Por que a Educação deve estar no Centro do Debate Eleitoral deste ano?

A educação básica do mundo está em crise. Mesmo antes da pandemia de coronavírus, em muitas partes do mundo o direito à educação não é garantido, seja porque crianças que deveriam estar na escola não estão; seja porque a  escola não vem ofertando educação de qualidade para que essa geração possa enfrentar os desafios do futuro. 

Historicamente, a educação foi a ponte mais curta para diminuir a desigualdade, trazendo progresso e prosperidade a indivíduos e países. Pensada em um momento em que as indústrias precisavam de trabalhadores com um conjunto relativamente fixo de habilidades e conhecimentos, é preciso repensar a escola, reinventá-la, para que ela não perca relevância em uma era de inovação, volatilidade e mudança constante, onde a adaptabilidade e a agilidade na aprendizagem são essenciais.  

Em paralelo, observa-se o avanço da tecnologia promovendo ampla e profunda transformação no espaço cívico e no mundo do trabalho, e um aprofundamento da desconexão entre os sistemas educacionais e as realidades das economias e sociedades globais. A Pandemia do Novo Coronavirus somente amplificou a demanda pela necessidade de conectar nossas escolas ao futuro. Os sistemas educacionais precisam aprender com a experiência da pandemia para qualificar sua capacidade de entender os melhores caminhos para adaptar e equipar as crianças com as habilidades necessárias para criar um mundo mais inclusivo, coeso e produtivo. 

Trata-se de transformação que exige mudanças no conteúdo e na forma de aprendizagem, em busca da inclusão de habilidades técnicas e emocionais, centradas no ser humano e numa nova visão do mundo, mais justo e solidário, com economias crescentes e inclusivas, em ambientes de aprendizagem que ajudem a moldar esse novo mundo. 

Promover mudanças nesse nível exigirá grande esforço, com a ação coordenada e colaborativa de governos, educadores e líderes do setor privado. Exigirá ainda amplo sentido de propósito e alinhamento entre os atores na viabilização de projeto que concretize o desenvolvimento das habilidades do futuro, preparando a nova geração de cidadãos, bem como a equipe docente para liderar essa transição e aprimorar a conectividade entre escolas, famílias e sistemas escolares. 

Haveria dezenas de números, pesquisas e indicadores que poderiam ilustrar esse cenário, mas vou focar em apenas dois, que ilustram o tamanho do desafio e a relevância da mudança:

  • 34% dos estudantes acreditam que suas escolas não os estão preparando para o sucesso no mercado de trabalho . Precisamos consertar a ponte da educação para a empregabilidade (Fonte: Relatório de Futuros Empregos do WEF).  
  • 60% dos futuros empregos ainda não foram desenvolvidos e 40% das crianças em idade de creche (educadoras de infância) nas escolas de hoje precisam ser autônomos para ter alguma forma de renda (Fonte: Relatório de Futuros Empregos do WEF). 

Precisamos preparar nossas crianças e jovens para empregos que ainda não foram criados e empreender sua própria jornada formativa. Qualificar o espaço social para que seja mais permeável ao aprendizado contínuo, multiplicando os espaços de aprendizagem e  redefinindo o papel do professor nesse cenário. 

Num País como o Brasil, essas transformações se materializam no espaço  concreto dos seus mais de 5.500  municípios.O complexo arranjo federativo brasileiro dá protagonismo ao município, e é no município que a educação básica se concretiza. Acreditamos que será essencial investir em iniciativas e políticas inovadoras para garantir o direito à educação de maneira mais equânime, bem como diminuir as disparidades e as desigualdades no acesso a uma educação, que garantia uma  sociedade mais livre, justa, solidária e produtiva. 

Por isso afirmamos: a próxima eleição municipal será determinante para o futuro do Brasil.

Não podemos perder mais quatro anos sem ter claro como a educação pode garantir o futuro de nossas crianças e jovens. 

Fruto dessa percepção, sistematizei alguns poucos tópicos, que de maneira alguma cobrem toda a pauta educacional, mas que iluminam alguns pontos que normalmente ficam de fora do debate, para qualificar as propostas que podem ser debatidas no processo eleitoral municipal de 2022. 

São muitos os desafios, e acredito que as proposições abaixo podem qualificar o debate político sobre a agenda educacional dos nossos municípios. São tópicos que não esgotam o assunto, mas indicam alguns caminhos, baseados em pesquisas e evidências dos grandes centros de pesquisa nacional e internacional sobre o assunto.  Todos estão referenciados em  evidência em pesquisas e dados, e em minha experiência na gestão educacional, pois acredito muito na importância da decisão baseada em evidências, e que só ganharão legitimidade para aplicação na medida em que forem validados por meio do debate  eleitoral. 

Aqui, a versão com todas as referências bibliográficas.

A partir da leitura crítica de alguns colegas numa versão preliminar deste documento, o texto foi aprimorado, e as contribuições indicaram a necessidade de alinhar explicitamente o texto  ao disposto na Constituição Federal, na LDB, no Plano Nacional de Educação e na BNCC. Também foi objeto de melhoria a sistematização, por meio de um framework que desse ossatura para a proposta, com a configuração de quatro grandes eixos estruturantes, ofertando direção clara em direção a garantia do direito de aprender de todas as crianças e jovens de cada município brasileiro.

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Assim, apresento os tópicos alinhados a quatro grandes eixos de ação (acesso, aprendizado, gestão e formação) que orientam a elaboração dos Planos Decenais de Educação tal como previsto no artigo 214 da Constituição Federal e no Plano Nacional de Educação (lei 13.004/2014), para apoiar o debate.

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Eixo Acesso

A universalização do atendimento escolar é condição mínima necessária para concretização do direito à educação. A iniciativa rumo à universalização de todas as etapas e modalidades da educação básica se consolidou com a Emenda Constitucional nº 59, de 11 de novembro de 2009, que tornou obrigatório o ensino para a população entre 4 e 17 anos de idade. Isso significa que todas as crianças, adolescentes e jovens em idade escolar obrigatória devem, impreterivelmente, estar matriculados no sistema de ensino, nas etapas que vão desde a pré-escola até o ensino médio.Além disso, destaca-se  que o conceito inclui uma esperada trajetória adequada, isto é, permanecer, progredir e concluir, idealmente, na idade esperada as etapas nas quais o ensino se organiza.  

Sobre a temática do acesso é crucial trazer para o primeiro plano a discussão em torno da reprovação e seus efeitos deletérios sobre a trajetória escolar de crianças e jovens, bem como sua influência na elevação das taxas de abandono e evasão e na intensificação das desigualdades educacionais. Levantamentos de dados em âmbito internacional têm apontado que, a repetência é um dos maiores fatores associados a desempenhos escolares insatisfatórios. 

Garantia da qualidade da Educação Infantil

Os estudantes de 15 anos que frequentaram a educação pré-escolar têm desempenho melhor no PISA do que aqueles que não o fizeram, mesmo depois de se levar em conta seu ambiente socioeconômico.Os resultados do PISA 2009 revelam que em praticamente todos os países da OCDE os estudantes de 15 anos que frequentaram alguma escola em idade pré-escolar obtiveram desempenhos melhores do que aqueles que não o fizeram. De fato, a diferença entre os estudantes que frequentaram a pré-escola por mais de um ano e os que nunca a frequentam é de 54 pontos em média na avaliação de Leitura do PISA – ou o equivalente a mais de um ano de escolaridade formal (o que totaliza 39 pontos). Assim, é preciso ampliar o debate sobre a educação infantil, incluindo a garantia de qualidade nas unidades, incluindo padrões rígidos nos protocolos de contratação de vagas em unidades privadas. 

Escola de Altas Habilidades

A demanda pelo acesso adequado às crianças e jovens  com altas habilidades está previsto na Meta 4 do Plano Nacional de Educação e em 10 estratégias (1.11; 4.2; 4.4; 4.5; 4.6; 4.12; 4.13; 4.17; 4.18 e  6.8). Garantir condições de pleno desenvolvimento de crianças com jovens habilidades é essencial para a garantia do direito à educação. 

Eixo Aprendizado

A melhoria da qualidade do aprendizado é um preceito constitucional que orienta o ensino brasileiro (artigo 206, inciso IV, e artigo 214, inciso III, da Constituição Federal). A Declaração de Incheon da UNESCO afirma que é preciso “assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos” (Unesco, 2015). Incorpora o conceito de equidade, visto que busca garantir a oferta de oportunidades iguais a todos, a fim de fazer a sociedade mais justa. É preciso estar atento para as desigualdades de aprendizado entre alunos oriundos de diferentes realidades sociais para garantir que eles também estejam aprendendo e tirando proveito das oportunidades que a educação traz.

Criação do IDEB municipal 4.0

A iniciativa de pactuar um sistema municipal de indicadores desagregado por escola, permitirá aos gestores de educação locais ir além do tradicional Ideb como referencial de qualidade da educação do município. Pactuar um Ideb 4.0 deve incorporar o monitoramento do Plano Municipal de Educação, ampliando a capacidade da rede e das escolas monitorarem o avanço da melhoria da qualidade escolar, a partir de indicadores que representem o conceito da rede sobre qualidade educacional. indicadores educacionais e possibilita às escolas melhorar a gestão, diminuir as desigualdades no ensino e investir na formação docente.Vai facilitar também o processo acompanhamento das famílias e da comunidade escolar sobre os avanços em direção a proposta de melhoria

Construção da proposta curricular e diálogo com a BNCC

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) traz uma grande inovação ao estabelecer  competências gerais para nortear as áreas de conhecimento e seus componentes curriculares. O desenvolvimento dessas competências é essencial para assegurar os direitos de aprendizagem de todos os estudantes da Educação Básica. É preciso preparar a rede escolar para pactuar nova proposta curricular que dialogue com a BNCC e com a realidade local e regional. 

Ampliação da Escola Integral

É preciso apoiar a ampliação da jornada escolar, com proposta de uma nova escola, visto  que as pesquisas revelam que aulas após o horário normal com um professor da escola podem ajudar a diminuir as desigualdades.

Política de Inovação Escolar

Entendemos inovação como

o que as pessoas e comunidades criam com base em uma pesquisa, em conhecimento, com metodologia clara da realidade em que vivem para enfrentar os desafios sociais que são vividos naquele seu contexto.

Isso envolve muita tecnologia social, engajamento e ludicidade. No tocante a ludicidade, por exemplo, é importante entender que o aprendizado através da brincadeira tem um papel crítico na educação e na preparação das crianças para os desafios e oportunidades à frente. Criar um ambiente de aprendizado inovador é criar um ambiente lúdico com tecnologia, aproveitando  a capacidade natural das crianças de aprender através do brincar – e desenvolver as habilidades de aprendizado rápido essenciais hoje. Criar esse ambiente tem um papel crítico na educação e na preparação das crianças para desafios e oportunidades ao longo de suas vidas.  Um conjunto crescente de evidências apóia a aprendizagem através da brincadeira como fundamental para o desenvolvimento das crianças, servindo como uma maneira essencial de promover uma gama de habilidades necessárias para prosperar no mundo de hoje. Pensar profundamente em como aplicar o que torna uma experiência lúdica de qualidade às soluções tecnológicas (incluindo EdTech) pode fornecer uma lente poderosa para garantir que a experiência tecnológica forneça um mecanismo ou contexto para que ocorra uma alta qualidade e um aprendizado profundo. 

As tecnologias que permitem interação lúdica, são  ferramentas poderosas para oferecer suporte ao aprendizado de alta qualidade. Exemplos dessas tecnologias incluem plataformas de codificação criativa, como o Scratch, onde as crianças têm a oportunidade de criar suas próprias histórias, jogos e animações com o apoio de uma comunidade on-line; jogos de sandbox abertos, como o Minecraft, onde as crianças constroem e exploram vastos mundos virtuais com seus colegas); sistemas de jogo de robótica, que permitem que as crianças trabalhem em colaboração para construir robôs para resolver problemas complexos); e outras tecnologias que permitem alfabetização digital e o compartilhamento de criações físicas, como animação digital, podcasting, edição de vídeo e publicação online. A criação de ambientes envolventes é uma oportunidade de explorar a capacidade natural das crianças de aprender através da brincadeira, enquanto utiliza o poder transformacional da tecnologia para desenvolver experiências de aprendizado que facilitam o aprendizado rápido, essencial na sociedade atual.

Gratificação por processo seletivo para lotação em escolas com indicadores desfavoráveis

Os professores são o recurso escolar mais importante para enfrentar o desafio de garantir o direito à educação. Em todos os países, os salários e a formação de professores representam a maior parcela das despesas com educação; e esse investimento em professores pode ter retornos significativos. Pesquisas mostram que ser ensinado pelos melhores professores pode fazer uma diferença real nos resultados de aprendizagem e na vida de estudantes semelhantes.

Política de Melhoria do Clima Escolar 

O clima disciplinar em sala de aula e na escola afeta diretamente  a aprendizagem. Salas de aula e escolas com mais problemas disciplinares são menos propícias à aprendizagem, uma vez que os professores têm de gastar mais tempo criando um ambiente ordeiro antes de iniciar a aula. Em 55 países e economias que participaram do PISA 2009, os estudantes de escolas onde o clima de sala de aula foi mais propício à aprendizagem tiveram um melhor desempenho.Um clima disciplinar propício à aprendizagem não é apenas positivamente relacionado com o desempenho dos estudantes, mas, ajudam a reduzir o impacto do contexto socioeconômico dos estudantes sobre o desempenho. 

É preciso fazer gestão sobre o processo de  alocação dos professores nas escola, monitorando o número e o perfil  de professores, acompanhando suas qualificações, experiência e efetividade. Qualquer política de professor que vise enfrentar as desvantagens dos alunos deve se esforçar para alocar professores de alta qualidade, e não apenas mais professores, para alunos carentes. Isso implica na criação de uma gratificação especial para locação de professores em locais com indicadores desfavoráveis.

Eixo Gestão

O processo de gestão é central  para melhoria da qualidade educacional. É um dos preceitos constitucionais que orientam o ensino público brasileiro, como prevê o inciso VI do artigo 206 da Constituição Federal. A escola requer de seus dirigentes a capacidade de liderar o processo de construção do projeto pedagógico, organizar a estrutura e o funcionamento da escola, gerir o corpo profissional, além de envolver e engajar a comunidade. Outro ponto essencial e associado a este eixo diz respeito ao financiamento da educação, que  é estruturante para a organização e o funcionamento das políticas públicas educacionais. Embora não seja fator suficiente, é condição necessária para a universalização do direito à educação pública de qualidade. Também incorpora a avaliação como parte de um ciclo contínuo, integrador do complexo processo que organiza a melhoria da qualidade e que envolve direção, professores, estudantes e comunidade escolar.

Implantação da gestão progressiva da autonomia da unidade escolar por Maturidade (Insipiente, semi-plena, plena)

Nos países em que as escolas têm mais autonomia sobre o que se ensina e sobre como os alunos são avaliados, o desempenho dos estudantes é melhor. Nos últimos anos, as escolas se tornaram organizações mais autônomas e passaram a prestar contas de seus resultados aos alunos, aos pais e ao público em geral. Os resultados do PISA sugerem que, quando se combinam de forma inteligente a autonomia e a responsabilização, esses dois fatores tendem a associar-se com melhores desempenhos dos estudantes.A  autonomia e a responsabilização caminham juntas; mais autonomia para decidir currículo e avaliações internas, bem como para alocar os recursos, são fatores que tendem a estar associados a melhores desempenhos dos estudantes, particularmente quando as escolas funcionam dentro de uma cultura de responsabilização. Maior autonomia escolar para gerenciar professores está associada a uma classificação mais eqüitativa dos professores.

Entretanto, não basta  decretar autonomia, é preciso criar ambiente de desenvolvimento dessa autonomia, por meio de amplo processo democrático de experimentação. Por isso a implantação de processo de ampliação progressiva da autonomia das unidades escolares vai propiciar condições para maturação do processo de autonomia. Tal como ocorreu com o processo de ampliação da autonomia das gestões municipais do SUS nos anos 1990, em que uma série de requisitos construídos e pactuados iam ofertando sucessivos graus de autonomia para as gestões municipais, da mesma forma pode ser pactuado um conjunto de indicadores e procedimentos nas unidades escolares que, uma vez alcançados, disparam gatilhos de aumento de autonomia em vários aspectos para cada escola.

Aprimorar  a forma de contratação de professores e o Estágio Probatório

Estudos revelam que quanto maior a falta de professores com estabilidade menor o desempenho dos estudantes, resultado este que se traduz no aprendizado dos alunos. O grande desafio é atrair os melhores professores e o atual modelo desde contratação por concurso não consegue dar conta do desafio de selecionar os melhores professores. 

 Processo seletivo com definição clara de Metas e Contrato de Gestão para equipe de Gestão da Secretaria

Entendemos que a meritocracia para a equipe gestora é uma sofisticação do processo de gestão. A Constituição Federal de 1988 estabelece no § 8º do do art. 37 que

A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade

 o que se trata de ferramenta que pode ser aplicado ao aprimoramento do processo de gestão educacional. A gestão por resultados constitui um dos pilares da reforma na gestão pública. A gestão por resultados exige corresponsabilidade no nível diretivo, com metas preestabelecidas pactuadas entre todos os atores envolvidos e avaliadas de forma periódica. Para efetivamente aumentar a responsabilização sobre os resultados desejados é preciso aprimorar os mecanismos de controle e monitoramento, definir de forma mais precisa indicadores e capacitar as partes envolvidas na elaboração do plano.

Gratificação de Esforço

A assiduidade e pontualidade do corpo docente têm uma importante influência positiva no desempenho dos alunos em todas as áreas avaliadas. 

Eixo Formação

Os profissionais da educação com formação adequada são essenciais para uma educação de qualidade. A Formação dos profissionais de educação é um dos princípios constitucionais que orienta o ensino brasileiro (artigo 206, inciso V, da Constituição Federal) e está presente na Declaração de Incheon, da qual o Brasil é signatário: 

Garantiremos que professores e educadores sejam empoderados, recrutados adequadamente, bem treinados, qualificados profissionalmente, motivados e apoiados em sistemas que disponham de bons recursos e sejam eficientes e dirigidos de maneira eficaz. (Unesco, 2015).

Plano de Formação para professores baseado em Residência Pedagógica

Professores e educadores treinados na primeira infância fazem diferença nos resultados acadêmicos das crianças na escola. Para elevar os resultados das crianças , a aprendizagem precoce precisa ser de alta qualidade, o que inclui a entrega por pessoal qualificado e capacitado. É por isso que o foco no apoio à força de trabalho é tão importante. Um estudo na Austrália mostrou que os alunos que frequentavam a pré-escola liderados por um diploma ou professor qualificado estavam à frente do equivalente a 15 a 20 semanas de escolaridade no terceiro ano.

Mas não basta um  Plano de Capacitação para professores e gestores escolares, é preciso que esse Plano seja desenhado a partir da realidade local, e desenvolvido no ambiente escolar. A formação deve ir até a Escola, num desenho de formação similar as residências médicas e multiprofissionais da saúde. Apoiar o processo de formação para professores e gestores na identificação de professores e gestores da própria rede rede que atuem como preceptores e tutores é fundamental para que o processo de formação ganhe potência para transformação de práticas. 

Implantação da Unidade de Gestão de Estágios Supervisionados

Estudos revelam que não são oferecidas aos docentes condições de estar nas escolas de alguma forma, conhecerem os professores e o trabalho que os estagiários eventualmente possam estar desenvolvendo na escola e nas salas de aula. Não lhes é dada a mínima condição de, efetivamente, fazerem o acompanhamento, discussão e avaliação dessa atividade obrigatória. Nesse cenário, os estágios curriculares dos cursos de licenciatura, de modo geral, estão longe do cumprimento da legislação pertinente. A criação de uma Unidade de Gestão de Estágios Supervisionados busca apoiar o processo de formação inicial, atuando pela ótica da gestão. Vai contribuir para qualificar o processo e proporcionar ferramentas de melhoria do aprendizado a partir do uso racional e orientado do estágio. Essa Unidade vai proporcionar ainda condições para uma integração sistêmica entre a Escola e a Universidade. 

Programa de Formação ao Longo da Vida (Educação de Adultos – EA) 

A formação para o trabalho e a cidadania é essencial e está  indicada pela Constituição Federal no artigo 205, segundo o qual a educação visa “ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (Brasil, 1988). Os quatros pilares básicos e essenciais, preconizados pela Unesco, a um novo conceito de educação: aprender a conhecer, aprender a viver juntos, aprender a fazer e aprender a ser. Mais do que em tempos passados, o acesso às informações e aos conhecimentos mais recentes, assim como a motivação e os saberes necessários à utilização inteligente, pessoal e coletiva desses recursos tornaram-se a chave da competitividade, além de serem igualmente benéficos à empregabilidade e à adaptabilidade da força de trabalho. Além disso, vivemos em um mundo social e político complexo. Os indivíduos, muito mais do que antes, querem planejar suas vidas, esperam contribuir ativamente para a sociedade e devem aprender a viver positivamente na sua diversidade cultural, étnica e linguística. A educação, no seu sentido mais amplo, é a chave para aprender e compreender como superar esses desafios. 

A pandemia do novo coronavírus colocou milhões de pessoas no país em isolamento social. Além de todas as milhares de mortos, o país ainda perdeu a oportunidade de implementar um programa de formação de adultos que pudesse abrir oportunidades para milhões de brasileiros que não tiveram oportunidades educacionais na época apropriada. Chegou a hora de enfrentar essa questão, e o país precisa de um programa robusto de desenvolvimento de novas habilidades e competências. É nítido o que a falta de educação de qualidade tem feito ao país, o atual cenário político, econômico e social reflete bem o que essa falta tem impactado nossa nação. 

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Um lembrete aos gestores educacionais do planeta: Mais da metade das salas de aula estava cheia demais antes do coronavírus. E no Brasil?

Nova análise de dados do Estudo de Tendências Internacionais de Matemática e Ciências (TIMSS) da AIE levantou questões preocupantes sobre a eficácia com que as escolas serão capazes de manter um certo grau de distanciamento social quando reabrirem em todo o planeta.

Os números do último ciclo do estudo, realizado em 2015, revelam os professores relatando que mais da metade das salas de aula estava cheia demais antes da crise causada pelo COVID-19, algo que as escolas e os gestores deverão prestar muita atenção ao elaborar planos para reabrir escolas.

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Comentando a nova análise, o diretor executivo da AIE, Dr. Dirk Hastedt, em informe a imprensa, disse:

“Como em todos os estudos da AIE, o TIMSS coleta dados contextuais ricos sobre muitos dos fatores que podem ter um impacto no ensino e na aprendizagem. No questionário para professores, perguntamos a eles “Até que ponto você concorda com a seguinte afirmação: Há muitos alunos no Aulas”. Em 47 países e sistemas de ensino cujos alunos da 4ª série foram avaliados em No estudo, 30% dos professores dos alunos “concordaram muito” e outros 32% também expressaram concordaram. Em 39 países e sistemas educacionais cujos alunos da 8ª série participaram do TIMSS, 66% dos professores de ciências e matemática dos alunos concordaram com a afirmação. Sem surpresa, houve muita variação nas respostas entre os países participantes do estudo, mas mais da metade dos professores na maioria dos países relatou concordar em certa medida que as turmas eram muito grandes. Isso é algo que as escolas, e igualmente crucialmente, os formuladores de políticas, devem não ignorar enquanto traçam seus planos de reabrir escolas.

TIMSS – O Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências, é um estudo emblemático da AIE. Dirigido pelo Centro Internacional de Estudos TIMSS & PIRLS no Boston College, o TIMSS é uma avaliação internacional do desempenho dos alunos em matemática e ciências na quarta e na oitava séries. Medindo as tendências dos resultados desde 1995, o TIMSS permitiu aos países do mundo inteiro tomar decisões baseadas em evidências para melhorar as políticas educacionais relacionadas ao ensino e aprendizagem de matemática e ciências.

As avaliações do TIMSS fornecem um relato oficial de como os alunos da quarta e oitava séries atuam em matemática e ciências. Os países que participam de vários ciclos do TIMSS podem monitorar as tendências no desempenho dos alunos enquanto avaliam as mudanças ocorridas no currículo, na instrução e em outros aspectos da educação que afetam a aprendizagem.

O TIMSS concentra-se em medir efetivamente os resultados educacionais em matemática e ciências na quarta e na oitava séries e, às vezes, no último ano do ensino médio. O estudo foi desenvolvido para captar a amplitude e a riqueza dessas disciplinas, conforme ensinadas nos países participantes. O estudo coleta informações detalhadas sobre currículo e implementação de currículo, juntamente com informações empíricas sobre os contextos para a escolarização.

E o Brasil?

No Brasil, o Inep publica anualmente um indicador muito interessante que pode ajudar a entender a complexidade do tamanho das salas de aula em relação ao número de alunos: a média de estudantes por turma. É um indicador simples, que está calculado por UF, unidade administrativa, áreas urbanas e rurais, e por ano.

Abaixo vou incluir um breve recorte por UF desde a educação infantil até o ensino médio.

Média de Alunos por Turma – Unidades da Federação – 2019
Média de Alunos por Turma da Educação Básica – Ensino Infantil (Creche, Pré-Escola) por Unidade da Federação – 2019
UF
Localização (urbana e rural)
Dependência Administrativa (federal, estadual, municipal, privada)
Média de Alunos por Turma / Etapas de Ensino
Educação Infantil
Creche Pré-Escola
Brasil Total Total 14,3 17,9
Rio Grande do Sul Total Total 12,2 16
Bahia Total Total 15,9 16,5
Pernambuco Total Total 14,6 16,9
Paraná Total Total 13,6 17
Minas Gerais Total Total 14,3 17
Paraíba Total Total 17,5 17,1
Alagoas Total Total 16,8 17,2
Rio de Janeiro Total Total 14,5 17,4
Rio Grande do Norte Total Total 15,9 17,4
Maranhão Total Total 16,5 17,4
Piauí Total Total 16,7 17,4
Santa Catarina Total Total 13,4 17,5
Sergipe Total Total 16 17,6
Ceará Total Total 16,4 17,6
Espírito Santo Total Total 14,5 17,7
Amapá Total Total 14,6 17,9
Acre Total Total 20,7 17,9
Rondônia Total Total 16,6 18
Pará Total Total 17,2 18,2
Goiás Total Total 16,2 18,9
Tocantins Total Total 17,1 18,9
Distrito Federal Total Total 14,4 19
Mato Grosso do Sul Total Total 17,1 19,1
Amazonas Total Total 16,8 19,5
São Paulo Total Total 13,1 19,6
Roraima Total Total 17,4 19,8
Mato Grosso Total Total 18,6 19,9

Ensino Fundamental

UF Localização (urbana e rural)
Dependência Administrativa (federal, estadual, municipal, privada)
Média de Alunos por Turma / Séries Iniciais

Média de Alunos por Turma / Séries Finais

Brasil Total Total 21,6 26,5
Rondônia Total Total 21,4 25,9
Acre Total Total 23,5 24,8
Amazonas Total Total 24,3 26,9
Roraima Total Total 22,3 21,8
Pará Total Total 22,2 26,4
Amapá Total Total 20,6 25,5
Tocantins Total Total 21,6 24,9
Maranhão Total Total 21,3 25,5
Piauí Total Total 20,3 23,4
Ceará Total Total 20,7 25,8
Rio Grande do Norte Total Total 20,4 26,5
Paraíba Total Total 19,7 26,0
Pernambuco Total Total 20,5 29,1
Alagoas Total Total 21,2 30,7
Sergipe Total Total 20,6 26,2
Bahia Total Total 19,6 26,0
Minas Gerais Total Total 20,8 26,8
Espírito Santo Total Total 21,9 26,4
Rio de Janeiro Total Total 21,5 27,5
São Paulo Total Total 23,7 28,0
Paraná Total Total 21,4 26,1
Santa Catarina Total Total 21,1 24,7
Rio Grande do Sul Total Total 19,7 21,6
Mato Grosso do Sul Total Total 23,9 27,8
Mato Grosso Total Total 21,3 23,8
Goiás Total Total 22,2 27,4
Distrito Federal Total Total 20,6 28,1

Ensino Médio

UF  Localização (urbana e rural)
Dependência Administrativa (federal, estadual, municipal, privada)

EM

1 ano

EM

2 ano

EM

3 ano

Brasil Total Total 31,1 29,0 28,8
Rondônia Total Total 28,2 25,9 23,9
Acre Total Total 27,8 26,2 29,5
Amazonas Total Total 29,0 28,7 28,4
Roraima Total Total 23,7 21,4 19,8
Pará Total Total 34,3 31,8 31,0
Amapá Total Total 29,5 27,6 27,3
Tocantins Total Total 27,4 25,0 23,1
Maranhão Total Total 33,3 31,2 30,7
Piauí Total Total 30,7 27,3 26,1
Ceará Total Total 36,5 34,7 34,3
Rio Grande do Norte Total Total 34,6 31,9 31,1
Paraíba Total Total 29,5 26,8 26,2
Pernambuco Total Total 36,1 33,5 32,4
Alagoas Total Total 35,5 32,6 31,5
Sergipe Total Total 32,4 30,2 30,0
Bahia Total Total 30,9 28,3 28,3
Minas Gerais Total Total 31,4 29,0 28,5
Espírito Santo Total Total 32,8 30,0 29,0
Rio de Janeiro Total Total 30,9 28,5 27,8
São Paulo Total Total 31,0 29,6 30,3
Paraná Total Total 29,8 27,8 27,0
Santa Catarina Total Total 28,4 25,6 25,3
Rio Grande do Sul Total Total 26,7 23,6 22,7
Mato Grosso do Sul Total Total 31,9 29,8 29,1
Mato Grosso Total Total 27,7 25,4 23,8
Goiás Total Total 29,3 27,9 27,5
Distrito Federal Total Total 33,5 33,1 33,2

 

 

 

sala cheia

Fonte da foto:

Que lições os conflitos e as guerras podem ofertar para a educação em tempos de pandemia?

Li, gostei muito e apresento abaixo, traduzido, postagem de Sarah Dryden-Peterson , da Harvard School of Education, em 16 abril de 2020, que faz reflexão sobre os ensinamentos que fazer educação para crianças e jovens em meio a conflitos e guerras e como tais ensinamentos podem contribuir no momento atual. O link para a postagem original está aqui.

aprendizagem crise

A UNESCO relata que quase 1,6 bilhão de crianças e jovens agora são afetados pelo fechamento de escolas. Isso significa que mais de 90% das crianças e jovens em todo o mundo agora estão enfrentando interrupções na educação como resultado da disseminação do Covid-19.

A escala desses fechamentos de escolas é sem precedentes, mas a natureza deles não é. Encontramos lições importantes em situações históricas e contemporâneas em que as escolas são fechadas. Nesses casos, vemos que as perdas relacionadas ao fechamento da escola são enormes em termos de aprendizado interrompido, acesso desigual ao aprendizado continuado e isolamento social.

Lições de aprendizagem do fechamento da escola – Podemos mitigar algumas dessas perdas e as formas desiguais pelas quais elas serão vivenciadas se nós, como educadores, famílias, comunidades e pesquisadores, quando nos concentrarmos em algumas lições centrais de outros contextos de fechamento de escolas.

Fechamento de escolas reduz danos imediatos – Uma das decisões mais difíceis que os educadores tomam é fechar escolas. Eles tomam essas decisões em situações em que os danos causados ​​pelas escolas são ou têm o potencial de serem maiores que os benefícios. Embora esses danos possam ser tão concretos e visíveis como quando as escolas são bombardeadas na Síria ou ocupadas por forças armadas na República Democrática do Congo, às vezes esses danos são menos visíveis como no caso atual de uma doença infecciosa,  quando o fechamento da escola é preventivo, visando impedindo a ameaça de uma doença que as crianças ainda não viram ou experimentaram.

Normalmente, o fechamento das escolas é mais longo do que o previsto. A maioria das pessoas que sofrem perturbações como resultado de crises e/ou conflitos, imaginam que será de curta duração. Um conflito médio dura, no entanto, entre dez e vinte e cinco anos. Conflitos e pandemias são certamente situações diferentes, mas são igualmente imprevisíveis. As experiências em contextos de conflito sugerem que o fechamento da escola e a interrupção da escolaridade provavelmente serão mais longas do que o previsto e que o planejamento imediato para o médio e longo prazo é essencial. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) começa a estabelecer estratégias de médio a longo prazo para oferecer educação em ambientes de deslocamento em massa, em vez de uma escola de emergência ad hoc.

As crianças precisam de ferramentas para examinar criticamente situações desafiadoras – Quando ocorrem interrupções, geralmente falamos em restaurar um senso de normalidade para as crianças. No entanto, até crianças pequenas entendem que não há nada normal em nossa atual situação global. Em ambientes de refugiados, descobrimos que crianças que aprendem sobre histórias de conflito e razões para seu deslocamento são mais capazes de lidar com a incerteza, aprender e planejar o futuro. Para prosperar diante das atuais e prováveis ​​interrupções escolares de longo prazo, as crianças precisam entender o pensamento por trás do fechamento da escola, incluindo a ciência da Covid-19, as razões do distanciamento social e os papéis que elas podem desempenhar para impedir sua propagação.

As crianças precisam de relacionamentos para criar pertencimento e sentido de propósito – Sem estar na escola, onde as crianças ganham com a socialização e a construção da comunidade, elas precisam cultivar um sentimento de pertencimento. As relações de pertencimento são fundamentais para a aprendizagem e, em tempos de incerteza, são ainda mais importantes para sustentar. Diários de crianças isoladas em suas casas durante conflitos revelam padrões surpreendentemente semelhantes – crianças sentem falta de seus amigos, professores e risadas e conversas cotidianas.

Para as crianças refugiadas que geralmente são deslocadas dessas relações, descobrimos que as escolas podem criar pertencimento ajudando as crianças a se verem integralmente ligadas a outras pessoas e conectando sua realidade cotidiana ao ensino e aprendizagem sustentados e orientados para o futuro . Apesar de nossa inclinação para focar um dia de cada vez diante das incertezas atuais, famílias e professores devem ajudar as crianças a continuarem a ter objetivos de longo prazo, conectando suas situações atuais e aprendendo com suas idéias e planos para o futuro.

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As crianças precisam de previsibilidade para se sentirem seguras e planejarem o futuro – As crianças precisam de novas rotinas que permitam a previsibilidade, que permitam que as crianças se sintam seguras, forneçam o andaime para pensar além do momento atual e permitam que as crianças se sintam esperançosas em relação ao futuro. Em contextos de conflito como o Afeganistão , as rotinas diárias de aulas e a interação com colegas e professores fornecem previsibilidade para as crianças em meio a crises mais amplas. Como o Covid-19 força as crianças a deixar para trás a previsibilidade de suas rotinas escolares, as famílias precisam criar novas e estáveis ​​rotinas para as crianças.

Essas novas rotinas não precisam ser criadas isoladamente. O fornecimento de educação é frequentemente a primeira maneira pela qual as comunidades de refugiados se reúnem depois de fugir de guerra ou desastre, seja historicamente entre refugiados congoleses em Uganda nos anos 2000 ou refugiados sírios no Líbano no tempo atual. Os professores são tipicamente a linha de frente, reunindo habilidades e recursos para trabalhar com as famílias em direção a objetivos compartilhados de criação de previsibilidade, pertencimento e esperança para o futuro.

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Precisamos de nossos professores mais do que nunca. Todos os dias, quando as crianças estão na escola, os professores respondem às perguntas de como e por quê, fornecem previsibilidade e ajudam a construir relacionamentos e um sentimento de pertencimento. Quando as escolas são fechadas, as crianças precisam saber que seus professores ainda são seus professores, que ainda os amam, que ainda estão comprometidos com seu aprendizado e que trabalharão juntos com suas famílias de novas maneiras. No entanto, os professores não podem fazer isso sozinhos, e há muitas maneiras de apoiá-los.

Em tempos de crise, abordagens padronizadas e amplamente acessíveis são essenciais para ajudar a combater as desigualdades existentes e evitar exacerbá-las, mesmo em sistemas educacionais tipicamente descentralizados como os Estados Unidos. Durante a crise do Ebola na África Ocidental em 2014, os professores gravaram lições no rádio, fornecendo uma voz confiável diretamente nas casas de milhões de crianças. Nos últimos meses, os alunos do ensino fundamental de toda a China aprenderam por meio de lições transmitidas pela televisão pública. Globalmente, os provedores de aprendizado on-line estão disponibilizando materiais gratuitamente e os museus e bibliotecas estão expandindo seu alcance virtual. Com base nesses modelos, governos, ONG´s  e empresas devem unir forças para mobilizar esforços coletivos em larga escala que possam alcançar todas as crianças e mantê-las aprendendo.

Além de abordagens padronizadas, os esforços individuais de professores e famílias são fundamentais. Quando as escolas fecham nos territórios palestinos, os professores distribuem pacotes de aprendizado em casa . Professores refugiados somalis usam a mídia social para fornecer feedback sobre as tarefas para seus alunos, mesmo quando eles estão vivendo a grandes distâncias um do outro. Mensagens de texto simples ou vídeos curtos podem permitir que professores e alunos permaneçam conectados e construam sentidos compartilhados de estabilidade e pertença que nos levarão a esse período incerto.

Crise cria aberturas para novas possibilidades e transformação – O Covid-19 provocou mudanças imprevisíveis e indesejadas na educação de quase todas as crianças e jovens do mundo. Em ambientes semelhantes, também vemos que a interrupção cria aberturas para novas práticas inspiradoras e transformadoras . Professores e famílias se reúnem para reimaginar a educação e, com o apoio de governos, ONG´s e empresas, criar oportunidades para aprendizado contínuo e novo.

Da mesma forma agora, precisamos um do outro mais, não menos. Que essa seja nossa responsabilidade coletiva: trabalhar em solidariedade para que todas as crianças possam continuar aprendendo, com foco na previsibilidade, na construção de relacionamentos e nas habilidades e conhecimentos para lidar com a incerteza.

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Educação Básica em Tempos de Pandemia: 15 Plataformas online e gratuitas para usar em casa

Nunca falamos tanto na importância de metodologias e tecnologias inovadoras na educação do planeta. A pandemia paralisou as aulas em todo o mundo, e bilhões de estudantes estão sem aulas. Esse cenário empurrou para o centro do debate educacional o uso de novas tecnologias e inovação. A pandemia obrigou governos e empresas a multiplicar os esforços para utilizar a inovação e a tecnologia em apoio à aprendizagem remota, educação a distância e aprendizagem on-line. Acredito que o mundo não será mais o mesmo quando retornarmos da quarentena. Sairemos desse processo diferentes, necessariamente, mas a capacidade de sair melhor ou pior desse processo dependerá do que faremos nos próximos dias e meses. Aí entre em cena nossa capacidade de experimentar, inovar, sistematizar esse novo conhecimento, e avaliar como a educação pode ser melhor com o uso dessas ferramentas.

Em quatro momentos diferentes tive a oportunidade de impulsionar iniciativas de inovação e uso da tecnologia na educação básica. Em cada momento fui apresentado ao desafio de inovar sob uma ótica diferente. E em todas as iniciativas pude adquirir experiência e aprendizado sobre o assunto, que aproveito para compartilhar com todos aqui no Blog. Essa postagem busca sistematizar algumas iniciativas interessantes, a partir da minha experiência pessoal com a temática, que podem ser usadas por escolas e redes de ensino, a partir de uma reflexão territorial sobre seu contexto e objetivos.

1 – Edital de Educação Inovadora na FAP-DF – Em 2019, como Presidente da FAP-DF, lideramos o fomento de inovação na educação, por meio do EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO N° 04/2019 – FAPDF – EDUCAÇÃO INOVADORA, no valor de R$ 15 milhões de reais, iniciativa inédita no país, seja pelo valor aportado, seja seja proposta do Edital, que possibilitou habilitar Organizações da Sociedade Civil (OSC) para, em parceria com a FAPDF, executar projetos de educação inovadora.

O Edital trouxe um conceito “macro” de educação inovadora, como aquela que, incluindo o uso de novas tecnologias, sem desprezar as tecnologias tradicionais, rompe paradigmas e práticas pedagógicas e gerenciais da educação vigente, instaurando novos modelos, adequados aos estudantes e à sociedade em que estão inseridos, tendo por propósito maior o bem-viver.

Para quem tiver interesse, clique aqui para acessar o EDITAL, o Anexo de Contexto e Apresentação da Proposta e o Roteiro de Elaboração da Proposta. A proposta foi feita em conjunto com a Secretaria de Educação do GDF e a Fundação Universidade Aberta do GDF, e continua em andamento na FAP-DF.

2 – Catálogo de Plataformas Inovadoras na Secretaria de Educação de SC – Em 2018, fui Diretor de tecnologia e Inovação da Secretaria de Educação de SC. Nessa oportunidade, foi dada grande importância na disponibilização de plataformas online para experimentação da rede estadual. Precisávamos acumular conhecimento com o desafio do uso de plataformas, e para isso fizemos várias parcerias com plataformas que agregavam valor nesse processo. Criamos uma Rede de Escolas Inovadoras, de livre adesão, e que contou com a adesão de 78 unidades escolares do Estado, e definimos 4 grandes eixos de desenvolvimento de habilidades: formação profissionalizante, gestão, STEM e aprendizagens. Fizemos curadoria sobre as plataformas existentes e sistematizamos no Catálogo de Plataformas Inovadoras. Houve grande esforço para articulação de arranjos e parcerias com startups e organizações da sociedade civil. No Relatório INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO CATARINENSE, e nessa outra postagem aqui do Blog, falamos mais sobre a iniciativa.

3 – Laboratório de Inovação em Tecnologia e Metodologia Educacional (LITEM) na Secretaria de Educação de Bombinhas – SC. Em 2014 fui Secretário de Educação de Bombinhas. Com o Plano nacional de Educação recém aprovado, apostamos todas as fichas na elaboração de um Plano Municipal de Educação dialogado e na Inovação.Abrimos espaço na agenda educacional para o processo de inovação, como elemento central do processo de melhoria da qualidade educacional. Foi nesse contexto que foi imaginado a criação de Laboratórios de Inovação em Tecnologia e Metodologia Educacional nas Escolas do município (LITEM). O LITEM tinha como princípios: Aprendizagem personalizada, Disponibilidade de diversas fontes de conhecimento, Aprendizagem em grupo colaborativo e Avaliação para a compreensão mais profunda dos processos de inovação.

Fizemos inúmeras parcerias, com a Fundação Lemann (Khan Academy), Instituto Natura (Redes de Aprendizagem) e Instituto Positivo, entre outras. Aqui nesta postagem falo um pouco da experiência do LITEM. E aqui, aqui , aqui e aqui falo do Plano Municipal de Educação e da experiência de Bombinhas como um todo.

4 – Banco de Propostas Inovadoras, no INEP – Quando fui Diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, duas iniciativas diretamente associadas a Inovação tiveram impulso: os dois Hackathon de Dados Educacionais  de Dados Educacionais, feitos em parceria com a Fundação Lemann, e a criação do Banco de Propostas Inovadoras, que pudemos apoiar por meio de um Edital, e que tem mais informações aqui nesse link. O

O Banco de Propostas Inovadoras tinha por objetivo disseminar ferramentas, com base no uso de tecnologias da informação, que pudessem qualificar o acesso de estudantes de escolas públicas a processos inovadores que envolvam as aferições da educação básica do Inep. Uma das plataformas incorporadas ao Banco foi a Geekie.

A partir dessas experiências, gostaria de recomendar o uso de 15 plataformas online e gratuitas, mediante previa avaliação caso a caso sobre aderência da proposta de cada plataforma, à proposta da escola ou rede:

  1. O Portal da Matemática da OBMEP oferece a todos os alunos e professores do país videoaulas de matemática que cobrem o currículo do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.
  2. O Hot Site Percursos Formativos da TV Escola – Organizado na forma de percurso formativo, tem questões do Enem e link para estudar as temáticas. Matemática – Conheça os percursos de Matemática distribuídos em quatro grandes ilhas do conhecimento: Álgebra e Funções; Estatística e Probabilidade; Geometria, Grandezas e Medidas; e Números e Operações.
  3. O Programa Hora do Enem da TV Escola – São mais de 600 programas e 200 horas de conteúdo alinhado ao que é exigido pelo Enem, feito pela TV escola.
  4. A Khan Academy possui conteúdos de Matemática, Ciências e Língua Portuguesa alinhados à BNCC do Ensino Fundamental. Encontre exercícios, vídeos e artigos.
  5. O Canal do Centro de Mídias da Secretaria de Educação do Amazonas, do Governo do Amazonas, com videoaulas do 6o ano do fundamental ao ensino médio, incluindo EJA.
  6. A Educopédia, que é uma plataforma de aulas digitais da SME do RJ, com material de suporte aos professores, planos de aula, jogos pedagógicos e vídeos, com o objetivo de tornar o ensino mais atraente e mobilizador para crianças e adolescentes, além de instrumentalizar o professor.
  7. O Currículo+ , da Secretaria de Educação do Estado de SP, que visa incentivar a utilização da tecnologia como recurso pedagógico articulado ao Currículo do Estado de São Paulo para inspirar práticas inovadoras em sala de aula a fim de promover maior motivação, engajamento e participação dos alunos com o processo educativo, visando, prioritariamente, o desenvolvimento da aprendizagem.
  8. A Escola Digital, da Fundação Telefônica Vivo e do Instituto Natura, plataforma que oferece a professores, gestores e redes de ensino mais de 30 mil recursos digitais de aprendizagem, que proporcionam interatividade, dinamismo e inovação às práticas pedagógicas.
  9. A plataforma Escolas Conectadas, da Fundação Telefônica, voltada à formação continuada e oferece cursos gratuitos, alinhados às diversas competências e habilidades descritas na BNCC, promovendo sempre uma rica troca de experiência entre educadores.
  10. A Kwigoo, plataforma de Interação e colaboração aluno e professor, em formato de Rede Social e integração a módulo cursos e LMS.
  11. A Cisco Networking Academy trabalha com a  promoção das competências técnicas e empreendedoras de que as pessoas, os educadores e as empresas precisam para mudar o mundo para melhor.
  12. A EduLivre é um projeto da UNESCO e do SESI, que oferece educação gratuita, divertida e aplicada ao mundo real, especialmente para jovens que procuram oportunidades de trabalho e estudo.
  13. O Geekie Games é um jogo com videoaulas, exercícios e simulados que te prepara para o vestibular do curso dos seus sonhos.

  14. O Youtube EDU em parceria com Fundação Lemann, com muito conteúdo para o ensino médio.
  15. O Canal Futura e a Fundação Roberto Marinho liberaram mais de 600 videoaulas de graça no Youtube! Eles lançaram a haschtag #Nem1PraTras e o objetivo é possibilitar que crianças e jovens tenham acesso a aulas de qualidade mesmo com as escolas fechadas e, assim, #EstudeEmCasa.

Importante é ter um plano, com objetivos claros, sobre qual deve ser papel das redes e escolas nessa pandemia. Um plano debatido e dialogado, participativo, somando todas as forças vivas da sociedade, será fundamental não só para atuar na pandemia, mas principalmente, para retomar com velocidade as atividades ao final da quarentena.

Sobre tudo que estamos observando nesse momento, pelo uso das tecnologias a partir de uma necessidade imperiosa, ficam alguns insights a serem consideramos entre os quais incluo:

  • Quem segue apenas o plano de aula antigo não entendeu nada – O fato de o ensino em casa criar estresse pode ter algo a ver com a confusão dos papéis dos pais e professores. Mas o problema real é que alguns professores querem absolutamente passar pelo assunto igualmente como estivesse em sala, sem adequações. Mas isso cria uma pressão que não é apropriada. A maioria das crianças deve ficar impressionada organizando um dia escolar de pelo menos cinco ou seis horas por conta própria e aprendendo de maneira concentrada. As escolas devem, portanto, agora provar que suas estruturas não são tão rígidas quanto se costuma afirmar. As escolas que ajustam rapidamente seus planos continuarão a responder aos desafios com maior confiança.
  • A crise da coronavírus exige respostas às velhas injustiças – A adesão estrita aos currículos e às expectativas de desempenho é um sintoma de outro problema: muitas escolas não aceitaram o fato de que nem todas as crianças recebem o mesmo apoio em casa. Equidade é uma das palavras-chave. Enquanto alguns pais intervêm como “professores substitutos” na crise da coronavírus, o aprendizado digital em outras famílias já falha porque não há impressoras, os pais não têm a educação necessária ou têm outras preocupações. “Quanto mais o fechamento das escolas durar, maiores serão as desigualdades“. A crescente desigualdade nos tempos da coronavírus deve ser um alerta. As escolas devem prestar atenção e promover estratégias diferenciadas para alunos de famílias desfavorecidas criando estruturas vinculativas, por exemplo, com patrocínios de educadores para certos alunos. Eles não só podiam manter contato durante o período coronavírus, acompanhando ou fornecendo apoio necessário. A necessidade de acompanhar os alunos desfavorecidos deve agora ser vista nas escolas. Para isso é preciso financiamento adicional.
  • Quem defende plataformas online não deve esquecer os educadores – Mas também é verdade que o e-learning não deve ser praticado apenas porque pertence à imagem das escolas modernas. Certamente, os alunos precisam adquirir habilidades de mídia, mas raramente foi tão verdade quanto a crise da coronavírus mostrou: nenhuma plataforma online substitui um professor. “O aprendizado só é bem-sucedido através dos relacionamentos” é uma frase popular na formação de professores. As crianças que têm um bom relacionamento com as pessoas na sala de aula aprendem melhor. Muitos professores há muito entendem isso e estão provando isso na crise. Via YouTube, WhatsApp ou e-mail, eles não estão disponíveis apenas como “companheiros de aprendizado”, mas como confidentes, como educadores, sabendo que uma troca de vídeo nunca pode substituir completamente o contato pessoal. Um diretor de uma escola colocou em poucas palavras: “A escola é muito mais do que aprender por si mesma. Trata-se de comunidade“.
  • É preciso aproveitar o momento para fazer ampla reflexão, e mais que isso, experimentação, de ferramentas e tecnologias inovadoras. As escolas e redes devem tomar decisões políticas emergenciais para adotar formas alternativas de ensino, incluindo o aprendizado on-line. Devem fazer isso em articulação com a sociedade e a iniciativa privada, que precisa assumir responsabilidade social adicional neste momento de crise.
  • Busque usar todas as ferramentas de TIC disponíveis, como rádio, TV e dispositivos móveis, para que nenhum aluno seja prejudicado.
  • Identifique e use recursos Educacionais Abertos – REA existentes para fornecer um aprendizado de qualidade. Desenvolva e implemente estratégias para abordagens síncronas e assíncronas.
  • Incentive os professores a usar recursos gratuitos para realizar aulas on-line.
  • Incorpore entre seus objetivos desenvolver alfabetização digital entre alunos, pais e responsáveis. As habilidades digitais são vitais para contribuir ativamente para o mundo de hoje. Essas habilidades tornam-se repentinamente uma necessidade quando surgem problemas como o COVID e o aprendizado digital se torna um requisito.Os educadores também precisam de apoio para saber a melhor forma de apoiar o aprendizado digital.
  • Invista em infraestrutura digital – O acesso à infraestrutura digital – incluindo telefones, laptops e conectividade com a Internet – é uma questão de equidade quando se trata de aprendizado virtual. Com a ameaça do COVID-19, hardware e a infraestrutura podem precisar ser usados ​​de maneira diferente e, na maioria dos contextos, os recursos disponíveis não serão suficientes para atender às necessidades.

Por fim, vou destacar duas iniciativas internacionais interessantes: Aqui o Banco Mundial  e a UNESCO fizeram curadoria de recursos úteis e publicar documentos relacionados coletados e preparados pela suas equipes técnicas em apoio ao diálogo nacional com os formuladores de políticas de todo o mundo.

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Escola nos tempos de coronavírus: O que estamos aprendendo sobre a aprendizagem

Matéria da Revista alemã Der Spiegel, feita por Silke Fokken, e publicada em 14 de abril de 2020, sistematiza alguns dos desafios da educação alemã em tempos de pandemia. Achei muito oportuno e reproduzo aqui para vocês.

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Ainda não está claro quando as escolas na Alemanha serão abertas novamente. Já aprendemos muito na educação em casa – por exemplo, o que terá que mudar na educação no futuro.

O professor da minha filha vive em um mundo de sonhos. Ele acredita que ela se senta na frente da tela às 8:00 da manhã só para vê-lo.” É assim que uma mãe ecoa em um vídeo que atualmente está sendo divulgado nas redes sociais. Por vários minutos, ela diz que o ensino em casa não funciona dessa maneira. Ela tem quatro filhos que discutem constantemente sobre quem vai usar os dois computadores da casa.

Nestes dias de ensino em casa, muito pode ser aprendido sobre o que é realmente importante nas aulas e o que as escolas devem fazer de maneira diferente no futuro.

Apresento cinco teses sobre o que estamos aprendendo nessa pandemia:

1. Quem segue o currículo não entendeu o mandato educacional – O fato de o ensino em casa criar estresse pode ter algo a ver com a confusão dos papéis dos pais e professores. Mas o problema real é que alguns professores querem absolutamente passar pelo assunto igualmente como estivesse em sala, sem adequações. Os alunos devem adquirir o conteúdo em casa por email.

O Saxon Sportgymnasium Chemnitz, por exemplo, escreve para os alunos da quinta série em seu site: “Planeje seu dia como um dia escolar. Demore o tempo que você teria no horário escolar. No final, você deveria ter aprendido tanto quanto aprendeu na escola. Provavelmente, isso também será verificado através de controles (trabalhos de aula, exames). “

É compreensível que as escolas pensem nos tempos pós-coronavírus e saibam que não podem ficar sem fazer nada por semanas. Também é compreensível que eles desejem salvar a normalidade para crianças em idade escolar em um momento caracterizado pela incerteza: se nada parece mais certo, pelo menos o Sr. Müller tem um trabalho de matemática escrito no final.

Mas isso cria uma pressão que não é apropriada. A maioria das crianças deve ficar impressionada organizando um dia escolar de pelo menos cinco ou seis horas por conta própria e aprendendo de maneira concentrada. As escolas devem, portanto, agora provar que suas estruturas não são tão rígidas quanto se costuma afirmar.

Na crise da coronavírus, os professores poderiam estabelecer um tempo limitado de aprendizado, distribuir exercícios – e fornecer idéias para projetos adaptados à situação, independentemente do currículo: lendo bons livros ou assistindo filmes (em língua estrangeira), retratando um “herói na crise da coronavírus”, uma carta para as pessoas escreva no lar de idosos.

As escolas podem mostrar que não necessariamente aderem às regulamentações, mas também dominam e transmitem uma competência essencial em um mundo em rápida mudança: a flexibilidade.

 As escolas que mudam espontaneamente seus planos continuarão a responder aos desafios com maior confiança. Por exemplo, se de repente as crianças com deficiência estiverem sentadas na classe. Ou quase nenhum aluno fala alemão corretamente.

2. A crise da coronavírus exige respostas às velhas injustiças – A adesão estrita aos currículos e às expectativas de desempenho é um sintoma de outro problema: muitas escolas não aceitaram o fato de que nem todas as crianças recebem o mesmo apoio em casa. Equidade é uma das palavras-chave.

Enquanto alguns pais intervêm como “professores substitutos” na crise da coronavírus, o aprendizado digital em outras famílias já falha porque não há impressoras, os pais não têm a educação necessária ou têm outras preocupações. Quão justo é se todas as crianças forem finalmente avaliadas até que ponto chegaram com o material?

Quanto mais o fechamento das escolas durar, maiores serão as desigualdades“, alertaram pesquisadores educacionais, como Marcel Helbig, professor de educação e desigualdade social da Universidade de Erfurt, e várias associações de professores. O problema não é novo. Vários estudos mostraram, pelo menos desde o Pisa em 2001, que o sucesso escolar na Alemanha depende mais da casa da família do que em muitos outros países – mesmo sem uma crise.

A crescente desigualdade nos tempos da coronavírus deve ser um alerta. As escolas devem prestar atenção e promover estratégias diferenciadas para alunos de famílias desfavorecidas criando estruturas vinculativas, por exemplo, com patrocínios de educadores para certos alunos. Eles não só podiam manter contato durante o período coronavírus, acompanhando ou fornecendo apoio necessário.

A necessidade de acompanhar os alunos desfavorecidos deve agora ser vista nas escolas. Para isso é preciso financiamento adicional. O que também é necessário é uma nova ofensiva para a expansão abrangente de boas escolas durante todo o dia, que oferecem almoço, cuidadores confiáveis e apoio abrangente – e são consideradas um meio possível de pelo menos aliviar a desigualdade de oportunidades. Se não for agora, quando?

3. Quem esperar hoje pela política educacional perderá o amanhã – Além da expansão nacional das escolas de tempo integral, a política também atrasou a digitalização nacional das escolas. O pacto digital de um bilhão de dólares só foi decidido após uma eterna luta entre os governos federal e estadual . Mas o dinheiro ainda não chegou a todos os lugares.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação de Educação e Educação (VBE), apenas cerca de metade dos diretores das escolas fizeram pedidos para obter os fundos. Isso é atribuído principalmente à falta de informações e a obstáculos burocráticos.

O ponto principal é que enquanto algumas escolas estão equipadas digitalmente, outras nem sequer têm Wi-Fi em todas as salas de aula. Isso volta para nós agora na atual crise.

4. Quem defende plataformas online não deve esquecer os educadores – Mas também é verdade que o e-learning não deve ser praticado apenas porque pertence à imagem das escolas modernas. Certamente, os alunos precisam adquirir habilidades de mídia, mas raramente foi tão verdade quanto a crise da coronavírus mostrou: nenhuma plataforma online substitui um professor.

“O aprendizado só é bem-sucedido através dos relacionamentos” é uma frase popular na formação de professores. As crianças que têm um bom relacionamento com as pessoas na sala de aula aprendem melhor. Muitos professores há muito entendem isso e estão provando isso na crise.

Via YouTube, WhatsApp ou e-mail, eles não estão disponíveis apenas como “companheiros de aprendizado”, mas como confidentes, como educadores, sabendo que uma troca de vídeo nunca pode substituir completamente o contato pessoal. Um diretor de Hamburgo coloca em poucas palavras:

A escola é muito mais do que aprender por si mesma. Trata-se de comunidade“.

Algumas escolas viveram essa comunidade mais ainda agora, outras menos. No futuro, você deverá garantir que os professores acompanhem as aulas por mais tempo e não mudem continuamente. Que há tempo para ações conjuntas, para pedagogia. Dada a escassez drástica de professores , isso é difícil de implementar, mas ainda é urgentemente necessário.

5. Se você tem alunos moderadamente motivados à sua frente, deve repensar- Outra coisa pode ser vista na educação em casa: o quão bem o aprendizado funciona também depende se os alunos estão acostumados a concluir as tarefas atribuídas a eles dentro de uma estrutura definida, porque precisam fazer isso para obter boas notas. Ou se estão acostumados a aprender da maneira mais independente e autodeterminada possível, especialmente quando praticam escolas com abordagens pedagógicas de reforma.

A ideia: as crianças gostam de aprender quando os adultos deixam, quando oferecem as sugestões necessárias, mas também gostam da liberdade.

Se essa ideia funcionar, crianças e adolescentes adequadamente formados devem ser capazes de lidar bem com a educação em casa – e as escolas com uma abordagem tradicional poderão pensar se o conceito também seria algo para elas quando as operações normais recomeçarem.

Os pais que atualmente estão em casa com filhos moderadamente motivados podem ter até então para seguir o conselho de um professor britânico. Consequentemente, as crianças percebem, desde que a mídia permaneça desligada, em algum momento sem queixas dos adultos, que o aprendizado é um bom passatempo: “Deixe as crianças saírem de férias e se divertirem até ficarem entediadas. Elas começarão a fazer as tarefas por conta própria”, disse Chris Dyson, diretor do Leeds no The Guardian . Ele recomenda aos professores: “As tarefas que estão sendo atribuídas agora não devem servir para melhorar o desempenho, mas para suportar melhor o tédio”.

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Estudo aponta crescimento do mercado global de mobilidade elétrica, que pode chegar a US$ 500 bilhões em 2025

Nesta semana, estou dando alguns passos fora da minha zona de conforto habitual e explorando o campo de alta tecnologia em mobilidade elétrica. Como Presidente da FAP-DF atuei em conjunto com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do DF em favor do programa de eletromobilidade do DF. O programa VEM DF (Veículo para Eletromobilidade) é iniciativa inovadora de compartilhamento de veículos elétricos para frotas públicas. No VEMDF, os servidores distritais cadastrados pelo GDF dirigem veículos e colaboram para a eletromobilidade e a redução da emissão de dióxido de carbono.

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Trato do assunto também porque acabo de ler o “Relatório de análise de mercado, mobilidade e tendências do mercado de mobilidade elétrica por produto (Scooter elétrico, bicicleta elétrica, skate elétrico, motocicleta elétrica, carro elétrico, cadeira de rodas elétrica), por bateria, por Previsões de tensão, por região e por segmento, 2019 – 2025 ” da ResearchAndMarkets.com.

O estudo estima que o tamanho do mercado global de mobilidade elétrica atinja US$ 489.315,6 milhões até 2025. A mobilidade elétrica, ou E-Mobility ou Electro Mobility é cada vez mais responsável por uma parcela significativa da indústria automotiva global e está mudando a maneira como a mobilidade como conceito é concebida pelo usuário final. Governos de todo o mundo estão adotando proativamente estratégias que promovem a adoção de veículos elétricos (VEs) com o objetivo de atingir as metas relacionadas às mudanças climáticas, dependência de petróleo, qualidade do ar local e desenvolvimento industrial. Iniciativas governamentais que visam reduzir a pegada de carbono global, minimizando o consumo de combustível convencional, reduzindo o custo de baterias ecológicas e de alta capacidade, e a crescente preferência do consumidor por mobilidade compartilhada deverão impulsionar o mercado durante o período previsto.

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Espera-se que avanços nos serviços de mobilidade de compartilhamento, como táxi compartilhado, compartilhamento de viagens e compartilhamento de bicicletas e carros, aumentem o consumo de veículos elétricos usados ​​globalmente. No entanto, a falta de conscientização do consumidor referente ao custo de manutenção dos VEs é uma barreira primária à sua adoção generalizada. Embora o custo inicial de um EV exceda o dos carros movidos por motores de combustão, a redução no custo da bateria reduziu os custos dos EVs em grande parte nos últimos quatro anos. Essas tendências favoráveis ​​em relação ao custo, combinadas às mudanças nas preferências do consumidor, provavelmente aumentarão a adoção de VEs, aumentando assim o crescimento do mercado global de mobilidade elétrica.

Geograficamente, Ásia-Pacífico representou mais de 53% do mercado de mobilidade eletrica em 2018. Isso se deve principalmente à presença de alguns dos principais produtores de veículos elétricos em países como o Japão e a China . Além disso, vários países da região estão planejando proibir as vendas de motores de combustão interna e estabeleceram metas para atingir uma certa parcela de veículos elétricos em sua frota de veículos em alguns anos, em um futuro próximo, para promover a adoção de veículos mais limpos. Por exemplo, o governo indiano decidiu aumentar o apoio financeiro para veículos elétricos em até US $ 1,3 bilhão em sua segunda fase do esquema de Adoção e Fabricação Mais Rápida de Veículos (Híbridos e Elétricos – FAME II).

Alemanha

O maior mercado de carros da Europa será o único a assistir no próximo ano. Matéria da Bloomberg aponta que a chanceler Angela Merkel apresentou um pacote climático histórico em setembro com subsídios destinados a aumentar as vendas de veículos elétricos. A política parece estar funcionando, com a Alemanha prestes a superar a Noruega muito menor como líder regional de carros a bateria. Os compradores de carros que pagam menos de 40.000 euros ( US $ 44.000 ) são elegíveis para folhetos de empresas e estados de até 6.000 euros. Isso pode custar até 2,6 bilhões de euros até 2025, estima a BloombergNEF. Na mesma linha do aumento dos investimentos e da mudança de paradigma, a Volkswagen divulgou no último 15 de novembro, um grande aumento no seus investimentos em carros elétricos, consolidando posição de liderança na transição para o transporte livre de emissões e reforçando sua tentativa de colocar o escândalo do diesel firmemente no passado. A empresa se comprometeu a produzir 4 milhões de veículos a bateria adicionais na próxima década e disse que gastaria € 33 bilhões em mobilidade elétrica nos próximos quatro anos. Outros 27 bilhões de euros serão gastos em tecnologia híbrida e digitalização no mesmo período.  A VW, que já planejava produzir 22 milhões de veículos eletrônicos até 2028, prometeu introduzir 75 modelos elétricos e 60 veículos híbridos na próxima década. Executivos de automóveis alemães estão pressionando Berlim para acelerar a instalação de pontos de cobrança e aumentar os incentivos financeiros para carros livres de emissões para aumentar a demanda.

França

No marco zero do acordo climático de Paris, a França está apoiando políticas para promover carros elétricos e estações de carregamento como forma de reduzir as emissões de carbono e apoiar a indústria nacional. O governo tem que agir com cuidado depois que os carros surgiram como um ponto de inflamação durante as enormes manifestações do Colete Amarelo que começaram contra um imposto sobre combustíveis. Os manifestantes disseram que isso prejudicaria os assalariados que não podiam comprar veículos novos, muito menos os elétricos. No mercado nascente, o modelo compacto Zoe da Renault SA emergiu como o veículo totalmente elétrico mais vendido da França até agora este ano, com uma participação de mercado de 43%, à frente do Model 3 e do Nissan Motor Co. segundo a consultoria Inovev. Com 35.000 unidades vendidas na Europa nos primeiros nove meses do ano, a Zoe ainda fica muito atrás do Modelo 3, que registrou quase 63.000, segundo a BloombergNEF. O estado dá tanto como 6.000 euros mais um bônus de conversão para os compradores de carros elétricos. Na região da grande Paris, o governo local melhorou ainda mais a oferta, com subsídios chegando a 14.500 euros quando as contribuições dos governos central e regional são combinadas e o comprador tem uma renda baixa.

Reino Unido

O segundo maior mercado de carros da região é atingido pela incerteza do Brexit, de modo que o crescimento nas vendas de veículos elétricos deu algum alívio à queda mais ampla. As vendas de carros totalmente elétricos mais que dobraram até novembro, para 32.911 unidades, de acordo com a Society of Motor Manufacturers and Traders . No entanto, eles capturaram apenas 1,5% do mercado total. O Reino Unido oferece concessões e descontos em veículos puros de até 3.500 libras, depois de eliminar os subsídios para híbridos no ano passado. Para serem elegíveis, os carros devem ser capazes de viajar 70 milhas sem quaisquer emissões. O lobby da indústria automobilística SMMT também está buscando ajuda do governo para investimentos na fabricação de baterias, além de incentivos e gastos em infraestrutura para ajudar a impulsionar a demanda.

Nórdicos

Enquanto a Noruega deve perder a liderança para a Alemanha em 2019 como o maior mercado da Europa de carros elétricos, os países da região abriram caminho como pioneiros, porque foram os primeiros a oferecer incentivos à compra. O fomento do governo norueguês inclui isenção de impostos, como impostos de importação, imposto sobre valor agregado e taxa anual de circulação, enquanto as autoridades locais também oferecem estacionamento gratuito, isenções de pedágio e carros elétricos podem usar faixas de transporte coletivas. Na Suécia, os compradores de carros elétricos recebem um bônus de até 60.000 coroas suecas ( US $ 6.300 ) na compra. As diferentes abordagens dos dois países sobre incentivos tiveram conseqüências não intencionais, com alguns suecos lucrando com o bônus e depois exportando seu carro elétrico para a Noruega, onde o uso é mais generosamente subsidiado.

 

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Pesquisador é laureado com a Medalha do Mérito da Procuradoria Geral do Distrito Federal

Ser laureado hoje (10/12/2019) com a Medalha Mérito da Procuradoria Geral do Distrito Federal simboliza o final de um ciclo muito importante neste ano de 2019. Um ano intenso e de realizações, de parcerias e de ousadia.

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Agradeço a Procuradoria Geral do DF, na pessoa da Dra. Ludmila Lavocat Galvão Vieira de Carvalho,Procuradora Geral e Chanceler da Medalha, pelo reconhecimento, e dedico essa medalha a equipe da FAP-DF, que acreditou na proposta de transformar a C&T&I do DF no motor do desenvolvimento do DF.

“Ich bin ein Berliner”

Estou em Berlim (22/11/2019) e leio dois discursos que apresentam a importância da cidade para o mundo.

Não posso deixar de registrar como é simbólico estar em Berlim exatos 30 anos após a derrubada do Muro de Berlim.

[…]Dois mil anos atrás, o orgulho mais orgulhoso era “civis Romanus sum”. Hoje, no mundo da liberdade, o orgulho mais orgulhoso é “Ich bin ein Berliner”. Todos os homens livres, onde quer que morem, são cidadãos de Berlim e, portanto, como homem livre, tenho orgulho das palavras “Ich bin ein Berliner”.

Discurso do Presidente John Kennedy em Berlim, em 26 de junho de 1963.

[…] Onde a última guerra terminou, outra Guerra Mundial poderia ter começado facilmente. Tudo o que ficou no caminho foi Berlim. […] Pessoas do mundo – olhem para Berlim!Olhe para Berlim, onde os buracos de bala nos prédios e as sombrias pedras e pilares perto do Portão de Brandenburgo insistem em que nunca esquecemos nossa humanidade comum. […] A queda do muro de Berlim trouxe uma nova esperança. Mas essa proximidade deu origem a novos perigos – perigos que não podem ser contidos dentro das fronteiras de um país ou à distância de um oceano. É por isso que o maior perigo de todos é permitir que novos muros nos separem.Agora é a hora de construir novas pontes em todo o mundo, tão fortes quanto a que nos uniu através do Atlântico. Agora é a hora de se unir, através da cooperação constante, instituições fortes, sacrifício compartilhado, e um compromisso global para o progresso, para enfrentar os desafios do século 21. Essas são as aspirações que se uniram aos destinos de todas as nações nesta cidade. Essas aspirações são maiores do que qualquer coisa que nos afaste. […] É por causa dessas aspirações que todas as pessoas livres – em todos os lugares – se tornaram cidadãos de Berlim. É em busca dessas aspirações que uma nova geração – nossa geração – deve deixar nossa marca no mundo.

Discurso do Senador Obama em Berlim, em 24 de julho de 2008.

Estudo aponta caminhos para a melhoria da qualidade do aprendizado

Acredito que a inovação é fundamental para o progresso da educação. Em todo o mundo, existe o grande desafio de escolas inovadoras, que muitas vezes são rígidas e antiquadas. O mundo está mudando rapidamente. Muitos estudantes estão desmotivados e atingem bem abaixo do seu potencial. Ao mesmo tempo, as expectativas globais para os sistemas educacionais estão se tornando cada vez mais ambiciosas. Por todas essas razões, as escolas e os sistemas devem estar prontos para ir além da zona de conforto do tradicional e do familiar.

Por isso, acredito que a inovação é essencial. Mas como, concretamente, podemos aproveitar esse poder para alavancar o processo de melhoria? Uma referência interessante foi trazida, após uma extensa revisão da literatura, com  mais de 100 líderes de opinião entrevistados e analisando milhares de inovações, por estudo da The Brookings Institution

O estudo da Brookings, “Aprendendo a saltar: pedagogias inovadoras para transformar a educação ”, se concentra em como as inovações no ensino e na aprendizagem podem se enraizar e expandir, colocando o ODS 4 ao alcance. O relatório reúne pesquisas anteriores da OCDE sobre pedagogias inovadoras e o livro “Leapfrogging Inequality”, para repensar e refinar seis pedagogias inovadoras que podem transformar o ensino e a aprendizagem. O estudo propôs uma estrutura e um caminho para apoiar o salto em direção à melhoria. Esse caminho tem dois elementos principais. Primeiro, a experiência de ensino e aprendizagem deve ser transformada para se concentrar cada vez mais no aluno. Segundo, o processo de reconhecimento da aprendizagem dos alunos – seja por meio de exames nacionais ou de notas em sala de aula – deve seguir o exemplo e ser cada vez mais individualizado.

Os autores definem salto como práticas que abordam um ou ambos os problemas. Embora abordar efetivamente a desigualdade de habilidades por si só seja certamente um salto significativo em muitos contextos, argumentam que a comunidade global deve se concentrar em ajudar todas as crianças a desenvolver uma variedade de habilidades, independentemente de seu histórico escolar ou meios. Em outras palavras, sustentam que um avanço deve procurar abordar a desigualdade de habilidades e a incerteza de habilidades ao mesmo tempo.

Para apoiar essas mudanças na experiência de ensino e aprendizagem, os formuladores de políticas precisarão alavancar a tecnologia. Eles também precisarão diversificar as pessoas e os locais onde ocorre o aprendizado, para que os professores sobrecarregados possam obter apoio eficaz de outros membros da comunidade, colegas ou tecnologia.

Em particular, o relatório exige três mudanças estruturais para que essas transformações se enraízem:

  • No nível da força de trabalho docente, os tomadores de decisão em educação devem investir na aprendizagem dos professores e no desenvolvimento profissional para garantir as bases para um ensino de qualidade . Esses fundamentos incluem conhecimento pedagógico e de conteúdo, ensino de diversas habilidades dos alunos e tempo suficiente para o ensino em sala de aula.
  • Olhando além da força de trabalho docente existente, os tomadores de decisão em educação podem ampliar o perfil de quem pode ser considerado um educador . Isso traz experiência especializada e, em muitos casos (embora nem todos), pode “desonerar” os professores das responsabilidades administrativas.
  • A terceira mudança estrutural necessária é estruturar e gerenciar adequadamente os ambientes de aprendizado híbridos – parcerias e modelos que combinam aprendizado formal e não formal e são predominantes no complexo cenário educacional atual. O andaime através de abordagens de modelos e materiais de suporte pode garantir que esses arranjos híbridos ofereçam um aprendizado de qualidade que mova a agulha para avançar.

As três mudanças estruturais destacadas acima apontam para a importância da escala e como a adoção de pedagogias de inovação exigirá a transformação do sistema. O relatório discute como os objetivos da escala devem ir além da quantidade de alunos alcançados e, em vez disso, escalar mudanças profundas, que inclui alterar crenças e normas, difundir inovação, mudar a propriedade para os mais próximos à inovação e aprendizado contínuo. O relatório argumenta que uma maneira de escalar mudanças profundas é alavancar as redes de educação. Professores e outros atores da educação, sem dúvida, se envolverão e aprenderão com seus colegas para implementar práticas inovadoras; assim, um importante caminho para o dimensionamento virá através da densidade e do dinamismo das redes de educação, como cadeias de escolas, comunidades de prática e redes de professores.

Desafios para Inovação na Educação: a Visão da Comissão de Caminhos para a Prosperidade em Tecnologia e Desenvolvimento Inclusivo

Devido ao alto risco de obsolescência de habilidades e automação de tarefas mais ou menos complexas no futuro mundo do trabalho, é imprescindível que inovações educacionais em todas as idades e em todos os níveis de qualificação proponham caminhos de aprendizagem adaptáveis ​​que se ajustem melhor aos perfis de os alunos. No entanto, é importante dizer que, sem ações reais que promovam a igualdade social e oportunidades para todos, uma grande quantidade de pessoas que não têm acesso a essas novas tecnologias será completamente excluída do contexto de trabalho do futuro. Abordar isso é extremamente importante para promover o crescimento inclusivo e dar a todos a chance de ter sucesso como trabalhador, mas acima de tudo como cidadão. A orientação educacional e de carreira se torna um assunto central, especialmente quando as trajetórias de carreira se tornam cada vez menos lineares e setores profissionais inteiros estão sendo transformados com a destruição e a criação de novos empregos.

Estudando o assunto, tive acesso a importante documento da “Pathways for Prosperity Commission on Technology and Inclusive Development” – a Comissão de Caminhos para a Prosperidade em Tecnologia e Desenvolvimento Inclusivo foi lançada em janeiro de 2018 pela Escola de Governo Blavatnik da Universidade de Oxford, e colabora com parceiros internacionais de desenvolvimento, governos de países em desenvolvimento, líderes do setor privado, empresários emergentes e sociedade civil, com o objetivo de catalisar novas conversas e incentivar o co-design de soluções em nível nacional, destinadas a fazer com que as tecnologias de ponta funcionem em benefício dos homens e mulheres mais pobres e marginalizados do mundo.

Nesse estudo, é apresentado uma interessante visão de futuro próximo para a  educação na era digital, em que as tecnologias digitais permitirão que os países reimaginem completamente a prestação de serviços de educação. O documento destaca cinco visões de como as ferramentas orientadas pela tecnologia e os dados que as sustentam podem melhorar a prestação de serviços de saúde e educação no futuro. Ressalta ainda que os governos podem alcançar essas visões futuras se conseguirem os investimentos certos e fizerem escolhas estratégicas de design holístico que resolvam os problemas primeiro e usam tecnologia apropriada, eficaz e sustentável.

Visão 1: Sistemas de aprendizagem – A coleta cuidadosa e deliberada de dados de baixo custo possibilitará aos sistemas de saúde e educação, suportados por tecnologias digitais e inteligência artificial ou aprendizado de máquina, aprender e melhorar continuamente, criando loops de feedback para a tomada de decisões em todos os níveis.

Visão 2: Sistemas proativos – Os sistemas do futuro têm o potencial de serem sistemas pró-ativos e inclusivos , visando os cidadãos mais necessitados de serviços. Os serviços de educação e saúde podem ser fornecidos para aqueles que não são alcançados pelos métodos convencionais, atraindo recursos tecnológicos não apenas para aqueles que podem pagar, mas para aqueles que mais precisam.

Visão 3: Sistemas personalizados – A aprendizagem e os cuidados com a saúde serão personalizados de maneiras que podem ser adaptadas às necessidades individuais de todos, até os mais pobres e os que ficam mais para trás.

Visão 4: Mudança de papéis dos trabalhadores – A automação e novos formatos de prestação de serviços redefinirão, mas não diminuirão, os papéis dos professores e da equipe de saúde .

Visão 5: Sistemas Virtuais – O aprimoramento das tecnologias de comunicação (de telefones ao link de vídeo e, talvez, à realidade virtual) cria a oportunidade para um sistema virtual , derrubando as paredes de salas de aula e clínicas e fornecendo conhecimento mesmo para áreas remotas.

O documento reafirma a importância de planejar a escala e trazer tecnologias digitais para os sistemas de saúde e educação. Hoje, as decisões tomadas por financiadores e formuladores de políticas determinarão se a implantação de tecnologias digitais exacerbará falhas e desigualdades já presentes ou, em vez disso, será uma força para perturbações positivas, levando a sistemas mais eficazes, eficientes e equitativos. Para implementação em escala, o foco precisará estar na promoção da inovação nos setores público e privado, garantindo que o progresso seja inclusivo e criando as bases digitais certas. O principal fator para o sucesso no uso de tecnologias digitais na prestação de serviços – o uso efetivo de dados – requer um foco na criação das bases e blocos de construção digitais que possibilitem uma correta implementação.

Os governos devem criar espaço para inovação na prestação de serviços, tanto no setor público quanto com atores privados. Acesso, acessibilidade e alfabetização digital devem receber atenção especial para garantir que os serviços de educação e saúde sejam inclusivos. Os dados serão o combustível que alimentará os futuros sistemas digitais. As cinco visões futuras apresentadas no relatório dependem de dados para reimaginar o design e a arquitetura desses sistemas. No entanto, nem todos os países entram na era digital em pé de igualdade. Antes da implementação das tecnologias digitais, os países devem garantir a existência das bases digitais certas: infraestrutura digital, como acesso a eletricidade e internet, e habilidades digitais. O acesso inclusivo precisa ser incorporado, e não ser uma reflexão tardia. É necessário estabelecer regras claras sobre governança e privacidade de dados: essas visões futuras exigem uma centralização significativa de dados sobre os cidadãos e, embora a vantagem potencial seja grande, o potencial de danos também é grande.

Como fazer isso?
A documento trabalha com a proposta de ruptura positiva baseada em quatro princípios para todos – cidadãos, trabalhadores, formuladores de políticas, financiadores e empresários – para aproveitar as oportunidades da era digital para melhorar a saúde e a educação e evitar as possíveis armadilhas.

Princípio 1 – Implante a tecnologia somente quando oferecer uma solução apropriada e econômica para um problema real.

Princípio 2 – Concentre-se no conteúdo, no compartilhamento de dados e nas conexões do sistema ativadas pela tecnologia digital, não exclusivamente no hardware.

Princípio 3 – Invista em blocos de construção digitais, não apenas na coleta em massa de dados brutos, a fim de avançar para os sistemas do futuro.

Princípio 4 – Garanta que a tecnologia realmente funcione para todos, envidando esforços deliberados para se engajar e criar soluções para as pessoas que normalmente são deixadas para trás.

No Policy brief que acompanha o documento para a área de educação, é apresentado um checklist com 4 pontos para o bom desenvolvimento de políticas públicas alinhadas a visão e aos princípios do documento, e destaco dois aqui:

  • Equipar os professores com ferramentas de conhecimento para apoiar seu trabalho. A tecnologia digital fornece uma nova e rapidamente escalável canal de distribuição para obter as orientações mais recentes nas mãos de professores.  Isso pode incluir diretrizes para planos de aula, mensagens, serviços para trocar conselhos e boas práticas, bem como bibliotecas ou materiais de vídeo. Por exemplo, no Quênia, Tusome Early Grade Reading Activity é uma plataforma de alfabetização digital com ensino materiais e feedback dos professores em tablets. Na Índia, a DIKSHA é uma crescente biblioteca digital com curadoria, com planos e materiais de aula. Além de diminuir as lacunas de conhecimento entre os trabalhadores da linha de frente, as ferramentas também os ajudam a participar de ciclos de feedback – fornecendo informações para gerentes e planejadores.
  • Teste a tecnologia digital e aprenda através de Personalização. Alcançar impacto com as novas tecnologias é notoriamente difícil. Ferramentas que funcionam em um contexto podem falhar em outro. As instituições de ensino devem adotar protocolos administrativos e de tomada de decisão que permitam o co-design, o aprendizado rápido e um cultura organizacional que aceita risco de falha. Grupos de pesquisa e organizações (como a Central Square Foundation) continuam avaliar novas intervenções, mas essas tecnologias “comprovadas” quase certamente precisa ser adaptado para trabalhar em novos contextos. Naturalmente, as compras são mais caras em pequena escala, mas os doadores e outras organizações podem ajudar a financiar a personalização, o design de código e o teste.

Dessa forma, é possível afirmar que a tecnologia bem integrada e projetada propositadamente para um sistema local pode fazer uma diferença real, especialmente quando esse ambiente favorável é adequado e os blocos de construção corretos estão no lugar. Em outras palavras, essa mesma tecnologia – ou similar – pode oferecer melhorias reais. Um grande estudo de controle randomizado na zona rural da China, onde as TIC foram introduzidas nas aulas de inglês, mostrou que a implantação de equipamentos digitais nas escolas não teve nenhum efeito no aprendizado. Mas quando o equipamento foi integrado às práticas de ensino, ele teve um efeito; os resultados dos testes dos alunos da quinta série melhoraram em 0,08 desvios-padrão. O Tusome, um programa nacional de alfabetização introduzido pelo Ministério da Educação do Quênia, inclui materiais didáticos digitalizados e feedback de professores habilitados para tablets em 25.000 escolas. Quando usado entre as disciplinas, o Tusome fechou a lacuna entre o que as crianças deveriam ter aprendido após um determinado período na escola versus o que elas realmente aprendem.

Então, quando formos perguntados como os governos podem fazer isso direito, temos no documento da Comissão de Caminhos para a Prosperidade – co-presidida por Melinda Gates, Sri Mulyani Indrawati e Strive Masiyiwa – podemos utilizar alguns princípios sugeridos como uma referência para que os governos possam seguir uma implementação bem-sucedida. Entre esses princípios destaco ‘diagnosticar o problema antes de assumir que a tecnologia pode consertá-lo’ e ‘focar no software (por exemplo, habilidades e treinamento) e não apenas no hardware brilhante’.