A Urgência da Inovação

Não só pelo crítico momento político, econômico e social que o Brasil vive na atualidade, mas olhando para o futuro e entendendo os desafios do Século XXI, a inovação tem papel central no desenvolvimento nacional. Trata-se de demanda ampla, exigida em setores de tecnologia de ponta, mas também em setores tradicionais. É preciso entender inovação como algo sistêmico, com múltiplas dimensões, com grande força dinamizadora e fortemente influenciada pelo conhecimento, peça fundamental para o desenvolvimento, ao promover o aprendizado e novas competências, que aumentam a capacidade de inovar das empresas.

Uma importante iniciativa para incluir a inovação na agenda é liderada pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). A Mobilização Empresarial pela Inovação é um movimento que visa a estimular a estratégia inovadora das empresas brasileiras e ampliar a efetividade das políticas de apoio à inovação por meio da interlocução construtiva e duradoura entre a iniciativa privada e o setor público. O desafio é fazer da Inovação uma estratégia permanente das empresas. Um estudo realizado pela MEI [veja abaixo] apresenta um conjunto de propostas para uma política de inovação.

A economia brasileira precisa de muito mais dinamismo, e quando se olham os indicadores de produtividade do trabalho isso fica gritante: a produtividade do trabalho no país encontra-se estagnada: os únicos segmentos que apresentaram melhoria mais significativa foram o agronegócio e o financeiro (IPEA,2015).

O Brasil caracterizou-se por dinamismo econômico e progresso social na última década. O Brasil cresceu a uma taxa média de 4,4% ao longo do período 2004-2010 em comparação com 1,9 por cento nos sete anos anteriores. No período de 2003 a 2013, mais de 26 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza e a desigualdade foi reduzida significativamente (o coeficiente de Gini caiu de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2013). Graças a um forte desempenho de exportação, o Brasil também conseguiu gerar comércio considerável Superávits na maior parte da última década – em média, US$ 18,01 bilhões por ano entre 2004 e 2014.

No entanto, a produtividade não melhora no mesmo ritmo do crescimento econômico. O gráfico abaixo mostra que a diferença de produtividade (medida como PIB por pessoa empregada) em relação aos Estados Unidos estava aumentando após 1980. O Brasil teve uma produtividade do trabalho de US$ 28.500 em 2015, enquanto os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão tiveram um nível de produtividade De US$ 117.900, US$ 87.900 e US$ 73.200, respectivamente (medidos em termos de PPP aos níveis de preços de 2014).

Mesmo contra outros países em desenvolvimento, o Brasil apresenta um menor desempenho. Por exemplo, os níveis de produtividade do trabalho na Coréia do Sul, Rússia, Malásia e África do Sul foram, respectivamente, US$ 70.500, US $ 48.300, US$ 57.100 e US$ 42.500.

É difícil deixar de relacionar os baixos indicadores de qualidade educacionais do Brasil com a estagnação nos indicadores de inovação, como expressa na ainda baixa proporção de empresas inovadoras (IBGE, 2013), e a fraca performance competitiva da economia brasileira, que perde seguidamente posições no Ranking Global de Competitividade (WEF, 2016 – veja abaixo).

A crise econômica que sufoca o país amplifica nossas fraquezas estruturais e realça os diversos desafios a serem vencidos. É preciso jogar luz no problema da produtividade da economia e por conseguinte, no papel que a inovação joga nesse processo.

O relatório Innovation Strategy 2015, publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), destaca o papel central da inovação, em especial no contexto de crise internacional: “Novas fontes de crescimento são urgentemente necessárias para ajudar o mundo a avançar em direção a um padrão de crescimento mais robusto, inclusivo e sustentável, passada a crise financeira. Inovação – que envolve a criação e difusão de novos produtos, processos e métodos – pode ser uma parte crítica da solução.” (OCDE, 2015).

A centralidade da inovação como indutora da recuperação da economia demanda uma nova agenda capaz de garantir e sustentar o crescimento.

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