Como Transformar SC num Estado apaixonado pela Educação? A Contribuição da Inovação ao debate

Assumi em junho de 2018 a Diretoria de Tecnologias e Inovação da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina. O atual governo termina em 31 de dezembro próximo. Menos de seis meses, portanto. O que fazer em tão curto período? Assumi o desafio com o propósito de promover amplo debate com a sociedade catarinense sobre a relevância da inovação na educação. O Relatório abaixo sistematiza o esforço de nossa equipe, que buscou por meio de uma ousada Agenda (Marco Operativo 2018) materializar uma ideia força: “transformar Santa Catarina num Estado apaixonado pela Educação”.

Mais que buscar um registro simples e descritivo de atividades realizadas, buscamos contar a história do contexto e do propósito que nos levou a levar adiante a Agenda Estratégica de Inovação na Educação.

Quero registrar aqui algo muito importante: temos na Diretoria de Tecnologias e Inovação da Secretaria de Estado da Educação uma equipe de mais de 80 servidores  regionalmente distribuídos (NTE´s) que tem a responsabilidade pela execução de ações e estratégias de inovação em educação. Isso é algo fantástico, que tem grande capacidade de promover a agenda de inovação em nossas escolas. Acredito que a Escola Catarinense do Futuro passará necessariamente pelas mãos dessa vibrante equipe!

Lançamento do Relatório, no Museu da História Catarinense

Lançamento do Relatório, no Museu da História Catarinense, dia 30 de outubro de 2018. Da esquerda para a direita: Tufi Michreff Neto, Secretário de Estado do Turismo, Cultura e Esporte; Alexandre Santos, Diretor de Tecnologias e Inovação da SED; Gildo Volpato, Secretário de Estado Adjunto da Educação; Paulo Ivo Koentopp, Secretário Executivo da ACAFE; Mirian Soares Pereira, Gerente de Projetos da DITI e Organizadora do Relatório 2018. “Precisamos transformar Santa Catarina num Estado apaixonado pela Educação” – Alexandre Santos

Acredito que Santa Catarina terá papel de destaque na definição da Escola do Futuro, da Escola 4.0 que precisa emergir para enfrentar os grandes desafios do nosso Estado e do Brasil.

Nesse curto período gostaria de agradecer a toda essa fantástica e vibrante equipe, e dizer que aprendi muito nessa curta passagem! Compartilho a alegria da apresentação do Relatório com cada integrante da DITI e dos NTE´s que contribuiu para transformar essas ideias em realidade. Não vou nominar aqui, mas acredito que o Relatório fala por si: Tivemos um curto e intenso período de planejamento, execução e avaliação de ações na área de inovação e tecnologias. Fechamos um ciclo de governo com muito orgulho do que fizemos, e tenho certeza que conseguimos firmar bases mais sólidas para o avanço da inovação e do uso da tecnologia na educação.

Muito Obrigado e sigamos em frente, em busca da Educação que o Brasil Precisa!

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Como a participação no esporte está relacionada ao desempenho e ao bem-estar dos alunos?

Os esportes desempenham um papel vital na vida dos alunos. A prática regular de esportes pode reduzir os riscos de obesidade, distúrbios de ansiedade, baixa auto-estima e bullying entre adolescentes, e pode ajudá-los a viver uma vida mais ativa e saudável como adultos. Mas aulas de educação física e atividades esportivas extracurriculares competem pelo tempo com muitas outras atividades importantes, incluindo lição de casa e estudo. Educadores e pais podem perguntar se seus filhos passam bastante tempo (ou talvez muito tempo) em atividades físicas e em que grau a participação em esportes está associado ao desempenho acadêmico e ao bem-estar dos alunos.

Em 2015, o PISA coletou dados sobre o envolvimento de estudantes de 15 anos em atividade física vigorosa . Esses dados mostram que a maioria dos estudantes pratica esportes regularmente. Em média, nos países da OCDE, 52% dos alunos se envolvem em atividades que os fazem suar ou respirar forte e rapidamente por mais de 20 minutos 3 ou mais dias por semana. Mais de 60% dos estudantes na Dinamarca, Islândia, Noruega, Polônia, Suécia e Estados Unidos participam neste tipo de atividade pelo menos 3 vezes por semana. Em contraste, menos de 40% dos estudantes no Brasil, Colômbia, Costa Rica, França, Hong Kong (China), Coréia, Macau (China), Cingapura, Tunísia, Turquia e Emirados Árabes Unidos fazem isso.

  • Nos países da OCDE, 52% dos estudantes relataram que se envolvem em atividades físicas vigorosas pelo menos três dias por semana; e os meninos se envolvem em tais atividades um dia a mais por semana do que meninas, em média.
    A quantidade de atividade física vigorosa em que o aluno se envolve está positivamente relacionada ao bem-estar do aluno.
  • Alunos que praticam atividade física moderada pelo menos um dia por semana tendem a ter um desempenho melhor no PISA do que os alunos quem não faz nenhuma atividade física.
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Satisfação com a vida, pelo número de dias por semana
que os alunos se envolvem em atividade física

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Uma imagem que vale mil palavras: Compromisso da China com a Educação

Essa foto foi tirada pela nossa amiga Raquel Oliveira no dia 5 de junho, quando visitávamos uma escola primária de Shanghai. Tiramos a foto de dentro do ônibus, ao acaso nem produção. A nossa surpresa com a imagem fala muito sobre nós e sobre eles.

Essa foto resume o tipo de compromisso que a sociedade chinesa tem com a educação.

Precisamos colocar educação em primeiro lugar, e esse é um esforço de cada um de nós, de cada família, para que seja o esforço de toda a nação.

Inovação: A Aposta da China para se manter no topo!

Precisamos conhecer a China para entender seus avanços. Estive na China em 2016, a convite do Banco Mundial, para conhecer o Modelo educacional de Shanghai. Visitei escolas, a Universidade, e participei de vários painéis que promoviam o debate e a reflexão acerca do emergente e inovador modelo educacional chinês. Depois de dois anos, pude retornar a China em junho deste ano. Dessa vez pude planejar mais detalhamente e realizar uma imersão na realidade de Shanghai.

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Foram 10 dias de intenso processo de reflexão, com vários outros colegas pesquisadores, gestores e empreendedores brasileiros, com um objetivo em especial – conhecer quais são as chaves que destravam esse impressionante processo de melhoria da qualidade educacional. Como guia balisador, o estudo “How Shanghai Does It” organizado pelos pesquisadores Xiaoyan Liang, Huma Kidwai e Minxuan Zhang e uma equipe da Shanghai Normal University com apoio do Banco Mundial.

Nessa segunda visita pude estar na mesma escola que visitei em 2016, e posso afirmar – a escola que já era de excelência, conseguiu se superar e demarcou uma nova fronteira da excelência, avançando ainda mais para novos patamares, e tenho certeza: eles não vão parar por aqui!

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O Estudo “How Shanghai Does It” analisou e comparou políticas e práticas educacionais realizadas em Shanghai em vários aspectos, entre eles a formação de professores, financiamento escolar, avaliação de estudantes e autonomia e responsabilização escolar, sendo um relato abrangente e sem paralelos dos insights e lições de Shanghai. Ele apresenta um exame aprofundado sobre como os estudantes em Xangai obtiveram as melhores pontuações nas áreas de leitura, ciências e matemática no PISA. Ele documenta e compara políticas-chave da educação básica em Xangai, provê evidências da extensão da implementação dessas políticas em escolas e explora como essas políticas e sua implementação afetaram os resultados da aprendizagem. O estudo utilizou um instrumento de avaliação denominado SABER como uma estrutura de organização para organizar e comparar políticas. As pesquisas baseadas nas escolas e outras pesquisas existentes foram empregadas para esclarecer a implementação e o impacto educacional. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2012 foram utilizados para analisar as variações nos êxitos dos estudantes de Xangai e para examinar até que ponto as variáveis escolares podem ser associadas à variação após responsabilizar a família e o contexto dos alunos.

Assim, tanto o estudo quanto nossa visita apenas confirmam com muita nitidez que Shanghai conseguiu planejar, desenvolver e estabilizar estrategicamente um conjunto de políticas educacionais altamente coerentes e sinérgicas que, juntas, vem impulsionando os resultados educacionais. Além disso, foi possível observar e comprovar como Shanghai de fato aposta e investe muito e com muita firmeza de propósito em suas políticas educacionais e empenha-se em inovar e reformar para superar seus novos desafios e se manter no topo, alinhando sua política educacional com seu propósito de nação olhando para o futuro.

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Foi possível ainda buscar inspiração e energia para movimentar as placas tectônicas que vem freando nossa capacidade de transformar verdadeiramente nosso sistema educacional, entendendo a relevância de direcionar nosso sistema educacional em direção aos desafios do futuro, sem esquecer que esse processo se dá com passos firmes e graduais, fato reforçado pelo atual processo de transformação e mudança em rápida velocidade por que passa o mundo atualmente. Sistematizo abaixo mais alguns pontos que entendo ser relevantes para entender o modelo de Shanghai, e reforço a importância de todos os interessados lerem o estudo completo, que segue abaixo.

Não defendo que seja copiado o que vimos em Shanghai. Mas reforço a necessidade de buscar inspiração em experiências como a de Shanghai, como prova de que é possível, aliás é fundamental, construir um novo projeto de educação para o país, que sustente os objetivos expressos na Constituição da República Federativa do Brasil!

Aproveito para compartilhar algumas fotos do curso e uma em especial, que mostra até onde vai o compromisso da nova geração chinesa com a educação.

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Desenvolvimento e Formação de Professores – Um dos aspectos mais impressionantes do sistema educacional de Xangai é seu processo de desenvolvimento e gestão de professores. Ser professor é ter uma profissão respeitada, não apenas pela remuneração que os professores recebem, mas devido ao respeito da sociedade tem pela profissão, sustentado durante todo o período de estágio educativo rigoroso e de longo prazo, bem como o desenvolvimento profissional de grande profundidade que ocorre na escola. tal processo é vinculado a uma ascensão de carreira profissional bem estruturada e a um sistema de avaliação de desempenho. Espera-se que os professores sejam pesquisadores ativos que reflitam constantemente sobre sua pedagogia e implemente inovações relacionadas aos resultados os alunos. Já os diretores devem ser líderes institucionais fortes com capacidade de prover direcionamento sobre ensino e aprendizagem e de compreender a melhor forma de avaliar os professores. Diretores e professores, da mesma forma, mantêm um alto nível de responsabilização profissional. O sistema promove e mantém a responsabilização profissional por meio de relações dentro da equipe docente e por meio da execução de procedimentos de monitoramento e treinamento de professores em serviço. Conforme os diretores de escola e os professores mais antigos se envolvem com outros por meio de grupos de pesquisa em ensino e por meio de outros métodos de apoio e tutoria, a responsabilização profissional se torna mais evidente.

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Alinhamento entre Política e Implementação – Uma descoberta é a de que Xangai tem um alto grau de coerência entre política e implementação. O estudo não encontrou divergências significativas entre as declarações políticas e a realidade. Essa notável conexão entre política e implementação pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo as características históricas e culturais chinesas de administração governamental centralizada; o monitoramento próximo dos programas e políticas e alinhamento do desempenho com incentivos; os altos níveis de responsabilização profissional entre professores, diretores e administradores dentro do sistema educacional; e, até certo ponto, metas e declarações de política realistas e modestas.

Inovação – Shanghai ainda se destaca por seu movimento constante em direção à renovação e melhoria de seu sistema e práticas educacionais.

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Currículo – As escolas de Shanghai têm certa autonomia em relação ao currículo e pedagogia. A nível central, o Ministério da Educação estabelece parâmetros curriculares nacionais gerais para todas as disciplinas. Shanghai, juntamente com algumas poucas províncias selecionadas, tem permissão para ter seu próprio currículo e lançou seu “Plano Curricular para Escolas Primárias e Secundárias Regulares em Shanghai”, específico por disciplina. As escolas de Shanghai ainda têm autonomia para projetar 30% do currículo como currículo baseado na escola, de acordo com os pontos fortes de cada escola e as áreas de seu foco curricular. Adicionalmente, os professores têm certo nível de autonomia pedagógica.

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Avaliações – Os formatos comuns para avaliação de estudantes utilizados na China e em Shanghai são aqueles de avaliação em sala de aula formativa e contínua, exames somativos particularmente ao término da nona série (zhong kao) e da décima-segunda série (gao kao), e avaliações em grande escala nacionais e internacionais. Há diretrizes claras sobre parâmetros avaliativos e tem-se feito esforços para alinhar esses parâmetros com os resultados da aprendizagem esperados, adequados à faixa etária e apropriados. Certificou-se que os esforços feitos para monitorar a qualidade das avaliações a nível escolar e os dados foram eficientemente utilizados para informar práticas de ensino-aprendizagem e de avaliação futura em sala de aula. Como parte dos esforços governamentais para melhorar a qualidade da educação, o Conselho de Estado formalmente anunciou o Plano para o Monitoramento da Qualidade da Educação Compulsória Nacional em abril de 2015. Em 2011, a Comissão de Educação Municipal de Shanghai também lançou uma série de pesquisas intituladas “Indicadores Verdes de Qualidade Acadêmica dos Alunos de Escolas Primárias e Secundárias”. As pesquisas visavam melhorar o gerenciamento educacional. Os indicadores incluem êxito acadêmico, motivação de aprendizagem do aluno, carga de trabalho acadêmico do aluno, relações alunoprofessor, estilos de instrução dos professores e o progresso anual de tais indicadores. As pesquisas são destinadas a todos os alunos primários e secundários júniores no estágio de educação compulsória. Para melhorar ainda mais a avaliação em sala de aula, as equipes de Pesquisa em Ensino encarregam-se de projetos de pesquisa regulares sobre o status das avaliações de estudantes para informar as decisões políticas.

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A visão de longo prazo e os esforços persistentes de Shanghai de refletir e reformar tradições, valores e práticas educacionais de longa data são uma fonte de inspiração para todos aqueles que acreditam que é possível transformar a educação brasileira.

Aproveito para agradecer publicamente a Embaixada da República Popular da China, na pessoa da Adida Civil da Seção Cultural Zhou Qiannan (Cristina) e a Universidade Normal de Shanghai – SHNU, na pessoa da pesquisadora professora Song Qingqing do Research Institute for International and Comparative Education da SHNU, que tornaram possível esse curso. Agradeço também a todos os participantes do curso e a Universidade da Região de Joinville – Univille, que acreditou ser possível fazer um curso na China!

 

Desafios da construção de um novo modelo de Governo Digital

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Estive na última 4ª feira (20 de junho) na #OracleOpenWorld, no Parque Ibirapuera – SP, um grande evento de tecnologia e inovação. Precisamos circular por espaços que possam nos proporcionar inspiração para enfrentar os desafios de construir o futuro da educação brasileira. Da mesma forma, precisamos aprender a dialogar com outros campo e setores da Sociedade, no esforço de falar não só para os “convertidos” do campo educacional. A verdade é que não temos conseguido dialogar com a sociedade brasileira, e falamos apenas para aqueles que já militam no campo educacional.

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Na oportunidade pude falar com especialistas da área da tecnologia e inovação e outros colegas do Governo Federal sobre os desafios da construção de um novo modelo de Governo Digital, em que o cidadão esteja no centro do processo de design, e que tenha suas decisões tomadas com base em informação e inteligência baseada em dados.

“Precisamos de inovação para transformar a educação brasileira na velocidade necessária e capacidade de desenvolver inteligência baseada em dados para monitorar em tempo real o avanços”.

Como o Ensino Médio pode conectar nossos Jovens ao Trabalho do Futuro?

A maioria dos jovens brasileiros não alcança o que precisa no ensino médio para enfrentar o futuro. No Brasil, de cada dez jovens com 15 a 17 anos, apenas cinco está no ensino médio, e desses cinco, apenas 1 sabe o necessário em leitura e matemática. São milhões de  jovens que a cada ano que passa estão perdendo oportunidades por não desenvolver habilidades essenciais para contribuir na transformação do Brasil na nação que tem o tamanho dos nossos sonhos. Várias razões concorrem para esse quadro, desde razões econômicas, passando pelas culturais e as educacionais.

Até os dias de hoje, gerenciamos e registramos a experiência de passagem pelo ensino médio como uma série de cursos e notas. É assim, com poucas mudanças, desde a primeira revolução industrial. É um registro de tempo e atividades, um registro de esforço e memorização eu diria, que claramente não é nem eficaz nem efetivo como medida de desenvolvimento das habilidades que deveriam ser alcançadas nesse processo. Nosso ensino médio não consegue capturar experiências ou produtos de trabalho que forneçam evidências de crescimento e realização de nossos jovens. E quando observamos os desafios colocados para o futuro do trabalho o quadro fica desesperador. Temos um verdadeiro “apagão educacional”. Nossa Constituição define o objetivo maior da nação e os grandes rumos da educação.

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Promulgação da Constituição de 1988

Nossa LDB demarca a estrutura, as diretrizes e define o número de horas necessários para essa etapa de ensino, e a Base Nacional Comum Curricular estabelece quais conhecimentos e habilidades devem trabalhados em cada ano,  desdobrando os limites para a organização do ensino brasileiro. Essa organização reflete o nosso contrato social e a promessa de equidade por meio da educação. Mas esse contrato precisa ser profundamente revisto, diante da aceleração dos tempos com a chegada do novo mundo e dos desafios do século XXI. A Quarta Revolução Industrial, que inclui desenvolvimentos em campos anteriormente desarticulados, como inteligência artificial e aprendizado de máquina, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, e genética e biotecnologia, causará uma ruptura generalizada nos modelos de negócios, nos mercados de trabalho e nas vidas das pessoas. Os próximos anos serão de enorme mudança no conjunto de habilidades necessárias para prosperar. Essa velocidade, que  vem derretendo certezas em relação ao futuro do trabalho exige que possamos entender a natureza das mudanças e suas implicações, e nos força ajustar o rumo das instituições que realizam a preparação das novas gerações para viver em Sociedade no século XXI. Um mundo onde robôs, a automação e inteligência artificial realizam cada vez mais tarefas, associado a todo o complexo de mudanças oriundo da velocidade das mudanças gera um enorme desencaixe entre o que é aprendido nos centros de formação e o que é exigido em termos de habilidade no mundo atual e futuro próximo. Assim, não bastará uma mudança incremental, será preciso responsabilidade com as gerações futuras para ser disruptivo na mudança.

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As reformas ocorridas após a Constituição de 1988 foram incrementais e timidamente tentaram conectar os requisitos de saída do ensino médio aos requisitos de entrada nos caminhos que levam a preparação para a vida e as oportunidades de longo prazo. Mas esse movimento foi feito olhando para o passado e não para o futuro, o que colocou cada reforma passos atrás do necessário para cada período. E o processo de implementação foi lento o que nos colocou ainda mais para trás no processo. Em que pese termos avançado, não tivemos avanços na velocidade necessária para recuperar o tempo perdido e avançar na promoção da redução da imensa desigualdade de oportunidades que a assimetria de acesso provoca nos diferentes grupos populacionais do país. E no limite, as reformas em geral ainda acabaram por reforçar os controles baseados no processo, descolados dos resultados efetivos e mantiveram a estrutura de cursos tradicionais baseados em conteúdo.

Em suma, continuamos com vários problemas que se acentuaram e que aumentaram de tamanho e complexidade, e que hoje precisam ser enfrentados:

  • O desenho atual atende a requisitos baseados no aumento de disciplinas isoladas que freiam o estudo interdisciplinar e o desenvolvimento de habilidades essenciais ao mundo do trabalho e a cidadania do século XXI;
  • O modelo não abre espaço para o aprendizado horizontal e oriundo do novo mundo interconectado em rede pelo massivo uso da tecnologia, em busca de potencializar e compartilhar os melhores desempenhos, o trabalho em grupo, as realizações e capacidades únicas e a evidência de crescimento nos indicadores de preparação para o mundo do trabalho e a cidadania.
  • O processo continua naturalizando a formação do ensino médio como etapa necessária para passar pelo funil de ingresso na Universidade, fortalecendo a visão disciplinar tradicional, freando o  desenvolvimento  de habilidades associadas ao mundo do trabalho do século XXI, tais como aqueles trabalhados na educação profissional e técnica (por exemplo, robótica  e manufatura avançada).
  • O foco estreito nas prováveis saídas do ensino médio (5 saídas possíveis atualmente) limita a ênfase e a importância da aprendizagem fora da escola (por exemplo, trabalho, serviço e aprendizado baseado na cidadania). Há poucas ou nenhumas oportunidades para obter e validar o aprendizado obtido fora da escola ou de maneira informal (aprender frações na Khan Academy, fazer cálculos em um MOOC, aprender habilidades para o trabalho ou liderar uma causa social ou comunitária).

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É preciso ser inovador e disruptivo para recuperar o tempo perdido e incorporar todos os benefícios que as tecnologias e os avanços da indústria 4.0 nos proporciona para desenvolver novas maneiras de expressar expectativas, promover um aprendizado poderoso e ajudar os jovens a compartilhar suas capacidades. Essas tecnologias inclusive podem ser utilizadas para incorporar e desenvolver habilidades e competências para toda a população economicamente ativa do Brasil, alinhando ao mais moderno conceito de aprendizagem ao longo da vida.

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Mas nesse momento, mais que respostas para esses e outros desafios, é preciso validar boas perguntas que possam nos ajudar a orientar a reflexão sobre nosso desafio e construir uma reflexão coletiva, participativa, que inclua os professores, estudantes, gestores e demais membros da comunidade escolar, e que oriente um novo rumo e um novo projeto educacional para o país, que seja ao mesmo tempo ascendente e construído na realidade local de cada escola.

Resultados – Qual é a melhor maneira de expressar as metas desejadas de aprendizado dos alunos? Quais são os melhores quadros de resultados ? Até que ponto os resultados desejados podem variar de acordo com planos de carreira ou pós-secundários?

Evidências – Que formas de evidência as comunidades deveriam aceitar de aprendizado e crescimento? Como podemos garantir uma qualidade consistente?

Demonstração – Como as escolas poderiam ajudar os alunos a resumir suas capacidades, habilidades, realizações e aspirações de maneiras que beneficiem a eles e a Sociedade (cursos pós-médio, faculdades, empregadores)?

Redes – Como as escolas podem ser encorajadas a trabalhar juntas em torno de expectativas, avaliações e a projetos comuns?

Conexão – Como tornar o sistema de acesso, certificação e validação de diplomas modulares e flexíveis? Como garantir o acesso equitativo a diversos e múltiplos percursos de formação? Como podemos melhorar a experimentação de experiências e contribuições inovadoras e bem-sucedidas?

Essas provocações precisam ser potencializadas no atual momento político do país, para que possamos transformar todo esse calor em luz para iluminar o debate sobre a Educação que o Brasil precisa!

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A 4ª Revolução Industrial e o Futuro do trabalho

A Quarta Revolução Industrial, que inclui desenvolvimentos em campos anteriormente desarticulados, como inteligência artificial e aprendizado de máquina, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, e genética e biotecnologia, causará uma ruptura generalizada[1] não apenas nos modelos de negócios, mas também nos mercados de trabalho. Os próximos anos serão de enorme mudança no conjunto de habilidades necessárias para prosperar. Essa velocidade vem derretendo certezas em relação ao futuro do trabalho. Entender a natureza das mudanças e suas implicações é um exercício fundamental para ajustar o rumo das instituições que realizam a preparação das novas gerações para viver em Sociedade no século XXI. Um mundo onde robôs, a automação e inteligência artificial realizam cada vez mais tarefas, associado a todo o complexo de mudanças oriundo da velocidade das mudanças gera um enorme desencaixe entre o que é aprendido nos centros de formação e o que é exigido em termos de habilidade no mundo atual e futuro próximo. Os especialistas afirmam que nesse cenário uma ampla gama de iniciativas e estratégias de desenvolvimento e certificação de habilidades será criada para atender às novas demandas[2].

Para falar de educação é preciso entender minimamente a dinâmica do mundo do trabalho. Precisamos entender que formamos nossas crianças e jovens também para o mundo do trabalho – previsão constitucional inclusive prevista no Artigo 205 da Constituição Federal. E para falar da educação do futuro é preciso olhar para os desafios associados ao futuro do trabalho. Apresento aqui uma revisão bibliográfica dos estudos sobre o futuro do trabalho mais relevantes apresentados nos últimos anos.

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Vários estudos apontam que um grande número de empregos está em risco[3] ou será significativamente transformados[4], à medida que  dispositivos programados – muitos deles sistemas inteligentes e autônomos[5] – continuam sua marcha em direção aos locais de trabalho. O Centro de Pesquisas Pew e o Imagining the Internet Center da Elon University perguntou em 2014 para especialistas[6] se inteligência artificial e robótica criariam mais empregos do que eles destruiriam, o veredicto foi dividido: 48% dos entrevistados previram um futuro onde mais empregos são perdidos do que criados, enquanto 52% disseram que mais empregos seriam criados do que perdidos. Desde essa pesquisa, o futuro dos empregos tem estado no topo da agenda em muitas das principais conferências mundiais.

Uma ideia-chave emergente é que mudanças nos ambientes de ensino e aprendizagem são necessárias para ajudar as pessoas a permanecerem empregáveis na força de trabalho do futuro. Entre as seis descobertas gerais em um novo relatório de 184 páginas da National Academies of Sciences[7], os especialistas recomendaram: “O sistema educacional precisará se adaptar para preparar as pessoas para a mudança do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, avanços recentes em TI oferecem maneiras novas e potencialmente mais acessíveis de acessar a educação ”.

Se tecnologia avança rapidamente,  as organizações e habilidades tendem a se mover em um ritmo mais lento. Nas próximas décadas, a divisão entre a tecnologia em rápida evolução e o ritmo mais lento do desenvolvimento humano crescerá à medida que melhorias exponenciais na inteligência artificial, robótica, redes, análise e digitalização afetarem cada vez mais a economia e a sociedade. É preciso reconfigurar organizações e instituições para serem eficazes e adequadas à economia digital e ao grande desafio do nosso tempo. É preciso ajudar as organizações a entender como a transformação digital está afetando a sociedade e a vida cotidiana para que as pessoas se tornem mais produtivas e prosperarem em um momento de grandes e incertas mudanças.

Uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew de 2016, “O Estado dos empregos americanos”[8],  descobriu que 87% dos trabalhadores acreditam que será essencial que eles recebam treinamento e desenvolvam novas habilidades profissionais ao longo de sua vida profissional.  Esta pesquisa observou que a demanda por capacitação é muito maior entre os empregos que exigem um nível médio ou acima da média de preparação (incluindo educação, experiência e treinamento profissional); competências interpessoais, de gestão e de comunicação, médias ou acima da média; e níveis mais altos de habilidades analíticas, como pensamento crítico e habilidades de computação.

Já o Relatório “White Paper Re-Imagining Work – Work 4.0”[9] do Governo Alemão destacou a importância de se promover a aprendizagem ao longo da vida e o direito de todos os trabalhadores à educação e formação profissional contínua, por meio de abordagens inovadora do tempo de trabalho que reconheça as demandas pessoais, familiares e sociais das pessoas, juntamente com as demandas de trabalho, que apoie novas soluções para equilibrar essas demandas. O relatório da PWC[10] “Workforce of the future – The competing forces shaping 2030” afirma que a forma que a força de trabalho do futuro assumirá será o resultado de forças complexas, mutáveis e competitivas. Algumas dessas forças são certas, mas a velocidade com que elas se desdobram pode ser difícil de prever. Regulamentos e leis, os governos que os impõem, tendências amplas no sentimento do consumidor, cidadão e trabalhador influenciarão a transição para um local de trabalho automatizado. O resultado desta batalha determinará o futuro do trabalho em 2030. Já o Relatório “The Future of Jobs Report[11]” afirma que o ritmo acelerado do desenvolvimento de tecnologias, de mudanças demográficas e socioeconômicas está transformando indústrias e modelos de negócios, mudando as habilidades de que os empregadores precisam e encurtando a o tempo de “vida” de conjuntos de habilidades existentes dos trabalhadores no processo. Por exemplo, a robótica e as “machine learning” não substituem completamente as ocupações e categorias de trabalho existentes – mas tarefas específicas anteriormente executadas como parte desses trabalhos, liberando os funcionários para se concentrarem em novas tarefas e levando a mudanças rápidas no processo de trabalho.  Nesse novo ambiente, a mudança do modelo de negócios frequentemente traduz-se em ruptura do conjunto de habilidades quase simultaneamente. Durante as revoluções industriais anteriores, foram muitas vezes necessárias décadas para construir os sistemas de formação e as instituições do mercado de trabalho necessárias para desenvolver novas e importantes em grande escala. Dado o próximo ritmo e escala de ruptura provocada pela Quarta Revolução Industrial, no entanto, esse tempo não estará disponível, logo essa não será uma opção. As tendências tecnológicas atuais estão gerando uma taxa de mudança sem precedentes no conteúdo do currículo principal de muitos campos acadêmicos, com quase 50% do conhecimento do assunto adquirido durante o primeiro ano de um diploma técnico de quatro anos desatualizado no momento em que os alunos se formam[12].

Focando em um conjunto de 35 habilidades relevantes ao trabalho que são amplamente usadas em todos os setores da indústria, o relatório do Fórum Econômico considera que estas habilidades estarão sujeitas a mudanças aceleradas e mudanças significativas no futuro imediato. Em média, até 2020, mais de um terço dos conjuntos de habilidades essenciais desejadas para a maioria das ocupações será composto por habilidades que ainda não são consideradas cruciais para o trabalho atual, de acordo com a pesquisa. Os atuais mercados de trabalho e habilidades sob demanda serão muito diferentes daquelas de 10 ou até cinco anos atrás e o ritmo da mudança deve acelerar. Governos, empresas e indivíduos estão cada vez mais preocupados em identificar e prever habilidades que são relevantes não apenas hoje, mas que permanecerão no futuro para atender às demandas de negócios por talentos e permitirão àqueles que as possuem aproveitar oportunidades emergentes.

À luz das tendências tecnológicas, muitos países realizaram esforços significativos para aumentar a quantidade de Diplomados STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) produzidos pelos seus sistemas educacionais nacionais. Embora as tendências em matéria de emprego identificadas corroborem para a importância destes esforços, é igualmente claro que a potencial criação líquida de postos de trabalho em termos absolutos apenas no domínio das STEM não será suficiente para absorver tensões noutras partes do mercado de trabalho. Nesse sentido, mudanças disruptivas terão um impacto significativo nas exigências de habilidades e elas estão criando uma gama de oportunidades e desafios em todos os setores, não apenas estreitamente relacionadas ao “conhecimento sólido”, habilidades técnicas e tecnologia. A fim de gerenciar essas tendências com sucesso, existe a necessidade de potencialmente substituir e qualificar talentos de diferentes formações acadêmicas em todos os setores. Na prática existem hoje grande descompasso entre a oferta real e a demanda das principais habilidades relacionadas ao trabalho, e 38% dos empregadores relatam dificuldades no preenchimento de vagas em 2015, de acordo com a mais recente Pesquisa de Escassez de Talentos da ManpowerGroup[13].

As incompatibilidades de habilidades emergem não apenas entre a oferta e a demanda de habilidades existentes hoje, mas também entre a atual base de habilidades e os futuros requisitos de habilidades. Esforços voltados para o fechamento da lacuna de habilidades  está ancorado em uma sólida compreensão da base de habilidades de um país ou do setor hoje e de alterar os requisitos futuros de habilidades devido a mudanças disruptivas. Por exemplo, os esforços para colocar os jovens desempregados em estágios em certas categorias de trabalho através do treinamento de habilidades direcionadas podem ser inúteis se os requisitos de habilidades nessa categoria de trabalho forem drasticamente diferentes em alguns anos.  De fato, em alguns casos, tais esforços podem ser mais bem-sucedidos se focarem seus modelos em expectativas futuras. Independentemente do trabalho em que você esteja, espere enfrentar pressão para modificar constantemente suas habilidades.

O Relatório sobre o Futuro do Trabalho do Fórum Econômico Mundial[14] revela ainda que em quase todos os setores, o impacto de mudanças tecnológicas e outras está diminuindo o prazo de validade dos conjuntos de habilidades existentes dos funcionários. Mesmo os trabalhos que diminuirão em número passam simultaneamente por mudanças nos conjuntos de habilidades necessárias para executá-los. Em média, até 2020, mais de um terço dos conjuntos de habilidades essenciais desejadas para a maioria das ocupações será composto por habilidades que ainda não são consideradas cruciais para o trabalho atual. Além disso, as habilidades técnicas precisarão ser complementadas com fortes habilidades sociais e de colaboração.

É preciso fortalecer a capacidade de compreender a base atual de habilidades em tempo quase real e prever, antecipar e preparar com precisão os requisitos futuros de conteúdo profissional e habilidades . Essa capacidade será cada vez mais crítica para empresas, formuladores de políticas de mercado de trabalho e organizações de trabalhadores e indivíduos para ter sucesso.

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O Documento da OIT “The Future of Work: A Literature Review[15]” destaca que a enorme quantidade de literatura que surgiu nos últimos anos no contexto do “Futuro do Trabalho”. Acadêmicos, think tanks e formuladores de políticas alimentaram discussões ricas sobre como o futuro do trabalho pode ser e como podemos moldá-lo.

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Apresenta uma detalhada revisão acerca dos estudos existentes, e apresenta uma tabela com as estimativas de desemprego oriunda do desenvolvimento da tecnologia, derivadas de várias dessas pesquisas.

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O impacto de todas as já citadas rupturas tecnológicas, demográficas e socioeconômicas nos modelos de negócios será sentido em transformações no cenário do emprego e nos requisitos de habilidades, resultando em desafios substanciais para o recrutamento, treinamento e gerenciamento de talentos. Diversas indústrias podem encontrar-se em um cenário de demanda positiva de emprego por ocupações especializadas difíceis de recrutar, com instabilidade de habilidades simultâneas em muitas funções existentes. Por exemplo, a indústria da Mobilidade espera um crescimento do emprego acompanhado de uma situação em que quase 40% das exigido pelos principais trabalhos da indústria ainda não fazem parte do conjunto de habilidades básicas dessas funções hoje.

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As respostas à pesquisa sobre o futuro do trabalho[16] indicam que os líderes empresariais estão cientes desses desafios iminentes mas ainda não agem para enfrentar os desafios de maneira  decisiva. Pouco mais de dois terços dos entrevistados na pesquisa acreditam que o futuro planejamento da força de trabalho e recursos de gerenciamento de mudanças é uma prioridade razoavelmente alta ou muito alta na agenda da liderança sênior de sua empresa ou organização, variando de pouco mais da metade no setor Básico e Infraestrutura até quatro cinco entrevistados em Energia e Saúde. Em todos os setores, cerca de dois terços dos entrevistados também relatam intenção de investir na formação continuada de funcionários  como parte de seus esforços de gerenciamento de mudanças e planejamento da força de trabalho futura, tornando-a de longe a mais bem classificada. No entanto, as empresas que relatam reconhecer o planejamento futuro da força de trabalho como uma prioridade são quase 50% mais propensas a planejar investir em requalificação do que as empresas que fazem isso.

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O relatório fornece uma indicação relativamente clara de onde esses esforços de formação continuada podem ser concentrados da maneira mais eficaz e eficiente. O relatório categoriza habilidades relevantes para o trabalho em habilidades, habilidades básicas e habilidades interfuncionais, com crescimento de demanda particularmente forte esperado em certas habilidades interfuncionais, habilidades cognitivas e habilidades básicas como aprendizagem ativa e TIC.

Outro Estudo relevante para entender o desafio é o Estudo “Jobs Lost, Jobs Gained: Workforce Transitions in a Time of Automation[17]” realizado pela fez uma robusta análise sobre  o fenômeno da automação e suas implicações no futuro do trabalho. A análise sugeriu que as economias avançadas criarão novos empregos suficientes para compensar o impacto da automação até 2030. Globalmente, no entanto, as transições da força de trabalho serão muito grandes. Entre 75 milhões e 375 milhões de pessoas podem precisar mudar de grupo ocupacional até 2030 devido à automação, e precisarão aprender novas habilidades ou aumentar seu nível de educação para encontrar trabalho. Outra informação relevante é que as categorias de trabalho com demanda crescente tem mais altos requisitos educativos do que o trabalho deslocado ou perdido pela automatização.

Definir e medir as habilidades necessárias para um bom desempenho em qualquer trabalho é uma tarefa complexa. É preciso entender e considerar várias medidas diferentes de habilidades da força de trabalho.

Muitos profissionais e pesquisadores hoje se concentram em separar os graus tradicionais em credenciais (certificados) bem definidas que podem ser obtidas demonstrando o domínio de habilidades específicas. Isto é particularmente atraente para os trabalhadores em meio de carreira que não podem gastar anos ganhando um diploma tradicional, ou que tenham acumulado valor valioso experiência no trabalho. Algumas credenciais são para habilidades bastante restritas: programar em uma determinada linguagem de computador ou dominar um tipo específico de experiência em mecânica. Em economias avançadas, a demanda por trabalho atualmente requerendo o ensino médio ou menos provavelmente diminuirá.  Em economias avançadas, se verifica um padrão comum de requisitos educacionais. As ocupações que atualmente exigem apenas a conclusão do ensino médio ou menos, incluindo empregos como balconistas de escritório, empacotadores e empacotadores, e caixas, são mais propensas a serem afetadas pela automação e têm uma redução líquida na demanda de mão de obra. O crescimento relativo de empregos que exigem maior nível de escolaridade não é um fenômeno novo. No entanto, muitos dos empregos de renda média do passado que exigiam apenas uma educação secundária ou menos e treinamento mínimo provavelmente enfrentarão um deslocamento significativo em um mundo automatizado. Muitos trabalhos adicionais que requerem níveis baixos e médios de realização educacional poderiam ser criados, impulsionados particularmente pela economia solidária. No entanto, para muitos empregos que não exigem ou apenas ensino médio, a demanda adicional de mão de obra futura não compensará totalmente os empregos deslocados pela automação. Isso significaria que muitos trabalhadores deslocados precisariam  elevar seus níveis educacionais para obter emprego em uma das ocupações demandadas. Os trabalhadores deslocados pela automação podem precisar investir tempo para adquirir novas habilidades, seja por meio da educação formal ou de outros programas de treinamento. Por outro lado, os empregos em si podem precisar ser redesenhados para acomodar um fluxo de novos trabalhadores com menos treinamento específico do setor e educação geral. As transições podem ser variadas e levar ao atrito no mercado de trabalho e, potencialmente, ao aumento do desemprego no curto prazo. Mas outras medidas poderiam ser tomadas para fazer os mercados funcionarem melhor. Por exemplo, definir requisitos de trabalho, bem como fornecer treinamento e certificação  com base em habilidades específicas melhora a correspondência entre oferta e demanda de trabalho, pois essas habilidades são muito mais refinadas do que os graus educacionais tradicionais e muitas vezes são adquiridas em menos tempo do que terminar um programa de graduação de vários anos. Enquanto alguns trabalhadores deslocados pela automação serão capazes de encontrar um emprego em uma função similar e com requisitos educacionais semelhantes, muitos não irão, e precisarão ganhar habilidades adicionais, que podem ou não aumentar seu nível educacional.

MELHORAR O TRABALHO E O DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES NO TRABALHO

Proporcionar reciclagem profissional e permitir que os indivíduos aprendam novas habilidades ​​ao longo de suas vidas será um desafio central na próxima década e além. Centenas de milhões de pessoas precisarão encontrar novos empregos à medida que a automação avança, e ainda mais precisarão aprender novas habilidades, incluindo como trabalhar com as máquinas. Nos últimos anos, alguns países experimentaram desafios significativos na tentativa de criar as condições em que os trabalhadores deslocados pela globalização e pela tecnologia encontram rapidamente novos empregos de alta qualidade. O resultado tem sido uma série de empregos de baixa remuneração com oportunidades limitadas de progresso e taxas mais baixas de participação no mercado de trabalho. O desafio para as próximas décadas será criar programas efetivos de treinamento e certificação de força de trabalho em escala. Isso exigirá ações de formuladores de políticas, líderes empresariais e educadores, bem como indivíduos. Registre-se que numa época em que milhões de pessoas precisarão de novas habilidades, o financiamento público para programas de treinamento profissional[18] está caindo em muitos países[19].

As empresas também têm um papel significativo a desempenhar na formação e reciclagem de trabalhadores. Isso vai além de um papel puramente social ou do senso de responsabilidade cívica: os líderes empresariais estarão na linha de frente da automação e terão o conhecimento detalhado sobre os tipos de habilidades de que precisarão à medida que adotarem as tecnologias. Nos Estados Unidos, algumas empresas estão trabalhando diretamente com provedores de educação para dar aos funcionários uma oportunidade de elevar seus níveis educacionais e de qualificação[20].  À medida que o a dinâmica e o processo de trabalho evolui e se sofistica,  definições mais granulares e variadas de habilidades estão emergindo como marcadores de importância crítica, mais ainda do que uma educação universitária em alguns casos. Esse foco nas habilidades de um indivíduo, e não nas credenciais educacionais, está ganhando força com empresas, governos estaduais e organizações sem fins lucrativos.

Os educadores têm um papel a desempenhar no ajuste dos currículos escolares para a era da automação. Embora a automação seja um grande desafio para os trabalhadores que já trabalham, ela também terá implicações sobre como as futuras gerações de trabalhadores são treinadas, envolvendo ajustes nos currículos escolares e nos sistemas educacionais de forma mais ampla. Os currículos precisarão ser adaptados para fornecer aos alunos as habilidades necessárias para um mercado de trabalho dinâmico, tecnológico e cada vez mais orientado a serviços, particularmente em países e indústrias onde as tecnologias de automação provavelmente serão adotadas mais rapidamente. Várias alterações serão necessárias. Primeiro, a demanda aumentará para que os funcionários desenvolvam e implantem tecnologia, ou interpretem e ajam na análise de dados que essas tecnologias podem produzir, mas pode não haver trabalhadores suficientes com as habilidades necessárias para atender a essa demanda, por exemplo, para cientistas de dados. Assuntos STEM serão cruciais para a força de trabalho. A educação precoce em assuntos como estatística, para ajudar os alunos a entenderem um mundo cada vez mais orientado por dados, onde os experimentos são uma fonte essencial de insight, será vital. Alguns países, incluindo a Estônia, a China e o Reino Unido, introduziram a codificação informática no ensino primário e secundário. As classes de codificação nesses países começam com cinco ou sete anos de idade, com uma introdução aos conceitos fundamentais necessários (como a compreensão de algoritmos) e habilidades de codificação como lógica e criação e depuração de programas de computador simples. No entanto, a forte educação em artes liberais para acompanhar as habilidades de alta tecnologia no local de trabalho também pode ser necessária para os trabalhos do futuro. Uma porcentagem crescente de atividades que os trabalhadores farão no futuro será em categorias como gerenciar e liderar outras pessoas e interagir com outras pessoas, que requerem habilidades como percepção e raciocínio social e emocional, e aplicar criatividade e solução colaborativa de problemas. Essas habilidades muitas vezes não fazem parte do currículo formal nos programas escolares tradicionais. Outra descoberta da nossa pesquisa é que a automação e outros fatores, incluindo a globalização, o trabalho independente e as empresas que atravessam as fronteiras do setor, exigirão que todos os trabalhadores mudem o que fazem ao longo do tempo. Isso coloca um prêmio em um conjunto de meta-habilidades, em torno de agilidade, flexibilidade, determinação e aprender a aprender. Ensinar essas qualidades é um desafio para todos os sistemas educacionais e estão presentes nos processos de aprendizagem online, o que ressignifica o entendimento e o papel da aprendizagem online como fator de crítico de sucesso no processo.

As instituições educacionais precisarão se adaptar às crescentes demandas do mercado de trabalho para assegurar que as habilidades críticas para o trabalho estejam sendo ensinadas. A menos que se tornem mais receptivos às demandas do mercado de trabalho, os educadores correm o risco de criar uma desconexão cada vez maior entre educação e emprego. Essa desconexão já é visível em algumas pesquisas.

Mas a nova era digital trouxe uma infinidade de possibilidades para novas formas de aprendizado, tanto dentro do sistema educacional quanto fora dele. Os recursos de aprendizado digital são mais flexíveis em termos de tempo e conteúdo do que o treinamento em sala de aula tradicional, e os programas podem ajustar o conteúdo para que os alunos individualmente otimizem seus resultados de aprendizado. Para os indivíduos, os diplomas on-line podem ser mais vantajosos do ponto de vista de custos do que os de faculdades e universidades tradicionais, particularmente nos Estados Unidos, onde os custos de ensino estão subindo mais rapidamente do que a inflação geral. Alguns cursos on-line massivos abertos (MOOCs) são gratuitos e ajudaram a expandir o acesso a conteúdos educacionais para pessoas de fora das instituições educacionais tradicionais. Os MOOCs apresentam canal para distribuição em larga escala de conteúdo educacional a baixo custo e com potencial para ajudar a facilitar futuras transições de força de trabalho.

ESCALAR RADICALMENTE AS OPORTUNIDADES DE TREINAMENTO NO MEIO DA CARREIRA PARA TORNAR A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA UMA REALIDADE

Aprenizagem ao longo da vida tem sido discutida reverentemente nos círculos técnicos e políticos, e está presente nos grandes documentos internacionais de concertação internacional em torno da Educação (Jomtien, Dakar, Incheon), mas a nova era da automação será o momento em que a aplicação em larga escala será necessária mais do que nunca. Flexibilidade e adaptabilidade serão novos mantras da força de trabalho, já que as máquinas substituem algumas atividades humanas e – provavelmente com mais frequência – fundamentalmente as alteram. Para o futuro, será necessário capacitação mais direcionada e de curto prazo para as pessoas, especialmente para aqueles que estão na metade da carreira e que procurarão desenvolver novas habilidades, mesmo que mantenham seus empregos.

O Relatório do Reino Unido “The Future of Work Jobs and Skills in 2030”[21] quando projeta um cenário de inovação adaptativa para o futuro do trabalho em 2030, avalia que as plataformas on-line se tornarão o canal de escolha para oferecer educação e treinamento, por oferecer a opção mais econômica para treinamento essencial no trabalho e para manter as habilidades dos indivíduos atualizadas. Oportunidades de treinamento customizadas são facilmente integradas nos processos corporativos e são usadas regularmente pela maioria das empresas de médio e grande porte.

A análise das capacidades de desempenho mais procuradas na nova era da automação mostra a importância crítica das habilidades tecnológicas, mas também do trabalho em equipe, criatividade, comunicação e habilidades sociais e emocionais. As escolas de muitos países continuam a aderir a uma cultura de educação que permanece enraizada nas noções de ensino e aprendizagem do século XIX. Governos e educadores precisam usar tecnologias digitais para mudar isso, por exemplo, criando caminhos de aprendizagem mais individuais para os alunos. Embora a educação universitária tenha crescido em popularidade e tenha perdido sua reputação elitista em muitos países, muitas instituições de ensino superior não se concentraram suficientemente nas necessidades do mercado de trabalho ou dos graduados que o frequentam. Os governos devem incentivar, identificar e co-financiar programas inovadores que abordem as lacunas de habilidades conhecidas entre trabalhadores, estudantes pós-secundários e jovens – e então dimensionar aquelas que funcionam.

ADQUIRA AS HABILIDADES QUE SERÃO PROCURADAS E EMBARQUE EM UMA JORNADA DE APRENDIZADO PERMANENTE

À medida que as máquinas executam um leque mais amplo e uma variedade de tarefas, os indivíduos precisarão se concentrar mais no desenvolvimento das habilidades que os humanos possuem. Como descrevemos neste relatório, as atividades em quase todas as ocupações mudarão, com mais tempo gasto em atividades que exigem habilidades sociais e emocionais, trabalho em equipe e colaboração, criatividade e níveis mais altos de comunicação e raciocínio lógico. Tanto os governos quanto as empresas têm um papel a desempenhar no fornecimento de melhores informações sobre as habilidades e os empregos na demanda. Os educadores também desempenham um papel. Alunos do ensino médio na maioria dos países recebem instruções e orientações inadequadas sobre como planejar uma carreira no local de trabalho atual, e muito menos para um local de trabalho que está evoluindo rapidamente. Em última análise, cabe aos próprios indivíduos pensar cuidadosamente sobre quais habilidades serão necessárias e como elas podem demonstrar essas habilidades aos empregadores.

No nível individual, será fundamental se preparar para um mundo de busca de emprego digital. Plataformas digitais para desenvolvimento e avaliação de habilidades de avaliação devem ocupar espaço central no processo de contratação. Elas se constituirão num diferencial competitivo num primeiro momento, mas em seguida devem compor o padrão de contratação no mercado de trabalho. No curto prazo, isso significa dedicação de tempo e cuidado à construção de uma presença on-line pessoal. Para se destacar, será preciso mostrar e validar sua experiência, estabelecer conhecimentos ao se juntarem a grupos ou postarem conteúdo, e construir redes profissionais. Os trabalhadores também se beneficiarão da compreensão e da participação nas inovações em torno de treinamento e credenciais baseados em habilidades que podem acelerar suas trajetórias de carreira. Indivíduos sem credenciais formais de educação se diferenciarão por meio de sua reputação on-line por meio de recomendações e certificações práticas.

Mas é importante destacar o papel da tecnologia para enfrentar esse desafio. A tecnologia pode ajudar os mercados de trabalho com as chamadas plataformas de talentos digitais[22], que buscam melhorar a correspondência entre trabalhadores e empregos. As plataformas de talentos on-line estão cada vez mais conectando as pessoas às oportunidades corretas de trabalho. Em 2025, eles podem adicionar US $ 2,7 trilhões ao PIB global e começar a melhorar muitos dos problemas persistentes nos mercados de trabalho do mundo. Elas devem assumir a forma de sites, aplicativos móveis ou sistemas corporativos proprietários com um grande volume de informações sobre os trabalhadores individuais e empregadores, combinando indivíduos com oportunidades de trabalho, desenvolvimento e validando competências  e produzindo assim melhores resultados de trabalho.

Essas plataformas online apoiam o aumento do PIB reduzindo o desemprego e aumentando a produtividade do trabalho. Com recursos de pesquisa e rastreio de algoritmos, as plataformas de talentos on-line podem acelerar o processo de contratação e reduzir tempo que as pessoas gastam procurando emprego. Agregando dados sobre candidatos e vagas de trabalho, apoiam a resolução de diferenças geográficas e permitem correspondências que de outra forma não seriam feitas. Da mesma forma ajudam a colocar as pessoas certas nos trabalhos certos, aumentando assim sua produtividade e a satisfação no trabalho. Também há grandes ganhos de produtividade a serem captados, desde atração de pessoas engajadas em trabalho informal e empregos formais, especialmente em economias emergentes. Ambos os efeitos devem aumentar a produção por trabalhador, elevando o PIB global em US $ 2,7 trilhões e emprego para 72 milhões de pessoas em tempo integral até 2025. Estima-se que até 2025, as plataformas de talentos on-line podem beneficiar cerca de 540 milhões de pessoas[23], ou 10% da população em idade ativa.

Um ecossistema diversificado de educação e credenciamento deve amplificar a mudança necessária para ajustar as necessidades generalizadas. Os empregadores intensificarão seus próprios esforços para treinar e treinar trabalhadores e um número significativo de esforços de autoaprendizagem por parte dos próprios candidatos, aproveitando as oportunidades on-line. Um novo ecossistema de educação e treinamento emergindo no qual algumas funções de preparação de trabalho são realizadas por instituições educacionais formais em ambientes de sala de aula bastante tradicionais, alguns elementos são oferecidos on-line, alguns criados por empresas com fins lucrativos, alguns gratuitos, alguns explorados elementos de realidade virtual e sensibilidades de jogo, e muita aprendizagem em tempo real ocorre em formatos que os candidatos a emprego buscam por conta própria. Alguns dizem que mecanismos alternativos de credenciamento surgirão para avaliar e atestar as habilidades que as pessoas adquirem ao longo do caminho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todo o complexo cenário delineado para o futuro do trabalho apresenta enormes implicações para os trabalhadores. Estima-se[24] que  entre que 60 a 375 milhões de pessoas em todo o mundo precisem fazer a transição para novas categorias profissionais até 2030, com uma necessidade constante pelo desenvolvimento de novas competências  em trabalhos que envolverão uma mistura inconstante de tarefas e atividades.

Ao mesmo tempo a velocidade das mudanças nos coloca em pleno processo de transição e revisão do preconceito na contratação de quem estudou distância, para uma valoração de competências associadas aqueles que  se utilizam de ferramentas de aprendizado online, demonstrando com isso maior proatividade, iniciativa, resiliência e disciplina. Uma lição clara surge da nossa análise: a adaptabilidade – nas organizações, indivíduos e sociedade – é essencial para navegar pelas mudanças futuras. Os trabalhadores e as organizações precisam estar prontos para se adaptar. Grande parte da responsabilidade caberá ao indivíduo. É no nível individual que será preciso se adaptar à mudança organizacional e estar disposto a adquirir novas habilidades e experiências ao longo de sua vida, para tentar novas tarefas e até mesmo para repensar e reciclar. Governos e organizações podem e devem fazer muito para ajudar: facilitando os caminhos para treinamento e reciclagem, e incentivando e incentivando a adaptabilidade e as habilidades críticas e cada vez mais valorizadas de liderança, criatividade e inovação.

Então, uma questão central sobre o futuro, então, não é se, mas como e quando as estruturas de aprendizagem formais e informais evoluirão para atender às necessidades de mudança das pessoas que desejam atender às expectativas de futuro do local de trabalho.

Referencias Bibliográficas

[1] https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2017/01/global_20170131_future-of-work.pdf

[2] http://www.pewinternet.org/2017/05/03/the-future-of-jobs-and-jobs-training/

[3] http://www.pewinternet.org/2017/05/03/the-future-of-jobs-and-jobs-training/

[4] http://ide.mit.edu/news-blog/blog/event-recap-ai-and-future-work

[5] https://www.oxfordmartin.ox.ac.uk/downloads/reports/Citi_GPS_Technology_Work.pdf

[6] http://www.pewinternet.org/2017/05/03/jobs-training-about-this-canvassing-of-experts/

[7] Tecnologia da informação e força de trabalho dos EUA: Onde estamos e para onde vamos a partir daqui? (2017) https://www.nap.edu/read/24649/chapter/1

[8] “O estado dos empregos americanos” http://www.pewsocialtrends.org/2016/10/06/the-state-of-american-jobs/

[9] http://www.bmas.de/SharedDocs/Downloads/EN/PDF-Publikationen/a883-white-paper.pdf

[10] https://www.pwc.com/gx/en/services/people-organisation/workforce-of-the-future/workforce-of-the-future-the-competing-forces-shaping-2030-pwc.pdf

[11] http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs.pdf

[12] http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs.pdf

[13] https://www.manpowergroup.com/workforce-insights

[14] https://www.weforum.org/agenda/2016/01/what-is-the-future-of-your-job

[15] http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—dgreports/—inst/documents/publication/wcms_625866.pdf

[16] http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs.pdf

[17] https://www.mckinsey.com/mgi/overview/2017-in-review/automation-and-the-future-of-work/jobs-lost-jobs-gained-workforce-transitions-in-a-time-of-automation

[18] Recentemente, Cingapura implementou uma forma inovadora de apoio destinado a melhorar habilidades como parte de seus esforços para promover o crescimento e a competitividade em 23 indústrias. Por meio da Iniciativa “SkillsFuture”, introduzida pelo Ministério da Educação em janeiro de 2016, o governo fornece a todos os cingapurianos. 25 e acima de crédito de cerca de US $ 400, para pagar por cursos relacionados a habilidades de trabalho aprovados. Mais de 18.000 desses cursos estão disponíveis e, em dezembro de 2016, mais de 120.000 pessoas – cerca de 4% da população residente com 25 anos ou mais – usaram a iniciativa de fazer cursos, mais de 60% deles com mais de 40.

[19] Entre 1993 e 2015, os gastos com programas de treinamento de mão-de-obra diminuíram de 0,08% para 0,03. por cento nos Estados Unidos, enquanto os gastos japoneses caíram de 0,03% para 0,01%. Na Alemanha – ainda um dos maiores gastadores – os gastos com treinamento caíram de 0,57% do PIB para 0,2%.

[20] A AT & T fez uma parceria com a Georgia Tech para fornecer oportunidades para todos os funcionários se inscreverem no programa de ciência da computação on-line da universidade, que a AT & T ajudou a configurar. A AT & T oferece bolsas de estudo a todos os funcionários para participar de aulas, paga mensalidades e permite que os funcionários que não frequentam uma universidade convencional aperfeiçoem suas habilidades técnicas. Em 2014, cerca de 18% dos 1.268 alunos matriculados no programa de mestrado em ciências da computação da Georgia Tech eram funcionários da AT & T. O Walmart,  com uma força de trabalho global de quase 2,5 milhões, está realizando treinamento e reciclagem de seus funcionários nos EUA, através da sua Academia Walmart. A Starbucks firmou uma parceria com a Arizona State University, que oferece uma oportunidade para que todos os funcionários qualificados recebam seu diploma de bacharel com cobertura integral de matrículas até a graduação pelo programa de graduação on-line da ASU. A Amazon, por meio de seu programa Career Choice, reembolsa 95% das mensalidades, taxas e materiais de seus associados por hora, com apenas um ano contínuo de permanência.

[21]  https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/303335/the_future_of_work_key_findings_edit.pdf

[22] https://www.mckinsey.com/featured-insights/employment-and-growth/connecting-talent-with-opportunity-in-the-digital-age

[23] https://www.mckinsey.com/featured-insights/employment-and-growth/connecting-talent-with-opportunity-in-the-digital-age

[24] http://ide.mit.edu/news-blog/blog/event-recap-ai-and-future-work

A educação é melhor nas Democracias?

Um artigo no Washington Post de 2017, escrito por Sirianne Dahlum e Carl Henrik Knutsen relata pesquisa recente baseada em dados de cem países, que mostram algo assustador: de acordo com o estudo, as democracias não oferecem melhor educação do que países onde não há o compromisso de agradar o eleitorado.

O artigo refuta tese antiga no campo da ciência política: Muitos cientistas políticos acreditam que como os eleitores se preocupam com o futuro de seus filhos, os políticos democráticos deveriam ter fortes incentivos para construir escolas, reduzir taxas, matricular crianças e assim ter um sistema educacional de melhor qualidade. Em autocracias, sem essa responsabilidade perante os eleitores, deveriam carecer tais incentivos e o sistema educacional tenderia a ser de pior qualidade. Na melhor das hipóteses, os autocratas poderiam oferecer educação universitária que beneficiasse os filhos das elites que os apoiam. E, de fato, de acordo com as evidências, em países democráticos, mais crianças vão à escola.

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Mas na pesquisa realizada pelos autores, publicada em artigo no World Development,  essa sabedoria convencional foi desafiada. Embora esteja correto que as democracias ofereçam mais educação aos seus filhos, as democracias não oferecem melhor educação. Em outras palavras, a escolaridade que as crianças recebem nas democracias não é, em geral, de maior qualidade do que a das crianças que vivem em autocracias. De fato, relatórios recentes mostram que uma proporção assustadoramente grande de escolas em todo o mundo não consegue ensinar nem mesmo as habilidades mais básicas de alfabetização. Os autores sugerem uma razão simples para essa descoberta surpreendente:

Os eleitores têm dificuldade em responsabilizar os políticos pelas políticas educacionais. Para responsabilizar os políticos, os eleitores devem ser capazes de rastrear os resultados aos quais se importam com políticas específicas. Poucos eleitores comuns estão familiarizados com os detalhes das reformas educacionais que supostamente “melhoram a qualidade”; nem são capazes de avaliar esses efeitos.

Os eleitores têm dificuldade em responsabilizar os políticos pelas políticas educacionais que conduzem. Para responsabilizar os políticos, os eleitores devem ser capazes de rastrear os resultados aos quais se importam com políticas específicas. Poucos eleitores comuns estão familiarizados com os detalhes de supostas “reformas educacionais que melhoram a qualidade”, nem são capazes de avaliar esses efeitos. Mesmo os especialistas em educação não sabem ao certo se medidas como a redução do tamanho das turmas ou o dever de casa realmente afetam os resultados da aprendizagem. Mesmo que os pais entendam que seu filho esteja recebendo uma educação inferior, quem deve ser responsabilizado – o professor, o diretor, o governo local, o governo estadual ou o governo federal? Assim como é menos provável que os eleitores vejam ou sejam capazes de avaliar essas mudanças, da mesma forma os políticos têm muita dificuldade em explicar e receber crédito por essas reformas e transformar isso em dividendo político. Como resultado, os políticos democráticos podem priorizar apenas soluções de “quantidade de educação”, ao invés de qualidade da educação.

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Assim, é importante observar uma diferença muito importante nesse cenário: não é do interesse dos políticos nas democracias tomar medidas que levem a uma educação de maior qualidade, mas sim realizar projetos e ações que “pareçam” levar a uma educação de maior qualidade, o que tende a gerar tal dividendo político.

A pesquisadora Lucy Crehan, autora do livro “Cleverlands”, tem escrito bastante sobre o assunto e afirma que “Se parecerem que os políticos estão fazendo algo útil, fica em segundo plano se esse ‘algo’ foi bem-sucedido ou falhou em outros momentos ou em outros lugares – os eleitores nitidamente não conseguem saber a diferença.

Isso leva a situações em que os políticos buscam apenas criar factóides quando pensam no tema educação ou, pior do que isso, políticas que acabam gerando resultados aleatórios ou até mesmo no oposto do que pretendem fazer.

É preciso entender esse fenômeno, pois é fato que em geral, políticos em democracias continuarão dar ênfase apenas naquilo que acreditam que vai impressionar os eleitores. Não podemos simplesmente cruzar os braços, denunciar esse fenômeno e esperar que apenas os políticos com coragem e convicção política suficientes façam o que é preciso fazer em educação.

Precisamos “hackear o sistema”, como ouço bastante no meio da inovação – o que implica em aumentar nossa capacidade de desenvolver estratégias que além de ser baseada em evidências e dados, também sejam impressionantes aos olhos dos eleitores, e tenham maior probabilidade de efetivamente melhorar a qualidade da educação. Precisamos proteger a nós mesmos e nossos filhos de reformas educacionais populistas e de anti-reformas. Temos que ter coragem para fazer o que é preciso ser feito e ter propostas concretas, factíveis e impressionantes. E para tornar isso possível, um número suficiente de pessoas que se preocupam com a educação precisa conhecer, pensar e se engajar em debates informados sobre pesquisa em educação e política educacional.

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Pesquisadores que estudam reformas e práticas efetivas, portanto, têm mais uma razão importante para tornar suas descobertas acessíveis e relacionáveis ao público. Precisamos entender esse fenômeno e fazer uma autocrítica – a verdade é que temos falados apenas para convertidos! Precisamos fazer mais! É preciso convergir na direção de ofertar aos políticos alternativas concretas, científicas e impressionantes, onde os políticos não precisem escolher entre popularidade, reformas educacionais sensata ou simplesmente enfeitar o pavão e mudar em perfumaria e não fazer nada de relevante.

Responsabilização: Facetas, Olhares e Limites…

O Relatório de Monitoramento Global da Educação de 2017-2018 da UNESCO (GEM Report, sigla em inglês para Global Education Monitoring), destaca a responsabilidade dos governos em fornecer educação universal de qualidade e enfatiza que a responsabilização é indispensável para alcançar esse objetivo. O Relatório alerta que a culpa desproporcional sobre qualquer ator para problemas educacionais sistêmicos pode ter sérios efeitos colaterais negativos, além de ampliar a inequidade e prejudicar a aprendizagem. Apresento abaixo alguns pontos que julguei relevante do relatório.

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Hoje, 264 milhões de crianças e jovens que não frequentam a escola – esse é um problema que nós temos de combater juntos, porque a educação é uma responsabilidade compartilhada, e o progresso somente pode ser sustentável por meio de esforços comuns. Isso é essencial para cumprir as ambições do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para a educação (ODS 4), parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Governos, escolas e professores devem desempenhar um papel de liderança, de mãos dadas com os próprios estudantes e seus pais ou responsáveis. Para avançarmos, é necessário traçar linhas claras de responsabilidade, sabendo quando e onde essas linhas são quebradas e quais ações se fazem necessárias como resposta – esse é o significado de responsabilização sob o olhar do Relatório de Monitoramento Global da Educação.

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A conclusão é clara – a falta de responsabilização acarreta o risco de prejudicar o progresso, permitindo que práticas danosas se tornem parte dos sistemas educacionais. Por exemplo, a falta de planos educacionais claramente desenvolvidos pelos governos pode gerar incertezas sobre os papéis, bem como significar que as promessas continuarão vazias, e as políticas, sem financiamento. Quando os sistemas públicos não oferecem uma educação de qualidade suficiente, e atores privados preenchem essa lacuna mas operam sem regulamentação, as pessoas marginalizadas saem perdendo. Os governos são os principais responsáveis pela garantia do direito à educação, mas esse direito não é sujeito à jurisdição em quase a metade dos países e, assim, o curso de ação para os que desejam realizar uma denúncia ou reclamação é perdido.

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O Relatório mostra que culpar os professores por absenteísmo e por resultados insatisfatórios em testes é, de maneira geral, injusto e não construtivo. Por exemplo, em 2013-2014, quase metade do absenteísmo dos professores na Indonésia ocorreu devido à concessão de tempo livre para estudo, sem que o governo tivesse oferecido substitutos. Da mesma maneira, no Senegal, apenas 12 dos 80 dias escolares perdidos em 2014 foram ocasionados por professores que se esquivaram de suas responsabilidades. As pessoas não podem ser responsabilizadas por resultados que dependem das ações de outros.

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Uma vez que os governos assumem o poder, seus documentos de planejamento educacional facilitam a responsabilização ao estabelecer compromissos oficiais e esclarecer responsabilidades. Os governos, muitas vezes, criam planos estratégicos plurianuais para o setor da educação, mas os planos operacionais anuais geralmente são essenciais para o planejamento e a coordenação. Os mecanismos institucionais que conferem mais poderes formais para todas as partes interessadas podem fortalecer a responsabilização. Recomenda-se um comitê diretor conjunto de partes governamentais e não governamentais com poder formal para avaliar e aprovar planos setoriais. No entanto, em lugares onde a falta de capacidade é um desafio, as partes interessadas podem não representar todos os constituintes. Um planejamento educacional realmente participativo pode levar tempo. Os governos que designam especialistas, consultores ou doadores para esboçar planos rapidamente, correm o risco de prejudicar a apropriação e o comprometimento locais. Os países que recebem assistência devem tomar cuidado para evitar que os doadores monopolizem o planejamento. Responsabilidades delimitadas de forma clara são importantes, principalmente em sistemas descentralizados, onde as responsabilidades, muitas vezes, não são definidas ou se sobrepõem de forma que obscurecem as linhas de responsabilização. As administrações descentralizadas, principalmente em países frágeis ou de renda baixa, muitas vezes não têm a capacidade para planejar estrategicamente.

escolas

O empoderamento das partes interessadas para participar da elaboração do orçamento e da análise dos gastos planejados pode melhorar a equidade na alocação dos recursos. A fiscalização orçamentária é a função primordial das legislaturas, e requer tempo e contribuição de especialistas. As Organizações da Sociedade Civil podem ajudar a avaliar os orçamentos propostos e esclarecer deliberações, como na Indonésia e no Quênia. Os orçamentos programáticos, em vez dos tradicionais, ajudam os legisladores a avaliar os gastos de forma mais eficaz. O monitoramento e a avaliação podem promover a responsabilização governamental. Para que seja útil, o monitoramento deve informar sobre os resultados desejados, e os dados devem ser precisos e coletados regularmente. No entanto, com frequência, os sistemas de monitoramento e avaliação são fragmentados. As agências diferem nos métodos e na frequência da coleta de dados, e estes podem não ser compilados, comparáveis ou acessíveis de forma centralizada. Uma forma de consolidar informações é a elaboração de relatórios nacionais de monitoramento da educação por parte dos governos como uma de suas obrigações perante órgãos legislativos ou organizações internacionais, e também para ajudar os cidadãos a responsabilizar dos governos. De 209 países, 108 publicaram relatórios nacionais de monitoramento da educação pelo menos uma vez desde 2010, mas apenas cerca de 1 em cada 6 países do mundo o faz regularmente.

professores

As escolas e outras instituições de educação e formação são formalmente responsáveis perante os governos e informalmente perante os pais e os estudantes. Muitos países delegam a tomada de decisões para autoridades escolares regionais e locais e incentivam a responsabilização de cima para baixo e de baixo para cima. A ênfase na responsabilização impõe diversos desafios para as escolas.

Um sistema robusto de garantia da qualidade para o desenvolvimento de habilidades profissionais ajuda a que as autoridades e os fornecedores de serviços sejam responsabilizados perante seus beneficiários, como trabalhadores e empregadores, e perante uns aos outros. Os sistemas de qualificação do desenvolvimento de habilidades necessitam de uma governança coerente, com um marco de ação comum que delineie objetivos claros. Uma forma de ligar a demanda do mercado de trabalho à oferta dos fornecedores é envolver empregadores e parceiros sociais no desenvolvimento de marcos de ação, apesar de ser essa uma tarefa difícil na prática, como mostram os exemplos na Polônia e na Tunísia.

privado

Apesar da importância da educação infantil para o desenvolvimento holístico das crianças, a Abordagem de Sistemas do Banco Mundial para Melhores Resultados Educacionais (World Bank’s Systems Approach for Better Education Results), entre 2010 e 2015, mostrou que apenas 14 de 34 países de renda baixa e média estabeleceram padrões para a educação infantil e sistemas de monitoramento de seu cumprimento. Na garantia da qualidade, frequentemente, os países dão preferência a características operacionais facilmente mensuráveis e observáveis, como infraestrutura e taxa de estudantes por professor. Mesmo assim, os países, muitas vezes, têm dificuldade de monitorar o seu cumprimento de forma sistemática, como sugerem exemplos de Belize, Indonésia, Nepal e Suazilândia. Outros sistemas tentam avaliar aspectos mais sutis do ensino. No Chile, os educadores de todas as escolas municipais são avaliados a cada quatro anos de acordo com os padrões do Marco de Bom Ensino, um processo que envolve autoavaliação, observações externas, revisão por pares e um portfólio. Os professores classificados como “insatisfatórios” são reavaliados no ano seguinte e, caso não tenham tido progresso, eles são impedidos de ensinar.

É dispendioso utilizar dados da aprendizagem dos estudantes para responsabilizar as escolas. Os governos estão cada vez mais interessados em coletar dados sobre os resultados das escolas e da aprendizagem estudantil. Em princípio, essa informação deveria possibilitar a tomada de decisões com base em evidências por parte de líderes educacionais dos âmbitos nacional, subnacional e escolar, porém, desde que a informação fosse de boa qualidade e que eles tivessem poder de decisão independente de interesses políticos. Os resultados de avaliações somativas são utilizados no nível individual para tomar decisões sobre a admissão e a progressão dos estudantes e no nível institucional para posicionar as escolas umas em relação às outras e identificar as áreas que devem melhorar. No nível do sistema, os resultados de avaliações somativas podem ajudar a monitorar se os padrões que foram cumpridos. Os países se diferem entre si na maneira pela qual utilizam os dados de aprendizagem individual. Alguns sistemas, como o japonês, concentram-se em exames nacionais, que determinam a progressão entre os níveis em um determinado ano, mas não permitem comparações da aprendizagem ao longo do tempo. Outros sistemas definem padrões para a aprendizagem esperada e organizam avaliações para informar a respeito dela. O sistema complexo e abrangente sobre resultados da aprendizagem da Inglaterra é com base em padrões nacionais, em um mecanismo detalhado de avaliação de estudantes e um sistema externo de avaliação. Os dados coletados são utilizados para preparar os inspetores antes de suas visitas às escolas, informar pais ou responsáveis, ajudar líderes escolares a estabelecer metas, identificar estudantes que necessitam de apoio adicional, e apoiar autoridades locais e nacionais no monitoramento do desempenho para fins de responsabilização.

Vários países avaliam os resultados da aprendizagem de diferentes formas, alguns focam exclusivamente na linguagem e na matemática, outros avaliam uma gama mais ampla de habilidades. Os países também diferem no tipo de informação coletada sobre o contexto da escola e dos estudantes para facilitar a comparação contextual. Na Austrália, as informações contextuais sobre as escolas, incluindo finanças, estrutura demográfica e vantagem socioeducacional, são disponibilizadas no site My School. Na Dinamarca, a Agência para a Educação e a Qualidade lançou um indicador de bem-estar do estudante. Um possível mecanismo de responsabilização é a competição.

A ideia é que, se os pais ou responsáveis puderem escolher a escola de seus filhos, as escolas se sentem pressionadas a ter um desempenho melhor para atrair estudantes.
Tornar a informação escolar publicamente disponível e compreensível é um pré-requisito para a escolha dos pais e para o funcionamento do mercado. Em muitos sistemas educacionais de países de renda média e alta, os resultados de testes de cada escola são divulgados publicamente. No entanto, nos países mais pobres, a informação não é facilmente acessível ou compreensível para o público-alvo. Por exemplo, relatórios online são raramente acessados na Tanzânia, onde o acesso à internet é baixo. No Quênia, 72% dos pais não sabiam como usar informações sobre alfabetização e numeramento.

Alguns países de renda média e alta têm sido proativos na criação de um mercado para as escolas. As políticas de escolha escolar aumentaram em mais de dois terços dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nos últimos 25 anos. No entanto, evidências sugerem que as políticas de escolha escolar beneficiam mais as populações privilegiadas. Com frequência, nos sistemas de escolha escolar, os pais ou responsáveis baseiam sua escolha em fatores como composição demográfica, o que pode levar à diminuição da diversidade e reforçar as divisões socioeconômicas. Na Finlândia, a escolha escolar era exercida principalmente por famílias com nível educacional elevado cujas crianças se sobressaíam academicamente. Em Santiago, no Chile, apenas um em cada quatro pais de estudantes da primeira série escolheram a escola com o melhor desempenho da sua lista de preferências, e quase 70% apenas procuraram escolas em termos de sua filiação religiosa. Programas de vouchers podem equalizar a escolha de escolas, mas seu impacto na educação é variado. O programa colombiano voltado para bairros de renda baixa aumentou as matrículas em escolas particulares, bem como os níveis de sucesso e taxas de graduação dos beneficiários de vouchers escolares. No entanto, disponibilizar os vouchers escolares de forma universal e permitir que as escolas elevem suas mensalidades pode provocar o aumento da desigualdade no acesso à educação, sem melhorar o desempenho dos estudantes. Na Suécia, o programa de vouchers escolares universal foi associado ao crescimento da segregação. O Chile tem um sistema altamente estratificado, pois seu programa de vouchers escolares incentivou a admissão seletiva de estudantes de renda alta ou daqueles que apresentavam melhores resultados; e, em 2008, as reformas para melhorar o direcionamento do sistema pouco contribuíram para melhorar a equidade.

Nem tudo tem um preço

E quando falamos dessas várias facetas da responsabilização, é importante trazer uma contribuição de Bowles. O debate sobre responsabilização tem um contraponto muito interessante. Samuel Bowles, pesquisador que lidera o Programa de Ciências Comportamentais do Instituto Santa Fé, defende que quando pagamos pessoas para fazer coisas que eles sabem que deveriam estar fazendo como bons cidadãos, elas tendem a desvalorizar a base moral para agir dessa maneira. Em seu fantástico novo livro, The Moral Economy , Samuel Bowles, leva essas observações um passo adiante. Ele sugere não apenas que é importante entender como os incentivos e a moral afetam o comportamento humano, mas também que devemos considerá-los juntos, porque o uso de incentivos pode influenciar e muitas vezes influencia as escolhas morais. Por meio de uma combinação de argumentos lógicos, narração de histórias e pesquisas substanciais de caso e campo, Bowles apresenta um argumento convincente de que não apenas os incentivos financeiros são muitas vezes equivocados – como podem até piorar a situação. Um exemplo simples e bem conhecido que é usado vem de Haifa, Israel. Em 1998, seis creches impuseram uma multa aos pais que estavam atrasados ​​na coleta de seus filhos. Os pais responderam aparecendo tarde com o dobro da frequência. Mesmo quando os centros revogaram a multa após 12 semanas, a demora dos pais persistiu! Em vez de apelar para o senso de bem comum, a taxa fez com que os pais assumissem que pagar a multa compensava o atraso.

Claramente, afirma Bowles, se a multa fosse grande o suficiente, os pais poderiam ter se comportado de maneira mais pró-social. Mas talvez uma política diferente não tenha eliminado as motivações éticas e sociais. Bowles contrasta bem o exemplo da creche com um pequeno imposto sobre sacolas plásticas implementadas na Irlanda, juntamente com uma forte campanha de educação pública com a mensagem: “Não destrua a Ilha Esmeralda”. O apelo ao bem comum combinado com a taxa reduziu o plástico Consumo de sacos de 94 por cento em apenas duas semanas!

O desafio de Bowles ao pressuposto de que os mercados são “zonas livres de moralidade” coloca em questão algumas das escolhas mais básicas de governança. Quando tudo tem um preço e todos os contratos incluem todos os custos e contingências concebíveis, os mercados competitivos maximizam a utilidade e não exigem suposições sobre moralidade. Mas e se você não puder monetizar algumas coisas? Pior ainda, e se colocar um preço em tudo nos forçar a descartar a moralidade intrínseca, a “ética de trabalho do funcionário, a criatividade do engenheiro de software ou a honestidade do mutuário ou do gerente de ativos”? A confiança cega na bondade humana provavelmente não é sábia, mas pode ser atraente.

Mais filosófica e conceitual do que prática, o livro “Economia Moral” faz perguntas mais do que sugere aplicações. É provocativo, mas pode deixar um leitor perguntando: “E agora?” Eu adoraria ouvir as palestras de Bowles nas quais seu livro se baseava – eu realmente queria ouvir as perguntas e respostas sobre o que tudo isso significa para decisões reais. fazer. No entanto, o livro me fez recuar e pensar de novo sobre uma série de questões políticas. Mercados específicos, por exemplo: De acordo com as idéias do livro de Bowles, devemos precificar o carbono, mas provavelmente não o sangue ou o sexo, e definitivamente não os órgãos humanos. E cidadania: É uma obrigação, um direito ou algo que temos que pagar às pessoas para fazer? Projeto organizacional: você provavelmente ainda deve usar as comissões como base para remuneração, mas não ignore os valores, a cultura e a narrativa como meio de impulsionar o desempenho dos funcionários.

De acordo com um velho ditado, “Leis controlam o homem menor. A conduta correta controla o maior”. Talvez, como Bowles sugere, essa afirmação não seja um clamor libertário, mas uma observação de que poderíamos ter uma sociedade melhor se percebêssemos que os humanos não são racionalistas totais como Spock de Star Trek .

Outro exemplo citado por Bowles vem do corpo de Bombeiros de Boston.  Quinze anos atrás, o Corpo de Bombeiros de Boston encerrou sua política de dias de doença ilimitados, na esperança de conter os surtos de gripe que pareciam acontecer às segundas e sextas-feiras. Bombeiros que levam mais de 15 dias de doença teriam seu pagamento atracado. No ano seguinte, o número de dias de doença mais do que duplicou. E os dias de doença em torno dos feriados de fim de ano aumentaram em uma ordem de grandeza. Como a adição de um incentivo financeiro explícito pode empurrar o comportamento na direção errada? O caso de Boston dificilmente é isolado. Além da evidência anedótica, Bowles oferece exemplos da teoria dos jogos. Em experimentos, jogadores de jogos do tipo “dilema de prisioneiro”, com dinheiro real em jogo, muitas vezes se envolvem livremente em comportamentos que beneficiam os outros jogadores enquanto reduzem suas próprias recompensas. Quando os experimentadores acrescentam incentivos ao altruísmo, o comportamento altruísta freqüentemente declina.

Examinar o caso desses bombeiros fornece uma noção intuitiva do que está acontecendo nesses casos. A mudança na política do dia doentia substituiu um relacionamento que respeitava a honra dos bombeiros por um que dava um preço à sua obediência. Em vez de tratar de aparecer para trabalhar nas férias como um dever, tornou-se algo que eles poderiam comprar para sair. Muitos decidiram que o preço valeu a pena pagar. Bowles chama isso de “exclusão de preferências sociais”. A existência desse fenômeno – e depois de ler os leitores do livro dificilmente duvidam de sua realidade ou de sua importância – vira de cabeça a ideia de que os mercados são simplesmente produtos da interação de impulsos egoístas. A causalidade também vai para o outro lado. Os mercados também produzem impulsos egoístas que, por sua vez, podem privar os motivos altruístas de seu lugar essencial no ecossistema psicológico. Oferecer o tipo errado de incentivo material para isso – um pouco de pagamento extra por mentoria, digamos – pode minar esse apoio mútuo, tornando-o apenas mais um tipo de trabalho (mal remunerado) ou outra caixa a ser assinalada.

Bowles defende uma longa tradição de ceticismo quanto ao poder do interesse próprio que remonta a Aristóteles e, passando por Rousseau, assume sua forma contemporânea com pensadores como Kenneth Arrow e Albert Hirschman. A ideia central é que nenhuma estrutura ou contrato de mercado é tão bem projetado que possa eliminar todas as oportunidades para que os maus atores tirem vantagem injusta dos crédulos. Sempre haverá oportunidades para trapacear. Portanto, sem um histórico de boa vontade e confiança, os benefícios mútuos do comércio e da cooperação nunca serão realizados. Cada parte será, muito racionalmente, muito desconfiada da outra para dar o primeiro passo. Os preços expulsam a boa vontade porque não são apenas incentivos. Eles transmitem mensagens também. Nos casos mais simples, podem sinalizar que o domínio do incentivo não é o lar adequado para preocupações morais. Aqui, Bowles oferece o exemplo categórico de seus próprios filhos, que, quando lhes são oferecidos salários para fazer as tarefas domésticas como um suplemento às suas mesadas, deixaram de fazer as tarefas por completo. Sua obrigação moral de ajudar ao redor da casa tinha sido suplantada. Mais significativamente – e aí Bowles aborda algumas das questões mais fundamentais da psicologia moral – eles podem reduzir os impulsos egoístas ou desconfiados do criador do incentivo (seja um formulador de políticas ou um formador de mercado), ou revelar que o incentivo é uma tentativa de negar a autonomia do seu alvo.

Em vez de motivar cidadãos ou trabalhadores, os incentivos errados os alienam. Indivíduos não são apenas maximizadores. Eles rejeitarão os incentivos que os tratam como commodities. “Quando as pessoas se envolvem no comércio, produzem bens e serviços, poupam e investem, votam e defendem políticas”, escreve Bowles, “eles estão tentando não apenas obter as coisas, mas também ser alguém, tanto aos seus próprios olhos quanto aos olhos das pessoas. outras.” As motivações e o comportamento magnânimo fluem da percepção do indivíduo como livre, digno de confiança, capaz de outorgá-lo e de não ser tratado como um idiota ou um idiota. Ninguém quer ser uma mera engrenagem no sistema de recompensas e punições, respondendo mecanicamente aos preços de mercado. Em passagens como essa, Bowles parece um pensador moral cujo nome não aparece em nenhum lugar de seu livro: Immanuel Kant. A idéia de que as interações sociais devem ser constrangidas pelo respeito pela auto-estima autônoma dos outros tem muito em comum com o imperativo kantiano de que os outros nunca devem ser tratados simplesmente como um meio para um fim. Claro, as diferenças são grandes. Bowles está fazendo um ponto psicológico descritivo, enquanto o argumento de Kant era sobre a própria natureza da liberdade e da razão. Ainda assim, é interessante como muitos pensadores que querem enfatizar que as pessoas são mais do que egoístas acabam ecoando o sábio de Konigsberg. O livro é, felizmente, muito mais fácil de ler (e muito mais curto) do que A Crítica da Razão Pura de Kant . E exige muito pouco em termos de conhecimento técnico de economia ou teoria dos jogos. Não é, no entanto, leitura leve; os argumentos e exemplos, sucintos como são, requerem atenção cuidadosa.

Assim, deveria a ideia do homem econômico – o Homo economicus amoral e egoísta – determinar como esperamos que as pessoas respondam a recompensas monetárias, punições e outros incentivos? Samuel Bowles responde com um retumbante “não”. As políticas que seguem este paradigma, ele mostra, podem “expulsar” motivos éticos e generosos e, portanto, o tiro sair pela culatra. Mas os incentivos em si não são realmente os culpados. Bowles mostra que a superlotação ocorre quando a mensagem transmitida por multas e recompensas é que o interesse próprio é esperado, que o empregador acha que a força de trabalho é preguiçosa ou que o cidadão não pode ser confiável para contribuir para o bem público. Usando estudos de casos históricos e recentes, bem como experimentos comportamentais, Bowles mostra como incentivos bem concebidos podem se amontoar nos motivos cívicos dos quais depende a boa governança.

Quando estamos a debater o processo de responsabilização um olhar ao que Bowles escreve ilumina a reflexão de maneira inteligente para os seus limites.

 

Porque é preciso conectar governos para enfrentar os problemas complexos da atualidade?

Das mudanças climáticas à urbanização, da desigualdade aos empregos perdidos para a automação, os maiores problemas da atualidade são complexos e conectados. No entanto, em geral, os servidores públicos ainda são forçados a tentar resolvê-los rapidamente e com recursos escassos. Uma pesquisa[1] relatada em artigo de Robyn Scott e Lisa Witter na Stanford Social Innovation Review (SSIR), buscou entender quais fatores limitavam sua eficácia e descobriu que um número considerável de respostas se enquadrava em uma única categoria: uma falta crítica de conexão – de ideias,  de colegas que enfrentaram problemas semelhantes e a parceiros que poderiam ajudar a implementar soluções. Apresento aqui algumas de suas ideias.

Innovation Road Sign with dramatic clouds and sky.

Esse padrão leva, na melhor das hipóteses, à duplicação de esforços e às despesas evitáveis ​​do contribuinte; na pior das hipóteses, leva à adoção de políticas que já provaram ser ineficazes, ou à incapacidade de adotar boas políticas, a um grande custo para a vida e os bolsos dos cidadãos. Em um mundo conectado, a criação de políticas conectadas, com todos os seus muitos benefícios, continua sendo uma exceção.

A pesquisa descobriu que a “desconexão” se desdobra em cinco categorias. Um olhar mais atento a essas categorias pode ajudar os formuladores de políticas a enxergar o desafio diante deles com mais clareza:

  1. Governos Desconectados – Existe uma “verdade” nos governos de que toda política é local e dependente do contexto. Se isso foi uma afirmação precisa, hoje é questionável. Embora toda a política deva, em última instância, ser personalizada para as condições locais, é absurdo supor que há pouco ou nada a aprender de outros países, regiões ou municípios. Três tendências, de fato, indicam que as soluções se tornarão cada vez mais cambiáveis entre os países. A primeira é que os problemas estão se tornando mais globais – pense em mudanças climáticas, refugiados, desigualdade, segurança cibernética, terrorismo e inteligência artificial. A segunda: novas tecnologias, novos modelos de negócios e novos mecanismos de financiamento – todos eles inerentemente compartilháveis ​​- sustentam cada vez mais as soluções. A terceira é que as pessoas continuam se mudando para as cidades e as cidades são muito mais parecidas do que os países.
  2. Problemas desconectados – O que a política de mudança climática pode suportar sem uma estratégia de criação de emprego? Que reforma sensata da justiça criminal não considera a educação? No entanto, mesmo dentro dos países, os departamentos e seus funcionários geralmente permanecem estrangeiros entre si, assim como as nações. Os diferentes departamentos governamentais frequentemente têm diferentes redes, diferentes jargões e, talvez de forma mais destrutiva, diferentes orçamentos. Orçamentos, uma vez alocados, são gastos dentro desse departamento. A alocação de orçamento torna-se assim um jogo de soma zero. Um departamento de educação pode precisar envolver serviços sociais para ajudar a reduzir a frequência escolar precária. Mas, mesmo que haja uma economia líquida se todas as economias orçamentárias se acumularem para o departamento de educação, os serviços sociais têm pouco incentivo para se envolver.
  3. Servidores Públicos Desconectados – O isolamento dos governos e dos departamentos governamentais é causado e reforça o isolamento das pessoas que trabalham no governo, que têm poucos incentivos – e muitos desincentivos – para compartilhar o que estão trabalhando. Como a maioria das grandes instituições, o governo é avesso ao risco. Mas, ao contrário das corporações, há poucos ganhos a serem obtidos no governo, mesmo para aqueles que assumem riscos com sucesso. Não há recompensa financeira. E com os meios de comunicação ávidos por histórias que critiquem o governo, as penalidades para o fracasso são altas. Mesmo projetos amplamente julgados como bem-sucedidos podem ser duramente criticados; o governo é complicado e as decisões políticas sempre exigem compensações. Por isso, é mais seguro ficar em silêncio. Mas esse silêncio tem um alto custo.
  4. Cidadãos Desconectados – O governo sem engajamento cidadão é como um restaurante sem cardápio. Há áreas de progresso cada vez mais visíveis em superar as desconexões do governo, sendo o engajamento cidadão um deles. Ainda estamos nos estágios iniciais, mas as ferramentas do setor privado, como o design centrado no ser humano e o design thinking, se tornaram palavras-chave do governo. E as plataformas que permitem novos tipos de envolvimento dos cidadãos – desde o orçamento participativo até os aplicativos que as pessoas usam para denunciar buracos – estão surgindo cada vez mais em todo o mundo. Estamos esperançosos de que esta tendência acabará por gerar mais compartilhamento entre os governos. Quando os cidadãos de um país veem o que os cidadãos de outro país estão obtendo de seus governos – e têm canais para exigir o mesmo de seus representantes -, é mais provável que os governos atendam às lições de outros países.
  5. Ideias Desconectadas – De acordo com os próprios dados do Banco Mundial, um terço de seus relatórios nunca é lido, nem mesmo uma vez. As fundações e a academia despejam dezenas de milhões de dólares em pesquisa de políticas com poucos canais direcionados para alcançar os formuladores de políticas (no Brasil nem esse movimento é notado); eles também tendem a produzir e fornecer informações em formatos que os formuladores de políticas não acham úteis. As pessoas no governo, como todos os outros, estão frequentemente em seus telefones celulares e com pouco tempo. Pior, algumas informações nunca são captadas: o governo do Reino Unido (sem dúvida um dos governos mais bem administrados do mundo) perdeu recentemente £ 2,5 bilhões em relatórios que encomendou a cada ano, deixando servidores públicos do Reino Unido vasculharem a Internet em busca de registros “fantasmas”. quando eles precisavam deles. E a informação, mesmo que exista e mesmo que seja lida, não é suficiente. Para adotar ou adaptar adequadamente uma política, os funcionários públicos precisam conversar com aqueles com experiência em implementação – pessoas que experimentaram e superaram os desafios ocultos de fazer as coisas acontecerem.

Quando a conexão libera recursos para novas iniciativas – O países da OCDE gastam cerca de 40% de seu PIB com o trabalho do governo (cerca de US $ 16 trilhões). Estima-se  que o total global esteja em torno de US $ 30 trilhões. De acordo com a pesquisa, se políticas mais conectadas pudessem ajudar apenas 1% do gasto total do governo a ser implantado 50% mais efetivamente – uma ambição razoável -, seriam liberados mais de US $ 100 bilhões por ano globalmente em economia ou criação de valor.

As condições estão prontas para que isso aconteça, pelas razões descritas acima e porque os millennials, que compartilham por natureza, estão começando a assumir funções de alto escalão do governo e exigindo que as coisas sejam feitas de forma diferente. Não será fácil. Mas há muitas maneiras de começar que nem exigem grandes mudanças ou reformas.

liderança inovacao

Aqui estão alguns:

Amplie o conjunto de talentos do governo – Muitos dos funcionários públicos mais eficazes que conhecemos passaram algum tempo no setor privado ou na sociedade civil. Confrontado com a expressão “É assim que as coisas sempre foram feitas”, eles encontram várias maneiras de contornar o sistema.

Proteger talentos  – O inovador MindLab da Dinamarca envia funcionários públicos com visão de futuro para a ação nas agências do governo para interromper o pensamento antiquado e ineficiente. Isso ajuda as agências  a sobreviverem à inércia institucional e à resistência.

Comunicar o lado positivo do risco – A agência de inovação da Suécia, Vinnova, deixa bem claro que obterá taxas de erros semelhantes às de capital de risco em seus investimentos ousados ​​e em estágio inicial. Definir essa expectativa torna muito mais fácil para a agência compartilhar falhas quando elas acontecem e falar sobre (e implementar) lições aprendidas.

Use dinheiro para impulsionar a colaboração – O departamento de saúde de Baltimore teve sucesso significativo com o “orçamento global”. Sob essa abordagem, os hospitais não são pagos de acordo com o número de procedimentos que realizam ou pacientes que recebem. Em vez disso, eles recebem um orçamento anual e são instruídos a gastá-lo como quiserem. A lógica é incentivar os hospitais a gastar dinheiro de forma mais eficiente. Desta forma, torna-se mais barato para o departamento de saúde gastar seu dinheiro em colaborações com outros departamentos que possam manter as pessoas saudáveis e fora dos hospitais.

Aproveite o melhor da tecnologia para compartilhar e aprender – O objetivo é fazer parte da solução nessa frente. Então, para complementar e reforçar apenas esses tipos de estratégias, foi criada uma plataforma online que conecta funcionários públicos em todos os níveis do governo a pessoas que lidam com os mesmos problemas em outros lugares. Através da plataforma é possível reunir ideias, pessoas e evidências de maneira que esperamos encorajar a ação.

Referencia:

[1] https://idging_governments_bordersssir.org/articles/entry/br