Como o Ensino Médio pode conectar nossos Jovens ao Trabalho do Futuro?

A maioria dos jovens brasileiros não alcança o que precisa no ensino médio para enfrentar o futuro. No Brasil, de cada dez jovens com 15 a 17 anos, apenas cinco está no ensino médio, e desses cinco, apenas 1 sabe o necessário em leitura e matemática. São milhões de  jovens que a cada ano que passa estão perdendo oportunidades por não desenvolver habilidades essenciais para contribuir na transformação do Brasil na nação que tem o tamanho dos nossos sonhos. Várias razões concorrem para esse quadro, desde razões econômicas, passando pelas culturais e as educacionais.

Até os dias de hoje, gerenciamos e registramos a experiência de passagem pelo ensino médio como uma série de cursos e notas. É assim, com poucas mudanças, desde a primeira revolução industrial. É um registro de tempo e atividades, um registro de esforço e memorização eu diria, que claramente não é nem eficaz nem efetivo como medida de desenvolvimento das habilidades que deveriam ser alcançadas nesse processo. Nosso ensino médio não consegue capturar experiências ou produtos de trabalho que forneçam evidências de crescimento e realização de nossos jovens. E quando observamos os desafios colocados para o futuro do trabalho o quadro fica desesperador. Temos um verdadeiro “apagão educacional”. Nossa Constituição define o objetivo maior da nação e os grandes rumos da educação.

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Promulgação da Constituição de 1988

Nossa LDB demarca a estrutura, as diretrizes e define o número de horas necessários para essa etapa de ensino, e a Base Nacional Comum Curricular estabelece quais conhecimentos e habilidades devem trabalhados em cada ano,  desdobrando os limites para a organização do ensino brasileiro. Essa organização reflete o nosso contrato social e a promessa de equidade por meio da educação. Mas esse contrato precisa ser profundamente revisto, diante da aceleração dos tempos com a chegada do novo mundo e dos desafios do século XXI. A Quarta Revolução Industrial, que inclui desenvolvimentos em campos anteriormente desarticulados, como inteligência artificial e aprendizado de máquina, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, e genética e biotecnologia, causará uma ruptura generalizada nos modelos de negócios, nos mercados de trabalho e nas vidas das pessoas. Os próximos anos serão de enorme mudança no conjunto de habilidades necessárias para prosperar. Essa velocidade, que  vem derretendo certezas em relação ao futuro do trabalho exige que possamos entender a natureza das mudanças e suas implicações, e nos força ajustar o rumo das instituições que realizam a preparação das novas gerações para viver em Sociedade no século XXI. Um mundo onde robôs, a automação e inteligência artificial realizam cada vez mais tarefas, associado a todo o complexo de mudanças oriundo da velocidade das mudanças gera um enorme desencaixe entre o que é aprendido nos centros de formação e o que é exigido em termos de habilidade no mundo atual e futuro próximo. Assim, não bastará uma mudança incremental, será preciso responsabilidade com as gerações futuras para ser disruptivo na mudança.

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As reformas ocorridas após a Constituição de 1988 foram incrementais e timidamente tentaram conectar os requisitos de saída do ensino médio aos requisitos de entrada nos caminhos que levam a preparação para a vida e as oportunidades de longo prazo. Mas esse movimento foi feito olhando para o passado e não para o futuro, o que colocou cada reforma passos atrás do necessário para cada período. E o processo de implementação foi lento o que nos colocou ainda mais para trás no processo. Em que pese termos avançado, não tivemos avanços na velocidade necessária para recuperar o tempo perdido e avançar na promoção da redução da imensa desigualdade de oportunidades que a assimetria de acesso provoca nos diferentes grupos populacionais do país. E no limite, as reformas em geral ainda acabaram por reforçar os controles baseados no processo, descolados dos resultados efetivos e mantiveram a estrutura de cursos tradicionais baseados em conteúdo.

Em suma, continuamos com vários problemas que se acentuaram e que aumentaram de tamanho e complexidade, e que hoje precisam ser enfrentados:

  • O desenho atual atende a requisitos baseados no aumento de disciplinas isoladas que freiam o estudo interdisciplinar e o desenvolvimento de habilidades essenciais ao mundo do trabalho e a cidadania do século XXI;
  • O modelo não abre espaço para o aprendizado horizontal e oriundo do novo mundo interconectado em rede pelo massivo uso da tecnologia, em busca de potencializar e compartilhar os melhores desempenhos, o trabalho em grupo, as realizações e capacidades únicas e a evidência de crescimento nos indicadores de preparação para o mundo do trabalho e a cidadania.
  • O processo continua naturalizando a formação do ensino médio como etapa necessária para passar pelo funil de ingresso na Universidade, fortalecendo a visão disciplinar tradicional, freando o  desenvolvimento  de habilidades associadas ao mundo do trabalho do século XXI, tais como aqueles trabalhados na educação profissional e técnica (por exemplo, robótica  e manufatura avançada).
  • O foco estreito nas prováveis saídas do ensino médio (5 saídas possíveis atualmente) limita a ênfase e a importância da aprendizagem fora da escola (por exemplo, trabalho, serviço e aprendizado baseado na cidadania). Há poucas ou nenhumas oportunidades para obter e validar o aprendizado obtido fora da escola ou de maneira informal (aprender frações na Khan Academy, fazer cálculos em um MOOC, aprender habilidades para o trabalho ou liderar uma causa social ou comunitária).

competencias do futuro

É preciso ser inovador e disruptivo para recuperar o tempo perdido e incorporar todos os benefícios que as tecnologias e os avanços da indústria 4.0 nos proporciona para desenvolver novas maneiras de expressar expectativas, promover um aprendizado poderoso e ajudar os jovens a compartilhar suas capacidades. Essas tecnologias inclusive podem ser utilizadas para incorporar e desenvolver habilidades e competências para toda a população economicamente ativa do Brasil, alinhando ao mais moderno conceito de aprendizagem ao longo da vida.

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Mas nesse momento, mais que respostas para esses e outros desafios, é preciso validar boas perguntas que possam nos ajudar a orientar a reflexão sobre nosso desafio e construir uma reflexão coletiva, participativa, que inclua os professores, estudantes, gestores e demais membros da comunidade escolar, e que oriente um novo rumo e um novo projeto educacional para o país, que seja ao mesmo tempo ascendente e construído na realidade local de cada escola.

Resultados – Qual é a melhor maneira de expressar as metas desejadas de aprendizado dos alunos? Quais são os melhores quadros de resultados ? Até que ponto os resultados desejados podem variar de acordo com planos de carreira ou pós-secundários?

Evidências – Que formas de evidência as comunidades deveriam aceitar de aprendizado e crescimento? Como podemos garantir uma qualidade consistente?

Demonstração – Como as escolas poderiam ajudar os alunos a resumir suas capacidades, habilidades, realizações e aspirações de maneiras que beneficiem a eles e a Sociedade (cursos pós-médio, faculdades, empregadores)?

Redes – Como as escolas podem ser encorajadas a trabalhar juntas em torno de expectativas, avaliações e a projetos comuns?

Conexão – Como tornar o sistema de acesso, certificação e validação de diplomas modulares e flexíveis? Como garantir o acesso equitativo a diversos e múltiplos percursos de formação? Como podemos melhorar a experimentação de experiências e contribuições inovadoras e bem-sucedidas?

Essas provocações precisam ser potencializadas no atual momento político do país, para que possamos transformar todo esse calor em luz para iluminar o debate sobre a Educação que o Brasil precisa!

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