Analisando os gastos com servidores públicos

A agenda política da crise econômica brasileira está trazendo para o debate o tamanho do Estado brasileiro. Me espanta que esse debate seja feito quase sem informações e dados que subsidiem as diferentes posições sobre o assunto.

Fui buscar informações e as compartilho aqui no blog. Esses dados não esgotam o assunto, muito pelo contrário, mas ajudam a entender e jogam um pouco de luz. Destaco ainda desde já que faço parte daqueles que acreditam que o servidor público concursado e estável faz parte da solução, e não dos problemas do país.

Dados comparativos internacionais – Estudo da OCDE denominado “Avaliação da Gestão de Recursos Humanos no Governo – Relatório da OCDE: Brasil 2010” faz detalhada análise sobre a gestão de RH do Governo Federal brasileiro. Esse estudo apresenta a proporção do número total de servidores públicos em relação ao total dos trabalhadores de 6 países, incluindo a média dos países da OCDE, e a proporção do gasto com servidores públicos em relação ao PIB desses países. Essas duas informações ajudam a entender o peso dos servidores públicos no conjunto da força de trabalho desses países e quanto cada país investe nesse conjunto de trabalhadores.

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Observa-se que no Brasil, a totalidade de servidores públicos no governo (federal, estadual e municipal) representa um percentual relativamente reduzido dos empregos totais. Em 2008, representava cerca de 10-11% do emprego total, em comparação com a média de cerca de 20% da OCDE. Considerando as empresas estatais, o percentual aumenta ligeiramente para cerca de 11% a 12%, em comparação com a média da OCDE de cerca de 22%. Esse percentual também é pequeno em comparação com outros países latinoamericanos como Argentina e Chile. Para se ter uma ideia, dentre 26 países estudos, o % de servidores do Brasil em relação ao total de empregos só é maior que o do Japão.

Entretanto, quando se observa o quanto a remuneração dos servidores públicos representam em relação ao percentual do PIB, verifica-se que existe uma assimetria a ser melhor entendida e que merece maiores estudos, pois os valores pagos a esse conjunto de servidores públicos representaria cerca  11% do total do PIB, um valor proporcionalmente maior que o de muitos dos países pesquisados. Então, apesar de o Brasil ter poucos servidores públicos em relação ao total de trabalhadores, tem um alto custo com os mesmos, quando comparados com  outros países.

Dilemas da Administração Pública Moderna

A teoria da administração pública tem sido baseada nas noções de hierarquia e autoridade. No entanto, a forma como os gerentes realmente gerenciam está cada vez mais distante dessa tese.

Os novos desafios do mundo moderno apresentam desafios que aumentam o crescente fosso entre a teoria e a prática do trabalho dos gestores públicos. Da mesma forma é evidente a dificuldade dos governos em determinar a melhor forma de manter equipes de administradores públicos efetivamente focados em superar os novos e emergentes  desafios do mundo corporativo estatal.

Na busca para melhorar a prática da administração pública, cientistas políticos e outros estudiosos tem trabalhado com várias abordagens. Um interessante livro de Donald Kettl (DONALD F. KETTL. The Transformation of Governance. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 2002. 232 p.) oferece um novo quadro para a conciliação da administração eficaz com as exigências do governo democrático.

Em vez de pensar em termos de estrutura organizacional e gestão, Kettl sugere, administradores e teóricos precisam se ​​concentrar em “governança”, ou nas ligações entre o governo e seu ambiente mais amplo, político, social e administrativo. Governo aí entendido como o conjunto de instituições que atuam com autoridade e capacidade de criar obrigações formais e Governança entendida como o conjunto de processos e instituições, formais e informais, através do qual ocorre a ação social.

O livro de Kettl defende que a ligação entre governo e governança seja a base para a compreensão da teoria e prática do governo no século 21 para fazer programas públicos de melhor qualidade e garantir os valores em que a república (no caso a norteamericana) foi construída.

Ele ainda apresenta alguns interessantes dilemas que o gestor público se depara, advindos dos modelos e das linhas de pensamento de importantes governantes/presidentes/pensadores americanos. Apresento a seguir os dilemas suscintamente:

O Dilema de Wilson
Como podemos garantir eficiência e agilidade da administração pública, quando não há cadeia de autoridade hierárquica ligando políticos com aqueles que prestam serviços públicos?

O dilema de Madison
Como podemos garantir eficiência e agilidade da administração pública, que pressupõe linhas claras de autoridade, quando a separação constitucional de poderes é difusa? Quem é o responsável quando ninguém está no comando – ou se todos estão no comando?

O Dilema de Jefferson
Como podemos garantir um governo eficiente e sensível numa época em que o governo federal transfere a responsabilidade tanto para governos estaduais e locais e, ao mesmo tempo, vê-se arrastado por mais amplas tendências globalizantes? É possível para garantir prestação de contas em todo o cenário político?

O Dilema de Hamilton
Como podemos garantir um governo eficiente e ágil quando o governo é apenas um jogador entre muitos? Não importa o quanto um governo eficiente e ágil pode ser, como resolver problemas que não pode controlar?

Segurança das Avaliações Educacionais – problema mundial?

Uma rápida busca no google revela que o problema da segurança das avaliações e exames educacionais é um problema global. Estados Unidos, Inglaterra, Japão, China, e até o pequeno Emirados Arabes Unidos anotam problemas de segurança em seu processos de avaliação e exames de larga escala. Trata-se de uma importante experiência, no momento em que o Brasil avança na implementação e na consolidação de avaliações de larga escala.

  1. O Jornal USA TODAY realizou várias matérias sobre o problema das fraudes em avaliações educacionais em vários estados americanos. Testes de avaliação realizados em 2009 no Estado americano da Geórgia, por exemplo, revelaram que apenas 4% das escolas da Geórgia tinham problemas graves de qualidade de ensino. Apenas um ano antes (2008) foram mais de 15% das escolas públicas com problemas graves.
  2. Essa discrepância gerou dúvidas, e o Atlanta Journal-Constitution foi investigar. Usando registros abertos, o jornal publicou dezenas de histórias em 2008 e 2009 sobre aumentos de pontuação incomum em muitas escolas Geórgia.
  3. Em um caso recente descoberto pelo jornal, um diretor de uma escola de DeKalb County renunciou após admitir que tinha trabalhado para apagar respostas em testes de estudantes. O diretor se declarou culpado de uma acusação de falsificar um documento do Estado e foi banido da escola por dois anos.
  4. O Departamento de Justiça EUA (no ano de 2010) começou a investigar se as escolas de Atlanta poderiam ter cometido fraude, como revelado pelo Journal-Constitution. Um grande júri estava examinando se as escolas Atlanta tinham se qualificado para receber verbas federais adicionais inflando artificialmente resultados de Exames.
  5. O The Dayly Beast apresentou o caso do Texas. Por um tempo pareceu que a  Forest Borrk High School de Houston foi um brilhante exemplo de reforma do ensino. Em 2005, após anos de pontuações baixas, os resultados da escola dispararam: 95 por cento dos alunos do décimo primeiro ano passaram no teste de ciências do Estado. Administradores elogiaram o trabalho árduo dos professores. A escola recebeu uma doação de $ 165.000 dólares. Mas naquele mesmo ano, a Agência de Educação do Texas contratou a empresa Caveon, especializada em segurança de avaliações, para garantir que as avaliações educacionais de larga escala realizadas pelo Estado fossem válidas do ponto de vista da segurança. A Caveon, na sequencia de uma investigação realizada pelo jornal The Dallas Morning News, encontrou uma série de irregularidades nas avaliações realizadas pela escola Forest Brook. No ano seguinte, em 2006, as avaliações foram monitorado por agentes externos da Caveon e as pontuações da Forest Brook caíram vertiginosamente, sendo que apenas 39 por cento dos estudantes passaram em ciências, por exemplo. O The Dayly Beast afirma que esta é uma história chocante, mas comum. Como a lei da reforma da educação federal americana estabeleceu que as  pontuações nas avaliações de larga escala estaduais seriam um critério único pelo qual o sucesso escolar poderia ser aferido, os professores passaram a estar sob forte pressão para mostrar que a evolução do aprendizado das crianças. Infelizmente, para fazer isso, algumas se utilizam de meios ilícitos e fraudes, chegando em muitos casos apelando para a falsificação de resultados que poderiam ajudar a escola de periferia a sobreviver. Em nenhum outro lugar a pressão é mais intensa que no Texas, estado que foi a incubadora para a lei federal. Em 2005, a Caveon encontrou 700 escolas públicas do Texas que apresentaram teste com pontuação suspeita.

  6. A Inglaterra também teve problemas com a segurança das suas avaliações educacionais.  Em 2011, os exames “GCSE´s” e “A-levels”, (exames públicos para estudantes britânicos com 16 e 18 anos), que determinam o acesso à universidades, foram jogados em um clima de incerteza após uma equipe do Jornal  Daily Telegraph filmar seminários de 4 empresas que administram os Exames.
  7. Nesses seminários, professores davam dicas e prováveis questões das provas aos interessados. O Daily Telegraph enviou repórteres disfarçados para 13 seminários organizados por quatro das instituições que administram os exames. As empresas cobravam até US$ 360 dólares dos interessados em participar dos seminários. Um palestrante disse por exemplo, que os alunos precisavam estudar apenas três poemas em vez dos 15 indicados no currículo.
  8. De acordo com a matéria, o secretário da Educação, Michael Gove, disse que os relatos “confirmam que o sistema atual está desacreditado.” Em uma outra declaração,  o Sr. Gove disse que pediu para Glenys Stacey, o executivo-chefe da Ofqual, órgão regulador dos exames, investigar a conduta das empresas. A Ofqual disse que estava avaliando solicitar às empresas que retirassem certas questões ou até mesmo provas inteiras do seu processo de aplicação.
  9. O problema ocorrido na Inglaterra repercutiu em todos os meios de comunicação do país, e revela a importância da segurança no processo de elaboração das questões e das provas das avaliações educacionais.
  10. O desafio no caso específico da Inglaterra está relacionado à extrema competição entre os vários exames realizados no pais, e o temor de que a competição agressiva entre os mesmos tenham levado a um vale tudo entre a instituições aplicadoras. Este vale tudo do mercado levou, em casos extremos, a práticas desabonadoras, em que seria permitido até oferecer ajuda para que os professores das escolas pudessem obter melhores notas nos seus exames, fazendo que com determinada avaliação ou exame torne-se mais popular.
  11. Existem atualmente cinco bancas examinadoras oferecendo GCSEs:1) Assessment and Qualifications Alliance (AQA); 2) Oxford, Cambridge and RSA Examinations (OCR); 3) Edexcel; 4) Welsh Joint Education Committee (WJEC); 5) Council for the Curriculum, Examinations & Assessment (CCEA). Todas as bancas são reguladas pelo Escritório dos Reguladores de Qualificações (Ofqual) – um órgão público não departamental patrocinado pelo Departamento de Educação. Tradicionalmente, havia um número ainda maior de bancas de exame regional, mas mudanças na legislação permitiram que as escolas pudessem usar qualquer banca e uma série de fusões reduziu o número para cinco. O Conselho Conjunto para as Qualificações (JCQ) atua como uma voz única para os organismos de emissão e auxilia as instituições aplicadoras na criação de padrões comuns, regulamentos e orientações.
  12. Já o Huffington Post realizou ampla sequencia de matérias sobre o escritório de segurança da ETS. A ETS é a instituição que organiza o SAT americano.
  13. Enquanto os alunos vão passar a maior parte de quatro horas se preocupando com questões de Matemática e Inglês, a maior preocupação para aqueles que estão no escritório de segurança do Educational Testing Service (ETS), que administra o teste, é a fraude.
  14. Considerando os números, a segurança deve ser uma grande preocupação. Em média, o SAT tem 6 mil centros de realização de testes. O SAT, administrado pela primeira vez em 1926, foi administrado pela ETS desde a sua criação em 1947. Com 24 milhões de testes administrados por ano em 25 mil locais de prova em 192 países, o ETS tem administrado cerca de 1,5 bilhões de testes em toda sua história.
  15. A ETS emprega 35 pessoas em seu Escritório de Integridade de Testes. Esta equipe levou a prevenção ao golpe e a trapaça à categoria de ciência. Importante destacar que o trabalho do Escritório não é provar a existência de fraude, mas sim se certificar de que a pontuação de um participante está dentro dos padrões do Educational Testing Service.  “Se as nossas normas não forem cumpridas, podemos questionar a pontuação“, diz Ray Nicosia, Diretor Executivo do Escritório de Integridade Teste de ETS.
  16. Não é nosso trabalho provar fraude. Estamos apenas preocupados com a pontuação, esse é o nosso processo. Mantém-nos fora do tribunal. Nós não estamos dizendo que o participante individual enganou, estamos dizendo que temos razão para questionar a pontuação. (Ray Nicosia, Diretor Executivo do Escritório de Integridade Teste de ETS).
  17. Se no entanto, um adulto está envolvido com fraude no SAT, passando informações ou fornecendo gabaritos e resposta de testes roubados, então a ETS faz prosseguir uma ação criminal. “A segurança global da prova desde o seu início é muito detalhada. Nós não apenas nos preocupamos com a aplicação na sala de aula“, diz Nicosia. “Minha responsabilidade começa no próprio edifício sede, onde as pessoas estão escrevendo as perguntas do teste“.
  18. O Escritório pesquisa e investiga as centenas de elaboradores de questão antes de contratá-los para o SAT. Eles investigam ainda todos os que supervisionam a aplicação dos exames. Participam do planejamento da segurança de impressão, na segurança do transporte, no envio do material aos centros de testes de uma maneira segura e de forma rastreável.
  19. Nos centros de testes há sempre um supervisor, alguém acostumado a lidar com material confidencial. Seu trabalho é assegurar que todo o material esteja em local seguro desde o momento da entrega. Também é responsável pela contratação de pessoal, assim como a verificação se o pessoal é treinado e sabe o que fazer no dia de aplicação. Apesar de toda essa logística, Nicosia diz, que é a cola,  “o olho errante”, e não a tecnologia (celulares, câmeras de vídeo, etc) – que continua a ser o maior desafio de segurança da ETS.
  20. E assim, as salas são configuradas para que todas as mesas estejam numa única direção, espaçadas a uma distância específica para dificultar o “olho errante”. Os ID´s (cartões de identificação) são verificados, amigos e conhecidos separados e fiscais andam pelos corredores. Um inspetor que vê um estudante com um telefone celular pode descartar o aluno imediatamente. “Nós demos essa autoridade. Nós gastamos um monte de tempo e dinheiro na tentativa de impedir que alguém receba uma vantagem injusta”, diz Nicosia.
  21. E por isso é importante e fundamental a checagem e análise estatística realizada após a prova, em que são utilizados vários tipos de alerta/gatilhos. O gatilho mais típico é uma diferença grande entre um escore de pontuação do primeiro SAT e uma pontuação do segundo. O pessoal do escritório de segurança é treinado em análise grafológica, e nos casos em que há um grande salto de pontuação a caligrafia do participante é analisada. A análise vai confirmar se o participante é um impostor, ou alguém contratado para fazer o teste, ou um irmão ou um amigo. Se escrita está correta, o escritório faz um análise comparativa com aqueles que se sentam nas proximidades, verificando similaridades nas respostas corretas.
  22. Se a única coisa que se tem é o salto na nota, mas não há uma diferença de escrita, ou as respostas não estão combinando com qualquer outra pessoa próxima, então o caso é arquivado e a nota é liberada. Muitas vezes, uma investigação sobre uma pontuação vem de fora da ETS. Um colégio pode solicitar uma análise se um aluno com um média baixa na escola recebe uma pontuação muito alta no SAT. “Esse é um gatilho para a escola, mas não para ETS, que não vê históricos escolares“, explica Nicosia. A ETS pode também investigar as notas dos alunos, se houver um salto grande pontuação em uma cidade ou mesmo em uma escola. Há também uma linha direta, lançada por Nicosia uma dúzia de anos atrás. Qualquer pessoa com informação sobre fraude pode denunciar por fax, fone ou e-mail.  A ETS investiga esses casos, embora nenhuma pontuação seja invalidada sem uma investigação completa. De acordo com Nicosia, que tem supervisionado a segurança do SAT por 20 anos, 99 por cento dos estudantes que fazem o teste seguem as regras. Em outras palavras, apenas um por cento dos que tentam o SAT tentam buscar meios de fraude. Esse número é muito diferente do que uma pesquisa sobre tentativas de fraudes e colas no ensino médio e nas faculdades americana revela, que mostra que entre 80 e 90 por cento dos estudantes colam nas provas, trabalhos e projetos dada por suas escolas.
    Dada a discrepância, ficamos com a mais óbvia das perguntas: por que existe tal discrepância? Será que é somente porque Nicosia e sua equipe têm feito um bom trabalho e ficou tão difícil colar? Ou porque as regras e conseqüências previstas nos editais do ETS são tão bem definidos que os alunos compreendem o risco não vale a pena o resultado? Ou ainda por que faltam peças neste quebra-cabeças?

A revista The Economist tratou da facilidade da cola e da fraude no mundo moderno das avaliações educacionais.
Com a tecnologia moderna, câmeras em miniatura, smart phones e internet, roubar respostas de avaliações e compartilhá-las nunca foi tão fácil. Na verdade, o problema ficou tão grave que, em 2011, o governo japonês pediu que universidades do país proibissem celulares nos espaços se usam para realizar seus exames de ingresso. E Não são apenas os alunos que apelam. Professores, cujos salários dependem em parte de notas em avaliações, também estão apelando para fraudes e colas. Por outro lado, a própria  tecnologia permite que fraudes possam ser detectadas com mais facilidade do que antes. Assim, uma verdadeira corrida armamentista está se desenvolvendo entre organzadores de exames e fraudadores.

  1. O NY Times tratou também de caso relativo a segurança do SAT quando cobriu um caso de prisão de participantes que tentaram fraudar o SAT, que gerou uma audiência pública realizada pelo senado estadual de NY para tratar da segurança do SAT. Incomodado com a prisão de sete adolescentes de Long Island acusados de fraude no SAT, o College Board contratou um ex-diretor do FBI para rever seus procedimentos de segurança, e que vai analisar mais pontos de fragilidade do teste e reforçar a formação de supervisores dos seus centros de teste.
  2. Gaston Caperton, presidente do College Board e ex-governador do Estado de Virginia Ocicental, disse que, além de trazer a empresa do ex-chefe do FBI, Louis J. Freeh como consultor da ETS, o College Board também estava considerando incorporar salvaguardas adicionais para as próximas aplicações, incluindo reforçar os requisitos de identificação para os estudantes que o SAT e tirando fotografias digitais para garantir que eles são quem eles dizem que são. Ele anunciou as medidas de segurança durante uma audiência no Senado estadual em Farmingdale em outubro de 2011. Os parlamentares queriam respostas sobre denuncias e sobre o que os parlamentares viam como lapsos gritantes em termos de segurança para o exame.
  3. Os procedimentos que o E.T.S. usa são bastante inadequados em termos de segurança disse Bernard Kaplan, diretor da escola Great Neck Norte, que testemunhou na audiência. “Além disso, a resposta da ETS quando a trapaça ocorre é totalmente inadequada. Muito simplesmente, a E.T.S. ficou muito fácil de enganar“. Enquanto novas medidas de segurança representam uma mudança de tom para o College Board, os funcionários da ETS insistiram que seu sistema de segurança era adequado.
  4. Atualmente, se um participante do SAT é suspeito de fraude, suas pontuações são canceladas e ele tem permissão para refazer o teste. Kurt M. Landgraf, presidente e executivo-chefe da ETS, disse na audiência que sua empresa gasta US$ 25 milhões de dólares por ano somente em segurança, o que representa cerca de 10 por cento do seu orçamento global para os programas do College Board. Ele disse que cerca de 3.000 resultados de testes – de mais de dois milhões de exames realizados – são cancelados todos os anos, a maioria após avaliação de irregularidades ou por causa de grandes saltos de notas de um aluno em testes anteriores.
  5. Raymond Nicosia, diretor de segurança da ETS, disse que as imitações (uma pessoa fazer a prova por outra) eram uma pequena fração desses casos, talvez 150 casos por ano.
  6. Nos Emirados Arabes Unidos, o uso de um fone de ouvido Bluetooth do tamanho de uma lentilha está sendo usado por estudantes para trapacear durante os exames. De acordo com uma reportagem no jornal Al Khaleej, existe um grande número de queixas de professores, que afirmam: “O fone de ouvido é muito pequeno. Eles o usam para fazer cola nos exames.” Funcionários da Secretaria de educação que investigaram o assunto, disseram que esses dispositivos são altamente sofisticados e não são baratos. Um dos estudantes, que comprou tal dispositivo, disse que pagou mil dinares por ele. Ele acrescentou: “Ele tem várias especificações para habilitar o aluno a trapacear no exame, sem medo de ser descoberto, incluindo som de alta definição.
    Funcionários da educação temem que a única maneira de detectar os estudantes com estes dispositivos é  através de um detector de metais.
  7. Na China, quem está sob prova é o Gao Kao, sistema vestibular saudado como mecanismo eficaz para garantir a igualdade de oportunidades educativas os jovens chineses. O China Daily revelou um escândalo que expôs muitas falhas, bem a vulnerabilidade do mesmo ao abuso de poder e corrupção.  A China Central Television (CCTV) informou que três funcionários da Universidade de Pequim de Aeronáutica e Astronáutica (Beihang) haviam extorquido pelo menos 550 mil yuan (cerca de 70 mil dolares) de sete estudantes na Região Sul da China (Guangxi Zhuang).
  8. Em outra matéria o China Daily apresenta algumas estratégias de segurança do Gao Kao realizado em 2009. Câmeras de vídeo seriam instaladas em quase 60 mil centros de testes em todo o país para evitar que os alunos colassem no exame vestibular nacional. O Ministério da Educação teria um centro com o objetivo de acompanhar os vídeos e manter todas as filmagens para futuras investigações em caso de quaisquer alegações de cola, disse Zhang Weizhou, assistente do diretor do centro.
  9. Cerca de 10,2 milhões de alunos participaram do exame em 2009, que é visto na China como uma oportunidade única na vida para entrar na universidade e melhorar de vida.
  10. Todos os centros de testes operam 24 horas por dia. Os centros podem proceder a uma inspeção on-line de qualquer área de teste ou de bastidores, a qualquer momento, disse o responsável.
  11. A vigilância de vídeo não vai dar qualquer tipo de pressão“, disse LiFangzheng, 17, um estudante colegial em Pequim.”Essas medidas podem ajudar a garantir a equidade do exame e me sinto mais confiante com meu desempenho.”
  12. Enquanto isso, pessoas envolvidas com a elaboração do exame foram enclausuradas desde o final de abril e foram orientadas a não ter contato com o mundo exterior até que o exame fosse realizado. “Quanto menos as pessoas saberem sobre elas, mais seguro“, disse um comunicado no site do ministério.
  13. Enquanto isso, os Departamentos de Segurança Pública, Polícia Armada e o Departamento Estadual de Proteção de Documentos Confidenciais, Inspeção Disciplinar e de Telecomunicações foram alistados para evitar fraudes com equipamentos de alta tecnologia.”Para garantir a justiça para milhões de examinandos, este exame deve ser perfeitamente seguro“, disse o diretor do centro Dai Jiagan. A China retomou o vestibular em 1978 após a Revolução Cultural. Mas o exame tem sido castigado pelas fraudes por muitosanos, incluindo a exposição precoce de conteúdo do teste, passando por cola através de equipamentos de comunicação e estudantes usando identificação falsa. Nos últimos anos, empresas colocaram anúncios online oferecendo respostas através de um conjunto de equipamentos de comunicação sem fio durante o exame. Para bloquear a transmissão desses sinais, os organizadores do teste implantam rádio-monitoramento em carros fora dos centros de exame. Naquele período, foram desmantelados dois grupos acusados ​​de venda de equipamentos de comunicação sem fio para os alunos. Sete pessoas foram presas, de acordo com Jilin Daily. Em Guangdong, todas as salas de exame foram equipadas com um sistema de monitoramento eletrônico e todos os alunos foram monitorados on-line durante o exame, dispositivo que também seria acessível remotamente. Os chamados “e-policial” fariam o monitoramento de qualquer estudante que tentasse usar rádio ou redes de telecomunicações.
  14. Os que tentam fraudar e são descobertos enfrentam uma punição severa, segundo o ministério. Os candidatos que enganam através de equipamentos de alta tecnologia ou usam uma falsa identificação não são elegíveis para se inscrever em universidades ou participar de exame do ano subsequente. Estudantes universitários que trapacearem são expulsos da curso. Qualquer professor envolvido em fraude é removido de seu posto e outros cúmplices são punidos de acordo com a lei, disse o comunicado do ministério.

Lições da Logística da Guerra no Iraque

Li um interessante artigo na Harvard Business Review de novembro de 2003 (íntegra aqui). O artigo é escrito por Diane K. Morales (na época vice-subsecretária da Defesa dos EUA para a logística) e Steve Geary (na época integrante da equipe da vice-subsecretária adjunto de Defesa dos EUA para a logística). O artigo traça em linhas gerais algumas lições que a Guerra do Iraque trouxe para a logística de guerra e logística em geral.  Abaixo uma adaptação grosseira do artigo:

O líder experiente sabe que mesmo a estratégia mais brilhante é apenas tão boa como a sua execução (Diane K. Morales).

Em suma, os planos de batalha aparentemente promissores no quadro de planejamento podem ser desfeitos no cenário de guerra  por meio de operações desajeitadas ou por apenas um elo perdido na cadeia de abastecimento logístico.

Este foi o medo de setores do planejamento quando Tommy Franks delineou os planos de ataque para a Operação Iraqi Freedom. De acordo com a doutrina militar convencional, Franks deveria ter enviado mais de 250 mil soldados marchando através do Vale do rio Eufrates, apoiado por uma montanha de material (roupas, medicamentos, alimentos, combustível, e tudo o mais que uma linha necessita), que seguia por linhas seguras de abastecimento.

Em vez disso, Franks imaginou um enxame (a chamada Força Rápida), sensível, inteligente e capaz de identificar e remover as ameaças rapidamente. Trata-se de uma mudança estratégica análoga a realizada por muitas empresas nos últimos anos, em que a velocidade é mais importante que a massa/volume, sendo que tal mudança teve profundas implicações para a logística da operação.

Tornar a colaboração uma realidade

O ideal da chamada cadeia de suprimentos (Supply Chain) para a maioria das empresas é a colaboração verdadeira entre todos os atores que integram a gestão de logística (desde a saída do produto e durante  todo o caminho até o cliente, até mesmo dentro de suas operações).

Para o Departamento de Defesa Americano, o desafio era conseguir “operações combinadas”, com a integração dos quatro ramos das forças armadas. Até a Guerra do Golfo Pérsico em 1991, as forças americanas ainda estavam operando logísticamente em faixas separadas, como as diferentes divisões de uma grande corporação.

Para tornar as Forças mais dependentes uma das outras, e facilitar a comunicação entre elas, criamos uma única estrutura integrada e responsável pela logística. Isso significou que todas as forças terrestres na Operação “Iraqi Freedom”- usaram ​​uma rede de distribuição única.

Em grande parte, contamos com o apoio de um setor privado de fabricantes, distribuidores e fornecedores para fornecer todo o material necessário às forças combinadas com a velocidade necessária.   Estimamos  que mais de 85% de todo o material de sustentação da operação mudou-se para o teatro de operações em estruturas de distribuição civil.

Gerenciar o fluxo, e não o estoque

Líderes militares aprenderam uma lição dolorosa durante a Guerra do Golfo (1991). Planejadores pediram 60 dias de suprimentos a ser acumulado no teatro de Operações, antes do ataque ao solo. Descobriu-se que era possível empurrar essa quantidade enorme de material, mas literalmente não era possível ver o conteúdo dos contêineres, uma vez que estavam em trânsito ou no teatro.

O resultado foi muitos links quebrados na logística de abastecimento. Isso significou que material armazenado em mais de 40.000 contêineres, a metade dos suprimentos enviados para a região, nunca foi usado.

Ressalta que a experiência de uma verdade que logística comercial conhece bem: o estoque bem abastecido que não chegar onde ele é necessário não agrega valor ao processo.

A excelência da logística consiste em saber exatamente o que você tem, a condição e localização dos itens, se estão em ordem, em trânsito, ou no teatro de operações, e gerenciar o fluxo de material à luz das mudanças nos padrões de demanda e necessidades do cliente.

É um grande desafio, mas o DoD foi capaz de superá-lo. Mesmo os campos de batalha mais fluida têm pelo menos algum grau de previsibilidade. A chave é combinar esta previsibilidade com a adequada quantidade de suprimentos de reserva em uma linha de distribuição consolidada. O apoio adequado foi entregue, onde foi necessário, quando foi necessário, e os resíduos associados de suprimentos não utilizados foi evitado.

Vá com tecnologia

O maior desafio durante a Operação Iraqi Freedom foi manter a logística com forças que se movem rapidamente.

Não foi tanto a dificuldade e a capacidade de fornecer, mas localizar onde eles estavam se movendo.

Para superar esse desafio foi necessário uma combinação de tecnologias de informação. Cada unidade de combate foi equipado com transponders, permitindo que os líderes de combate e logística no Comando Central fossem capazes de rastrear o movimento das tropas em tempo real.

Da mesma forma, as etiquetas de identificação de radiofreqüência (RFID) foram anexadas em todos os recipientes de material de entrada em pontos de embarque. Essas tags foram rastreadas em todo o mundo e ao longo da linha das tropas. Esses dados foram integrados em um quadro operacional comum, o que permitiu a coalizão conseguir informações em tempo real em toda a cadeia de gestão logística.

O setor militar é muitas vezes um dos primeiros usuários de tecnologias que o setor comercial é ainda não explora em razão de limitação de custos e benefícios potenciais. A tecnologia RFID foi um bom exemplo disso, mas grande parte da implantação bem-sucedida desta tecnologia foi baseada em aplicativos e serviços disponíveis comercialmente. Durante a Operação Iraqi Freedom, os usuários autorizados, operando a partir de sistemas de computador seguros em locais remotos, puderam monitorar o fluxo de materiais pelos checkpoints críticos no Iraque. Esta e outras experiências semelhantes confirmou que as tecnologias de ponta comercial, selecionadas com prudência  e devidamente aplicadas, poderiam fornecer apoio a decisão de maneira rápida e confiável.

Esforços mais recentes do Departamento de Defesa foram projetados para promover economia, melhorar a eficácia e oferecer agilidade ao processo de gestão logística. Na Operação Iraqi Freedom, ampliou-se a capacidade de gerenciar a logística de forma mais eficaz, o que foi crucial para o sucesso da coalizão no campo de batalha.

Como disse o general Franks, “a velocidade mata … o inimigo.”

A Agência de Logística do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DLA)

A base de uma invasão militar consiste na existencia de um fluxo adequado de suprimentos. Sem suprimentos, uma força invasora pode ter seu exército enfraquecido e ser forçada a recuar.

Por isso a logística é elemento chave na história das guerras. Antes de invadir a Grécia,  Xerxes I passou três anos reunindo suprimentos em toda a Ásia; Heródoto escreveu que o exército Persa era tão grande que “secava os rios que bebia”. É fato que na maioria das invasões, até em épocas modernas, muitos dos suprimentos perecíveis eram reunidos dos próprios territórios invadidos.

No decorrer da Segunda Guerra Púnica, por exemplo, Aníbal desviou seu exército de seu objetivo principal para conquistar  cidades com objetivo de coletar suprimentos; A tática de terra arrasada usada na Rússia forçou os exércitos de Napoleão a baterem em retirada devido a falta de suprimentos e abrigo.

Atualmente, além de comida, água, abrigo e munição, militares necessitam de combustível, baterias, peças mecânicas sobressalentes, equipamentos eletrônicos e muitas outras coisas.

Por conta da importância da logística, as principais Instituições militares do  planeta contam com estruturas de ensino, pesquisa e inteligência logística, além de  um  forte aparato de suporte e infraestrutura de operação logística.

Nos Estados Unidos, a Agência de Logística de Defesa (DLA) emprega aproximadamente 27.000 civis com o único objetivo de oferecer suporte logístico, e 30.000 soldados são graduados anualmente na Academia de Gerenciamento Logístico do Exercito dos Estados Unidos.

DLA – Nos Estados Unidos, a Agência de Logística do Departamento de Defesa (DLA) fornece ao Exército, Marinha, Força Aérea, Corpo de Fuzileiros Navais, outras agências federais e forças aliadas combinadas toda a estrutura de suporte e inteligência logística, aquisição e serviços técnicos.

A Agência fornece quase 100 por cento dos itens de consumo que forças militares dos Estados Unidos precisam para operar, tais como alimentos, combustíveis e energia, uniformes, suprimentos médicos e equipamentos de construção e de barreira.

A DLA também fornece mais de 80 por cento de peças de reposição dos militares. Além disso, a Agência gere a reutilização de equipamentos militares, fornece produtos de informação, logística e oferece automação de documentos e serviços de produção.

A DLA  tem sede em Fort Belvoir, Virgínia. Alguns grandes números da DLA indicam seu peso e sua importância:

  • Em 2011 a DLA executou um orçamento de aproxiamadamente US$ 46,1 bilhões.
  • Emprega cerca de 27.000 funcionários civis e militares.
  • Suporta mais de 2.100 sistemas de armas.
  • Administra oito cadeias de abastecimento e 5 milhões de itens.
  • Administra o armazenamento e descarte de materiais estratégicos e críticos para apoiar a defesa nacional.
  • Opera em 48 estados americanos e 28 países.
  • Gerencia mais de 11.000 contratos.
  • Gerencia 26 postos de distribuição em todo o mundo.
  • Apoia os esforços de ajuda humanitária no país e no exterior.
  • Forneceu apoio ao terremoto japonês em 2011 (Operação Tomodachi) e os esforços de ajuda à Turquia após o terremoto de 2011.
  • Fornece apoio logístico a outros órgãos federais do Governo Americano.

Para um país que se considera a Polícia do mundo, e que tem atuação militar em todo o planeta, a logística é um aspecto chave.

A Agência de Logística da NASA – OSI

Estou fazendo um breve levantamento sobre a logística de processos de pesquisas de larga escala em grandes contingentes populacionais, e observa-se como é escassa (para não dizer inexistente) a literatura sobre o tema.

Creio que isso se deva por ser tema que se alimenta diretamente dos conhecimentos de logística, sofre com as mesmas dificuldades de difusão de informação desta.

Já a logística, por ser ramo de estudo originado das necessidades de movimentação, suprimento e manutenção de forças militares em campo de batalha (na Grécia Antiga, no Império Romano e no Império Bizantino, já havia oficiais militares que tinham a responsabilidade de oferecer respostas às questões e assuntos logísticos), tem muito conhecimento acumulado, mas este está baseado em instituições militares, o que por si só já dificulta a difusão de conhecimento, dado seu caráter estratégico.

Atualmente a logística tem papel de destaque no mundo corporativo, já que o mundo moderno é um gigante e complexo tabuleiro em que a necessidade de desenvolvimento de tecnologias e conhecimentos sobre a movimentação e o transporte de bens e serviços é cada vez maior.  E exatamente por esse papel estratégico que a inteligência e o conheicmento acumulado no campo da logistica continua um campo de saber restrito, pelo alto valor agregado que possui.

E para complicar ainda mais a obtenção e a difusão de conhecimento sobre esse núcleo do saber, é importante registrar que  o campo das pesquisas governamentais de larga escala em grandes contingentes populacionais é restrito a poucos países com maior contingente populacional e condições de recursos, o que não tem atraído muitos pesquisadores para o estudo do tema.

Assim, na prática, o tema vai se desenvolvendo, na maioria das vezes, num país continental como o Brasil, com a aprendizagem ocorrendo em processo, a partir dos erros e acertos, entremeada e muito pela boa vontade dos que estão diretamente ligados ao tema.

Para poder ancorar a análise, e buscar elementos em outros campos da pesquisa aplicada, identifiquei algumas estruturas institucionais parecidas, e que por terem alto grau de pesquisa aplicada envolvida e alto grau de sigilo e conhecimento agregado, podem fornecer subsídios para esta temática

Encontrei na NASA uma estrutura organizacional interessante, que pode ofertar alguns subsídios, quando da discussão do papel da infraestrutura estratégica logística de uma organização que tem como missão a realização de pesquisas em larga escala, que possuem pelas características de suas pesquisas, alto grau de sigilo e segurança envolvida.

A OSI – Office of Strategic Infrastructure  (Escritório de Infraestrutura Estratégica) da NASA é uma das diversas organizações que compõe a agencia espacial americana – NASA, fornecendo liderança executiva, competência técnica e a supervisão de infraestrutura estratégica logística da Agência.

Para atingir estes objetivos e apoiar a visão mapeada no Plano Estratégico da NASA, a OSI concentra-se em três metas e objetivos principais para garantir os ativos de infraestrutura e recursos para a missão da Agência.  Estas metas e objetivos estão diretamente relacionados com a redução de risco para as missões espaciais usando estratégias de gestão nas operações, além de identificar e mitigar riscos de infraestrutura.

Obter as necessidades da missão através da realização de planejamento conjunto e durante todo o ciclo de programa e projetos é meta número 1 da OSI. Busca assegurar a integração formal de considerações institucionais em programas e projetos desde a concepção do projeto até a conclusão e alienação de ativos final para fornecer um apoio mais eficaz à missão. Busca ainda priorizar e alocar os recursos de infraestrutura para equilibrar o apoio total das necessidades de missão com os requisitos extremamente exigentes.

Já a segunda Meta busca garantir que a infraestrutura, ativos e recursos estejam alinhados e configurados para a missão além de disponíveis quando necessário.

Por fim, a 3ª Meta pretende implementar uma política de mitigação de risco e práticas de sustentabilidade em toda infraestrutura da Agência, para evitar impactos adversos a missão, protegendo os recursos e permitindo o alcance dos objetivos da NASA.

A OSI busca integrar práticas de gestão contínua de risco para o gerenciamento do ciclo de vida de infraestrutura da NASA para melhorar a apoiar a missão e sustentabilidade.

Desta forma, a OSI melhora o desempenho da missão e reduz os custos do ciclo de vida das operações, manutenção de ativos de infraestrutura para garantir a execução de programas de missão e projetos por meio de práticas de sustentabilidade e a implementação de novas tecnologias.

Há um entendimento na NASA de que as operações de centro de logística têm impacto direto sobre a ciência da Agência e as missões de investigação, essencialmente através de serviços institucionais que suportam os processos transversais “fornecer produtos aeroespaciais e capacidades” e “gerenciar estrategicamente.” A OSI serve ainda como o “escritório corporativo” para operações de centro de logística, desenvolvendo políticas de logística, processos e sistemas, e facilitar o uso de boas práticas.

Assim, o objetivo da OSI é garantir que os ativos de infraestrutura e capacidades estejam disponíveis no período de tempo necessário, reduzindo os riscos de infraestrutura atual e futuros.

A experiência da agência de infraestreutura estratégica logística da NASA indica a importância que a insfraestrutura estratégica logística pode representar para o campo das pesquisas aplicadas, em especial aquelas de larga escala e em grandes contingentes populacionais, com alto valor agregado.

Gerard Toal e o desgaste do mapa do mundo contemporâneo

Grande parte do mapa do mundo contemporâneo, contruído a partir da Revolução Industrial dos últimos 250 anos, baseado na promessa de permanente excedentes financeiros, crescimento sustentado e primazia geopolítica dos países ocidentais está se desgastando. Esta é uma das teses do Geógrafo Gerard Toal, do Departamento de Geografia da Virginia Polytechnic Institute e State University.
Com todo uma linha de pesquisa voltado para a geografia política moderna, o professor Gerard Toal destaca que

o mapa político mundial foi convenientemente organizado durante a Guerra Fria em zonas de primeiro mundo, segundo e terceiro. Agora o mapa está cheio de zonas que desafiam a caracterização fácil. Um número crescente de lugares caóticos – Afeganistão, Belerus, Somália, Chechênia, Timor Leste, Congo, Sérvia, Serra Leoa – parecem estar se dissolvendo como espaços soberanos governados, devolvendo para o espaço do ingovernável vastas áreas, para fora do alcance do moderno sistema mundial.

Ainda de acordo com Gerard, estas zonas selvagens são lugares onde a vida é desagradável, brutal e curta. Ao reavaliar a condição atual e futura do mapa político mundial, a dialética fundamental entre a política e a economia, os estados e mercados, legalidade e da criminalidade em várias regiões do globo é cada vez mais um elemento central a ser considerado.

Nestes tempo em que a geografia política retoma fôlego, a partir do entendimento desse complexo processo de desterritorialização do antigo e reterritorialização do novo, a partir do desgaste das velhas estruturas capitalísticas financeiras, as ideias do professor Gerard podem auxiliar a entender um pouco melhor esse cenário.

Aqui  e aqui deixo links para mais alguns trabalhos do professor Gerard Toal.

Canal da Nicarágua?

Uma das maiores obras de engenharia moderna, sem dúvida nenhuma é o Canal do Panamá!

Canal do PanamáO Canal do Panamá é um canal com 81 quilômetros de extensão[1], que corta o istmo do Panamá, ligando assim o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico, no Panamá. Para transpor o desnível entre os oceanos, foram construídos 3 sistemas de comportas.

O Canal do Panamá é um canal com 81 quilômetros de extensão, que corta o istmo do Panamá, ligando assim o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico, no Panamá. Para transpor o desnível entre os oceanos, foram construídos 3 sistemas de comportas. Foto: do autor

Tive a oportunidade de conhecer esta grande obra em 2010. O Canal do Panamá foi um triunfo estratégico e militar importantíssimo para os Estados Unidos, e revolucionou os padrões de transporte marítimo.

Mas este post não é sobre o Canal do Panamá, mas sobre o Canal da Nicarágua.

Quando se volta os olhos para a história, logo vemos a importância desse istmo para a história, tanto pelo que reune, quanto pelo que separa. Diversos foram os navegadores que procuraram uma passagem entre os Oceanos Atlântico e Pacífico.

O português Fernão de Magalhães, a serviço da Coroa Espanhola, descobriu em 1520, um estreito que recebeu o seu nome (estreito de Magalhães). A partir de então, a ligação entre os dois oceanos tornava-se possível, através de uma viagem que era longa, demorada e arriscada, levando a que se cogitasse à abertura de um canal que os unisse.

A primeira tentativa conhecida de viabilizar um canal foi empreendida ainda sob o reinado de Carlos I de Espanha, em 1523. A administração colonial da Nova Espanha realizou pesquisas preliminares e sugeriu rotas. As rotas sugeridas naquela época já passavam pela Nicarágua, Panamá, ou o Istmo de Tehuantepec no México.

Mas todos os levantamentos, realizados até o século século XIX, quando se cogitou em transportar as embarcações por ferrovia através do istmo, não tiveram sucesso.

Em 1825 a recém-criada República Federal da América Central considerou a criação do canal. Naquele ano, o governo contratou inspetores para traçar uma rota e contatou o governo dos Estados Unidos para buscar financiamento e a tecnologia de engenharia necessária para a construção do canal.

Uma pesquisa de 1830 indicou que o canal seria 278 km de comprimento e, em geral, seguiria o rio San Juan desde o Atlântico até o Lago Nicarágua, para em seguida, chegar ao Pacífico.

Enquanto as autoridades estudavam a viabilidade da proposta, o secretário de Estado americano Henry Clay formalmente apresentou ao Congresso dos Estados Unidos um Plano em 1826, que não foi aprovado.

Mas os EUA estavam preocupados com seus interesses estratégicos e econômicos, que rivalizavam com os do britânico governo, que em 1830 assumiriam o controle de ambas as Honduras Britânicas (mais tarde Belize) e a Costa do Mosquito, onde estabeleceram um protetorado, que avançava da boca do Rio San Juan, até Boca del Toro, no Panamá.

Em 1846, os Estados Unidos firmaram com a recem criada República de Nova Granada o Tratado Mallarino-Bidlack, que significava uma vantagem para os Estados Unidos, já que concedia direitos aos americanos para a construção de uma vía interoceánica pelo Panamá, vantagem que ia contra os interesses intereses británicos.

Em 1850 foi firmado o Tratado Clayton-Bulwer entre os Estados Unidos e o Reino Unido, para neutralizar o avanço dos dois países na região e impedir que qualquer dos dois países controlassem exclusivamente o istmo da America Central.

Em 1878, o francês Ferdinand de Lesseps, construtor do canal de Suez, obteve uma concessão do governo da Colômbia, a quem a região do canal do Panamá pertencia à época, autorizando a sua companhia a iniciar as obras de abertura do canal no Panamá.  O projeto de Lesseps constituía-se na abertura de um canal ao nível do mar. Entretanto, na prática, os seus engenheiros nunca conseguiram uma solução prática para o problema do curso do rio Chagres, que atravessava em diversos pontos o traçado projetado para o canal. Além disso, a abertura deste ao nível do mar, implicava na completa drenagem daquele rio, um desafio para a engenharia da época.

As obras iniciaram-se em 1880, com base na experiência de Suez. Entretanto, as diferenças de tipo de terreno, relevo e clima constituíram-se em desafios inconsideráveis. Chuvas torrenciais, enchentes, desmoronamentos e altíssimas taxas de mortalidade de trabalhadores devido a doenças tropicais, nomeadamente a malária e a febre amarela, causaram demoras imprevistas no projeto original.

Em 1884 um tratado foi negociado entre os EUA e a Nicarágua para a construção de um canal, mas tal tratado não foi ratificado pelo Senado dos EUA.

Em 1885, o plano inicial de um canal no panamá ao nível do mar foi alterado, passando a incluir uma comporta. Mas, após quatro anos de investimentos e trabalho, a companhia veio a falir. Paralelamente ao esforço frances, os americanos investiram na opção de um canal na Nicaragua.

Em 1888, o governo da Nicarágua ficou preocupado que os EUA não estavam fazendo o suficiente para responder ao canal que estava sendo construído pelos franceses em Lesseps no Panamá.  O ex-presidente da Nicarágua Adan Cardenas foi enviado à Europa para tentar o interesse dos investidores britânicos, alemães e italianos no projeto canal da Nicarágua, mas pouco interesse foi despertado.

O Tratado Hay-Pauncefote de 1901 revogou o Tratado Clayton-Bulwer anteriormente entre os EUA e o Reino Unido, e reconheceu o direito dos Estados UNidos de construir um canal ao longo do istmo da Amercia Central. A seguir uma empresa foi licenciada nos Estados Unidos para construir e gerir o seu próprio canal.

Após debate acalorado sobre a localização do canal proposto, em 19 de junho de 1902, o Senado dos EUA votou a favor da construção do canal pelo Panamá. Investidores no Canal do Panamá haviam convencido o Congresso dos Estados Unidos de que havia enorme risco em apoiar o projeto de construção do Canal na Nicaragua,  pela sua proximidade de vulcões ativos.

O presidente americano Theodore Roosevelt estava convencido de que os Estados Unidos podiam terminar o projeto do Canal no Panamá, e reconheceu que o controle americano da passagem do Atlântico ao Pacífico seria de uma importância militar e econômica considerável.

O Panamá fazia então parte da Colômbia, de modo que Roosevelt começou as negociações com os colombianos para obter a permissão necessária. No início de 1903, o Tratado Hay-Herran foi assinado pelos dois países, mas o Senado colombiano não o ratificou. Assim, Roosevelt deu a entender aos rebeldes panamenhos que, se eles se revoltassem contra a Colômbia, a marinha americana apoiaria a causa de independência panamenha.

O Panamá acabou por proclamar sua independência em 3 de Novembro de 1903, e a canhoneira U.S.S. Nashville, em águas panamenhas, impediu toda e qualquer interferência colombiana.  Os panamenhos vitoriosos devolveram o favor a Roosevelt permitindo aos Estados Unidos o controle da Zona do canal do Panamá em 23 de Fevereiro de 1904 por US$ 10 milhões.

Incapazes de persuadir os Estados Unidos para construir o canal na Nicarágua, a partir de 1904 o presidente Zelaya, da Nicarágua,  buscou apoio da França, Alemanha e Japão para construir um canal em Nicaragua e para competir com o canal dos EUA construído através do Panamá, sem êxito.

Toda ação leva a uma reação, e em 1909 os Estados Unidos forneceram apoio político e militar para que forças lideradas pelos conservadores se rebelassem e depusessem o presidente nicaraguense Zelaya. Desde então, com exceção de um período de 9 meses em 1925-26, os Estados Unidos mantiveram tropas na Nicarágua a partir de 1912 até 1933.

Nicarágua e Estados Unidos assinaram, mas nunca ratificaram o Tratado Castill-Knox, assinado em 1914, e que davam aos Estados Unidos o direito de intervir na Nicarágua para proteger interesse dos Estados Unidos.   Uma versão modificada, o Tratado Bryan-Chamorro, que omitia a cláusula de intervenção, foi finalmente ratificada pelo Senado dos Estados Unidos em 1916.  Este tratado deu os direitos exclusivos dos Estados Unidos para construir um canal interoceânico através da Nicarágua, o que serviu aos interesses americanos. Como os Estados Unidos já haviam construído o Canal do Panamá, os termos do Tratado Bryan-Chamorro serviu o propósito principal de proteger os interesses dos Estados Unidos contra potenciais países estrangeiros – principalmente a Alemanha ou Japão – de construírem outro canal na América Central.  O tratado Bryan-Chamorro também transformou a Nicarágua em um próximo protetorado dos Estados Unidos e acabou com o sonho de construção de um canal na Nicaragua.

Entretanto, os Governos de El Salvador e Costa Rica recorreram ao Tribunal de Justiça da América Central e o Tribunal de Cartago, para protestar contra os termos do Tratado, que viu os seus direitos violados. O Tribunal de Cartago em 1916 foi em favor de Costa Rica e em 1917 por El Salvador, mas a Nicarágua anunciou que não iria aceitar as decisões do juiz. Mas o tratado se manteve em vigor até 1972, quando uma convenção em 14 de Julho de 1970 assinada por Estados Unidos e Nicaraguá aboliu o Tratado e de todas as suas disposições, tempo suficiente para consolidar o Canal do Panamá e enterrar os sonhos de um outro Canal.

Projetos de Canal na Nicaraguá na atualidade – Desde então, somente falas e discursos pontuais recolocam o Canal da Nicaragua no cenário internacional. E só recentemente, surgem algumas  possibilidades e projetos mais concretos envolvendo a criação de um Canal na Nicarágua.

A construção do canal pelo Rio San Juan mais que dobraria o PIB da Nicarágua, além de agregar recursos para economia nicaraguense, e se constituiria em alternativa ao Canal do Panamá, nitidamente pró-americano. Alguns ambientalistas histéricos yanques soltam gritos contra a proposta aqui e a acolá.

Em 2009, o presidente russo, Dimitry Medvedev sugeriu que a Rússia estaria interessado em prosseguir a construção do canal via interoceânica. Também os Emirados Árabes Unidos manifestaram interesse em patrocinar um projeto de canal inter-oceânico.

Por ultimo, existem informações que ligam a existencia de um projeto formulado pela Venezuela e Ira, com apoio do Governo da Nicarágua, denominado “Plano Canal Novo”.

Assim, fica claro a importância da região no cenário geopolítico, e como uma proposta geopolítica antiga pode movimentar toda uma região. O Brasil precisa estar atento a estes movimentos, na medida em que se torna um player global.

Facilitando a vida de quem usa transporte coletivo

A Metropolitan Transportation Authority de Nova York anunciou que dados de ônibus, transmitidos em tempo real a partir de transmissores de GPS estão disponíveis ao público de Nova York.

As informações podem ser obtidas de várias maneiras: em um mapa do google, por SMS e por QR code em cada parada. Veja mais sobre a experiência de NY aqui, aqui e aqui.

Em Boston também há essa facilidade, sendo que houve um esforço da Administração Pública em disponibilizar as informações em dados abertos (falarei mais sobre esse assunto  – dados abertos – em outra postagem, tão importante para o processo de transparencia e Accountability) para que desenvolvedores de aplicativos pudessem criar aplicativos  para iPhone, iPod Touch, dispositivos IPAD e Android, como o http://catchthebusapp.com

Com o aplicativo, é possível saber quando o ônibus vai estar na sua parada, usando rastreadores GPS em cada ônibus, salvar o seu ônibus preferido ou as paradas mais freqüentes para facilitar o acesso e ainda pesquisar paradas de ônibus em uma exibição Google Map, facilitando encontrar a parada mais próxima.

 

O desafio de facilitar a vida de quem usa transporte coletivo - Exemplos não faltam - na foto, o Transmilenio, de Bogotá!

O desafio de facilitar a vida de quem usa transporte coletivo - Exemplos não faltam - na foto, o Transmilenio, de Bogotá!