? Então escrevi sobre tudo aquilo que deu vontade. Vendo as estatísticas, estou observando que os que vem até aqui, vem basicamente por três motivos: TRI (Teoria de Resposta ao Item), geografia e saúde pública. Pelo menos é o que indicam as estatísticas de acesso ao blog.

Assim, passados dois anos e mais de 6 mil acessos ao blog, vejo que o campeão absoluto de acessos é a postagem que tenta desmistificar a Teoria de Resposta ao Item – “Tentando decifrar a TRI (Teoria de Resposta ao Item)”. A postagem sobre a TRI é a mais acessada disparada do blog, com 22,6% do total de acessos.   A utilização da TRI no ENEM e a sua complexidade no cenário nacional  com certeza foi o fator chave para o sucesso da postagem, que está na primeira página do google quando se busca o assunto.

Os temas ligados a geografia e a saúde pública também tem destaque.   isso fica evidente quando se observam os temas que são os mais acessados logo a seguir. Em segundo lugar vem a postagem “Lugar e Território em Saúde Pública“, com 4,1% de acessos. O top five se completa com as postagens “Urbanização em hub – Aerotropolis é o futuro?“, com 3,1%, “Breves Notas sobre o Público, a Massa e a Multidão” e “Astana, Cazaquistão: uma capital nas estepes” com 2,6%. Detalhe importante é que todas as temáticas estão bem posicionadas na primeira página do Google.

A seguir aparecem as seguintes postagens: “Possibilidades de pesquisa do Censo Escolar” e “Geopolítica Latinoamericana: Brasil Imperialista?” com 2,5%; “Depois dos BRIC’s, surgem os PIGS!”, com 2,1%; “Indústria tabagista quer manter aditivos com potencial cancerígeno” e “Visita ao Ministro Gilberto Carvalho” com 1,7%.

Assim, são dois anos de blog que gostaria de compartilhar com os que gostam de geografia, de saúde e estatística (TRI)!

A Agência de Logística do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DLA)

A base de uma invasão militar consiste na existencia de um fluxo adequado de suprimentos. Sem suprimentos, uma força invasora pode ter seu exército enfraquecido e ser forçada a recuar.

Por isso a logística é elemento chave na história das guerras. Antes de invadir a Grécia,  Xerxes I passou três anos reunindo suprimentos em toda a Ásia; Heródoto escreveu que o exército Persa era tão grande que “secava os rios que bebia”. É fato que na maioria das invasões, até em épocas modernas, muitos dos suprimentos perecíveis eram reunidos dos próprios territórios invadidos.

No decorrer da Segunda Guerra Púnica, por exemplo, Aníbal desviou seu exército de seu objetivo principal para conquistar  cidades com objetivo de coletar suprimentos; A tática de terra arrasada usada na Rússia forçou os exércitos de Napoleão a baterem em retirada devido a falta de suprimentos e abrigo.

Atualmente, além de comida, água, abrigo e munição, militares necessitam de combustível, baterias, peças mecânicas sobressalentes, equipamentos eletrônicos e muitas outras coisas.

Por conta da importância da logística, as principais Instituições militares do  planeta contam com estruturas de ensino, pesquisa e inteligência logística, além de  um  forte aparato de suporte e infraestrutura de operação logística.

Nos Estados Unidos, a Agência de Logística de Defesa (DLA) emprega aproximadamente 27.000 civis com o único objetivo de oferecer suporte logístico, e 30.000 soldados são graduados anualmente na Academia de Gerenciamento Logístico do Exercito dos Estados Unidos.

DLA – Nos Estados Unidos, a Agência de Logística do Departamento de Defesa (DLA) fornece ao Exército, Marinha, Força Aérea, Corpo de Fuzileiros Navais, outras agências federais e forças aliadas combinadas toda a estrutura de suporte e inteligência logística, aquisição e serviços técnicos.

A Agência fornece quase 100 por cento dos itens de consumo que forças militares dos Estados Unidos precisam para operar, tais como alimentos, combustíveis e energia, uniformes, suprimentos médicos e equipamentos de construção e de barreira.

A DLA também fornece mais de 80 por cento de peças de reposição dos militares. Além disso, a Agência gere a reutilização de equipamentos militares, fornece produtos de informação, logística e oferece automação de documentos e serviços de produção.

A DLA  tem sede em Fort Belvoir, Virgínia. Alguns grandes números da DLA indicam seu peso e sua importância:

  • Em 2011 a DLA executou um orçamento de aproxiamadamente US$ 46,1 bilhões.
  • Emprega cerca de 27.000 funcionários civis e militares.
  • Suporta mais de 2.100 sistemas de armas.
  • Administra oito cadeias de abastecimento e 5 milhões de itens.
  • Administra o armazenamento e descarte de materiais estratégicos e críticos para apoiar a defesa nacional.
  • Opera em 48 estados americanos e 28 países.
  • Gerencia mais de 11.000 contratos.
  • Gerencia 26 postos de distribuição em todo o mundo.
  • Apoia os esforços de ajuda humanitária no país e no exterior.
  • Forneceu apoio ao terremoto japonês em 2011 (Operação Tomodachi) e os esforços de ajuda à Turquia após o terremoto de 2011.
  • Fornece apoio logístico a outros órgãos federais do Governo Americano.

Para um país que se considera a Polícia do mundo, e que tem atuação militar em todo o planeta, a logística é um aspecto chave.

O Desafio da Logística – O Caso da Invasão da Normandia

Uma máxima militar diz que amadores falam sobre estratégia, enquanto profissionais falam sobre logística. Assim, estudar o processo de planejamento e execução do movimento e sustentação de forças na execução de operações militares oferece subsídios até os dias de hoje para os desafios do campo da logística em geral.

E não dá para falar em logística militar sem lembrar da invasão da Normandia. A invasão da Normandia na 2a Guerra Mundial é considerada até os dias de hoje como a maior operação de logística militar já ocorrida.

Em Dezembro de 1943 o general norte-americano Dwight Eisenhower foi nomeado Comandante Supremo da Força Expedicionária Aliada. Assim, em pouco mais de 6 meses foi montado uma operação que envolveu mais de 3 milhões de soldados.

Múltiplos contratempos acabaram por adiar o início da invasão para junho, uma vez que os aliados precisavam de mais tempo para construir mais lanchas de desembarque. A invasão teve início no dia 06 de junho de 1944, e foi chave para a queda dos Nazistas.

Somente no primeiro dia a manobra movimentou cerca de 175.000 homens e 20.000 veículos aéreos, marítimos e terrestres. Os números finais do histórico 6 de junho de 1944 registram que mais de 150.000 soldados britânicos, canadenses e americanos desembarcaram pelas praias e outros 25.000 pelo ar. Ao todo foram movimentados cerca de 3 milhões de soldados em poucos meses.

A Operação logística militar típica da época, e a da Normandia, apesar de seu tamanho não foi diferente, seguia uma metodologia básica: garantir um porto de desembarque, construir uma base de fornecimento e empurrar suprimentos para a frente por todos os meios disponíveis.

Ainda hoje, a primeira estratégia do comandante é tipicamente a construir pontes permanentes de suprimentos e poder de combate ao  longo de meses num teatro de operações, realizar operações táticas e depois “torcer” para que as linhas de  abastecimento permaneçam abertas e capazes de manter-se com as forças de combate.

No entanto, como qualquer bom planejador sabe, “a esperança não é um método.”  A logística empresarial de uma certa forma segue essa lógica. Uma estrutura em linha. Essa estrutura de logística precisa ser repensada, pois num mundo global cada vez mais em rede, as linhas já não dão conta.

É preciso pensar em estruturas rizomáticas, que possam se adaptar localmente a realidade. É preciso pensar em meios logísticos que possam se reconfigurar em rede, entendendo que num mundo global não é mais possível manter linhas de cadeia logística e a capacidade de sustentabilidade da ponta de lança da cadeia.

Canal da Nicarágua?

Uma das maiores obras de engenharia moderna, sem dúvida nenhuma é o Canal do Panamá!

Canal do PanamáO Canal do Panamá é um canal com 81 quilômetros de extensão[1], que corta o istmo do Panamá, ligando assim o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico, no Panamá. Para transpor o desnível entre os oceanos, foram construídos 3 sistemas de comportas.

O Canal do Panamá é um canal com 81 quilômetros de extensão, que corta o istmo do Panamá, ligando assim o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico, no Panamá. Para transpor o desnível entre os oceanos, foram construídos 3 sistemas de comportas. Foto: do autor

Tive a oportunidade de conhecer esta grande obra em 2010. O Canal do Panamá foi um triunfo estratégico e militar importantíssimo para os Estados Unidos, e revolucionou os padrões de transporte marítimo.

Mas este post não é sobre o Canal do Panamá, mas sobre o Canal da Nicarágua.

Quando se volta os olhos para a história, logo vemos a importância desse istmo para a história, tanto pelo que reune, quanto pelo que separa. Diversos foram os navegadores que procuraram uma passagem entre os Oceanos Atlântico e Pacífico.

O português Fernão de Magalhães, a serviço da Coroa Espanhola, descobriu em 1520, um estreito que recebeu o seu nome (estreito de Magalhães). A partir de então, a ligação entre os dois oceanos tornava-se possível, através de uma viagem que era longa, demorada e arriscada, levando a que se cogitasse à abertura de um canal que os unisse.

A primeira tentativa conhecida de viabilizar um canal foi empreendida ainda sob o reinado de Carlos I de Espanha, em 1523. A administração colonial da Nova Espanha realizou pesquisas preliminares e sugeriu rotas. As rotas sugeridas naquela época já passavam pela Nicarágua, Panamá, ou o Istmo de Tehuantepec no México.

Mas todos os levantamentos, realizados até o século século XIX, quando se cogitou em transportar as embarcações por ferrovia através do istmo, não tiveram sucesso.

Em 1825 a recém-criada República Federal da América Central considerou a criação do canal. Naquele ano, o governo contratou inspetores para traçar uma rota e contatou o governo dos Estados Unidos para buscar financiamento e a tecnologia de engenharia necessária para a construção do canal.

Uma pesquisa de 1830 indicou que o canal seria 278 km de comprimento e, em geral, seguiria o rio San Juan desde o Atlântico até o Lago Nicarágua, para em seguida, chegar ao Pacífico.

Enquanto as autoridades estudavam a viabilidade da proposta, o secretário de Estado americano Henry Clay formalmente apresentou ao Congresso dos Estados Unidos um Plano em 1826, que não foi aprovado.

Mas os EUA estavam preocupados com seus interesses estratégicos e econômicos, que rivalizavam com os do britânico governo, que em 1830 assumiriam o controle de ambas as Honduras Britânicas (mais tarde Belize) e a Costa do Mosquito, onde estabeleceram um protetorado, que avançava da boca do Rio San Juan, até Boca del Toro, no Panamá.

Em 1846, os Estados Unidos firmaram com a recem criada República de Nova Granada o Tratado Mallarino-Bidlack, que significava uma vantagem para os Estados Unidos, já que concedia direitos aos americanos para a construção de uma vía interoceánica pelo Panamá, vantagem que ia contra os interesses intereses británicos.

Em 1850 foi firmado o Tratado Clayton-Bulwer entre os Estados Unidos e o Reino Unido, para neutralizar o avanço dos dois países na região e impedir que qualquer dos dois países controlassem exclusivamente o istmo da America Central.

Em 1878, o francês Ferdinand de Lesseps, construtor do canal de Suez, obteve uma concessão do governo da Colômbia, a quem a região do canal do Panamá pertencia à época, autorizando a sua companhia a iniciar as obras de abertura do canal no Panamá.  O projeto de Lesseps constituía-se na abertura de um canal ao nível do mar. Entretanto, na prática, os seus engenheiros nunca conseguiram uma solução prática para o problema do curso do rio Chagres, que atravessava em diversos pontos o traçado projetado para o canal. Além disso, a abertura deste ao nível do mar, implicava na completa drenagem daquele rio, um desafio para a engenharia da época.

As obras iniciaram-se em 1880, com base na experiência de Suez. Entretanto, as diferenças de tipo de terreno, relevo e clima constituíram-se em desafios inconsideráveis. Chuvas torrenciais, enchentes, desmoronamentos e altíssimas taxas de mortalidade de trabalhadores devido a doenças tropicais, nomeadamente a malária e a febre amarela, causaram demoras imprevistas no projeto original.

Em 1884 um tratado foi negociado entre os EUA e a Nicarágua para a construção de um canal, mas tal tratado não foi ratificado pelo Senado dos EUA.

Em 1885, o plano inicial de um canal no panamá ao nível do mar foi alterado, passando a incluir uma comporta. Mas, após quatro anos de investimentos e trabalho, a companhia veio a falir. Paralelamente ao esforço frances, os americanos investiram na opção de um canal na Nicaragua.

Em 1888, o governo da Nicarágua ficou preocupado que os EUA não estavam fazendo o suficiente para responder ao canal que estava sendo construído pelos franceses em Lesseps no Panamá.  O ex-presidente da Nicarágua Adan Cardenas foi enviado à Europa para tentar o interesse dos investidores britânicos, alemães e italianos no projeto canal da Nicarágua, mas pouco interesse foi despertado.

O Tratado Hay-Pauncefote de 1901 revogou o Tratado Clayton-Bulwer anteriormente entre os EUA e o Reino Unido, e reconheceu o direito dos Estados UNidos de construir um canal ao longo do istmo da Amercia Central. A seguir uma empresa foi licenciada nos Estados Unidos para construir e gerir o seu próprio canal.

Após debate acalorado sobre a localização do canal proposto, em 19 de junho de 1902, o Senado dos EUA votou a favor da construção do canal pelo Panamá. Investidores no Canal do Panamá haviam convencido o Congresso dos Estados Unidos de que havia enorme risco em apoiar o projeto de construção do Canal na Nicaragua,  pela sua proximidade de vulcões ativos.

O presidente americano Theodore Roosevelt estava convencido de que os Estados Unidos podiam terminar o projeto do Canal no Panamá, e reconheceu que o controle americano da passagem do Atlântico ao Pacífico seria de uma importância militar e econômica considerável.

O Panamá fazia então parte da Colômbia, de modo que Roosevelt começou as negociações com os colombianos para obter a permissão necessária. No início de 1903, o Tratado Hay-Herran foi assinado pelos dois países, mas o Senado colombiano não o ratificou. Assim, Roosevelt deu a entender aos rebeldes panamenhos que, se eles se revoltassem contra a Colômbia, a marinha americana apoiaria a causa de independência panamenha.

O Panamá acabou por proclamar sua independência em 3 de Novembro de 1903, e a canhoneira U.S.S. Nashville, em águas panamenhas, impediu toda e qualquer interferência colombiana.  Os panamenhos vitoriosos devolveram o favor a Roosevelt permitindo aos Estados Unidos o controle da Zona do canal do Panamá em 23 de Fevereiro de 1904 por US$ 10 milhões.

Incapazes de persuadir os Estados Unidos para construir o canal na Nicarágua, a partir de 1904 o presidente Zelaya, da Nicarágua,  buscou apoio da França, Alemanha e Japão para construir um canal em Nicaragua e para competir com o canal dos EUA construído através do Panamá, sem êxito.

Toda ação leva a uma reação, e em 1909 os Estados Unidos forneceram apoio político e militar para que forças lideradas pelos conservadores se rebelassem e depusessem o presidente nicaraguense Zelaya. Desde então, com exceção de um período de 9 meses em 1925-26, os Estados Unidos mantiveram tropas na Nicarágua a partir de 1912 até 1933.

Nicarágua e Estados Unidos assinaram, mas nunca ratificaram o Tratado Castill-Knox, assinado em 1914, e que davam aos Estados Unidos o direito de intervir na Nicarágua para proteger interesse dos Estados Unidos.   Uma versão modificada, o Tratado Bryan-Chamorro, que omitia a cláusula de intervenção, foi finalmente ratificada pelo Senado dos Estados Unidos em 1916.  Este tratado deu os direitos exclusivos dos Estados Unidos para construir um canal interoceânico através da Nicarágua, o que serviu aos interesses americanos. Como os Estados Unidos já haviam construído o Canal do Panamá, os termos do Tratado Bryan-Chamorro serviu o propósito principal de proteger os interesses dos Estados Unidos contra potenciais países estrangeiros – principalmente a Alemanha ou Japão – de construírem outro canal na América Central.  O tratado Bryan-Chamorro também transformou a Nicarágua em um próximo protetorado dos Estados Unidos e acabou com o sonho de construção de um canal na Nicaragua.

Entretanto, os Governos de El Salvador e Costa Rica recorreram ao Tribunal de Justiça da América Central e o Tribunal de Cartago, para protestar contra os termos do Tratado, que viu os seus direitos violados. O Tribunal de Cartago em 1916 foi em favor de Costa Rica e em 1917 por El Salvador, mas a Nicarágua anunciou que não iria aceitar as decisões do juiz. Mas o tratado se manteve em vigor até 1972, quando uma convenção em 14 de Julho de 1970 assinada por Estados Unidos e Nicaraguá aboliu o Tratado e de todas as suas disposições, tempo suficiente para consolidar o Canal do Panamá e enterrar os sonhos de um outro Canal.

Projetos de Canal na Nicaraguá na atualidade – Desde então, somente falas e discursos pontuais recolocam o Canal da Nicaragua no cenário internacional. E só recentemente, surgem algumas  possibilidades e projetos mais concretos envolvendo a criação de um Canal na Nicarágua.

A construção do canal pelo Rio San Juan mais que dobraria o PIB da Nicarágua, além de agregar recursos para economia nicaraguense, e se constituiria em alternativa ao Canal do Panamá, nitidamente pró-americano. Alguns ambientalistas histéricos yanques soltam gritos contra a proposta aqui e a acolá.

Em 2009, o presidente russo, Dimitry Medvedev sugeriu que a Rússia estaria interessado em prosseguir a construção do canal via interoceânica. Também os Emirados Árabes Unidos manifestaram interesse em patrocinar um projeto de canal inter-oceânico.

Por ultimo, existem informações que ligam a existencia de um projeto formulado pela Venezuela e Ira, com apoio do Governo da Nicarágua, denominado “Plano Canal Novo”.

Assim, fica claro a importância da região no cenário geopolítico, e como uma proposta geopolítica antiga pode movimentar toda uma região. O Brasil precisa estar atento a estes movimentos, na medida em que se torna um player global.

Reestruturação do Reino dos Países Baixos

Como geógrafo, não posso deixar de me interessar por assuntos dessa natureza. Por indicação de amiga que mora na Holanda, soube que 2011 é o Ano da Holanda no Brasil.

Neste site tem uma agenda variada e interessante, mas principalmente para o RJ e SP. mas uma coisa me interessou neste site, que foi uma matéria informando sobre o processo de reestruturação do Reino dos Países Baixos, no que se refere às Antilhas Holandesas, ou seja, as ilhas de Curaçao, St. Maarten, Bonaire, São Eustáquio e Saba. Abaixo reproduzo a matéria, pelo seu didatismo. Quem tiver interesse, o link para a materia completa está aqui.

A futura estrutura do Reino
O Reino dos Países Baixos está passando por um processo de reestruturação no que se refere às Antilhas Holandesas, ou seja, as ilhas de Curaçao, St. Maarten, Bonaire, São Eustáquio e Saba. Aruba mantérá a condição de país, adquirida em 1986. Espera-se que a nova estrutura entre em vigor no início de 2010, embora possa haver um atraso.

Essa reestruturação tem por base os referendos realizados em cada uma das ilhas das Antilhas Holandesas, entre 2000 e 2005, cujos resultados foram inequívocos: ao mesmo tempo que as ilhas não desejam continuar a fazer parte das Antilhas Holandesas, elas também não querem cortar o vínculo existente com o Reino.

mapa Antilhas Holandesas

Na atual situação, o Reino é formado por três países em condições de igualdade: as Antilhas Holandesas, Aruba e os Países Baixos. Os territórios caribenhos do Reino (as Antilhas Holandesas e Aruba) não são considerados territórios ultramarinos da parte do Reino que se encontra na Europa (Países Baixos) e sim, sócios plenos e autônomos dos Países Baixos dentro do Reino. Os três países gozam de alto grau de autonomia interna. As relações internacionais e de defesa são assuntos do Reino. O governo do Reino é formado pelo Conselho de Ministros, que se reúne em Haia, e no qual cada país caribenho é representado por seu ministro plenipotenciário. A sede do governo nacional das Antilhas Holandesas encontra-se em Willemstad, Curaçao; e a de Aruba, em Oranjestad.

Na nova estrutura prevista, as duas maiores ilhas das atuais Antilhas Holandesas, Curaçao e St. Maarten, obterão o status de país, comparável ao que têm, atualmente, os Países Baixos e Aruba. O país “Antilhas Holandesas” deixará de existir assim que a futura estrutura entrar em vigor. A partir de então, o Reino será composto de quatro países em vez de três: Países Baixos, Aruba, Curaçao e St. Maarten. A nova estrutura se concretizará assim que o processo de negociação, do qual participam representantes de todas as partes do Reino, tiver chegado a termo. Quanto às três ilhas menores (Bonaire, São Eustáquio e Saba), elas passarão a ter um vínculo direto com os Países Baixos. Na prática, sua condição será muito parecida à dos municípios holandeses, salvo adaptações derivadas de sua localização no Caribe.

A reforma política não terá impacto na manutenção dos interesses internacionais. Isso significa, dentre outros, que:
– não haverá alteração nas fronteiras exteriores do Reino;
– as relações internacionais, bem como a defesa, continuarão sendo assuntos do Reino;
– haverá apenas um único Ministro de Relações Exteriores para todo o Reino, que arcará com a responsabilidade de todos os assuntos pertinentes à pasta;
– o Ministério de Relações Exteriores em Haia e suas representações no exterior continuarão trabalhando para o Reino e suas partes constituintes;
– apenas o Reino poderá celebrar tratados e não cada uma de suas partes constituintes em separado (embora sua vigência poderá limitar-se a uma ou várias partes constituintes do Reino, ou seja, o tratado celebrado pelo Reino poderá referir-se a uma ou mais partes constituintes do Reino).

Geopolítica Latinoamericana: Brasil Imperialista?

Estive em Lima na semana de páscoa. O país está em clima de campanha, e se prepara para um apertado segundo turno entre o ex-Chavista e recém Lulista Ollanta Humala, e a filha do ex-ditador (existe isso?!?) Alberto Fujimori, Keiko Fujimori. Matéria da revista Exame já carrega na tinta para o “fator” Humala. Em disputa, os votos do centro.

Mas não é sobre isso que escrevo. Em meio a acirrada disputa, o semanário peruano Hildebrandt, de 22 de abril passado, apresentou extensa matéria sobre as relações diplomáticas e econômicas entre o Brasil e o Perú. Ênfase foi dada para neo-imperialismo brasileiro, e o título diz tudo – Cuidado com o Brasil!

Apresentando o Brasil como um gigante com vocação hegemônica e expansionista, apresenta inúmeros casos da fúria econômica brasileira, como a compra de siderúrgicas, megaprojetos de integração viária e de infraestrutura, alem de um projeto de energia hidroelétrica sem igual.

Cita o caso da compra acionária da Siderúrgica del Perú (Siderperú) pelo grupo Gerdau em 2006, cercada de dúvidas pela sociedade peruana, em que havia um compromisso do grupo brasileiro de investimentos e de ampliação da capacidade da usina. Contrariando o discurso, desde 2008 a usina está com seu alto forno parado (ver aqui também).

Mas o investimento mais ambicioso citado pelo semanário é o da construção de seis centrais hidroelétricas, no marco de uma parceria de integração energética, firmado entre os dois países em 2010. Somente um dos projetos, chamado Inambari,  está estimado em cerca de 9 bilhões de dólares, para gerar cerca de 6 mil megawatts de energia.  O projeto Inambari prevê na primeira década de exploração, o uso pelo Brasil de 80% da energia produzida. As outras  são Sumabeni com 1.074 mw, Paquitzapango com 2.000 mw, Urubamba com 950 mw, Vizcatán com 750 mw e Chuquipampa com 800 mw.

Aqui uma matéria da revista de Furnas sobre Inambari:

Sobre o estilo de negociação brasileiro, o atual presidente do Perú, Alan Garcia, deixou escapar uma frase que representa bem o estilo da diplomacia brasileira – “Con Brasil no se negocia, com Brasil, se acepta”.

Não é possível bradar contra o Imperialismo norteamericano apenas para impor outro projeto  imperialista. No momento em que o Brasil se firma como vetor de desenvolvimento, é preciso discutir mais claramente nossa política externa, e incutir valores do projeto brasileiro para além do projeto econômico.

Creio que é possível um uma política externa diferente, que não movimente peças contra o desenvolvimento econômico  de países irmãos latinoamericanos, como no caso da siderurgia peruana, nem que esteja pensando em exportar mazelas ambientais, como no caso das usinas hidroelétricas. É possível fazer mais com menos e ainda fazer diferente e melhor! Com a palavra, a diplomacia brasileira.