Estudo aponta crescimento do mercado global de mobilidade elétrica, que pode chegar a US$ 500 bilhões em 2025

Nesta semana, estou dando alguns passos fora da minha zona de conforto habitual e explorando o campo de alta tecnologia em mobilidade elétrica. Como Presidente da FAP-DF atuei em conjunto com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do DF em favor do programa de eletromobilidade do DF. O programa VEM DF (Veículo para Eletromobilidade) é iniciativa inovadora de compartilhamento de veículos elétricos para frotas públicas. No VEMDF, os servidores distritais cadastrados pelo GDF dirigem veículos e colaboram para a eletromobilidade e a redução da emissão de dióxido de carbono.

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Trato do assunto também porque acabo de ler o “Relatório de análise de mercado, mobilidade e tendências do mercado de mobilidade elétrica por produto (Scooter elétrico, bicicleta elétrica, skate elétrico, motocicleta elétrica, carro elétrico, cadeira de rodas elétrica), por bateria, por Previsões de tensão, por região e por segmento, 2019 – 2025 ” da ResearchAndMarkets.com.

O estudo estima que o tamanho do mercado global de mobilidade elétrica atinja US$ 489.315,6 milhões até 2025. A mobilidade elétrica, ou E-Mobility ou Electro Mobility é cada vez mais responsável por uma parcela significativa da indústria automotiva global e está mudando a maneira como a mobilidade como conceito é concebida pelo usuário final. Governos de todo o mundo estão adotando proativamente estratégias que promovem a adoção de veículos elétricos (VEs) com o objetivo de atingir as metas relacionadas às mudanças climáticas, dependência de petróleo, qualidade do ar local e desenvolvimento industrial. Iniciativas governamentais que visam reduzir a pegada de carbono global, minimizando o consumo de combustível convencional, reduzindo o custo de baterias ecológicas e de alta capacidade, e a crescente preferência do consumidor por mobilidade compartilhada deverão impulsionar o mercado durante o período previsto.

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Espera-se que avanços nos serviços de mobilidade de compartilhamento, como táxi compartilhado, compartilhamento de viagens e compartilhamento de bicicletas e carros, aumentem o consumo de veículos elétricos usados ​​globalmente. No entanto, a falta de conscientização do consumidor referente ao custo de manutenção dos VEs é uma barreira primária à sua adoção generalizada. Embora o custo inicial de um EV exceda o dos carros movidos por motores de combustão, a redução no custo da bateria reduziu os custos dos EVs em grande parte nos últimos quatro anos. Essas tendências favoráveis ​​em relação ao custo, combinadas às mudanças nas preferências do consumidor, provavelmente aumentarão a adoção de VEs, aumentando assim o crescimento do mercado global de mobilidade elétrica.

Geograficamente, Ásia-Pacífico representou mais de 53% do mercado de mobilidade eletrica em 2018. Isso se deve principalmente à presença de alguns dos principais produtores de veículos elétricos em países como o Japão e a China . Além disso, vários países da região estão planejando proibir as vendas de motores de combustão interna e estabeleceram metas para atingir uma certa parcela de veículos elétricos em sua frota de veículos em alguns anos, em um futuro próximo, para promover a adoção de veículos mais limpos. Por exemplo, o governo indiano decidiu aumentar o apoio financeiro para veículos elétricos em até US $ 1,3 bilhão em sua segunda fase do esquema de Adoção e Fabricação Mais Rápida de Veículos (Híbridos e Elétricos – FAME II).

Alemanha

O maior mercado de carros da Europa será o único a assistir no próximo ano. Matéria da Bloomberg aponta que a chanceler Angela Merkel apresentou um pacote climático histórico em setembro com subsídios destinados a aumentar as vendas de veículos elétricos. A política parece estar funcionando, com a Alemanha prestes a superar a Noruega muito menor como líder regional de carros a bateria. Os compradores de carros que pagam menos de 40.000 euros ( US $ 44.000 ) são elegíveis para folhetos de empresas e estados de até 6.000 euros. Isso pode custar até 2,6 bilhões de euros até 2025, estima a BloombergNEF. Na mesma linha do aumento dos investimentos e da mudança de paradigma, a Volkswagen divulgou no último 15 de novembro, um grande aumento no seus investimentos em carros elétricos, consolidando posição de liderança na transição para o transporte livre de emissões e reforçando sua tentativa de colocar o escândalo do diesel firmemente no passado. A empresa se comprometeu a produzir 4 milhões de veículos a bateria adicionais na próxima década e disse que gastaria € 33 bilhões em mobilidade elétrica nos próximos quatro anos. Outros 27 bilhões de euros serão gastos em tecnologia híbrida e digitalização no mesmo período.  A VW, que já planejava produzir 22 milhões de veículos eletrônicos até 2028, prometeu introduzir 75 modelos elétricos e 60 veículos híbridos na próxima década. Executivos de automóveis alemães estão pressionando Berlim para acelerar a instalação de pontos de cobrança e aumentar os incentivos financeiros para carros livres de emissões para aumentar a demanda.

França

No marco zero do acordo climático de Paris, a França está apoiando políticas para promover carros elétricos e estações de carregamento como forma de reduzir as emissões de carbono e apoiar a indústria nacional. O governo tem que agir com cuidado depois que os carros surgiram como um ponto de inflamação durante as enormes manifestações do Colete Amarelo que começaram contra um imposto sobre combustíveis. Os manifestantes disseram que isso prejudicaria os assalariados que não podiam comprar veículos novos, muito menos os elétricos. No mercado nascente, o modelo compacto Zoe da Renault SA emergiu como o veículo totalmente elétrico mais vendido da França até agora este ano, com uma participação de mercado de 43%, à frente do Model 3 e do Nissan Motor Co. segundo a consultoria Inovev. Com 35.000 unidades vendidas na Europa nos primeiros nove meses do ano, a Zoe ainda fica muito atrás do Modelo 3, que registrou quase 63.000, segundo a BloombergNEF. O estado dá tanto como 6.000 euros mais um bônus de conversão para os compradores de carros elétricos. Na região da grande Paris, o governo local melhorou ainda mais a oferta, com subsídios chegando a 14.500 euros quando as contribuições dos governos central e regional são combinadas e o comprador tem uma renda baixa.

Reino Unido

O segundo maior mercado de carros da região é atingido pela incerteza do Brexit, de modo que o crescimento nas vendas de veículos elétricos deu algum alívio à queda mais ampla. As vendas de carros totalmente elétricos mais que dobraram até novembro, para 32.911 unidades, de acordo com a Society of Motor Manufacturers and Traders . No entanto, eles capturaram apenas 1,5% do mercado total. O Reino Unido oferece concessões e descontos em veículos puros de até 3.500 libras, depois de eliminar os subsídios para híbridos no ano passado. Para serem elegíveis, os carros devem ser capazes de viajar 70 milhas sem quaisquer emissões. O lobby da indústria automobilística SMMT também está buscando ajuda do governo para investimentos na fabricação de baterias, além de incentivos e gastos em infraestrutura para ajudar a impulsionar a demanda.

Nórdicos

Enquanto a Noruega deve perder a liderança para a Alemanha em 2019 como o maior mercado da Europa de carros elétricos, os países da região abriram caminho como pioneiros, porque foram os primeiros a oferecer incentivos à compra. O fomento do governo norueguês inclui isenção de impostos, como impostos de importação, imposto sobre valor agregado e taxa anual de circulação, enquanto as autoridades locais também oferecem estacionamento gratuito, isenções de pedágio e carros elétricos podem usar faixas de transporte coletivas. Na Suécia, os compradores de carros elétricos recebem um bônus de até 60.000 coroas suecas ( US $ 6.300 ) na compra. As diferentes abordagens dos dois países sobre incentivos tiveram conseqüências não intencionais, com alguns suecos lucrando com o bônus e depois exportando seu carro elétrico para a Noruega, onde o uso é mais generosamente subsidiado.

 

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Pesquisador é laureado com a Medalha do Mérito da Procuradoria Geral do Distrito Federal

Ser laureado hoje (10/12/2019) com a Medalha Mérito da Procuradoria Geral do Distrito Federal simboliza o final de um ciclo muito importante neste ano de 2019. Um ano intenso e de realizações, de parcerias e de ousadia.

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Agradeço a Procuradoria Geral do DF, na pessoa da Dra. Ludmila Lavocat Galvão Vieira de Carvalho,Procuradora Geral e Chanceler da Medalha, pelo reconhecimento, e dedico essa medalha a equipe da FAP-DF, que acreditou na proposta de transformar a C&T&I do DF no motor do desenvolvimento do DF.

“Ich bin ein Berliner”

Estou em Berlim (22/11/2019) e leio dois discursos que apresentam a importância da cidade para o mundo.

Não posso deixar de registrar como é simbólico estar em Berlim exatos 30 anos após a derrubada do Muro de Berlim.

[…]Dois mil anos atrás, o orgulho mais orgulhoso era “civis Romanus sum”. Hoje, no mundo da liberdade, o orgulho mais orgulhoso é “Ich bin ein Berliner”. Todos os homens livres, onde quer que morem, são cidadãos de Berlim e, portanto, como homem livre, tenho orgulho das palavras “Ich bin ein Berliner”.

Discurso do Presidente John Kennedy em Berlim, em 26 de junho de 1963.

[…] Onde a última guerra terminou, outra Guerra Mundial poderia ter começado facilmente. Tudo o que ficou no caminho foi Berlim. […] Pessoas do mundo – olhem para Berlim!Olhe para Berlim, onde os buracos de bala nos prédios e as sombrias pedras e pilares perto do Portão de Brandenburgo insistem em que nunca esquecemos nossa humanidade comum. […] A queda do muro de Berlim trouxe uma nova esperança. Mas essa proximidade deu origem a novos perigos – perigos que não podem ser contidos dentro das fronteiras de um país ou à distância de um oceano. É por isso que o maior perigo de todos é permitir que novos muros nos separem.Agora é a hora de construir novas pontes em todo o mundo, tão fortes quanto a que nos uniu através do Atlântico. Agora é a hora de se unir, através da cooperação constante, instituições fortes, sacrifício compartilhado, e um compromisso global para o progresso, para enfrentar os desafios do século 21. Essas são as aspirações que se uniram aos destinos de todas as nações nesta cidade. Essas aspirações são maiores do que qualquer coisa que nos afaste. […] É por causa dessas aspirações que todas as pessoas livres – em todos os lugares – se tornaram cidadãos de Berlim. É em busca dessas aspirações que uma nova geração – nossa geração – deve deixar nossa marca no mundo.

Discurso do Senador Obama em Berlim, em 24 de julho de 2008.

Estudo aponta caminhos para a melhoria da qualidade do aprendizado

Acredito que a inovação é fundamental para o progresso da educação. Em todo o mundo, existe o grande desafio de escolas inovadoras, que muitas vezes são rígidas e antiquadas. O mundo está mudando rapidamente. Muitos estudantes estão desmotivados e atingem bem abaixo do seu potencial. Ao mesmo tempo, as expectativas globais para os sistemas educacionais estão se tornando cada vez mais ambiciosas. Por todas essas razões, as escolas e os sistemas devem estar prontos para ir além da zona de conforto do tradicional e do familiar.

Por isso, acredito que a inovação é essencial. Mas como, concretamente, podemos aproveitar esse poder para alavancar o processo de melhoria? Uma referência interessante foi trazida, após uma extensa revisão da literatura, com  mais de 100 líderes de opinião entrevistados e analisando milhares de inovações, por estudo da The Brookings Institution

O estudo da Brookings, “Aprendendo a saltar: pedagogias inovadoras para transformar a educação ”, se concentra em como as inovações no ensino e na aprendizagem podem se enraizar e expandir, colocando o ODS 4 ao alcance. O relatório reúne pesquisas anteriores da OCDE sobre pedagogias inovadoras e o livro “Leapfrogging Inequality”, para repensar e refinar seis pedagogias inovadoras que podem transformar o ensino e a aprendizagem. O estudo propôs uma estrutura e um caminho para apoiar o salto em direção à melhoria. Esse caminho tem dois elementos principais. Primeiro, a experiência de ensino e aprendizagem deve ser transformada para se concentrar cada vez mais no aluno. Segundo, o processo de reconhecimento da aprendizagem dos alunos – seja por meio de exames nacionais ou de notas em sala de aula – deve seguir o exemplo e ser cada vez mais individualizado.

Os autores definem salto como práticas que abordam um ou ambos os problemas. Embora abordar efetivamente a desigualdade de habilidades por si só seja certamente um salto significativo em muitos contextos, argumentam que a comunidade global deve se concentrar em ajudar todas as crianças a desenvolver uma variedade de habilidades, independentemente de seu histórico escolar ou meios. Em outras palavras, sustentam que um avanço deve procurar abordar a desigualdade de habilidades e a incerteza de habilidades ao mesmo tempo.

Para apoiar essas mudanças na experiência de ensino e aprendizagem, os formuladores de políticas precisarão alavancar a tecnologia. Eles também precisarão diversificar as pessoas e os locais onde ocorre o aprendizado, para que os professores sobrecarregados possam obter apoio eficaz de outros membros da comunidade, colegas ou tecnologia.

Em particular, o relatório exige três mudanças estruturais para que essas transformações se enraízem:

  • No nível da força de trabalho docente, os tomadores de decisão em educação devem investir na aprendizagem dos professores e no desenvolvimento profissional para garantir as bases para um ensino de qualidade . Esses fundamentos incluem conhecimento pedagógico e de conteúdo, ensino de diversas habilidades dos alunos e tempo suficiente para o ensino em sala de aula.
  • Olhando além da força de trabalho docente existente, os tomadores de decisão em educação podem ampliar o perfil de quem pode ser considerado um educador . Isso traz experiência especializada e, em muitos casos (embora nem todos), pode “desonerar” os professores das responsabilidades administrativas.
  • A terceira mudança estrutural necessária é estruturar e gerenciar adequadamente os ambientes de aprendizado híbridos – parcerias e modelos que combinam aprendizado formal e não formal e são predominantes no complexo cenário educacional atual. O andaime através de abordagens de modelos e materiais de suporte pode garantir que esses arranjos híbridos ofereçam um aprendizado de qualidade que mova a agulha para avançar.

As três mudanças estruturais destacadas acima apontam para a importância da escala e como a adoção de pedagogias de inovação exigirá a transformação do sistema. O relatório discute como os objetivos da escala devem ir além da quantidade de alunos alcançados e, em vez disso, escalar mudanças profundas, que inclui alterar crenças e normas, difundir inovação, mudar a propriedade para os mais próximos à inovação e aprendizado contínuo. O relatório argumenta que uma maneira de escalar mudanças profundas é alavancar as redes de educação. Professores e outros atores da educação, sem dúvida, se envolverão e aprenderão com seus colegas para implementar práticas inovadoras; assim, um importante caminho para o dimensionamento virá através da densidade e do dinamismo das redes de educação, como cadeias de escolas, comunidades de prática e redes de professores.

Desafios para Inovação na Educação: a Visão da Comissão de Caminhos para a Prosperidade em Tecnologia e Desenvolvimento Inclusivo

Devido ao alto risco de obsolescência de habilidades e automação de tarefas mais ou menos complexas no futuro mundo do trabalho, é imprescindível que inovações educacionais em todas as idades e em todos os níveis de qualificação proponham caminhos de aprendizagem adaptáveis ​​que se ajustem melhor aos perfis de os alunos. No entanto, é importante dizer que, sem ações reais que promovam a igualdade social e oportunidades para todos, uma grande quantidade de pessoas que não têm acesso a essas novas tecnologias será completamente excluída do contexto de trabalho do futuro. Abordar isso é extremamente importante para promover o crescimento inclusivo e dar a todos a chance de ter sucesso como trabalhador, mas acima de tudo como cidadão. A orientação educacional e de carreira se torna um assunto central, especialmente quando as trajetórias de carreira se tornam cada vez menos lineares e setores profissionais inteiros estão sendo transformados com a destruição e a criação de novos empregos.

Estudando o assunto, tive acesso a importante documento da “Pathways for Prosperity Commission on Technology and Inclusive Development” – a Comissão de Caminhos para a Prosperidade em Tecnologia e Desenvolvimento Inclusivo foi lançada em janeiro de 2018 pela Escola de Governo Blavatnik da Universidade de Oxford, e colabora com parceiros internacionais de desenvolvimento, governos de países em desenvolvimento, líderes do setor privado, empresários emergentes e sociedade civil, com o objetivo de catalisar novas conversas e incentivar o co-design de soluções em nível nacional, destinadas a fazer com que as tecnologias de ponta funcionem em benefício dos homens e mulheres mais pobres e marginalizados do mundo.

Nesse estudo, é apresentado uma interessante visão de futuro próximo para a  educação na era digital, em que as tecnologias digitais permitirão que os países reimaginem completamente a prestação de serviços de educação. O documento destaca cinco visões de como as ferramentas orientadas pela tecnologia e os dados que as sustentam podem melhorar a prestação de serviços de saúde e educação no futuro. Ressalta ainda que os governos podem alcançar essas visões futuras se conseguirem os investimentos certos e fizerem escolhas estratégicas de design holístico que resolvam os problemas primeiro e usam tecnologia apropriada, eficaz e sustentável.

Visão 1: Sistemas de aprendizagem – A coleta cuidadosa e deliberada de dados de baixo custo possibilitará aos sistemas de saúde e educação, suportados por tecnologias digitais e inteligência artificial ou aprendizado de máquina, aprender e melhorar continuamente, criando loops de feedback para a tomada de decisões em todos os níveis.

Visão 2: Sistemas proativos – Os sistemas do futuro têm o potencial de serem sistemas pró-ativos e inclusivos , visando os cidadãos mais necessitados de serviços. Os serviços de educação e saúde podem ser fornecidos para aqueles que não são alcançados pelos métodos convencionais, atraindo recursos tecnológicos não apenas para aqueles que podem pagar, mas para aqueles que mais precisam.

Visão 3: Sistemas personalizados – A aprendizagem e os cuidados com a saúde serão personalizados de maneiras que podem ser adaptadas às necessidades individuais de todos, até os mais pobres e os que ficam mais para trás.

Visão 4: Mudança de papéis dos trabalhadores – A automação e novos formatos de prestação de serviços redefinirão, mas não diminuirão, os papéis dos professores e da equipe de saúde .

Visão 5: Sistemas Virtuais – O aprimoramento das tecnologias de comunicação (de telefones ao link de vídeo e, talvez, à realidade virtual) cria a oportunidade para um sistema virtual , derrubando as paredes de salas de aula e clínicas e fornecendo conhecimento mesmo para áreas remotas.

O documento reafirma a importância de planejar a escala e trazer tecnologias digitais para os sistemas de saúde e educação. Hoje, as decisões tomadas por financiadores e formuladores de políticas determinarão se a implantação de tecnologias digitais exacerbará falhas e desigualdades já presentes ou, em vez disso, será uma força para perturbações positivas, levando a sistemas mais eficazes, eficientes e equitativos. Para implementação em escala, o foco precisará estar na promoção da inovação nos setores público e privado, garantindo que o progresso seja inclusivo e criando as bases digitais certas. O principal fator para o sucesso no uso de tecnologias digitais na prestação de serviços – o uso efetivo de dados – requer um foco na criação das bases e blocos de construção digitais que possibilitem uma correta implementação.

Os governos devem criar espaço para inovação na prestação de serviços, tanto no setor público quanto com atores privados. Acesso, acessibilidade e alfabetização digital devem receber atenção especial para garantir que os serviços de educação e saúde sejam inclusivos. Os dados serão o combustível que alimentará os futuros sistemas digitais. As cinco visões futuras apresentadas no relatório dependem de dados para reimaginar o design e a arquitetura desses sistemas. No entanto, nem todos os países entram na era digital em pé de igualdade. Antes da implementação das tecnologias digitais, os países devem garantir a existência das bases digitais certas: infraestrutura digital, como acesso a eletricidade e internet, e habilidades digitais. O acesso inclusivo precisa ser incorporado, e não ser uma reflexão tardia. É necessário estabelecer regras claras sobre governança e privacidade de dados: essas visões futuras exigem uma centralização significativa de dados sobre os cidadãos e, embora a vantagem potencial seja grande, o potencial de danos também é grande.

Como fazer isso?
A documento trabalha com a proposta de ruptura positiva baseada em quatro princípios para todos – cidadãos, trabalhadores, formuladores de políticas, financiadores e empresários – para aproveitar as oportunidades da era digital para melhorar a saúde e a educação e evitar as possíveis armadilhas.

Princípio 1 – Implante a tecnologia somente quando oferecer uma solução apropriada e econômica para um problema real.

Princípio 2 – Concentre-se no conteúdo, no compartilhamento de dados e nas conexões do sistema ativadas pela tecnologia digital, não exclusivamente no hardware.

Princípio 3 – Invista em blocos de construção digitais, não apenas na coleta em massa de dados brutos, a fim de avançar para os sistemas do futuro.

Princípio 4 – Garanta que a tecnologia realmente funcione para todos, envidando esforços deliberados para se engajar e criar soluções para as pessoas que normalmente são deixadas para trás.

No Policy brief que acompanha o documento para a área de educação, é apresentado um checklist com 4 pontos para o bom desenvolvimento de políticas públicas alinhadas a visão e aos princípios do documento, e destaco dois aqui:

  • Equipar os professores com ferramentas de conhecimento para apoiar seu trabalho. A tecnologia digital fornece uma nova e rapidamente escalável canal de distribuição para obter as orientações mais recentes nas mãos de professores.  Isso pode incluir diretrizes para planos de aula, mensagens, serviços para trocar conselhos e boas práticas, bem como bibliotecas ou materiais de vídeo. Por exemplo, no Quênia, Tusome Early Grade Reading Activity é uma plataforma de alfabetização digital com ensino materiais e feedback dos professores em tablets. Na Índia, a DIKSHA é uma crescente biblioteca digital com curadoria, com planos e materiais de aula. Além de diminuir as lacunas de conhecimento entre os trabalhadores da linha de frente, as ferramentas também os ajudam a participar de ciclos de feedback – fornecendo informações para gerentes e planejadores.
  • Teste a tecnologia digital e aprenda através de Personalização. Alcançar impacto com as novas tecnologias é notoriamente difícil. Ferramentas que funcionam em um contexto podem falhar em outro. As instituições de ensino devem adotar protocolos administrativos e de tomada de decisão que permitam o co-design, o aprendizado rápido e um cultura organizacional que aceita risco de falha. Grupos de pesquisa e organizações (como a Central Square Foundation) continuam avaliar novas intervenções, mas essas tecnologias “comprovadas” quase certamente precisa ser adaptado para trabalhar em novos contextos. Naturalmente, as compras são mais caras em pequena escala, mas os doadores e outras organizações podem ajudar a financiar a personalização, o design de código e o teste.

Dessa forma, é possível afirmar que a tecnologia bem integrada e projetada propositadamente para um sistema local pode fazer uma diferença real, especialmente quando esse ambiente favorável é adequado e os blocos de construção corretos estão no lugar. Em outras palavras, essa mesma tecnologia – ou similar – pode oferecer melhorias reais. Um grande estudo de controle randomizado na zona rural da China, onde as TIC foram introduzidas nas aulas de inglês, mostrou que a implantação de equipamentos digitais nas escolas não teve nenhum efeito no aprendizado. Mas quando o equipamento foi integrado às práticas de ensino, ele teve um efeito; os resultados dos testes dos alunos da quinta série melhoraram em 0,08 desvios-padrão. O Tusome, um programa nacional de alfabetização introduzido pelo Ministério da Educação do Quênia, inclui materiais didáticos digitalizados e feedback de professores habilitados para tablets em 25.000 escolas. Quando usado entre as disciplinas, o Tusome fechou a lacuna entre o que as crianças deveriam ter aprendido após um determinado período na escola versus o que elas realmente aprendem.

Então, quando formos perguntados como os governos podem fazer isso direito, temos no documento da Comissão de Caminhos para a Prosperidade – co-presidida por Melinda Gates, Sri Mulyani Indrawati e Strive Masiyiwa – podemos utilizar alguns princípios sugeridos como uma referência para que os governos possam seguir uma implementação bem-sucedida. Entre esses princípios destaco ‘diagnosticar o problema antes de assumir que a tecnologia pode consertá-lo’ e ‘focar no software (por exemplo, habilidades e treinamento) e não apenas no hardware brilhante’.

Quais as decisões mais difíceis num Governo?

Altos executivos de governo tomam muitas decisões, freqüentemente difíceis, caracterizadas por informações complexas e incertas, com difíceis compensações entre valores ou interesses conflitantes. As limitações cognitivas impedem os indivíduos de considerar todas as informações relevantes, e os vieses cognitivos podem interferir na coleta e análise de informações.

Sob esse prisma, questões como Política Econômica, Política Externa, Geração de Emprego e Renda, Saúde, Educação, Mobilidade Urbana – são temas complexos que exigem alta capacidade dos gestores, com altos requisitos para se encontrar soluções e encaminhar políticas com resultado. Por isso, qualquer um desses temas seriam respostas plausíveis para a pergunta do título dessa postagem. Mas um estudo da Harvard Kennedy School Universidade, liderado pelo pesquisador  Steven Kelman, e por Ronald Sanders, Gayatri Pandit, e Sarah Taylor, da Booz Allen Hamilton, denominado “I Won’t Back Down?” Complexity and Courage in Federal Decision-Making (ou “Eu não vou desistir?” Complexidade e coragem na tomada de decisão federal) traz uma nova mirada ao debate, desmistificando algumas noções até então aceitas pelo senso comum, e indicando como decisões associadas a gestão de pessoas ou endógenas a organização podem ser as mais complexas na linha de frente de uma organização governamental.

Em uma série de entrevistas com executivos de alto nível do governo federal dos EUA, os pesquisadores descobriram diferenças interessantes entre executivos e controles notáveis ​​e bem-sucedidos em relação às suas decisões mais difíceis, inclusive na definição de quais seriam essas decisões. Executivos destacados caracterizavam as decisões mais difíceis que eles tomavam, não como aquelas caracterizadas pela complexidade, mas como aquelas cuja habilidade maior seria coragem.

Abaixo segue o estudo em inglês:

Como desdobramento desse estudo, outro paper, integrante desse estudo principal, realizado pelos mesmos pesquisadores aprofunda a discussão sobre as decisões “mais difíceis”.

Foi perguntado aos entrevistados sobre suas decisões “mais difíceis” e, de acordo com as discussões na literatura a esse respeito, esperava-se que eles descrevessem decisões que fossem informacional, técnica ou politicamente complexas. No entanto, isso não foi identificado. Nenhum executivo notável (e apenas quatro controles) descreveu decisões que eram difíceis nesses aspectos clássicos. Em vez disso, todos os entrevistados destacados (e seis controles) descreveram decisões que eram  muito impopulares dentro da organização (geralmente entre aqueles cujos interesses foram afetados negativamente) e/ou entre partes interessadas externas, ou porque envolveu questões emocionalmente desgastantes relacionadas a programas ou servidores. Estas incluíram decisões para reduzir ou eliminar significativamente programas ou transferir/ exonerar pessoal de carreira sênior.

Os executivos geralmente não consideravam essas decisões difíceis, porque fosse difícil decidir qual era a coisa certa a fazer; para eles, a “coisa certa” era relativamente bem indicada (embora, é claro, outros possam discordar da determinação final do executivo a esse respeito). Em vez disso, o que tornou as decisões que eles descreveram tão difíceis foi que eles precisaram de coragem e caráter para realmente ir adiante e fazer essa “coisa certa”.

Aqui o outro paper:

Esse estudo coloca a importância da gestão emocional de equipes como parte crucial do pale do líder da organização.

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Estudo revela que retorno do financiamento público de pesquisa entrou na agenda

Nesses tempos de crise, tem aumentado o discurso que questiona a aplicação do dinheiro público em ciência e tecnologia e incentiva o investimento em atividades que ofereçam um retorno visível, rápido e de qualidade. (Abro um parentese para lembrar de uma máxima no serviço público que também vale para o investimento em C & T – Bom, rápido e de qualidade: você pode escolher apenas duas dessas qualidades numa iniciativa pública).

Nesses tempos difíceis, as áreas em que os resultados são mais difusos ou menos palpáveis frequentemente passam a ser questionados, e vistos como não prioritários na hora da alocação dos recursos. Isso infelizmente tem afetado o sistema público nacional de pesquisa, cujo financiamento depende em grande medida do Governo Federal, que tem sido alvo de um infeliz debate que opõe a pesquisa básica e a pesquisa aplicada. O investimento em pesquisa que resulta imediatamente em novos produtos e tecnologias tende a ser visto como o mais importante, por trazer retorno percebido pela sociedade.

Acredito que esteja faltando alguns ajustes na estratégia de comunicação dos atores políticos que atuam no campo da ciência e tecnologia, que tem tido dificuldade em promover esse debate. Acredito que alguns números possam ajudar e identifquei no estudo do pesquisador Parimal Patel elementos que ilustram bem o assunto, em especial o debate sobre as grandes questões que merecem prioridade.

O estudo liderado pelo pesquisador Parimal Patel, com Nick Jagger e Rie Nemoto, publicado em 2015, analisou uma série de questões relacionadas à política de pesquisa e se propõe a responder a uma série de perguntas, tais como : a) Até que ponto os gastos do governo em pesquisa e desenvolvimento do setor público mudaram nos últimos anos? b) As políticas relacionadas aos grandes desafios da sociedade estão em destaque? c)Quais são as diferenças na estrutura da pesquisa do setor público?

O estudo fez comparações entre um conjunto de países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega) e um conjunto de contrapartes internacionais (EUA, União Europeia, China, Brasil e Índia).

De acordo com Parimal Patel: “O relatório destaca diferentes tendências nos investimentos do governo em P & D nos últimos 13 anos, com grandes taxas de crescimento na Índia e na China, uma mudança modesta na UE-28 e um declínio nos EUA seguido por uma pequena recuperação na economia nos anos mais recentes “.

O relatório conclui que, em termos de financiamento, os países podem ser divididos em três grupos. Este primeiro compreende a Suécia, a Dinamarca, a Noruega, a Índia e a China, que experimentaram um elevado crescimento na sua P & D pública. Para o segundo grupo de países, nomeadamente a Finlândia, o Brasil e a UE-28 como um todo, as despesas públicas com P & D cresceram de forma mais modesta. O único país em nossa amostra em que os gastos do governo diminuíram foram os EUA, onde a maior queda ocorreu no período de 2001 a 2008. Desde então, houve um aumento modesto.

Desafio da Sociedade como eixo estratégico – O ponto que quero destacar  foi trabalhado pela revista da FAPESP, ao indicar que a noção de desafio da sociedade tornou-se onipresente no orçamento de pesquisa de muitos países. De acordo com a revista, o trabalho mostrou que essa categoria ganhou ênfase nas estratégias de todas as nações estudadas, com investimentos em áreas como energia, clima e saúde. A pesquisa conclui que não existe um padrão envolvendo a parcela ideal de investimento a ser dedicada para as pesquisas básica e aplicada. A tendência nos países nórdicos é despender perto de 40% dos recursos públicos em ciência na pesquisa básica. Já a China e a Índia despendem uma proporção menor, na casa dos 20% a 25% (ver quadro). o estudo revelou que todos os países sob consideração dão destaque aos grandes desafios sociais como prioridades de alto nível para a inovação em suas declarações de missão. A maioria também tem compromissos específicos para financiar pesquisas científicas relacionadas a tais desafios. No entanto, a análise dos orçamentos do governo mostra que, quando se trata de decisões sobre gastos, a quantidade de fundos alocados para alguns desafios sociais é relativamente modesta. O único desafio que é de alta importância relativa na maioria dos países é a saúde . Por outro lado, energia e meio ambiente são de prioridade muito menor, com o último declinando em termos da parcela de recursos alocados em vários países.

Além disso, o relatório concluiu que os principais destinatários de fundos públicos para P & D nos 4 países nórdicos e na UE-28 são as universidades. Na Dinamarca e na Suécia, representam mais de 80% do total dos recursos. Em contraste, nos EUA, na Índia e na China, os institutos públicos de pesquisa são relativamente mais importantes. No caso da Índia e China, de longe, a maior proporção de fundos do governo é canalizada através de Instituições Públicas de Pesquisa.

Existem diferenças entre os países no balanço de financiamento entre pesquisa básica e aplicada e desenvolvimento. Para os EUA e a Índia, a pesquisa aplicada e o desenvolvimento são relativamente mais importantes e, para a Noruega e a China, a pesquisa aplicada é mais proeminente. A Dinamarca atribui igual prioridade a ambos e, para a Suécia, a maioria dos fundos é direcionada para a pesquisa básica .

Innovation Road Sign with dramatic clouds and sky.

O Dia em que o FED (Banco Central dos EUA) defendeu o fomento público a pesquisa básica

O polêmico debate sobre a priorização dos recursos públicos em ciência e tecnologia tem sido intenso no país, no momento em que as agencia federais (CNPQ, CAPES, FINEP, entre outras) tem sido fortemente afetadas pelos cortes orçamentários dos últimos anos.

Buscando algumas perspectivas diferentes para qualificar o debate aqui no Brasil, encontrei uma poderosa mensagem do então presidente do conselho de administração do Federal Reserve, Ben S. Bernanke, que expôs uma justificativa detalhada para o aumento do financiamento governamental de pesquisa científica básica.

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Em um discurso em 16 de maio de 2011, Bernanke argumentou que o crescimento econômico de longo prazo exigia a continuação da inovação científica e tecnológica e que o governo federal desempenhava um papel central no apoio a essa inovação. Ele afirmou que, embora se possa confiar no setor privado para apoiar a maioria das áreas de pesquisa aplicada e desenvolvimento (P & D), os mercados privados não alocam recursos suficientes para a pesquisa básica:

A principal razão econômica para um papel governamental em P & D é que, na ausência de tal intervenção, o mercado privado não forneceria adequadamente certos tipos de pesquisa. O argumento, que se aplica particularmente fortemente à pesquisa básica ou fundamental, é que é muito improvável que o valor econômico total de um avanço científico se acumule para seu descobridor, especialmente se o novo conhecimento puder ser replicado ou disseminado a baixo custo. Por exemplo, James Watson e Francis Crick receberam uma pequena fração dos benefícios econômicos que fluíram desde a descoberta da estrutura do DNA. Se muitas pessoas são capazes de explorar, ou se beneficiar de pesquisas feitas por outros, então o retorno total ou social para a pesquisa pode ser maior em média do que o retorno privado àqueles que arcam com os custos e riscos da inovação.

Bernanke continuou observando que o financiamento federal da pesquisa básica, como parcela do produto interno bruto americano, declinou nas últimas décadas e que essa tendência poderia servir para reduzir a inovação futura e o crescimento econômico:

Nos Estados Unidos, o gasto total em P & D (tanto público quanto privado) tem se mantido relativamente estável nas últimas três décadas, em cerca de 2-1 / 2% do produto interno bruto (PIB). No entanto, essa estabilidade aparente mascara algumas tendências subjacentes importantes. Em primeiro lugar, desde a década de 1970, os gastos em P & D pelo governo federal diminuíram em proporção ao PIB, enquanto a parcela de P & D feita pelo setor privado aumentou proporcionalmente. Em segundo lugar, a parte dos gastos com P & D direcionada à pesquisa básica, em oposição às atividades de P & D mais aplicadas, também tem diminuído. Essas duas tendências – as quedas na participação da pesquisa básica e na participação federal nos gastos com P & D – estão relacionadas, já que os gastos governamentais em P & D tendem a ser mais fortemente ponderados em relação à pesquisa básica e à ciência. A ênfase declinante na pesquisa básica é um tanto preocupante porque a pesquisa fundamental é, em última instância, a fonte da maioria das inovações, embora muitas vezes com longos desfasamentos. De fato, alguns economistas argumentaram que, devido ao retorno social potencialmente alto à pesquisa básica, o apoio expandido do governo para P & D poderia, com o tempo, impulsionar significativamente o crescimento econômico. Dito isso, em um momento de rigor fiscal, o Congresso e a Administração precisarão claramente avaliar cuidadosamente as prioridades concorrentes em suas decisões orçamentárias.

Bernanke argumentou que o financiamento deveria ser estável por um longo período de tempo, com ênfase na expansão do fomento à pesquisa básica,

No entanto, canalizado, o apoio do governo para a inovação e P & D será mais eficaz se for pensado como um investimento de longo prazo. Os atrasos de gestação, desde a pesquisa básica até a aplicação comercial, até os benefícios econômicos finais podem ser muito longos. A revolução da Internet na década de 1990 foi baseada em investimentos científicos feitos nas décadas de 1970 e 1980. E a comercialização generalizada de biotecnologia de hoje foi baseada, em parte, em descobertas de pesquisa importantes desenvolvidas na década de 1950. Assim, os governos que optarem por fornecer apoio para P & D provavelmente obterão melhores resultados se o apoio for estável, evitando um padrão de festa ou fome.

Bernanke ainda defendeu a importância da localização da atividade de P & D como essencial para qualquer nação. Para ele, a excelência tecnológica ajudaria o país a colher os benefícios financeiros e de emprego da liderança em um complexo industrial estratégico. Sabemos que centros científicos ou tecnológicos de ponta criam uma variedade de transbordamentos na promoção de inovação, qualidade, aquisição de habilidades e produtividade em indústrias localizadas nas proximidades; tais transbordamentos são a razão pela qual as empresas de alta tecnologia geralmente se localizam em clusters ou perto das universidades. Na medida em que os países ganham com a liderança em indústrias tecnologicamente vibrantes ou com transbordamentos locais decorrentes de atividade inventiva, o argumento a favor do apoio governamental de P & D em um dado país é muito mais forte.

Embora não tenha apoiado explicitamente quaisquer políticas específicas ou números orçamentários ou se concentrado em áreas específicas da ciência, o discurso de Bernanke foi recebido entusiasticamente por defensores do apoio federal à ciência. Ele foi visto como uma justificativa convincente e rigorosa para aumentar e sustentar os orçamentos de agências como a National Science Foundation e os National Institutes of Health, mesmo durante uma era de grandes déficits orçamentários federais. Com financiamento adequado, essas agências fariam investimentos de longo prazo em pesquisa básica com podem para levar, muitas vezes de formas imprevistas, a um crescimento econômico mais forte e a outros benefícios sociais.

*com suporte da materia da apa.org.

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Programa de Compliance da FAP: O desafio de garantir resultado com segurança

Aconteceu nesta sexta (16/8), em solenidade realizada no Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em Brasília/DF, o lançamento do Programa de Integridade e Compliance da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). O principal objetivo do programa é criar um ambiente íntegro e efetivo para a boa execução dos recursos da Fundação.

A mesa de abertura foi composta pelo presidente e pela vice-presidente da FAPDF, Alexandre Santos e Elisabete Lopes; pela promotora de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Luciana Asper y Valdéz; pela procuradora do Distrito Federal, Izabela Frota Melo; pela subsecretária de Compliance da Casa Civil do DF, Patrícia Domingos; pelo diretor-executivo da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), Marcos de Sousa Ferreira; pelo representante da Secretaria de Relações Institucionais do DF, Arlindo Senra; do representante da Secretaria de Juventude do DF, Miguel Nabut; pelo assessor de Gestão Estratégica de Projetos da Secretaria de Saúde do DF, Sérgio Gaudêncio, e pelo deputado federal Júlio César Ribeiro (PRB-DF).

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O presidente da FAPDF explicou que a instituição do programa busca conferir mais segurança e transparência aos processos de trabalho da Fundação para aprimorar o fomento em CT&I no Distrito Federal. “Vejo muito valor em ter um conjunto de regras para dar sustentação às atividades da FAPDF e é disso que se trata: segurança para cumprirmos nossa missão institucional de fomentar ciência tecnologia e inovação de maneira a agregar valor para o país. Não temos o direito de não usar nosso recurso da melhor maneira porque é isso que vai tirar o nosso país dessa crise que enfrenta. Esse foi só o lançamento, nós ainda temos um longo caminho e o que nós queremos é que toda a equipe aprenda e seja capaz de desenvolver uma matriz de gestão de risco de todos os nossos projetos de fomento para juntos façamos um trabalho impactante com segurança!”, destacou Alexandre Santos.

O compromisso de introjetar os princípios de integridade e compliance faz parte do novo Planejamento Estratégico da Fundação, conforme destacou a vice-presidente, Elisabete Lopes: “Nós estamos só começando a nossa imersão nessa temática e pretendemos ir além, trazer esse compromisso de integridade para a Fundação e deixar como legado para as próximas gestões”.

Foi esse compromisso da alta administração da FAP que chamou a atenção da subsecretária de Compliance da Casa Civil do DF, para quem o comprometimento dos gestores já é um grande passo para o sucesso do programa. “Nós sabemos da resistência à mudança nas instituições, mas nós encontramos parceiros pelo caminho. Encontrar uma alta administração já sensibilizada e disseminando esses conceitos é muito bom. Nós temos que compartilhar essa postura da FAPDF ao encontrar essas resistências e por isso já pedimos licença para fazer dos gestores da Fundação nossos parceiros”, afirmou Patrícia Domingos.

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Integrante da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, Júlio César Ribeiro (PRB-DF) também elogiou a iniciativa e declarou apoio ao projeto. “A FAPDF está dando certo porque o time que está trabalhando lá é muito compromissado e para mim, que faço parte da Comissão de Ciência e Tecnologia na Câmara Federal, quando vejo a Fundação desenvolvendo um trabalho como esse em parceria com o Ministério Público tenho certeza que o resultado virá de forma positiva e nós da Câmara Federal estamos aqui para apoiar e nos colocar à disposição para colaborar no que for necessário”, asseverou o parlamentar.

Sustentabilidade e prosperidade – A promotora de Justiça do MPDFT Luciana Asper y Valdéz apresentou a palestra “A cultura da integridade como alicerce da sustentabilidade do Brasil e prosperidade do brasileiro”. Membro Auxiliar da Comissão Especial de Enfrentamento à Corrupção do CNMP e coordenadora, pelo mesmo órgão, da campanha Todos Juntos Contra a Corrupção na Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Ativos (ENCCLA), ela enfatizou a necessidade do comprometimento individual para o combate coletivo à corrupção e o desenvolvimento da cultura de integridade.

“A integridade é o único caminho para firmar uma economia que não vai ruir novamente e ela a atuação das instituições deve se basear em alguns pilares básicos, como conformidade e governança ética, política de zero propina e sonegação, alta produtividade e concorrência leal, além de contar com controles eficientes e desburocratizados. Eu desejo que a Fundação possa de fato ir além, que cada um possa experimentar a alegria de ser embaixadores da integridade para que ela seja aderente na vida de todos. Eu desejo que a FAP e que o DF possam atuar como restauradores de integridade e que isso possa ser um modelo para o Brasil”, disse Luciana.

Integridade no DF – A segunda palestra do dia foi apresentada pela procuradora do DF Izabela Frota Melo, que é representante da Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) na ENCCLA e falou sobre “Integridade Pública no Distrito Federal”. A procuradora também destacou como passo essencial para alcançar a integridade o exercício individual e o combate aos pequenos atos de corrupção. “Não nascemos com uma cultura pronta de integridade, ela está atrelada a um processo de construção e aculturamento. Nós servidores públicos somos apenas fiéis depositários do interesse público e devemos prestar contas aos contribuintes de como estamos tutelando esse bem. É muito bom falar em um lugar em que a alta administração está totalmente comprometida com um ambiente de integridade. Eu sou brasiliense, tenho amor por Brasília e me encho de esperança ver a Fundação trilhando esse caminho porque eu também acredito que o desenvolvimento do Distrito Federal está totalmente relacionado à missão institucional da FAP bem cumprida, todos os dias”, concluiu Izabela.

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O programa – Para cumprir a missão de criar um ambiente íntegro e efetivo para a boa execução dos recursos, o Programa de Integridade e Compliance da FAPDF se baseia em quatro eixos: Gestão de Riscos, Compliance, Governança e Accountability.

As ações iniciais já estão em andamento nas quatro frentes. Em Gestão de Riscos, já foram identificados os contextos e agora está em curso a fase de identificação de riscos nos processos de trabalho de todas as unidades, com visitas e análise realizada em parceria com a equipe da Controladoria-Geral do DF. Recentemente, a FAP publicou a Instrução Normativa Nº 31, que institui procedimentos para a celebração de parcerias e contratação com a Fundação, está trabalhando da elaboração do Manual de Integridade e Compliance. A meta é que a aprovação dos projetos de fomento seja sempre precedida de análise de risco prévia com o instrumento de tomada de decisão.

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Na área de compliance, algumas medidas iniciais já foram tomadas, como publicidade da agenda do diretor-presidente, criação do Comitê de Ética, fortalecimento das Comissões permanentes de Tomada de Contas Especial e Processo Administrativo Disciplinar, realização e análise de passivo de processos de prestação de contas de fomento concedido. O objetivo futuro é elaborar um código de conduta dos beneficiários do fomento de aceitação obrigatória no momento da concessão do recurso e a criação de um cadastro positivo de pesquisadores.

Para aperfeiçoamento da governança, já foi estruturada a Carteira de Projetos Estratégicos da FAPDF que, até o momento, conta com cerca de 100 ações. Também está sendo realizado o processo de monitoramento e avaliação dos projetos já fomentados. Entre as metas nessa área, estão a criação do Portal de Governança, a realização da avaliação da Política de CT&I baseada em evidências e a atualização e consolidação das normas jurídicas à luz do Marco Legal da Inovação.

No quesito accountability, a Fundação está promovendo ações de melhoria de performance no Índice de Transparência Ativa, realizando ampla divulgação de resultados de pesquisa, projetos e eventos apoiados e trabalhando no Plano de Dados Abertos. Nessa linha também foi realizada a reestruturação do Conselho Superior, com mais pluralidade, além da abertura da Fundação para demandas relacionadas aos problemas e demandas da sociedade do Distrito Federal.

“O histórico de execução da FAP mostra as dificuldades enfrentadas pelos gestores e como esses mecanismos de controle estão fazendo falta. Temos então um compromisso intrínseco com a mudança da matriz de desenvolvimento do DF e, para isso, precisamos de segurança para não incorrer nos mesmos erros do passado. Não podemos fazer essa jornada sozinhos e por isso buscamos ajuda na Casa Civil, na CGDF, no Ministério Público e seguimos abertos a parcerias, além de contar com o comprometimento de toda a nossa equipe de servidores que está participando ativamente do processo de construção desse programa”, finalizou o presidente da FAPDF, Alexandre Santos.

Registro de presenças – Além das autoridades que compuseram a mesa de honra e palestraram, o evento de lançamento também contou com a presença de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan); da Fundação Universidade Aberta do Distrito Federal (Funab); da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb); do Centro de Estudos Avançados de Governo e Administração Pública da Universidade de Brasília (Ceag/UnB); do Instituto Brasília Ambiental (Ibram); da Associação de Startups e Empreendedores Digitais (Asteps); da Secretaria de Esportes do DF; do Serviço Social da Indústria (Sesi); do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial  o Serviço Social da Indústria (Sesi); do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Distrito Federal (Senai-DF), do Projeto ENRICH in Brazil.

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*com informações da ASCOM/FAPDF e fotos de Julia Garcia.

O Desafio das Cidades Inteligentes: A contribuição do BID ao Debate

Com o avanço da tecnologia, o debate e a experimentação sobre Cidades Inteligentes evolui numa velocidade incrível. Uma importante contribuição para o debate sobre o assunto foi dado pelo BID, que apresentou o documento Caminho para as smart cities: da gestão tradicional para a cidade Inteligente, organizado pelos especialistas Maurício Bouskela, Márcia Casseb, Silvia Bassi, Cristina De Luca y Marcelo Facchina. De acordo com os autores, o documento pretende ser um aporte valioso para a literatura mundial sobre gestão urbana inteligente, e busca compartilhar boas práticas de como as cidades podem migrar satisfatoriamente de uma gestão tradicional para uma gestão inteligente.

De acordo com o documento, “As pessoas têm um papel muito importante enquanto beneficiários e participantes das transformações a partir do uso ativo de dispositivos e aplicativos móveis que facilitam cada vez mais o monitoramento e a colaboração com as políticas de seus governantes. Nesse sentido, para o BID, a noção de Cidade Inteligente é muito mais ampla, e se refere àquelas cidades que colocam o ser humano no centro do planejamento e desenvolvimento, estabelecendo assim uma visão de longo prazo. Essa visão é parte do modelo integral de desenvolvimento que promovemos na região a partir da Iniciativa Cidades Inteligentes e Sustentáveis (ICES)”.

Na ICES, o BID acredita que a implantação de uma Cidade Inteligente é uma tarefa complexa que requer grande liderança e visão, e traz múltiplos benefícios para os governantes e a população, estimulando a cooperação público-privada e promovendo a competitividade local. No momento, mais de 10 cidades da Rede de Cidades Sustentáveis do BID já dispõem de estudos de viabilidade em temas de gestão inteligente.

Compartilho aqui o documento, bem como algumas outras interessantes referências utilizadas em seu documento, como forma de contribuir no debate e no aprendizado sobre o assunto.

O Documento Smart Cities – Mission Statement & Guidelines, do Government of India Ministry of Urban Development (June, 2015). O documento do Governo da Índia traz um interessante guideline para o assunto, e informa já na sua apresentação que as cidades são motores de crescimento para a economia de todas as nações, e que quase 31% da população atual da Índia vive em áreas urbanas e contribui com 63% do PIB da Índia (Censo 2011). Com o aumento da urbanização, as áreas urbanas deverão abrigar 40% da população da Índia e contribuir com 75% do PIB da Índia até 2030. Isso requer um desenvolvimento abrangente de infra-estrutura institucional, social e econômica. Todos são importantes para melhorar a qualidade vida e atrair pessoas e investimentos para a cidade, pondo em marcha um ciclo virtuoso de crescimento e desenvolvimento. O desenvolvimento de cidades inteligentes é um passo nessa direção.

O Documento Making cities smarter Guide for city leaders: Summary of PD 8100, produzido pela BSI, fornece aos líderes da cidade (públicos, focada na comunidade) com uma visão geral do orientação contida na carteira de documentos do BSI (coberto em maior detalhe por PD 8100 – cidades inteligentes). Revê os benefícios de se tornar uma cidade mais inteligente e descreve um processo para fazer isso. Ele fornece recomendações práticas e destaques como os padrões podem ajudar a eliminar riscos, reduzir custos, e reduzir o esforço necessário para gerenciar cidades efetivamente.

Já o documento Ericsson Mobility Report. ON THE PULSE OF THE NETWORKED SOCIETY, informa que o tráfego de dados móveis continua a crescer fortemente, com um aumento de dez vezes previsto até o final de 2021.

O Informe sobre 5G da The Goldman Sachs Group coloca ainda para 2019 o primeiro ano em que a tecnologia 5G enxerga a implantação de materiais com foco na tecnologia sem fio fixa banda larga em casa e o lançamento de celulares 5G para uso de smartphones acelere em 2020 para acompanhar a disponibilidade de aparelhos de mercado de massa.

Já o Informe sobre mobilidade da The Goldman Sachs Group coloca que os próximos 10 anos de mobilidade trarão mais mudanças na maneira que as pessoas e os produtos se movem do que qualquer década desde a invenção do automóvel. Tecnologias emergentes
e modelos de negócios que podem exceder a US $ 700 bilhões e startups apoiadas por capital de risco tentarão direcionar mais de US $ 7 trilhões em gastos.

Por fim, o Relatório Global sobre Competitividade 2014–2015 lançado pelo Fórum Econômico Mundial apresenta importante contexto sobre o assunto.

Caminho para as smart