Lições da Reforma Educacional Polonesa

República da Polônia é um país da Europa Central. A área total da nação é 312 679 quilômetros quadrados. Com uma população de mais de 38,5 milhões de pessoas, a Polônia é o 34º país mais populoso do mundo, o sexto membro mais populoso da União Europeia (UE) e o Estado pós-comunista mais populoso da UE. A Polônia é um Estado unitário dividido em 16 subdivisões administrativas.

Na Polônia, a agricultura emprega menos de 11% da população ativa e contribui com mais ou menos 3,4% do PIB. O país é, globalmente, autossuficiente em termos de alimentos. Suas principais produções são o centeio, a batata, a beterraba, o trigo e derivados do leite. O país pratica igualmente a criação suína e ovina. A Polônia é relativamente rica em recursos naturais e seus principais produtos minerais são o carvão, o enxofre, o cobre, o chumbo e o zinco.

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A indústria manufatureira contribui com mais de 33% do PIB, enquanto o setor terciário representa cerca de 64% do PIB. Os setores industriais tradicionais, como a siderurgia e a construção naval, estão em declínio. Os principais setores industriais do país são a fabricação de máquinas, as telecomunicações, o meio ambiente, os transportes, a construção civil, o processamento industrial de alimentos e as tecnologias de informação. A indústria automotiva resistiu bem aos efeitos da crise econômica, pois se posicionou no nicho de mercado necessário e no momento certo: a Polônia produz principalmente veículos econômicos, que correspondem à procura de mercado atual. O setor de serviços, em plena expansão, abrange os serviços financeiros, a logística, a hotelaria, os serviços de utilidade pública e a informática.

A Reforma Educacional Polonesa

A reforma do sistema educativo da Polônia de 1999 tem sido noticiada como um modelo para o mundo (veja aqui, aqui, aqui e aqui algumas matérias que abordam o assunto). Ela veio junto com o período de transição do país para a economia capitalista. O mesmo Governo que transformou a organização das escolas do país foi o responsável por outras mudanças profundas, lançadas ao mesmo tempo, na saúde e no sistema de pensões, e a própria organização do Estado, que passou organizar-se em torno de 16 regiões administrativas. As autoridades polacas definiram três grandes prioridades políticas para o setor, que guiaram todo o desenho da reforma: a) melhorar a qualidade do ensino nas salas de aula; b) aumentar a equidade do sistema e c) tornar o sistema mais eficiente. Vamos abordar alguns pontos interessantes abordados em pesquisas sobre a reforma polonesa.

Percurso escolar. O sistema polaco pré-1999 era constituído por um bloco de 8 anos de educação básica, seguido de um ensino secundário com áreas cientifico-humanísticas ou com vias profissionalizantes. A partir de 1999, o ensino básico passou a ser de 9 anos escolares, dividido em níveis – 6 anos escolares + 3 anos escolares. Ou seja, os alunos passaram a ter de tomar as suas opções de estudos um ano mais tarde do que faziam anteriormente – dito de outro modo, passou a haver mais um ano escolar em que o currículo nacional era comum a todos os alunos.

Esta alteração teve um efeito imediato: a criação de escolas (os “gymnasiums”) para esses últimos três anos do ensino básico, que ajudaram os alunos a fazer a transição entre o básico e o secundário. Por estarem associadas à nova estrutura do sistema, estas escolas tornaram-se símbolos da reforma de 1999. As mais evidentes mudanças no sistema educativo polaco são formais. Antes da revolução de 1989, o ensino dividia-se em apenas dois níveis. A primária, que durava oito anos, era seguida de quatro ou cinco anos de escola secundária, para quem pretendesse prosseguir estudos, ou um curso vocacional, de três anos, que preparava os estudantes para o trabalho na economia socialista. O sistema desenhado em 1999 organiza-se numa lógica de 6+3+3. A duração do 1.º ciclo foi diminuída em dois anos, tendo sido criado um nível intermédio, os “gimnazjum”, frequentados pelos alunos entre os 13 e os 16 anos. Estas escolas foram uma inovação, e permitiam alargar, na prática, a escolaridade básica dos oito anos da primária do antigo sistema para nove.

Desse modo, a Polônia atrasou em um ano o momento em que os jovens têm que escolher o seu futuro, e assim ajudou a resolver aquele que era considerado um dos principais problemas do ensino antigo, o “síndrome do oitavo ano”, quando 80% da população abandonava o percurso acadêmico, enveredando pelo ensino vocacional.

Descentralização. Houve um forte processo de descentralização, com transferência de competências para estruturas regionais, e mudança no modelo de financiamento. Em vez da manutenção de um esquema de financiamento baseado no histórico orçamental das escolas, os recursos foram definidos por fórmula, tendo como variável predominante (mas não única) o número de alunos matriculados. Neste equilíbrio de poderes e responsabilidades, o Estado central passou a regular e monitorar o sistema educativo, enviando verbas aos municípios, para a sua gestão. Esta medida acabou por revelar-se fundamental para o sucesso da nova organização educativa do país, num processo de descentralização de competências para os níveis local e regional da administração e num reforço da autonomia das escolas.

As 16 províncias criadas em 1999 passaram a nomear um superintendente para a Educação, responsável pela supervisão pedagógica das escolas dessa região administrativa, e o governo regional assumiu questões de formação continuada de professores e centros de recursos educativos. A gestão das escolas ao nível de infraestruturas ficou sob responsabilidade dos 379 distritos (no caso do ensino secundário) ou dos 2479 municípios polacos (escolas primárias e “gimnazjum”). Detalhe: nas escolas rurais, os professores têm um salário 10% mais alto do que nas cidades.

Autonomia pedagógica. Terceiro, um reforço da autonomia pedagógica das escolas e dos professores. Os professores foram incentivados a usar essa autonomia para diversificar e, deste modo, quebrar a uniformidade do sistema polaco que saiu do período de ocupação soviética. Na gestão das escolas, os diretores passaram a ser responsáveis pela gestão financeira e escolha dos professores das suas escolas, através de um concurso público aberto, procedimento que segue regras definidas centralmente e muito restritivas. O Teacher’s Chart (o equivalente ao Estatuto da Carreira Docente) polaco foi aprovado em 1982, ainda durante o regime socialista, e os seus direitos têm-se mantido salvaguardados, fruto do poder que os sindicatos mantêm na sociedade polaca. Os docentes da Polônia são os que menos tempo passam nas salas de aula na OCDE, com 18 horas de carga letiva por semana. A lei define padrões comuns de vencimento e de qualificações para que um professor seja aceite numa escola pública. A outra dimensão fundamental da autonomia que nos últimos anos foi conferida às escolas polacas está no nível dos programas das disciplinas. A reforma de 2009, que veio aprofundar as mudanças feitas dez anos antes, implementou o conceito do currículo básico, que estabelece os princípios gerais dos programas, e dá às escolas ampla liberdade para desenvolverem as suas próprias abordagens das matérias, dentro desse quadro geral. Por exemplo, no programa nacional do 1.º ano é definido apenas que os estudantes devem saber ler no final desse ano. No mais, os professores podem escolher o melhor caminho para chegarem a essa meta. A abordagem polaca centra-se mais nos resultados da aprendizagem. Os professores podem aplicar qualquer método de ensino entre os que são reconhecidos pelas pedagogias contemporâneas e são livres de desenvolver um programa próprio e, inclusive, escolher os livros escolares, dentro de uma lista previamente aprovada pela direção da escola.

Exames nacionais. Como geralmente acontece nos países onde se observam elevados níveis de autonomia escolar, os decisores políticos optaram por exames nacionais padronizados, simultaneamente enquanto ferramenta de monitorização do sistema e de certificação da aquisição das aprendizagens. Em 2002, tiveram lugar os primeiros exames nacionais (nas disciplinas nucleares) para todos os alunos que estavam no ano escolar final do respectivo nível do ensino básico – ou seja, no 6.º e 9.º anos. Nos anos seguintes, a tendência estendeu-se ao ensino secundário.

Nova carreira docente.  Nova carreira docente foi introduzida, com quatro níveis salariais de estreita relação com a formação dos professores. Ou seja, quanto mais formação tivesse o professor, maior a sua probabilidade de atingir um nível salarial mais elevado. O objetivo foi incentivar os professores a apostar na sua formação e, por esta via, ter professores melhor preparados para os desafios da sala de aula – com formação inicial de qualidade e formação contínua tão frequente quanto possível.

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Indicadores
Igualmente importante de mencionar é o impacto social desta melhoria: não só os desempenhos subiram como as diferenças sociais entre escolas diminuíram fortemente. Em 2000, a Polônia apresentava indicadores que sugeriam um sistema desigual, tendo as escolas níveis médio de desempenho muito díspares. Em 2012, essa tendência inverteu-se, passando a Polônia a evidenciar um sistema que se homogeneizou em termos de qualidade de oferta pública e de distribuição social pelas escolas da rede pública. As melhorias surgiram não só associadas aos valores das médias de desempenho, mas também a indicadores socioeconômicos: as melhorias foram transversais, tocando alunos favorecidos e desfavorecidos, alunos com desempenhos mais altos ou mais baixos A Polônia é um dos poucos países europeus que alcançou uma forte melhoria da qualidade na última década desempenho na última década. De acordo com os resultados do PISA da OCDE, a Polônia passou de baixo para Acima da média da OCDE e agora está perto dos países com maior desempenho. Os progressos destes dez anos na área da educação já se fazem sentir no mercado de trabalho. Somente em 2012 a produtividade por hora cresceu 2,2%, o segundo melhor resultado do bloco. Levando em conta a estrutura demográfica, a Polônia também tem uma vantagem na comparação com a maioria dos vizinhos. É uma das nações na Europa com a maior proporção de jovens com idade entre 15 e 24 anos. A Polônia também melhorou sua posição no ranking europeu de inovação.

Outros apontamentos nas pesquisas
Uma chave para entender a consistência das reformas polacas ao longo do tempo é ver que o objetivo principal, de ampliar a o acesso a educação integral, permaneceu o mesmo ao longo dos anos. Uma das mudanças mais importantes da reforma de 1999 foi uma extensão da educação integral por um ano. A evidência sugere que a mudança imediatamente beneficiou o aluno, enquanto os demais elementos da reforma provavelmente são responsáveis pela melhoria gradual[1] . As reformas educacionais polacas iniciadas em 1999 ajudaram a melhorar a qualidade do aprendizado de seus estudantes, o que pode ser verificado no aumento da proficiência no PISA. Os grandes objetivos estabelecidos pelo Ministério da Educação da Polônia incluíram melhorar o nível de educação geral dos cidadãos poloneses, a equidade e implementar padrões nacionais com autonomia local. Como parte das novas reformas, a Polônia exigiu que os alunos passassem mais tempo na escola, introduzissem um sistema de exames nacionais, mudassem a governança escolar e expandissem as comunicações [2] e [3]. Aumentar a participação da educação secundária profissional tem sido um pilar da política de desenvolvimento há décadas. A transição, no entanto, levou a reestruturação dos sistemas escolares, incluindo um declínio da participação de estudantes profissionais. Expor mais alunos para um currículo geral pode melhorar as habilidades acadêmicas [4].

Reforma ampliou competências
Outra dúvida é se as habilidades desenvolvidas na escola e o aumento da matrícula em programas de ensino superior se traduziram em melhores habilidades entre os adultos e melhores resultados no mercado de trabalho. O estudo PIAAC da OCDE mede as habilidades fundamentais entre os jovens de 16 a 65 anos com base em problemas da vida real. O estudo demonstra que essas habilidades são, de fato, relacionadas ao sucesso individual, porque aqueles que demonstram melhores habilidades não só obtêm graus de educação formal mais elevados, mas também são melhor pagos, mesmo em comparação com colegas com o mesmo nível de educação e um plano de fundo semelhante. Adultos que demonstram habilidades mais baixas também não são apenas mais freqüentemente desempregados, mas, além disso, relatam mais a saúde com mais freqüência, um menor nível de envolvimento cívico e menos confiança (ver OCDE, 2014a). Como resultado, é interessante ver se as habilidades medidas entre os jovens de 15 anos se traduzem em melhores habilidades fundamentais vários anos depois. Em certo sentido, esta é a medida da importância das reformas escolares, pois seu objetivo final não é melhorar as pontuações, mas melhorar as habilidades que se traduzem em melhores vidas. Como resultado, os dados da PIAAC confirmam que as reformas escolares na Polônia melhoraram as habilidades e que esses efeitos são sustentáveis [5].

Conflitos
A criação de cerca de 7.000 escolas secundárias do ensino médio exigiu que muitas escolas primárias fossem fechadas. Milhares de estudantes e professores foram transferido para outras escolas, em vários casos mais longe de casa. Isso gerou muitos conflitos [6]. Pais geralmente preocupados quando seus filhos começam a ter que ir de ônibus para chegar a uma escola distante, em vez de andar como antes. O período de transição foi, portanto, potencialmente muito difícil. Como o objetivo geral da reforma não foi contestado, e a sociedade aceitou a importância da Reforma, o calor passou. Deve-se lembrar que aquele foi um período de reformas em vários setores da Polônia. Havia uma compreensão generalizada de que essas mudanças foram necessárias para transformar o sistema em democracia.

Lições
Os estudos que aprofundaram sobre o caso da Polônia apontam as seguintes lições para as economias em desenvolvimento:
a) Um período de transição tem um potencial de transformação social que, quando competentemente abordado, pode se tornar um importante fator de sucesso. Durante o período de transição, a sociedade está pronta para aceitar mudanças que provavelmente seriam inaceitáveis ou muito difíceis de realizar em tempos “normais”. Além disso, durante esse período, as forças políticas tendem a ser menos partidárias e não desafiar a implementação de certas reformas, mesmo que o processo de implementação seja liderado por oponentes.
b) Uma reforma sistêmica deve ser acompanhada de uma reforma curricular que defina claramente o status do novo modelo e impeça que se torne apenas uma versão distorcida do antigo sistema. O modelo de resultados de aprendizagem esperados provou ser muito útil, por abordar diretamente os deveres dos professores e estudantes e garantiu a consistência do processo, tornando ainda o sistema de avaliação mais previsível.

Polêmica da Reversão da Política em debate

A reforma foi posta em discussão e ocupa as matérias dos jornais (veja aqui e aqui). A atual ministra da Educação da Polônia, Anna Zalewska, membro de um governo do partido PiS (centro-direita/direita conservadora), considerou que a melhor opção para a formação dos jovens consistia em resgatar muitas das características do sistema pré-1999 (nomeadamente a estrutura do ensino básico). E, desde que declarou essa intenção, a Educação virou palco de combate na Polônia – sindicatos, associações científicas, acadêmicos e outros agentes da sociedade civil têm feito ouvir os seus protestos contra esta reversão política que, aos seus olhos, destrói uma reforma que deu resultados comprovados para o país.
Em campanha eleitoral, e depois de tomar posse, a atual ministra da Educação lançou o aviso: reverter a divisão tripartida do sistema, regressando à versão anterior a 1999 e acabando com os “gymnasiums”. Porquê? Por três principais razões. Primeiro, para a promoção da equidade do sistema educativo, uma vez que os “gymnasiums” estariam, alegadamente, a intensificar as desigualdades socioeconômicas entre escolas. Segundo, para aumentar os anos de formação no ensino secundário (que passam de três anos escolares para quatro). E, terceiro, para dar mais importância ao papel das escolas vocacionais, ligando a sua formação ao sistema nacional de qualificações.

Referencias Bibliográficas

[1] Luca Flóra Drucker & Daniel Horn, 2016. “Decreased tracking, increased earning: Evidence from the comprehensive Polish educational reform of 1999,” Budapest Working Papers on the Labour Market 1602, Institute of Economics, Centre for Economic and Regional Studies, Hungarian Academy of Sciences.  http://ibs.org.pl/app/uploads/2015/02/IBS_Policy_Paper_01_2015.pdf

[1] Wittmeyer A.P.Q. (2013, 12 4). How Poland became an eastern European education powerhouse. Foreign Policy. http://foreignpolicy.com/2013/12/04/how-poland-became-an-eastern-european-education-powerhouse

[1] Zbigniew Marciniak, 2015. “Reviewing Polish education reform in the late 1990s – possible lessons to be learned“, The World Bank. http://pubdocs.worldbank.org/en/389281435014171962/Education-EN.pdf

[1] Jakubowski, Maciej & Patrinos Harry Anthony & Porta Emilio Ernesto & Wisniewski Jerzy, 2010. “The impact of the 1999 education reform in Poland,” Policy Research Working Paper Series 5263, The World Bank. http://documents.worldbank.org/curated/en/153761468095960833/pdf/WPS5263.pdf

[1] Jakubowski, Maciej. 2015. “Opening up opportunities: education reforms in Poland,” IBS Policy Papers 01/2015, Instytut Badań Strukturalnych.http://ibs.org.pl/app/uploads/2015/02/IBS_Policy_Paper_01_2015.pdf

[1] Zbigniew Marciniak, 2015. “Reviewing Polish education reform in the late 1990s – possible lessons to be learned“, The World Bank. http://pubdocs.worldbank.org/en/389281435014171962/Education-EN.pdf

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Japão tem plano de desenvolvimento focado em Inovação

De acordo com diagnóstico do próprio governo, a economia japonesa tem estado estagnada nos últimos 20 anos, desde o colapso da bolha especulativa no início da década de 90. Para enfrentar e superar essa questão, o Japão vem trabalhando em grande estratégia nacional centrada em inovação,  visando o desenvolvimento econômico e social.

O plano, que teve início em 2010 e vem sendo aperfeiçoado desde então, identificou grandes áreas para o desenvolvimento do país, associada a inovação,  como “inovação verde”, “inovação de vida”” e “turismo e regiões”, associadas a estratégias de desenvolvimento de  “ciência e tecnologia e tecnologia da informação e comunicação” e “emprego e recursos humanos”, essenciais para apoiar o crescimento.

A “inovação verde” prevê várias medidas de combate ao aquecimento global, tais como o estabelecimento de metas de redução de 25% de emissão de gases de efeito estufa até 2020, e o desenvolvimento de novas tecnologias e a criação de novos negócios no setor de transporte e em setores relacionados ao estilo de vida, ao setor de energia renovável e no desenvolvimento urbano.

Já a “inovação de vida” busca transformar o Japão numa “superpotência em assistência médica”. Enfrentar esse desafio incorpora o desafio de pensar saídas para a previdência social. A previdência social atraiu a atenção no que diz respeito ao peso financeiro dentro do contexto de declínio da taxa de natalidade e do envelhecimento da sociedade japonesa, e equacionar a questão da previdência social é central para a estratégia de crescimento econômico japonês. A previdência social envolve muitos setores que geram crescimento através da criação de empregos, a melhoria da previdência social pode criar empregos e levar ao crescimento ao mesmo tempo. O modelo japonês de previdência social incorpora a necessidade de reformas para os sistemas de pensões, assistência médica e de enfermagem.

Também a promoção do turismo ganhou importância, quando se verifica que uma das estratégias se volta para explorar a herança cultural do Japão e as belezas naturais, como um papel crítico na revitalização local.

Para apoiar essas áreas de crescimento, o Japão reforçou sua  presença em ciência e tecnologia, área que foi realinhada com a estratégia para transformar o Japão numa superpotência em ciência e tecnologia e tecnologia da informação e comunicação. No bojo desse realinhamento estão pensadas reformas regulatórias e revisões nos mecanismos de apoio de forma a encorajar o desenvolvimento efetivo e eficiente de tecnologia. O ambiente educacional será melhorado para estimular jovens talentosos e inspirados a seguirem uma carreira científica. O ambiente de pesquisa também será melhorado para atrair pesquisadores de todas as partes do mundo. Da mesma forma será estimulada a promoção e utilização de conteúdos digitais e outras propriedades intelectuais, os quais formam a base que impulsiona inovações e tecnologias da informação e comunicação, incluindo crowd computing, buscando melhorar a competitividade da indústria.

O desenvolvimento de “recursos humanos superiores” representados pelos jovens que apoiarão o crescimento sustentável e pessoas com criatividade (know -how), será elemento  impulsionador do crescimento. Está em curso estratégia de melhoria das habilidades individuais em vários campos, incluindo educação, esporte e cultura, para o desenvolvimento de “recursos humanos superiores”, com forte expansão de investimentos públicos em medidas efetivas, de forma que o Japão possa alcançar o maior nível mundial de educação, pesquisa e desenvolvimento.

A inovação é aqui entendida em seu sentido amplo: como produto, processo, organização, gestão, modelo de negócios, logística, marca, e move permanentemente a economia. Exatamente por isso, a inovação, ao enfatizar as mudanças – pequenas e grandes – e se traduzir num diferencial no mercado, está no coração da política de crescimento econômico japonês. A velha ideia de que os investimentos são geradores automáticos de inovação dão lugar ao seu reverso: a busca da inovação atrai os investimentos, com processos que surgem intimamente ligados ao esforço de melhorar a qualidade do investimento. Mesmo as políticas mais fundamentais, voltadas para investimentos em infraestrutura, aumento da capacidade instalada e qualificação da mão-de-obra estão concatenadas e articuladas com políticas de inovação.

Nessas condições, os recursos para a pesquisa e a prospecção científica japonesa tornaram-se mais sofisticados e competitivos, com claro incentivo para as atividades que transformam conhecimento em tecnologia e que possam estimular o crescimento econômico.

Sistema Educacional no Japão

O sistema educacional do Japão tem sistema educacional de excelência, com proposta de educação exemplar e disciplinada – o Japão ficou em ótima posição no ranking do PISA (2º em ciências, 5º em matemática e 8º em leitura), divulgado em 2015 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Destacam-se a disciplina a responsabilidade e autonomia dos alunos. Possui um sistema educacional gratuito, onde toda criança tem direito de estudar em escolas próximas de onde moram.

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Reunião com o Deputado  Federal Mauro Mariani (PMDB – SC) e o Embaixador do Japão no Brasil, Satoru Satoh.

 

A Urgência da Inovação

Não só pelo crítico momento político, econômico e social que o Brasil vive na atualidade, mas olhando para o futuro e entendendo os desafios do Século XXI, a inovação tem papel central no desenvolvimento nacional. Trata-se de demanda ampla, exigida em setores de tecnologia de ponta, mas também em setores tradicionais. É preciso entender inovação como algo sistêmico, com múltiplas dimensões, com grande força dinamizadora e fortemente influenciada pelo conhecimento, peça fundamental para o desenvolvimento, ao promover o aprendizado e novas competências, que aumentam a capacidade de inovar das empresas.

Uma importante iniciativa para incluir a inovação na agenda é liderada pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). A Mobilização Empresarial pela Inovação é um movimento que visa a estimular a estratégia inovadora das empresas brasileiras e ampliar a efetividade das políticas de apoio à inovação por meio da interlocução construtiva e duradoura entre a iniciativa privada e o setor público. O desafio é fazer da Inovação uma estratégia permanente das empresas. Um estudo realizado pela MEI [veja abaixo] apresenta um conjunto de propostas para uma política de inovação.

A economia brasileira precisa de muito mais dinamismo, e quando se olham os indicadores de produtividade do trabalho isso fica gritante: a produtividade do trabalho no país encontra-se estagnada: os únicos segmentos que apresentaram melhoria mais significativa foram o agronegócio e o financeiro (IPEA,2015).

O Brasil caracterizou-se por dinamismo econômico e progresso social na última década. O Brasil cresceu a uma taxa média de 4,4% ao longo do período 2004-2010 em comparação com 1,9 por cento nos sete anos anteriores. No período de 2003 a 2013, mais de 26 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza e a desigualdade foi reduzida significativamente (o coeficiente de Gini caiu de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2013). Graças a um forte desempenho de exportação, o Brasil também conseguiu gerar comércio considerável Superávits na maior parte da última década – em média, US$ 18,01 bilhões por ano entre 2004 e 2014.

No entanto, a produtividade não melhora no mesmo ritmo do crescimento econômico. O gráfico abaixo mostra que a diferença de produtividade (medida como PIB por pessoa empregada) em relação aos Estados Unidos estava aumentando após 1980. O Brasil teve uma produtividade do trabalho de US$ 28.500 em 2015, enquanto os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão tiveram um nível de produtividade De US$ 117.900, US$ 87.900 e US$ 73.200, respectivamente (medidos em termos de PPP aos níveis de preços de 2014).

Mesmo contra outros países em desenvolvimento, o Brasil apresenta um menor desempenho. Por exemplo, os níveis de produtividade do trabalho na Coréia do Sul, Rússia, Malásia e África do Sul foram, respectivamente, US$ 70.500, US $ 48.300, US$ 57.100 e US$ 42.500.

É difícil deixar de relacionar os baixos indicadores de qualidade educacionais do Brasil com a estagnação nos indicadores de inovação, como expressa na ainda baixa proporção de empresas inovadoras (IBGE, 2013), e a fraca performance competitiva da economia brasileira, que perde seguidamente posições no Ranking Global de Competitividade (WEF, 2016 – veja abaixo).

A crise econômica que sufoca o país amplifica nossas fraquezas estruturais e realça os diversos desafios a serem vencidos. É preciso jogar luz no problema da produtividade da economia e por conseguinte, no papel que a inovação joga nesse processo.

O relatório Innovation Strategy 2015, publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), destaca o papel central da inovação, em especial no contexto de crise internacional: “Novas fontes de crescimento são urgentemente necessárias para ajudar o mundo a avançar em direção a um padrão de crescimento mais robusto, inclusivo e sustentável, passada a crise financeira. Inovação – que envolve a criação e difusão de novos produtos, processos e métodos – pode ser uma parte crítica da solução.” (OCDE, 2015).

A centralidade da inovação como indutora da recuperação da economia demanda uma nova agenda capaz de garantir e sustentar o crescimento.

A Índia, a qualidade na educação e seu Sistema de Avaliação

Hoje vamos falar um pouco do Índia, de seus desafios educacionais e de seu modelo de avaliação da qualidade da educação básica.

A Índia é o 2º país mais populoso do mundo depois da China (1,2 bilhões de habitantes) e metade da população ainda depende da agricultura para sobreviver. Mesmo com inúmeros problemas sociais, o país se tornou a 7ª economia do mundo.  Adicionalmente, a Índia é o 3º maior produtor global de grãos e possui o maior rebanho bovino do Planeta.

Brasil e Índia compartilham uma relação muito próxima e multifacetada tanto a nível bilateral como em instâncias plurilaterais como BRICS, G-20, IBSA e em organismos multilaterais maiores como a ONU, OMC e UNESCO. A parceria estratégica Índia-Brasil, baseia-se numa visão global comum, em valores democráticos compartilhados e no compromisso de promover o crescimento econômico com inclusão social para o bem-estar dos povos de ambos os países.

Em relação a educação, é preciso registrar que a 86ª alteração à Constituição da Índia foi um marco, ao tornar a educação gratuita e obrigatória para crianças entre 6 e 14 anos de idade (estimada em 205 milhões de crianças em 2001) um direito fundamental. Para atender essa exigência, o primeiro-ministro indiano Atal Bihari Vajpayee criou o programa Sarva Shiksha Abhiyan (“campanha pela educação universal”) – SSA. Abrangendo todo o país, o programa vem sendo implementado desde então com o objetivo de universalizar o ensino fundamental, buscando eliminar as lacunas de gênero e categoria social na educação e aumentando os níveis de aprendizagem das crianças.

Além de universalizar, a busca pela melhoria na qualidade da educação está na gênese do programa SSA. Assim, qualidade na educação foi definida no Programa SSA por meio de um conjunto de dimensões, conforme expresso no documento “Monitoring Format for Quality Dimensions under SSA” abaixo, o framework do Programa Sarva Shiksha Abhiyan (SSA):

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Fonte: Monitoring Format for Quality Dimensions under SSA (clique documento SSA). Dimensões da Qualidade da Educação Elementar da Índia: Infraestrutura básica e outras instalações; Gestão e Apoio Comunitário; Ambiente Escolar e de Sala de Aula; Currículo e Material Didático de Aprendizagem; Formação de Professores e Professores; Tempo de Oportunidade (Tempo de Ensino-Aprendizagem); Práticas e Processos de Sala de Aula e Avaliação, Monitoramento e Supervisão dos Alunos.

De acordo com informações do programa SSA, a fim de estar continuamente informado sobre os parâmetros e as questões relacionadas com a qualidade do ensino, tanto no nível da sala de aula como no nível de sistema, foram criados sistemas de monitoramento. Foi sentida uma forte necessidade de monitorar periodicamente  e dar feedback regular em níveis elementares dentro e fora das salas de aula.

O Sarva Shiksha Abhiyan enfatizou uma abordagem holística e abrangente, nos moldes preconizados pelo Sinaeb brasileiro previsto no PNE, e implatou um sistema de acompanhamento ascendente que incentiva o desenvolvimento de parcerias entre comunidades e instituições de pesquisa para um monitoramento eficaz.

Como parte dessa iniciativa, a maioria dos Estados indianos incluiu uma variedade de ações em busca da melhoria da qualidade. Entre elas destacam-se um conjunto de Ferramentas de Monitoramento da Qualidade (QMTs), criadas para institucionalizar o sistema de monitoramento de qualidade no ensino fundamental nos Estados. Os QMTs são usados para coletar informações sobre vários parâmetros de qualidade relacionados ao processo da escola e da sala de aula e fornecer feedback apropriado para monitorar a melhoria da qualidade.

dimensões de qualidade e indicadores

As dimensões de qualidade definidas no SSA permitiram avançar para um conjunto de indicadores de qualidade, conforme apresentado no quadro abaixo:

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Dimensões e indicadores chave: 1. Instalações de infraestrutura a escola • Sala de aula / espaço para a aprendizagem • Espaço para atividades (individuais e em grupo) • Instalações de água potável • Instalações de armazenamento para água potável • Instalação sanitária • Instalações de jogos e material de brincar. 2. Gestão escolar e Suporte da comunidade • Assistência à infância • Participação dos professores • Apoio acadêmico, se possível • Apoio financeiro • Suporte de desenvolvimento TLM • Avaliação dos alunos • Disponibilidade oportuna de livros

dimensao 3 e 4

3. Escola e sala de aula Meio Ambiente • Ambiente Físico – Facilidade de iluminação adequada na sala de aula (luz solar) ● Ambiente Social – Relação criança-criança – Relação professor-filho – Relação professor-professor – Relação professor-administrador – Tratamento sensível de crianças de foco especial Grupos – Participação da comunidade nas atividades escolares • Instalações pré-escolares • Facilidades disponíveis para check-up de saúde / medidas de acompanhamento • Regimes Incentivos – Meio-dia refeição, Uniforme, Livros, Bolsa de estudos, etc 4. Currículo e Ensino Materiais de aprendizagem • Currículo existente e sua cobertura • Exercício de revisão do currículo • Materiais baseados em competências • quadro negro e sua utilização • Disponibilidade de livros escolares para crianças • Produção de livros didáticos • Distribuição de livros didáticos • Disponibilidade de materiais de ensino-aprendizagem • Biblioteca e seu uso • Laboratório / Kits e seu uso.

dimensao 5 e 6

5. Formação do Professor • Perfil do professor • Posição do professor (class-wise) • Professores de classe / sistema de professores sujeitos • Experiência pré-serviço • Experiência em serviço • Dificuldades enfrentadas durante o ensino (acadêmico / administrativo) • Capacidade de desenvolver e usar TLM • Nível de motivação do professor • Relação professor-comunidade • Apoio aos professores na escola • Papel do BRC / CRC na preparação do professor • Monitoramento de processos em sala de aula 6. Práticas em sala de aula e Processos • Organização em sala de aula – Arranjo de assentos – Configuração da sala de aula • Exibição de materiais na sala de aula • Agrupamento de Crianças • Proporção Aluno-Professor (PTR) • Métodos de introdução do tema • Processo de Ensino-Aprendizagem (Pedagogia) • Uso de Materiais de Ensino-Aprendizagem • A iniciativa dos alunos no processo de ensino-aprendizagem • Procedimento de avaliação seguido • Frequência de Avaliação.

dimensao 7 e 8

7. Oportunidade Tempo (Ensino- Tempo de aprendizagem) • Número de dias em que a escola abre em um ano • Número real de dias, ensino-aprendizagem ocorre em um ano • Número de horas letivas / dia • Número de professores em uma escola • Número de secções de cada turma numa escola • Número de aulas que cada professor lida (Monograde / Multigrade) • Participação dos alunos • Número de dias em que os professores estão envolvidos em Atribuições em um ano. 8. Avaliação dos Alunos, Monitoramento e Supervisão • Política adotada nos Estados para – Não há detenção – Grau / Marcas – Exames internos / externos – Periodicidade da avaliação (trimestral, semestral, Anual) – Recompensa / Punição – Procedimentos de registro na escola • Mecanismo de feedback utilizado pelos professores • Envolvimento dos pais na VEC • Procedimento para dar feedback aos pais.

Para definir o processo de monitoramento, um longo processo foi percorrido, tendo em vista as características da Índia. Inicialmente, um conjunto instrumentos de monitoramento foram desenvolvidos pelo Conselho Nacional de Investigação e Formação em Educação – NCERT, tendo em vista as seguintes questões críticas:

  • Quais devem ser os principais indicadores para cada uma das dimensões de qualidade da Educação Primária, que exigem monitoramento e supervisão regulares?
  • Que tipo de formatos devem ser desenvolvidos para monitorar indicadores de qualidade para cada dimensão?
  • Que procedimentos devem ser adotados para testar e validar as ferramentas para avaliar a viabilidade e praticabilidade do sistema?
  • Quais devem ser as modalidades de disseminação destas ferramentas para uma utilização mais ampla no sistema?

A fim de abordar estas questões de forma mais significativa, os formulários de coleta e os indicadores foram preparados e discutidos em detalhes com os representantes do governo, de pesquisadores e da sociedade civil. Esses indicadores foram posteriormente discutidos com representantes dos Estados. Com base nas sugestões e recomendações dos Estados, as ferramentas foram refinadas e aperfeiçoadas. Ao todo, foram desenvolvidos cinquenta e dois instrumentos de coleta para os vários níveis do sistema educacional local, distrital, regional e nacional). Após o longo processo de pactuação, chegou-se a 14 formulários/instrumentos de coleta e 3 folhas analíticas foram desenvolvidas para os vários níveis, ou seja, do nível escolar ao nível do Estado Federal.

Abaixo se apresenta o sistema de fluxo de informações nas ferramentas de monitoramento da qualidade (QMT):

fluxo

AS informações circulam de maneira ascendente do nível da escola ao nível federal.

Outro ponto importante é a temporalidade da coleta das informações. Abaixo se apresenta o quadro de periodicidade de coleta de cada instrumento em cada nível:

periodicidade

Observa-se que existem informações coletadas quadrimestralmente, anualmente e trienalmente, de acordo com o objetivo do instrumento e do nível a que referida informação atende.

Importante destacar o papel do Conselho Nacional de Investigação e Formação em Educação (NCERT) no processo de organização e operacionalização do modelo de avaliação Indiano.

Conselho Nacional de Investigação e Formação em Educação (NCERT)

O Conselho Nacional de Investigação e Formação em Educação (NCERT) é uma organização autônoma criada em 1961 pelo Governo da Índia para assistir e aconselhar os Governos Central e Estadual em políticas e programas de melhoria da qualidade da educação escolar. Os principais objetivos do NCERT e das suas unidades constituintes são:

  • Realizar, apoiar, promover e coordenar pesquisas em áreas relacionadas com a educação escolar;
  • Preparar e publicar livros, material complementar, boletins informativos, revistas e outras publicações relacionadas;
  • Organizar a formação inicial e contínua dos professores;
  • Desenvolver e disseminar técnicas e práticas educativas inovadoras;
  • Colabore e estabelecer uma rede com departamentos educacionais estaduais, universidades, ONGs e outras instituições educacionais;
  • Agir como um centro de informações e informações sobre questões relacionadas com a educação escolar; e
  • Agir como uma agência nodal para alcançar metas de universalização do ensino fundamental.

Além das atividades de pesquisa, desenvolvimento, treinamento, extensão, publicação e divulgação, o NCERT é uma agência de implementação de programas bilaterais de intercâmbio cultural com outros países no campo da educação escolar.

O NCERT também interage e trabalha em colaboração com as organizações internacionais, visitando delegações estrangeiras e oferece várias facilidades de treinamento para pessoal educacional de países em desenvolvimento. As principais Unidades Constituintes do NCERT localizadas em diferentes regiões do país são:
1. Instituto Nacional de Educação (NIE), Nova Deli
2. Instituto Central de Tecnologia Educacional (CIET), Nova Deli
3. Pandit Sunderlal Sharma Instituto Central de Educação Profissional (PSSCIVE), Bhopal
4. Instituto Regional de Educação (RIE), Ajmer
5. Instituto Regional de Educação (RIE), Bhopal
6. Instituto Regional de Educação (RIE), Bhubaneshwar
7. Instituto Regional de Educação (RIE), Mysore
8. Instituto Regional Nordeste de Educação (NERIE), Shillong.

Destaco sua responsabilidade pelo National Achievement Surveys (NAS), pelos inquéritos educacionais da Índia (AIES) e pelas Ferramentas de Monitoramento da Qualidade (QMTs).

National Achievement Surveys (NAS)

O National Achievement Surveys (NAS) é realizado pelo National Council of Educational Research and Training (NCERT) a cada três anos, desde 2001. Esta série de pesquisas fornece aos formuladores de políticas, planejadores, desenvolvedores de currículo e outros profissionais um “instantâneo” do que os alunos aprenderam em assuntos principais, mas também fornece uma linha de base contra a qual as mudanças nos padrões educacionais podem ser monitoradas. O NAS avalia estudantes do 3º ano, do 5º ano, do 8º ano e do 10º ano.

Resultados 4º Ciclo de avaliação – National Achievement Surveys (NAS) realizados com estudantes do 5º ano

O Relatório “WHAT STUDENTS OF CLASS V KNOW AND CAN DO – A summary of India’s National Achievement Survey, Class V (Cycle 4), 2015″ realizado em 2015 com estudantes do 5º ano em 8.266 escolas de 34 estados da Índia trouxe questões importantes.

O Relatório do 4º Ciclo de avaliação indicou em suas conclusões a necessidade dos professores trabalharem com os alunos o desenvolvimento da competência na leitura em vários níveis. A maior parte da avaliação da língua é baseado em livros didáticos e apenas em testes de memória de informações dos textos vistos. Como resultado, os alunos acham difícil lidar com questões baseadas em textos não vistos. Apresentar aos alunos diferentes formas de textos e pedir-lhes para ler, compreender e responder às perguntas dadas iria melhorar suas habilidades de leitura e compreensão. Os alunos estão atrasados em algumas áreas específicas de Matemática. Os professores precisam identificar se é devido à falta de compreensão conceitual ou devido à falta de prática e orientação sobre erros rotineiros cometidos pelos alunos. A falta de clareza conceitual e de compreensão foi encontrada na maioria dos temas testados. É necessária uma sondagem adicional para desenvolver uma estratégia apropriada para que os alunos compreendam os conceitos difíceis. Os resultados do estudo precisam ser incluídos nos programas de formação de professores (inicial e em serviço) para melhorar os aspectos pedagógicos relacionados à facilitação da leitura, da matemática e dos estudos ambientais. Isto permitiria também aos professores utilizar uma metodologia inovadora para motivar os alunos durante o processo de ensino-aprendizagem.

Resultados do 1º Ciclo de avaliação – National Achievement Surveys (NAS) realizados com estudantes do 10º ano

O Relatório “WHAT STUDENTS OF CLASS V KNOW AND CAN DO – A summary of India’s National Achievement Survey, Class X (Cycle 1), 2015, realizado em 2015 com estudantes do 10º ano em 7.216 escolas de 33 Estados da Índia também realçou questões importantes.

De acordo com as conclusões do Relatório, a maioria dos Estados está se comportando abaixo da pontuação média geral em todas as áreas, o que indica que há necessidade de melhoria significativa nos níveis de aprendizagem. A baixa realização, de acordo com as conclusões do Relatório, advém da falta de clareza conceitual e compreensão dos temas testados. Uma sondagem adicional é necessária para identificar as áreas de conteúdo e habilidades que requerem atenção e para desenvolver estratégias apropriadas para permitir que os alunos compreendam os conceitos.

Além disso, verifica-se a partir da pesquisa que as escolas e os alunos em áreas rurais estão em posição de desvantagem em comparação com os estudantes urbanos em termos de pontuação média de realização em diferentes disciplinas.

Inquéritos Educacionais da Índia (AIES)

O principal objetivo de todos os inquéritos educacionais da Índia (AIES), realizado periodicamente pelo Conselho Nacional de Pesquisa e Treinamento Educacional (NCERT), é coletar, compilar e divulgar informações sobre o progresso geral do país na área da educação escolar.

Essas Pesquisas fornecem insumos básicos para desenvolver planos educacionais a nível micro e macro, formular políticas educacionais e monitorar o progresso de vários esquemas educacionais dos Governos Central e Estadual. Abrange a disponibilidade de instalações escolares nas habitações rurais, instalações físicas e educativas nas escolas, regimes de incentivo e beneficiários, meio de ensino e línguas ensinadas, total de matrículas, professores e as suas qualificações acadêmicas e profissionais , Biblioteca, laboratório, pessoal auxiliar. Escolas especiais para crianças com deficiência e instituições pré-primárias estão cobertas.

A Oitava Pesquisa de Educação Escolar da Índia (8 AISES) foi iniciada Conselho Nacional de Pesquisa e Treinamento em Educação, com data de referência de 30 Setembro de 2009 com o objetivo de criar uma extensa base de dados Disponibilização de dados nos meios magnéticos e de impressão para Planejamento educacional. O primeiro relatório foi gerado em janeiro de 2013.

As Estatísticas estão disponíveis no portal www.aises.nic.in da AISES.

Espero que esse panorama ajude a entender um pouco melhor sobre como o Estado Indiano vem modelando as respostas para enfrentar o desafio de garantir educação de qualidade para mais de um bilhão de pessoas.

 

Comissão propõe criação de pactos sociais pela educação de qualidade

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Li e reproduzo interessante relatório da Comissão para a Educação para Todos. A Comissão para a Educação de Qualidade para Todos é uma iniciativa inovadora de grande abrangência do Diálogo Interamericano, criada para apoiar uma mudança educativa profunda na América Latina por meio da mobilização dos setores público e privado, dos meios de comunicação e da sociedade civil. Presidida pelos ex-presidentes Ernesto Zedillo, do México, e Ricardo Lagos, do Chile, e integrada por doze líderes latino-americanos, a Comissão iniciou seu trabalho durante o Fórum Sol Linowitz do Diálogo Interamericano, em novembro de 2014.

Em agosto de 2016, o Diálogo Interamericano lançou o relatório “Construindo Educação de Qualidade: Um Pacto com o Futuro da América Latina”, que resultou dos trabalhos dessa Comissão.

Por mais de duas décadas, o Diálogo tem enfatizado a importância da educação para o desenvolvimento da região e feito contribuições importantes em relação ao tema. A Comissão representa a continuidade desses esforços. A missão da Comissão é elevar o perfil da baixa qualidade da educação na América Latina e propor uma agenda para a mudança educativa que desperte o interesse e o compromisso de todos os atores relevantes. Além de estimular a reflexão, a Comissão busca promover alianças entre setores, identificar os progressos realizados nos últimos anos e oferecer uma série de recomendações práticas que sirvam como ponto de partida para a transformação educativa que a região tanto precisa.

Este relatório está dividido em três partes. Primeiro, apresenta um panorama do estado atual da educação na América Latina. Segundo, analisa seis áreas prioritárias para melhorar a qualidade educativa. E, terceiro, propõe a criação de um pacto social que gere uma transformação profunda e sustentável nos sistemas educativos da região. Este esforço é resultado do Programa de Educação do Diálogo, que tem como objetivo melhorar a qualidade educativa e impulsionar o desenvolvimento de habilidades em toda a América Latina.

O desenvolvimento com equidade e democracia requer que todas e cada uma das crianças latino-americanas recebam uma educação de qualidade. A América Latina tem feito importantes progressos ao expandir a cobertura de seus sistemas educativos, reservando uma proporção crescente dos orçamentos públicos para tornar isso possível. No entanto, e apesar dos importantes esforços realizados, os déficits de aprendizagem continuam sendo alarmantes. Os resultados de exames de aprendizagem nacionais e internacionais demonstram que a América Latina está ficando para trás, não apenas em comparação com o resto do mundo, mas também em relação aos nossos próprios padrões. Em uma era de crescente globalização e mudança tecnológica acelerada, as lacunas educativas representam um desafio vital para as economias e sociedades da região.

Neste relatório, são propostas reformas em seis áreas consideradas fundamentais para transformar os sistemas educativos da região: 1) a educação infantil; 2) a excelência docente; 3) a avaliação de aprendizagens; 4) as novas tecnologias; 5) a relevância da educação e (6) o financiamento sustentável. Em cada uma dessas áreas, explorou-se onde se encontra a América Latina atualmente e, com base nas melhores evidências internacionais disponíveis, discutiu-se o que pode ser feito para que os países da região alcancem seu potencial educativo.

O relatório propõe uma série de reformas que não são simples. Estas reformas requerem recursos humanos e financeiros, compromisso político e persistência ao longo do tempo para que deem bons resultados. A mudança deve dar espaço para experimentar, avaliar e adaptar segundo as necessidades de cada país. Além disso, requer altos níveis de consenso e participação social, incluindo os educadores, os estudantes e as famílias. Por isso, foi proposta a criação de pactos sociais pela educação de qualidade que transpareçam os objetivos das reformas, fixem metas e recursos e estabeleçam um mecanismo de responsabilidade mútua. A ideia é promover estratégias a longo prazo que transcendam diferentes governos, estabelecendo mecanismos que assegurem que os acordos sejam traduzidos em ações concretas e ofereçam o tempo suficiente para obter os resultados requeridos.

Link para a Commission for Quality Education for All.

O desafio de governar sistemas educacionais complexos

Os governos de todos os países enfrentam o desafio de governar sistemas educacionais cada vez mais complexos. Há uma necessidade crescente de estruturas de governo e governança capazes de lidar com essa complexidade e que podem fornecer aos atores os conhecimentos de que precisam para tomar decisões.

No Brasil, com sua dimensão continental e onde diferentes unidades federadas possuem responsabilidades na gestão da política educacional, o problema da governança se potencializa.

Apresento como contribuição ao debate um paper, produzido pelos pesquisadores Mihály Fazekas e Tracey Burns e publicado pela OCDE, que enfrentou o desafio de estudar como a governança e o conhecimento se constituem e se afetam mutuamente em sistemas educacionais complexos.

Veja o estudo aqui: Exploring the Complex Interaction Between Governance and Knowledge in Education.

O estudo identificou pouca literatura que faça pontes entre o trabalho sobre governança e o conhecimento. Tradicionalmente, diferentes escolas de pensamento acadêmico e político analisaram vários aspectos da relação entre governança e conhecimento separadamente. Portanto, a revisão realizada pelos pesquisadores foi exploratória, experimental e aberta.

Os pesquisadores revisaram a literatura em cada um dos domínios em vários setores, incluindo o trabalho da administração pública, ciência política e políticas públicas, sociologia, economia institucional e organização. Isso foi aumentado com o trabalho da educação e outras ciências sociais, incluindo saúde, direito e justiça social. O estudo apresentou ainda uma discussão sobre a melhor forma de agrupar e sistematizar as várias literaturas e os próximos passos possíveis.

O estudo enfatiza a necessidade de mais pesquisas teóricas e empíricas para responder plenamente à questão inicial, e a necessidade urgente de fazê-lo, devido a  necessidade crescente de estruturas de governança capazes de lidar com essa complexidade e que possam fornecer aos atores os conhecimentos de que precisam para tomar decisões.

Referencias Bibliográficas

Fazekas, M. and T. Burns (2012), “Exploring the Complex Interaction Between Governance and Knowledge in Education”, OECD Education Working Papers, No. 67, OECD Publishing.

A “tempestade perfeita”: Estagnação econômica, aumento do custo de vida, redução dos gastos públicos, com grande impacto na pobreza. Brasil? Não. Reino Unido!

No momento em que o Brasil atravessa crise econômica, política, ética e social, a leitura de um Relatório da Oxfam de 2012 pode ajudar na reflexão sobre os caminhos atuais e futuros do Brasil na definição de sua agenda de prioridades.

O Relatório da Oxfam apresenta diagnóstico sobre o momento político do Reino Unido , que associa a uma tempestade perfeita para a população mais pobre daquele país: estagnação econômica, aumento do custo de vida, redução dos gastos públicos, tudo com forte impacto na parcela mais pobre da população.

O Relatório da Oxfam é duro no diagnóstico:

A combinação no Reino Unido de estagnação econômica e cortes nos gastos públicos está causando dificuldades substanciais às pessoas que vivem na pobreza. Isso equivale a uma “Tempestade Perfeita” de queda de rendimentos, aumento dos preços, cortes no serviço público, cortes de benefícios, uma crise de habitação e direitos trabalhistas fracos. Ao fazer escolhas políticas diferentes, o governo pode tanto proteger as pessoas na pobreza como ajudar a estimular a recuperação económica a curto prazo e colocar o Reino Unido no caminho da sustentabilidade económica, social e ambiental a longo prazo. O Reino Unido é o sexto país mais rico da terra, mas uma em cada cinco pessoas vive na pobreza. Antes da crise financeira e da recessão económica, a prosperidade não era partilhada. O Reino Unido é um dos países ricos mais desiguais do mundo, com o décimo mais pobre das pessoas a receber apenas 1% da renda total, enquanto os 10 mais ricos levam para casa 31%. (Haddad 2012)

Abaixo o Relatório completo:

O Reino Unido enfrenta um conjunto de desafios sérios e interligados. A economia estagnada, o desemprego aumentando, a inflação subindo, os rendimentos caindo, e os gastos com serviços públicos sendo reduzidos rapidamente.  Fica mais fácil de entender os motivos que levaram a Inglaterra a sair da União Europeia, ao votar o Brexit, ao ler o Relatório da Oxfam. A situação estava no limite do insuportável e as pessoas se viram diante de um difícil dilema.

O Relatório da Oxfam realizou análise ampla dos desafios para as pessoas que vivem na pobreza.  Para os 13,5 milhões de pessoas que atualmente vivem na pobreza do Reino Unido – um quinto da população – o impacto combinado de todos estes desafios criou uma ‘Tempestade Perfeita’ em termos de diminuição de acesso a políticas públicas.

O governo pretende atingir a maior parte da meta com sua redução do déficit através de cortes na despesa pública. As pessoas mais pobres dependem dos serviços públicos e os cortes nos gastos devem atingir as percelas mais pobres da população.  As reduções previstas para os serviços públicos significarão menos cuidados de saúde, a redução nas políticas de assistência social, com o fechamento de centenas de serviços.

Para a Oxfam, a recessão, a estagnação econômica, a queda real de rendimentos e os cortes nos serviços públicos estão atingindo as pessoas que vivem na pobreza mais difícil. Os impactos combinados de todos esses fatores criam uma “tempestade perfeita” que está empurrando as pessoas mais pobres a um ponto de ruptura.  A atual abordagem governamental, que consiste em equilibrar o orçamento cortando dos mais pobres, não está funcionando, social ou economicamente. A Oxfam defende que a crise pode ser uma oportunidade para construir uma sociedade mais justa, e construir as fundações para superar a pobreza de uma vez por todas, com as pessoas, o Governo e as empresas fazendo parte desse esforço. defende ainda uma ação urgente para revigorar tanto a economia, e defender os direitos das pessoas em situação de pobreza. A Oxfam defende por fim, uma série de medidas, entre as quais:

  • Proteger os rendimentos dos baixos salários, aumentando o salário mínimo nacional pelo menos na linha da inflação ou salário médio, o que for maior;
  • Proteger as pessoas na pobreza do aumento do custo de vida, limitar os preços dos combustíveis;
  • Proteger os serviços públicos, utilizando a tributação progressiva; investir em um sistema nacional de cuidados infantis universais, para tornar o trabalho remunerado para as mulheres e a infra-estrutura social do país;
  • Proteger a rede de segurança social, dando às autoridades locais na Inglaterra recursos suficientes para manter os atuais níveis de Benefício Fiscal; reverter os cortes no apoio à assistência à infância;
  • Proporcionar habitação segura, acessível e decente para todos, investindo em casas a preços acessíveis para impulsionar a economia e ajudar a crise;
  • Avançar para um sistema fiscal mais justo, e Introduzindo um imposto de Robin Hood sobre transações financeiras;
  • Ajudar a proteger os serviços públicos e os benefícios e garantir que todos paguem a sua parte justa; E explorar opções para um imposto de valor de terra; e
  • Repensar como medimos o valor: o dano social causado pela desigualdade, pelo alto desemprego e pela degradação ambiental.

Para a Oxfam, não é o crescimento que importa, mas o tipo e distribuição de crescimento; Medir o verdadeiro valor social através de uma medida de Bem-estar, como o Índice Humano Humano da Oxfam Scotland, ajudar-nos-á a medir se o que estamos fazendo para corrigir a economia é realmente sustentável  à sociedade.

Importantes reflexões num momento em que o Brasil precisa repensar seu projeto de nação para o Seculo XXI.

 

Referencias Bibliográficas

Smith, Mark K. (2014). The impact of austerity on schools and children’s education and well-being. The encyclopaedia of informal education. [http://infed.org/mobi/the-impact-of-austerity-on-schools-and-childrens-education-and-well-being/. Retrieved: 20/04/2017.

Haddad, M. (2012). The perfect storm: Economic stagnation, the rising cost of living , public spending cuts, and the impact on UK poverty. Oxford:Oxfam GB (http://policy-practice.oxfam.org.uk/ publications/ the-perfect-storm-economic-stagnation-the-rising-cost-of-living-public-spending-228591).

A Educação Coreana e os desafios do Século XXI

 

A história da educação coreana nos últimos 30 anos é notável. Ao apoiar fortemente seu projeto de desenvolvimento num ambicioso projeto educacional, a Coreia do Sul alavancou um espetacular crescimento econômico. O PIB per capita, que era apenas de US$ 100 em 1963, chegou a quase US$ 9.800 em 2002, 18 vezes maior que o da Coreia do Norte. Com 50 milhões de habitantes, a Coreia do Sul ocupa apenas 100 mil km2 do globo, quase a metade do estado de São Paulo. Nesse compacto território, abriga marcas valiosas como Samsung, LG, Hyundai, Kia, Posco – a quarta maior fabricante de aço do mundo – e SK Hynix, a segunda na produção mundial de chips.

O atual patamar de qualidade e de acesso à educação foi atingido, segundo especialistas, graças a um maciço investimento em educação, voltado à formação dos professores, ao investimento em material de apoio e na melhoria da estrutura e funcionamento das escolas – combinado com a cultura asiática de disciplina e valorização do ensino.

O relatório da OCDE “Strong Performers e Successful Reformers in Education: Lessons from PISA for Korea” avalia o sistema educativo coreano através do prisma do PISA, analisa os recentes desenvolvimentos políticos e sugere políticas para promover melhorias. O relatório indica que a Coreia tem obtido um desempenho consistente, situando-se perto ou no topo em todas as rodadas e campos de avaliação no relatório PISA. Além disso, a participação dos estudantes coreanos com melhores resultados está acima da média da OCDE e dobrou em apenas uma década. destaca-se ainda que a Coreia tem a menor proporção de estudantes de baixo desempenho entre os países da OCDE.

Mas o governo coreano não para por aí. Considerando os limites do atual modelo, a Coréia do Sul está em processo de transformar seu sistema educacional para preparar melhor a próxima geração para uma economia criativa emergente – que dependerá de indivíduos capazes de identificar oportunidades de inovação intersetorial em áreas como biotecnologia e design e criar novos produtos e tecnologias, que combinem elementos de campos diversos do conhecimento, já que a rápida globalização e modernização também colocam novos e exigentes desafios para preparar os jovens com habilidades relevantes para os desafios do século XXI.

Uma pesquisa que aborda essa experimentação em direção a novos desafios foi elaborada por Rufina Kyung Eun Park (fellow da Asia Pacific Foundation of Canada – APF Canada). De acordo com Rufina no estudo “Preparing Students for South Korea’s Creative Economy – The Successes and Challenges  of  Educational Reform“, estão em curso dois importantes processos de inovação na educação coreana. O estudo apresenta como estão sendo avaliados pelo governo coreano a adoção de um currículo mais interativo, com programação extracurricular aumentada que atenda aos interesses e às paixões dos estudantes  – “Free Semester Program (FSP)”  e a educação de software – “Software Education”.

No FSP, no período de um semestre, o programa busca atingir três metas significativas: a) desenvolver competências para o futuro, tais como criatividade, habilidades de resolução de problemas e habilidades de reação de ordem superior; b) melhorar a felicidade do estudante; e c) aumentar as oportunidades para que os estudantes descubram seus sonhos e talentos.

No projeto “Software Education” – Educação de Software, atualmente em fase piloto, o objetivo é fortalecer no currículo o desenvolvimento do pensamento computacional, de habilidades de codificação e a expressão criativa através do software. Nessa iniciativa são introduzidas mudanças em todos os níveis do ensino básico, médio, secundário e universitário. Os professores de escolas primárias estão enfrentando maiores dificuldades porque estão ensinando educação de software pela primeira vez sem um treinamento intensivo em informática, ao contrário de professores em níveis mais elevados de educação. Nos três primeiros anos de implementação dessas duas reformas educacionais, Esta é uma mudança significativa para um sistema de educação que é mais conhecido pela memorização e exames escritos de alto nível.

O estudo de Rufina revela que os professores ficaram surpresos com o aumento do envolvimento dos alunos durante o FSP. Os professores de ensino fundamental que ensinam habilidades de codificação e computação como parte da Educação de Software pela primeira vez encontraram uma rede de professores muito solidária que compartilhavam recursos e currículos úteis. O  relatório fornece uma visão abrangente do contexto das duas principais reformas educacionais da Coréia no contexto da economia criativa da Coréia. Também fornece uma atualização atual sobre o processo de inovação educacional, atuando de forma que as reformas educacionais ajudem a melhorar o bem-estar sócio emocional dos estudantes e permitam explorar melhor suas paixões e interesses e os preparem para a economia criativa.

A Coreia busca com essas duas iniciativas incentivar o uso de tecnologia de ponta para melhorar a vida cotidiana, o desenvolvimento de novas inovações tecnológicas e a combinação de idéias de diferentes campos para criar novos produtos são algumas das características de uma economia criativa. Uma indústria que cresce em popularidade e tem sido incentivada pela iniciativa é a Internet das Coisas, que é uma rede de objetos físicos – como dispositivos móveis, veículos e roupas esportivas – que pode coletar e trocar dados usando software embutido e conectividade de rede. Outro tipo de inovação encorajada em uma economia criativa é o desenvolvimento de produtos através da reimaginação do uso de produtos.

Centros de Economia Criativa e Inovação (CCEI)  – Outra iniciativa associada a política educacional e vinculada a política de inovação, são os Centros de Economia Criativa e Inovação (CCEI). Os CCEI são vistos pelo governo coreano como catalisadores para revigorar a economia doméstica, focados no atendimento para startups que oferecem espaços de trabalho, financiamento e seminários. Os CCEIs são espaços onde empresas e talentos individuais podem se comunicar e cooperar, transformando ideias em novas tecnologias e produtos que, por sua vez, geram empresas e negócios de sucesso. Desde o lançamento da política, há três anos, foram criados em todo o país CCEIs. Em abril de 2016, as CCEIs apoiaram mais de 2.000 empresas, criando quase 800 novos empregos. Cada CCEI tem diferentes áreas de foco e parceiros de empresas para maximizar os recursos, redes e mercados já estabelecidos na região circundante. Outras empresas que se associam com os CCEIs para apoiar o aumento de startups incluem grandes conglomerados como Samsung e Hyundai. A economia criativa da Coréia não surgiu da noite para o dia, mas já vem há muito tempo. Na verdade, o maior centro de negócios no país, chamado Pangyo Technovalley, foi lançado há uma década. Coletivamente, as empresas de Pangyo Technovalley empregam cerca de 70.000 pessoas e geraram um lucro de US$ 60 bilhões em 2015, o que representou 20% do PIB de Pangyo, a maior província da Coréia.

 

O exemplo da Coreia do Sul ressalta a importância de alinhar o projeto de país ao projeto educacional.

Curioso Quadro Resumo da História do Mundo

Pausa para apresentar um curioso e interessante material de geografia e história. Acima apresento um “Histomap”, criado por John B. Sparks, que foi primeiramente impresso por Rand McNally em 1931. (A coleção de David Rumsey hospeda uma versão totalmente ampliável aqui). Ele também foi apresentado no Blog Mundialíssimo aqui.

Este mapa gigantesco e ambicioso se encaixava perfeitamente com uma tendência dos anos 1920 e 1930 , de retratar e sintetizar grandes temas (a história do mundo, toda escola de filosofia, toda a física moderna, entre outros) de forma compreensível para o cidadão comum da época.

O Histomap foi vendido por US $ 1 e dobrado em uma capa verde , e contou com endossos de historiadores e revisores. O gráfico foi anunciado como “claro, vívido e desprovido de elaboração”, enquanto ao mesmo tempo capaz de “segurá-lo encantado“, apresentando “A imagem real da marcha da civilização, das cabanas de lama dos antigos através do glamour monárquico da Idade Média ao panorama vivo da vida na América do presente.” A carta usa cores e espaços para mostrar como o poder de vários “povos”  evoluiu ao longo da história.

Não está claro no mapa o significado da largura dos fluxos coloridos e nota-se que Sparks sintetizou a história mundial como um jogo de soma zero, e o seu tamanho (1 metro e meio) mostra o tamanho da caminhada do homem no planta terra, em que povos e nações competem a milhares de anos por terras e recursos finitos.